Poemas de Ana Kilesse

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 Brisa - Ana Maria Kilesse

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 Viver - Ana Maria Kilesse

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 Criança - Ana Maria Kilesse

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 Vento - Ana Maria Kilesse

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 Fragmentos - Ana Maria Kilesse

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 Você - Ana Maria Kilesse

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 Retratos - Ana Maria Kilesse

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 Pacto - Ana Maria Kilesse

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 Tristeza - Ana Maria kilesse

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 Silêncio - Ana Maria Kilesse

 

BRISA


ANA KILESSE
Vento leva para longe
essa dor do peito.
Varre deste coração as teias,
tramas de um passado
que não faz mais sentido.
Purifica esta alma
que clama por momentos
de paz e paixão.
Não quero viver do passado,
o presente se faz clemente
por uma vida tranqüila, em paz...
Leva do peito essa mágoa
que nada acrescenta e tudo cobra.
Dê passagem à uma nova brisa
brisa molhada como o orvalho
o qual tem vida durante a noite
e com o sol se desfaz,
dando cor e vitalidade,
a tudo que se faz presente.

      

CRIANÇA

ANA KILESSE


Como criança que faz pirraça,
bate pé, amassa a roupa que veste
só para chamar atenção
do que quer.
Faço o mesmo,
arranco a minha criança
de dentro de mim mesma
para viver,

quando por perto está
o meu desejo.
Desejo de ser notada,
colocada no colo...
Aquecida pelas roupas
da vontade de ser.
Ser querida, desejada,
amada com ardor.
Tomada por uma febre,
febre de amor.
Que queima como o fogo,
fogo da paixão.
Minha criança sente medo
deste desejo.
Preciso que me ensine
a amar, a sentir...
Não sei como começar,
ainda não aprendi.
Como se pode fazer
o que não se sabe...
Vivenciar, conseguir amar
se não aprendi?

      

FRAGMENTOS

ANA KILESSE


Volto em busca de fragmentos,
De um ser perdido no tempo,
Largados a deriva de uma mente,
Sem consciência de sua integridade.
Retomo ao túnel do tempo,
Na esperança de encontrar,
Esses elos projetados,
Em um prisma de luz, que se espalharam,
 Distorcidos e sem identidade,
Deixando em meu ser,
Um enorme vazio,
Sem essência, sem contorno.

      

 

 

 

RETRATOS

ANA KILESSE



Olhando cópias dos negativos
Arquivados lacrados
Esquecidos... Amarelados
Em gavetas sem manuseio.
Guardados pela sabedoria divina
Como um bálsamo
A um coração ainda sangrando
Pela ausência atual.
Lágrimas brotaram aos olhos
Quase de imediato.
As fotos remexeram, escavaram
Feridas escondidas
Adormecidas...
Falsamente amortecidas
Pela consciência.
Era preciso sobreviver aos fatos
E simplesmente viver.
Chegou a hora de sentir a dor
Sufocada no peito
Ir até o fundo ao âmago do ser
Para poder viver.
Viver a vida que se apresenta
Com toda vitalidade
Deixar que os que se foram
Sigam seu caminho.
Saudade é sentimento nobre
Por que não senti-Ia?
Ter vergonha de chorar
A dor da partida é humano.
Divino é saber
Suplantar a tristeza com dignidade
Sem sentir pena de si mesma
E saber chorar a dor.

 

      

 

TRISTEZA
ANA KILESSE

Bem de mansinho vieste e se acomodaste
como um visitante inoportuno
Trouxeste bagagem,
prenúncio de uma permanência desagradável.
Descartei a hipótese quase com indignação.
Por que lembrar de mim neste momento de paz?
Momento em que dei trégua
ao meu coração.
Estou em paz comigo mesma, sem conflitos
Chegaste em má hora terei que te sublimar.
Terei que lavar o cérebro, te expurgar ...
Não quero sofrer,
estou em busca de paz,
de um encontro sem hora marcada,
intenso como o amor que está para chegar.

      

 

VIVER

ANA KILESSE

Saí decidida a não voltar
Preciso de tempo para sentir
Sentir saudade... ver a falta que faz
Falo por mim sem nem mesmo saber
Se será possível deixar de te ver.

Será que faço falta, se lembras de mim
Quando não estou perto sem contato
Cadê a coragem de sentir sem viver
Vivenciar o sabor da presença
O aconchego de palavras e gestos.

Quem me viu tempos atrás
Será que me reconhecerá agora
Liberta do ranço da tristeza
Brigando por um lugar ao sol
Sol da esperança, a volta da vida enfim.

      

 

VENTO

ANA KILESSE

Corro contra o vento
Brisa forte
Cabelos revoltos
Em desarmonia.


Numa ânsia louca
De uma afago...
Agradeço a mãe natureza
Esta manifestação
Tão oportuna.

Em busca de interiorização
Entrego-me
De peito aberto
A tudo que traga alento.

Preciso de ar para respirar
Corpo e alma...
Sufocados anseiam
A liberdade do vento.

      

 

VOCÊ
ANA KILESSE

Você foi saindo de minha vida
De maneira furtiva, esquiva.
Como uma sombra que sobrepõe
O próprio corpo, para não ver a reação
Reação que sugira de sua ação.
Seu rosto tão transparente
Modificou-se... Para encobri-lo
Usaste máscaras, performances
Das mais diversas.
Apresentando-se conforme a ocasião.
Pistas deixadas pelo caminho
Da vida que se seguia
Sem nem mesmo saberes o por que.

      

 

PACTO
ANA KILESSE

Fiz um pacto com a vida...
deixe-me viver

e não terei saudade deste tempo
que por aqui passei.
Quero alegria e uma pitada de prazer
O que não muda,
não fica do jeito que está,
apodrece, desintegra-se, volta às origens.
Quero deixar rastros por onde passei,
marcas estas
que saberão ser minhas.
Viver sem buscar explicação para tudo,
sonhar e deste sonho
viver uma realidade sem ter que dizer:
A vida é mesmo assim...
Serei grata pelo tempo vivido intensamente,
não peço muito em troca,
só um pouco de paz.
Vou buscar o que me dá prazer,
vivenciar de corpo e alma
tudo que a vida me proporcionar.

      

 

SILÊNCIO
ANA KILESSE

Silêncio...
porque insistes
em se instalar
fazendo um vácuo
no peito que dói.
Por que martelas em surdina?
Todo o ser em prontidão
espera por um barulho.
Anseia que se quebre
este silêncio dolorido.
Preciso quebrar este silêncio,
mas como?
Acho que as martelas são amortecidas
para que de fora não escutem
o estrago que fizestes
neste peito comprimido,
esmagado por um silêncio avassalador
Preciso de vozes, gritos...
enfim, vida.
O silêncio se cala como mortalha.

      

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