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Falarei à quietude das rosas à sua altivez descansada nos ramos.
Cantarei à presença de suas formas em rituais de noivados ou renascimentos
Eu falarei da leveza de seus gestos evocando a ternura da mulher a carícia do amante.
Direi da música das águas de mãos a desatar grinaldas de lábios a desfolhar perdão.
Falarei também de uma força criadora a modelar a dirigir todas as coisas.
À hora silenciosa do crepúsculo eu falarei às quietudes das rosas.
Lia Corrêa
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Como disse um poeta: _"Não sei se o que eu escrevo é bom ou ruim... Só sei que gosto do que escrevo..."
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Quando escrevemos um poema é parte de nós que transfere-se para o papel; Quando oferecemos um poema nosso a alguém, é parte de nossos sentimentos que transferimos para esse alguém, e traduz-se em forma de amizade. Tudo aquilo que não pode ser dito por palavras, é traduzido pelo coração... Assim é a amizade!
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Música de fundo: AS ROSAS NÃO FALAM Composição: CARTOLA
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IMAGENS FORAM TIRADAS DOS SITES: http://www.ilonarostmartins.com http://sofinesjoyfulmoments.com http://www.angelfire.com/nj2/rose36/
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ROSAS DE AREIA |
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ALMA DE POETA |
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Sou
como pássaro errante Que
não sabe onde pousar, Mas
no fundo se acha importante Por
somente saber amar. Uma
alma de poeta é mensageira Das
mais profundas emoções Que
bem no fundo, ao espírito massageia. E
alegra aos doridos corações. Ah!
Esta alma de poeta é sofrida, Mas
procura ao semelhante agradar. Sofreu
com as agruras da vida, Mas
nunca deixou de amar! Sou
como pássaro errante. Que
procura um local para pousar. Fica
logo ali adiante, No coração de quem o cativar.
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PÁSSARO DA NOITE |
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Adormeci!
Meu espírito,
pássaro da noite, desprendeu-se do corpo físico
acalentado,
na linda plumagem do irreal.
Voou
alucinada a tua procura!
Foi
busca-te na imensidão da madrugada...
Percorreu
longos caminhos...
trilhou
por planetas desconhecidos...
Viajou
à galáxias distantes...
Já
cansado, vislumbrou tua alma-criança
repousando
em rósea nuvem.
Teu
semblante revelava sublime encantamento!
Temendo
quebrantar a magia do momento,
acolhi-me,
mansamente, junto a ti
e também
repousei.
Despertamos!
Tua
alma e a minha fundiram-se numa só,
criando
um elo tão perfeito que:
uma luz
divina clareou todo o universo;
os
anjos entoaram cânticos em nosso louvor;
uma emoção
maior se fez presente.
Tudo
serenou diante à força de nosso amor!
Nossas
almas, amantes de tantas e tantas outras vidas,
reencontraram-se
uma vez mais.
"Palavras"
fizeram-se desnecessárias,
tamanha
a intensidade de sentimentos
que
emanavam de nossos corpos espirituais.
A
aurora, núncia de um novo dia,
enciumada,
espreitou-se no firmamento,
manifestando
seus primeiros sinais.
Meu espírito,
pássaro da noite, assustou-se
ante à
claridade repentina.
Desagregou-se,
inconformada, do teu.
Era o
momento do adeus!
Seguiu
viagem rumo ao corpo jazente
no sono
profundo, que tentava,
ansiosamente,
ao mundo do real retornar.
Despertei!
Tive a
doce ilusão de contigo ter sonhado,
sem,
contudo saber que,
verdadeiramente,
estivera
a teu lado
e não
fora um sonho apenas.
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ESTAÇÕES DO AMOR |
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A primavera passou
e apenas vozes
ecoam
como tanger dos
sinos
na Ave Maria.
Com ela
partiram meus encantos,
meus sonhos e
esperanças acalentados.
A mais tola
aspiração foi esvaecida
nas mangas
largas do tempo.
Nem mesmo, um só
ramo de esperança
ficou para
serenar este pranto,
essa saudade
inimiga.
As chagas de um
amor esmorecido,
ardem,
atrozmente, nesse
pobre coração,
tão sofredor.
Nesse inverno
de angústias,
nem mesmo um
raio de felicidade
vem iluminar as
implacáveis
dores, ali
alojadas.
Talvez um verão,
disfarçado de
outono
transcenda esse
cruel sofrimento
e os deuses do
amor
se compadeçam
de mim
esvaindo-se em
sangue
essa profunda
afeição
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VINO, CANZIONE E AMICO PER ME |
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Elevo aos lábios, a taça espumante. Bebo o vinho - néctar dos deuses. O pensamento é um navio flutuante a comemorar os tempos felizes.
Ouço a canção como um estimulante, recordando momentos fugazes. A emoção - sentimento resultante, embriaga meus instintos vorazes.
Desdobro as cortinas do passado, em busca de algo, com loucura... ânsia cruel de amante apaixonado.
Pela vontade divina, terei tal legado e chegará ao fim alucinada procura - Juntos: vinho, canção e o amigo desejado.
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FIM DE FESTA |
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Jesus acabara de nascer, e eu acabara de morrer. Passara a meia noite... uma noite de Natal. A euforia de todos não conseguia amenizar minha angústia, meu sofrer. Na mesa, restavam copos sujos, garrafas vazias, alguns pedaços de peru. Nunca deveria ter ido àquela festa. Elas sempre me fazem mal. Uma angústia, um sofrimento, toma conta de mim. Naquela noite, o mundo parecia um profundo abismo. Meus amigos eram carrascos próximos á execução. De quem? Não sei!... Talvez, minha! As pessoas divertiam-se. No final, iam para seus lares felizes. Essa felicidade me irritava. Nunca soube o porquê. Eram quase duas horas da madrugada, andava pela rua sem rumo. O efeito da bebida, esvaía-se da mente. Os pensamentos eram turbilhões de palavras sem nexo. Parei...Lembrei-me da festa. A festa acabara, ou tudo fora um sonho? Aquela era realmente a Noite de Natal? Sim...sim, era a Noite de Natal. As pessoas divertiam-se, cantavam. Nas igrejas, os sinos repicavam. Em Belém, Jesus nascera novamente. Eu estivera impassível a tudo isso. Jamais poderia eu ser feliz se outros eram infelizes. A festa acabara. Jesus nascera novamente. Eu morrera, para ressuscitar no amanhã de um outro dia e fazer algo pelo mundo... por aqueles que eram infelizes e por mim mesma.
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COR DE TERNURA |
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As
cores falam
de
coisas simples,
singelas,
recônditas
na alma
das
pessoas
que
admiram a harmonia
nelas
existentes.
Qual é
o significado da cor?
dizem
os físicos,
em seu
linguajar científico,
prosaico...
Cor:
impressão que produzem
no órgão
visual, os raios
da luz
refletida nos corpos.
A cor
necessita de um ser
que a
empoete,
que
demonstre a beleza,
a
sutileza,
de sua
existência.
Branco...
cor da
pureza,
da
bruma evanescente...
cor da
paz,
que nem
todo mundo sente.
Azul...
cor do
mar,
do céu
sem nuvens,
cor do
meu olhar.
Amarelo...
cor de
ouro,
metal
precioso...
metal
perigoso...
cor do
sol,
que
sustenta a vida
e
colore o arrebol.
Vermelho...
cor de
sangue,
sangue
jorrado
de
feridas profundas
de
almas sedentas
de fome
e justiça.
Verde...
cor da
natureza,
árvore,
esperança...
Esperança,
que num
futuro próximo
exista
ainda
natureza
a ser vista.
Preto...
cor da
noite,
cor de
gente,
cor da
alma
daqueles
que não sentem
as
negritudes da vida.
Rosa...
cor de
ternura,
da flor
bela e temporosa,
da moça
que é pura.
Marrom...
Ébano
dos teus olhos,
fugazes,
traiçoeiros...
Olhos
que procuram
e não
encontram.
Olhos
que encontram
e
desistem de lutar
antes
de tentar.
Cinza...
cor que
recorda
a
insensibilidade de quem vive
nesta
vida
sem
saber
que o
mais importante
de
tudo é o
amor
que
o
nosso
coração
sente.
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AMOR EXILADO |
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ROSA BRANCA |
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Rosa branca, ganhei um dia E a tristeza em mim morou. Aquele ser que eu mais queria À solidão me abandonou
O meu peito vi sangrar. A rosa branca tingiu-se. Eu tremia a soluçar Pelo ingrato que partiu-se.
E partindo foi pra longe. A rosa branca murchou. Hoje só restam saudades De quem nunca mais voltou.
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CAMINHEMOS |
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Dê-mo-nos as mãos eu, tu e o tempo... Seguimos a árdua estrada à procura do esquecimento.
Caminhemos, unidos como se fôssemos irmãos, trilhando caminhos, longas jornadas... sem nada a perdermos ou tão pouco algo a encontrar...
Caminhemos, eu, tu e o tempo... Eu tentando buscar-te. Tu desejando encontrar-me. O tempo enganando a ambos, passando rápido, cada vez mais deixando-nos para trás, sem nada a perder... Só eu...só tu...
Caminhemos os dois em estradas perpendiculares. No fim, de um negro túnel, uma luz brilhou. Talvez a esperança de eu e tu, novamente sermos Nós.
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SER MULHER... |
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Ser mulher não é ter apenas cromossomos XX no seu genoma.
Ser mulher não é apenas: parir filhos e depois criá-los, cuidar da casa, da comida do marido, das compras do supermercado, ter dupla ou tripla jornada de trabalho sem remuneração...
Ser mulher é querer amar e ser amada! Respeitar e ser respeitada! Dar felicidade E ter o direito de ser feliz!
E sobretudo, ser VALORIZADA como ser humano que é...
MULHER!!!
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EXALTAÇÃO |
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Tu hás de ser eterno, porque eterno é: o esplendor do Universo; o sentimento de Deus; o meu Amor por ti!
Tu hás de ser infinito, porque infinito é: o brilho das estrelas; o calor do sol; o meu Amor por ti!
Tu hás de ser o mais amado dos homens que habitam a Terra, porque, como uma mãe que ama o filho, em seu ventre gerado, _Eu te amo!
Tu hás de ser eterno...infinito, porque eterno e infinito é o amor! Amor: criação divina...! Elo de união entre os homens...! Razão maior da existência humana...!
É esse o sentimento que abrigo por ti no santuário de meu coração e somente a ti, quero ofertá-lo.
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PALAVRAS |
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EU
QUERIA ESCREVER PALAVRAS FORTES
QUE
TRANSCENDESSEM A IMENSIDÃO DO INFINITO,
REPOUSASSEM
NO LUME DE UMA ESTRELA,
BRILHASSEM
AOS OLHOS DO HOMEM
ACENDENDO
SUA PRÓPRIA VERDADE NO CORAÇÃO.
EU
QUERIA ESCREVER PALAVRAS ETERNAS,
QUE
FLUTUASSEM NA INCREDULIDADE DA VIDA;
FORTALECESSEM
ÀS EXISTÊNCIAS DO UNIVERSO,
LEVASSEM
A TODOS A MENSAGEM CONTIDA
APLACANDO
AS DORES HÁ MUITO SENTIDAS.
EU
QUERIA ESCREVER PALAVRAS BONITAS,
QUE
ILUDISSEM ÀS REALIDADES DO COTIDIANO,
APAGASSEM
AS MALDADES DO MUNDO,
REVELASSEM
UM FUTURO MELHOR
REVIVENDO
AS ESPERANÇAS PERDIDAS.
EU
QUERIA ESCREVER PALAVRAS VERDADEIRAS
COMO AS
PALAVRAS DE CRISTO AOS DISCÍPULOS.
EU
QUERIA ESCREVER PALAVRAS,
NAS
QUAIS EU PUDESSE ACREDITAR...
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DUAS MARIAS E UMA MARGARIDA OU CRIANÇAS DO VENTO |
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O CATA-VENTO
GIRA...
O PASSARINHO
CANTA...
O GATINHO
MIA...
A MAMÃE NA
JANELA
CHAMA POR ELAS:
LUIZA
MARGARIDA!
MARIA
ILONA!
MARIA JOÃO!
LÁ VEM ELAS!
CORRENDO
LIVRES,
COMO CRIANÇAS
DO VENTO.
NÃO HÁ EM SEU
PENSAMENTO:
FALSIDADE, MALEDICÊNCIA,
DOR.
A CHUVA CAI...
A FLORZINHA
DESABROCHA...
O CACHORRINHO
LATE...
O PAPAI NA
JANELA
CHAMA POR ELAS:
LUIZA
MARGARIDA!
MARIA
ILONA!
MARIA JOÃO!
LÁ VEM
ELAS!
CORRENDO
LIVRES,
COMO CRIANÇAS
DO VENTO.
HÁ
EM SEU PENSAMENTO:
BONDADE,
INOCÊNCIA, AMOR.
NA JANELA,
PAPAI E MAMÃE
CHAMAM POR ELAS:
LUIZA
MARGARIDA!
MARIA
ILONA!
MARIA
JOÃO!
LÁ VEM
ELAS!
CORRENDO
LIVRES,
DE
BRACINHOS ABERTOS
COMO CRIANÇAS
DO VENTO!
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A NOIVA IMAGINÁRIA
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Nasceu para ser culta, bela Alma cândida e pura Hoje, sofre as agruras da vida Intimamente resignada, mas aparência singela Enobrece o olhar com suave candura naturalmente adquirida.
É este o perfil da noiva imaginária.
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SOU COMO O VENTO |
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Sou
como o vento, Que
varre e arrebenta! Sou
como o vento, Que
passa e acaricia! Sou
como o vento, Que
a nem tudo agüenta! Sou
como o vento, Que
sopra como brisa macia! Sou
como o vento, Que só quer liberdade!
Sou
como o vento, Que só busca a felicidade!
Sou
como o vento,
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ILONA BASTOS |
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Ilona Bastos é uma pessoa que eu conheci através da Internet. Escreve lindas histórias infanto-juvenis e também poemas. Hoje, posso afirmar que somos amigas. É por este motivo que suas poesias estão aqui.
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SONHOS COLORIDOS |
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MARIA DA FONSECA
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Maria da Fonseca é uma senhora avó, que escreve lindos poemas inspirados em seus netos e fatos do cotidiano. É outra amiga que aqui se faz presente.
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AS ROLINHAS |
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As rolinhas, que eu conheço, Têm penas matizadas De cinza, branco e castanho. Têm asas bem lançadas E as cabecinhas redondas. Muito vivos os olhitos Vêm tudo o que se passa. Brilhantes são seus biquitos. E tendo em conta o seu nome, Arrulham com alegria, Desde que vêm o Sol Até terminar o dia. A rola chama-se Juju, O menino é o Tiago. A este lindo casal Ele dá o seu afago. A primavera chegou, A Juju pôs um ovinho. E as duas meigas rolinhas Nunca deixaram o ninho. Ficava o rolo de noite Sobre o ovinho sentado. De dia sentava a rola Sobre o filho desejado. Um dia estalou o ovo, Logo os pais acorreram A ajudar a avezita, Que depressa esconderam. - Já têm o seu bébé! Grita o Tiago contente, Desejoso de espreitar A rolinha mais recente. Vê-se através da penugem O seu corpinho rosado, Sua cabeça é redonda E o olhinho bem fechado. Mas o casal de rolinhas Não deixa seu filho ver, Muito bem aconchegado Para não arrefecer. Com o bico o alimentam, Dão-lhe da sua comida. É preciso que ele cresça E se prepare p'rá vida. O Tiago admirado, Nas rolinhas reconhece O grande apego dos pais, Que seu filho lhes merece. No seu pensar de criança, Está bem certo o petiz, - Os paizinhos dão o apoio P'ró filho crescer feliz. No mundo em que nós vivemos, Esta é uma lei natural. Ao amor como o dos pais, Não há outro amor igual!
Lisboa, 15/05/00
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INSTANTÂNEO |
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VIDA DUPLA |
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- A gata tem doze anos - Passa o seu tempo a dormir. Não incomoda ninguém, E só tarde vai sair. - Mas à noite o que fará? - Parece sempre cansada. Só acorda p'ra comer, E adormece, confiada. Tapa os olhos co' as patitas Num assomo de candura. - A Fofinha é muito linda! - Diz a Irene com brandura. O seu pêlo é tigrado, E mantem-se tão sedoso! Ao querer dar marradinhas, Seu miado é carinhoso. - Andará atrás dos ratos? - Mas não posso acreditar, Que uma gata tão mansinha Ande de noite a caçar! - Pois olhe que pode crer, A Fofinha, esta beleza, De que nós tanto gostamos, Segue as leis da Natureza. E mal que assim não fosse!- A gatinha tão formosa E simpática de dia, Torna-se, à noite, ardilosa.
Lisboa,11/07/01
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| DÓRIS
VARGAS DOS SANTOS
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Dóris é mais que amiga, é como uma irmã. Hoje, é uma senhora casada com dois filhos. Em nossa adolescência, ela escreveu estes poemas!
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ESTRADA SEM FIM |
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Trilho meu caminho: triste e solitária; Entregue ao abandono; a essa solidão imensa que me devora o coração; cheia de mágoa e tristeza dessa saudade amarga na qual você me entregou, no destino cruel do sofrimento. As amarguras deixaram cicatrizes em mim. É a isso que me reduziu, com seu desprezo e sua superioridade. Deixando-me aqui sozinha, você partiu sem adeus, nem lembranças. Foi e nem se quer lembrou do amor e da alegria que vivemos. Mas as recordações, essas não morreram. Ficaram e eternamente vão viver em meu pensamento, fazendo-me andar só nesta sombria e triste estrada sem fim: _ A vida ...!!!
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VITOR DE SOUZA SEVERGNINI
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Vitor é meu irmão.Na adolescência, escrevia versos.
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A VIDA |
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FILOSOFIAS DE UM SENTIMENTO: AMOR |
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Quem sou eu? Sou uma estrela à procura de um firmamento para brilhar... Sou um mar à procura de uma praia para quebrar-se... Sou um sol à procura de um dia para iluminar... Sou um corpo à procura de uma alma para animar-se...
Quem és tu? És um firmamento em busca de uma estrela; És uma praia em busca de um mar; És um dia em busca de um sol; És uma alma em busca de um corpo.
Quem somos nós? Somos a imensidão do firmamento, onde fulgentes estrelas abrilhantam as noites Somos o mar a quebrar-se na praia em flutuantes espumas. Somos o sol que ao iluminar cada dia presenteia vida à natureza. Somos corpo e alma que animam-se ao entrarem em conjunção.
Somos nós mesmos! Eu e tu... Tu e eu... Porque nos amamos, E o amor, é a razão maior de nossa existência.
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ELAINE NEDEL
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Elaine é uma amiga fiel, companheira e sensível.
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LEMBRANÇAS |
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Gosto do vento. Gosto da chuva. O vento me leva. A chuva me acaricia. O vento me traz lembranças. Das noites de chuva fria, Em que meu amor comigo dormia. Gosto muito do vento. Gosto muito da chuva.
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AMO |
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Sofro, sinto, amo. Não é bom sofrer, Faz doer! É bom sentir, o que faz bem! É muito bom amar sentir... Aí vale a pena sofrer! Amo, sinto, sofro.
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SER MÃE... |
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Ser mãe, eu sei o que é. Não é parir, Não é nascer, Não é gerar. É conviver, É amar, É doar-se, É sofrer, É ganhar, É perder. Já ganhei, Já sofri, Já amei, Já perdi. Mas o importante é que ainda sou mãe, Sobrevivi.
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|
N A T A L |
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Em Belém,
Jesus nasceu,
numa
noite sem igual.
No céu,
a estrela apareceu
Anunciando
a festa celestial.
Nos
lares, a alegria reina.
Há
felicidade - no geral -
Uma
chama de vela queima
a
representar o espírito de Natal.
Junto à
árvore multicor,
a
petizada alegre, se ajeita
contemplando
o fulgor
dos
lumes que a ela enfeita.
O
Nascimento do menino marcou
O resgate
da vida da gente.
Papai
Noel, nesta noite chegou
Trouxe a
mim, belo presente.
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ANO NOVO |
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Sempre que um ano finda Sentimos algo de criança Apesar das tristezas, resta ainda no coração das pessoas, a esperança.
A vida é de luta, mas é linda! A nostalgia nos traz à lembrança Uma emoção que é sempre bem-vinda, pois evoca o amor, real herança.
Na favela, no campo, na mansão... em todo local, há um irmão que fé neste ano novo tem.
Nunca tiramos o mesmo retrato... Cada ano sua peculiaridade contém... Acreditemos nisso e feliz 2004!
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CREMILDE VIEIRA DA CRUZ
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Cremilde é uma nova amiga que chegou até mim, através de Ilona. Eu conhecia Avómi através de suas histórias infantis. Agora, vou conhecer junto com vocês Cremilde, através de seus poemas.
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MINHA FORMA DE DIZER |
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Só
um Vinícius, Um
Pessoa, quiçá
uma alma boa, um
ser ainda sem vícios... Um
Régio, Um
Rosa, Um
Sérgio...
Quem
entende certa glosa? E
porque não um Nobre, Um
Camões... -
Mais um que morreu pobre, alma
rica de ilusões. Mas
se fosse um Gil Vicente, Um
Garrett, quiçá
um Dante Um
desconhecido até... Mas
eu que
não posso senão passar ávidos
olhos no céu, braços
estendidos ao mar... Eu
não que
eu escrevo para gritar, derramo
chagas sem rimar, grito
gritos de solidão. Eu,
poeta?! Que
horror!!! Escrevo
mal e em linha recta, sinto
na alma uma dor, penso
assim em labirinto, escrevo
igual ao que sinto. Eu,
rimar?! Eu,
poeta?! Deixai
falar o poeta, atingir
a sua meta, que
poeta não quero ser nem
mesmo quando morrer. Deixai
cantar o cantor, fazer
prosa o prosador... Deixai
falar o doutor, que
eu só sei dizer amor.
1989/01/13
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MENINA DAS LOIRAS TRANÇAS |
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MENINA DAS LOIRAS TRANÇAS Menina
das loiras tranças, Boneca,
joinha linda, Não
te vejo de criança! Volta
atrás minha menina. Ainda
tens loiras tranças? Lindas
feições de menina? Ainda
tenho na lembrança, Que
há pouco eras criança. -
Boneca? Bons
olhos a vejam, Para
assim lhe chamarem. Joinha? Só
quem ama, Assim
pode pensar. Linda? Depende
de quem a olhar. ................. Abriram-se
os olhos, Pois
estava a sonhar E
logo fugi. É
que pus-me a pensar:.. A
menina das loiras tranças A
que tenho na lembrança Vai
deixar de ser menina Boneca,
joinha linda. Como
irá ela ficar? Ai, que susto me vai
pregar!... ............... A menina das loiras tranças Já deixou de ser menina E as tranças da menina Também deixaram de o
ser Nem é loira Podem crer Ai, menina que ontem era Porque não permanecer? Será que a pobre menina Coração continua a
ter? “Batem leve, levemente, como quem chama por mim...” É ele! É o coração da menina Que não deixou de bater - Será que ainda o vais ouvir?
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NO CAMINHO |
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Falo com o caminho Falo com o caminho,
Com as pedras...
Os eucaliptos sobrepõem-se,
Falam alto,
E há um buzinar de carros,
Que me fere os tímpanos.
A poluição dos escapes
Provoca-me arrepios,
Assim como o silêncio das luzes
Que se apagaram ao amanhecer.
Há vozes nos escaparates do muros,
Mas não falam comigo,
Falam com as silhuetas esguias dos
coqueiros
Que se elevam ao céu.
Deixei apodrecer os frutos
Daquele Setembro de marés verdes
E caminhei sem nexo
Pelos pensamentos grávidos de heresias.
Sinto, todas as manhãs,
O sopro da esperança,
Porém, o crepúsculo desce sem voz
E sem corpo duma palavra.
Quando imagino as onze horas,
De braços dependurados no vazio,
Olhos nas chaminés de tijolos fendidos
E viajo para norte a sós comigo,
Guardo na gaveta as flores de primaveras
azuis,
Nego a existência do sol no corpo da
verdade,
Esmoreço,
Sinto fome,
Sinto sede.
Olho o pão,
Olho a água,
Olho aquela maçã azul...
Não.
Não é essa fome que sinto.
Não é essa sede que sinto.
Sinto fome,
E sinto sede,
Das chuvas daquele Setembro que inventei,
Aquele Setembro
de marés verdes.
1989/09/21
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JURAMENTO |
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JURAMENTO Pintavas
mitos No
barro da onda. No
espaço compreendido Entre
um mito E
outro mito Existia
a verdade, Enigma
de tuas horas de Setembro. Cheirava
a flores murchas De
outonos anunciados há séculos, Mas
não querias acreditar nas águas E
continuavas, continuavas... Pintavas
mitos no barro da onda. A
tarde era um nome negro E
tuas mãos cansadas Estendiam-se
na senda de cabelos verdes Repousados, Mas
sem uma palavra clara. Era
a hora prolongada De
fogo extinto Sem
que te desse nada Senão
o frio a roer o tempo No
caminho sem paisagem. Acendeste
então um grito Em
teu coração devastado E
juraste que, Havias
de vencer a hora.
1989/06/25
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SEM TÍTULO |
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Não
ouvi mais nada. Não
disse mais nada. Não
fiz mais nada. Tudo
seria intemporal.
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VERSO E REVERSO |
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Teus olhos eram plácidos lagos Refletindo a vida cor da esperança Teus beijos, abraços, doces afagos Emoções que meu corpo não mais alcança.
Os anos passaram e meus estragos São as cicatrizes, não mais a doença. São as reminiscências de tempos amargos Desventuras de minh'alma criança.
Teus olhos não me trazem saudade, no entanto Refletem a mágoa que hoje te devora. Teu amor partiu...Ah!Como entendo este pranto!
A dor que sentes, um dia irá embora. As recordações são teu presente, enquanto Minha vida segue serena, agora.
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MADURA EXISTÊNCIA |
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Nossos gestos externam a experiência dos fatos passados...de uma atitude servil. Os louros de uma madura existência não apagam de todo a ansiedade juvenil.
O sentido que damos a nossa consciência está calcada numa imensa luta viril. As puras sementes sofrem a influência produzindo boa colheita, se a terra é fértil.
Quando flores são semeadas na alma desabrocham mesmo em chão de espinhos, pois o amor à dura provação acalma.
O passar dos anos traz a certeza que a madura existência é adquirida em caminhos de dor e padecer, mas também de rara beleza.
Para Cremilde com carinho P |
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HORIZONTE |
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Um
vento macio abana
as águas penetradas de espaço e
de suave melodia das canções do mar Não
há mágoa nem
o embaraço de salas sem espaço Ao
canto do sol uma
palmeira verde desfralda suas palmas que
alongadas em liberdade abraçam
o mundo inteiro É
tempo de amar qualquer
dia de domingo Aqui
não há portas nem
janelas nem
fechaduras nem
trancas Há
um horizonte enorme um
sol vindo do céu um
céu azul de mar um
mar azul de céu Aqui
há flores plantas
viçosas cactos
e rosas liberdade
de sonhar
1988
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ANEROSE BRAGA
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| Anerose
é minha companheira de escola.
Temos algo em comum: gostamos de escrever. |
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SOU ASSIM |
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Sou assim: Às vezes calma, às vezes agitada Às vezes triste e alegre, Às vezes calada, observadora. Sou estranha, faço manha, Faço riso e me acanho. Sou assim Sou amiga, sou adulta Às vezes choro, às vezes brigo Sou estranha, faço manha E me acanho. Sou menina, sou criança, às vezes brigo, às vezes xingo Sou assim. Sei chorar. Sei sorrir Sei calar Sei sentir Sei amar.
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DECISÃO |
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Penso... Dispenso... Não sei o que fazer. Será certo ou errado?
A dúvida angustia e me deprime. Vencerei ou serei apenas derrotada? Esta incerteza chega a doer. É como se a luz faltasse e sou houvesse escuridão.
Na mente é assim; Quando a luz chegar a decisão final será só uma e sem jamais ter volta.
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MENSAGENS |
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Num olhar se percebe o que o outro está sentindo, pensando, desejando?
Oh, claro que sim, responde a pessoa que ama, pois só ela consegue decifrar a mensagem pura e sincera que está contida nas profundezas do olhar da pessoa amada.
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FOLHA EM BRANCO |
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Procuro palavras para definir os sentimentos que me assolam. Temo, desesperadamente, não conseguir; As "verdades" ditas não me consolam.
É tão difícil a um objetivo perseguir ou uma meta mais humana almejar? Será que é mais fácil desistir a levantar as mangas e lutar?
As misérias da vida me doem... As carências de crianças me corroem... São visões distorcidas que com meus olhas arranco.
Tanta injustiça social me causa medo, É doloroso assistir tal degredo. -Que fazer?- Sou uma folha em branco!
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NÃO SOU |
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| Não
sou um oceano,
apenas uma molécula de água.
_ É na combinação de incalculáveis moléculas que se formam as massas de água constituindo os oceanos.
Não sou um deserto, apenas um grão de areia.
_ É na união de milhões de grãos de areia que a vastidão do deserto se manifesta.
Não sou uma árvore, apenas um frágil galho.
_ É o galho o sustentáculo do fruto de onde provém a semente e no futuro, uma nova árvore.
Não sou uma constelação, apenas um planetóide iluminado.
_ É na conjunção de estrelas e planetas que constitui-se a infinitude do universo.
Não sou uma multidão, apenas uma pessoas com minha individualidade.
_ É na combinação de diferentes genótipos que a humanidade prospera e evolui.
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