EU FALAREI ÀS ROSAS

 

Falarei à quietude das rosas

à sua altivez

descansada nos ramos.

 

Cantarei

à presença de suas formas

em rituais de noivados ou renascimentos

 

Eu falarei da leveza de seus gestos

evocando a ternura da mulher

a carícia do amante.

 

Direi da música das águas

de mãos a desatar grinaldas

de lábios

a desfolhar perdão.

 

Falarei

também

de uma força criadora

a modelar

a dirigir todas as coisas.

 

À hora silenciosa do crepúsculo

eu falarei

às quietudes das rosas.

 

Lia Corrêa

 

APENAS SENTIMENTOS...

DENISE DE SOUZA SEVERGNINI...

Como disse um poeta:

_"Não sei se o que eu escrevo é bom ou ruim...

Só sei que gosto do que escrevo..."

 

 

 

Quando escrevemos um poema é parte de nós que transfere-se para o papel;

 Quando oferecemos um poema nosso a alguém, é parte de nossos sentimentos

que transferimos para esse alguém, e traduz-se em forma de amizade.

Tudo aquilo que não pode ser dito por palavras, é traduzido pelo coração...

Assim é a amizade!

 

 

 

 

Música de fundo: AS ROSAS NÃO FALAM

Composição: CARTOLA

 

IMAGENS FORAM TIRADAS DOS SITES:

http://www.cultura.ufpa.br

http://www.ilonarostmartins.com

http://sofinesjoyfulmoments.com

http://www.angelfire.com/nj2/rose36/

 

 

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ROSAS DE AREIA

Os momentos de felicidade
naufragam
sem deixar vestígios;
assim como as ondas
fluem do mar
a destruir as rosas de areia.
Vida de areia...
fina película,
tocada pelo vento mais forte
das lições do cotidiano,
duras penas...sofridas.
A bela flor,
de um esplendoroso jardim
murcha,
caem suas pétalas,
roupagem natural.
Assim, também,somos despojados
de sonhos...ilusões.
Nada é eterno...
infinito!
O mar possui belezas inexplicáveis.
A flor torna a nascer no jardim.
Na existência infinda,
momentos de alegria
retornarão...
É preciso acreditar!
 
 
 

 

 

ALMA DE POETA

 

 

 

Sou como pássaro errante

Que não sabe onde pousar,

Mas no fundo se acha importante

Por somente saber amar.

 

Uma alma de poeta é mensageira

Das mais profundas emoções

Que bem no fundo, ao espírito massageia.

E alegra aos doridos corações.

 

Ah! Esta alma de poeta é sofrida,

Mas procura ao semelhante agradar.

Sofreu com as agruras da vida,

Mas nunca deixou de amar!

 

Sou como pássaro errante.

Que procura um local para pousar.

Fica logo ali adiante,

No coração de quem o cativar.

 

 

PÁSSARO DA NOITE

 
 
Adormeci!
Meu espírito, pássaro da noite, desprendeu-se do corpo físico
acalentado, na linda plumagem do irreal.
Voou alucinada a tua procura!
Foi busca-te na imensidão da madrugada...
Percorreu longos caminhos...
trilhou por planetas desconhecidos...
Viajou à galáxias distantes...
Já cansado, vislumbrou tua alma-criança
repousando em rósea nuvem.
Teu semblante revelava sublime encantamento!
Temendo quebrantar a magia do momento,
acolhi-me, mansamente, junto a ti
e também repousei.
Despertamos!
Tua alma e a minha fundiram-se numa só,
criando um elo tão perfeito que:
uma luz divina clareou todo o universo;
os anjos entoaram cânticos em nosso louvor;
uma emoção maior se fez presente.
Tudo serenou diante à força de nosso amor!
Nossas almas, amantes de tantas e tantas outras vidas,
reencontraram-se uma vez mais.
"Palavras" fizeram-se desnecessárias,
tamanha a intensidade de sentimentos
que emanavam de nossos corpos espirituais.
A aurora, núncia de um novo dia,
enciumada, espreitou-se no firmamento,
manifestando seus primeiros sinais.
Meu espírito, pássaro da noite, assustou-se
ante à claridade repentina.
Desagregou-se, inconformada, do teu.
Era o momento do adeus!
Seguiu viagem rumo ao corpo jazente
no sono profundo, que tentava,
ansiosamente, ao mundo do real retornar.
Despertei!
Tive a doce ilusão de contigo ter sonhado,
sem, contudo saber que,
verdadeiramente,
estivera a teu lado
e não fora um sonho apenas.
 

 

 

ESTAÇÕES DO AMOR

 

 

A primavera passou

e apenas vozes ecoam
como tanger dos sinos
na Ave Maria.
Com ela partiram meus encantos,
meus sonhos e esperanças acalentados.
A mais tola aspiração foi esvaecida
nas mangas largas do tempo.
Nem mesmo, um só ramo de esperança
ficou para serenar este pranto,
essa saudade inimiga.
As chagas de um amor esmorecido,
ardem, atrozmente, nesse
pobre coração, tão sofredor.
Nesse inverno de angústias,
nem mesmo um raio de felicidade
vem iluminar as implacáveis
dores, ali alojadas.
Talvez um verão,
disfarçado de outono
transcenda esse cruel sofrimento
e os deuses do amor
se compadeçam de mim
esvaindo-se em sangue
essa profunda afeição
 
 

BALADA AO AMOR

 

Desdobrei as fraldas do tempo

buscando um sorriso

que revelasse paz.

 

Desdobrei velhos álbuns de família

procurando um rosto

que devolvesse a tranqüilidade perdida

 

Revolvi as folhas do passado

e das recordações

rebuscando fatos que dantes

nem foram pensados.

 

Não consegui descobrir

aquele sentimento maior

que tanto esperei.

 

Abri a janela,

num dia especial que

o destino traçou,

um sol envergonhado

revelava-me que a busca findara.

Tudo o que eu mais almejava

Encontrei em ti...

No teu amor!!!

 

 

VINO, CANZIONE E AMICO PER ME

   

Elevo aos lábios, a taça espumante.

Bebo o vinho - néctar dos deuses.

O pensamento é um navio flutuante

a comemorar os tempos felizes.

 

Ouço a canção como um estimulante,

recordando momentos fugazes.

A emoção - sentimento resultante,

embriaga meus instintos vorazes.

 

Desdobro as cortinas do passado,

em busca de algo, com loucura...

ânsia cruel de amante apaixonado.

 

Pela vontade divina, terei tal legado

e chegará ao fim alucinada procura -

Juntos: vinho, canção e o amigo desejado.

 

 

 

FIM DE FESTA

 

 

Jesus acabara de nascer,

e eu acabara de morrer.

Passara a meia noite...

uma noite de Natal.

A euforia de todos não conseguia

amenizar minha angústia, meu sofrer.

Na mesa, restavam copos sujos,

garrafas vazias,

alguns pedaços de peru.

Nunca deveria ter ido àquela festa.

Elas sempre me fazem mal.

Uma angústia, um sofrimento,

toma conta de mim.

Naquela noite, o mundo

parecia um profundo abismo.

Meus amigos eram carrascos

próximos á execução.

De quem?

Não sei!...

Talvez, minha!

As pessoas divertiam-se.

No final, iam para seus lares felizes.

Essa felicidade me irritava.

Nunca soube o porquê.

Eram quase duas horas da madrugada,

andava pela rua sem rumo.

O efeito da bebida,

esvaía-se da mente.

Os pensamentos eram turbilhões

de palavras sem nexo.

Parei...Lembrei-me da festa.

A festa acabara, 

ou tudo fora um sonho?

Aquela era realmente a Noite de Natal?

Sim...sim, era a Noite de Natal.

As pessoas divertiam-se, cantavam.

Nas igrejas, os sinos repicavam.

Em Belém, Jesus nascera novamente.

Eu estivera impassível a tudo isso.

Jamais poderia eu ser feliz

se outros eram infelizes.

A festa acabara.

Jesus nascera novamente.

Eu morrera,

para ressuscitar no amanhã

de um outro dia e

fazer algo pelo mundo...

por aqueles que eram infelizes

e por mim mesma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COR DE TERNURA

 
 
As cores falam
de coisas simples,
singelas,
recônditas na alma
das pessoas
que admiram a harmonia
nelas existentes.
 
Qual é o significado da cor?
dizem os físicos,
em seu linguajar científico,
prosaico...
Cor: impressão que produzem
no órgão visual, os raios
da luz refletida nos corpos.
 
A cor necessita de um ser
que a empoete,
que demonstre a beleza,
a sutileza,
de sua existência.
 
Branco...
cor da pureza,
da bruma evanescente...
cor da paz,
que nem todo mundo sente.
 
Azul...
cor do mar,
do céu sem nuvens,
cor do meu olhar.
 
Amarelo...
cor de ouro,
metal precioso...
metal perigoso...
cor do sol,
que sustenta a vida
e colore o arrebol.
 
Vermelho...
cor de sangue,
sangue jorrado
de feridas profundas
de almas sedentas
de fome e justiça.
 
Verde...
cor da natureza,
árvore, esperança...
Esperança,
que num futuro próximo
exista ainda
natureza a ser vista.
 
Preto...
cor da noite,
cor de gente,
cor da alma
daqueles que não sentem
as negritudes da vida.
 
Rosa...
cor de ternura,
da flor bela e temporosa,
da moça que é pura.
 
Marrom...
Ébano dos teus olhos,
fugazes, traiçoeiros...
Olhos que procuram
e não encontram.
Olhos que encontram
e desistem de lutar
antes de tentar.
 
Cinza...
cor que recorda
a insensibilidade de quem vive
nesta
vida  sem
saber
que o mais importante
 de tudo é o
amor
que
o
nosso
coração
sente.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AMOR EXILADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
Um sentimento expatriado
Em um coração sofredor
Traduz-se como um soldado refugiado
De um exército perdedor.
 
 
 
 
Meus sentimentos aparentes
Não condizem com a verdade.
Falo apenas de sementes,
Sem ter da terra, a qualidade.
 
 
 
Esse grande amor exilado
Habita em meu peito ardente,
Tão sofrido, o coitado...
Mal apercebe-se do que sente.
 
 
 
Tanto amor transforma-se em sofrimento:
Quando o ente amado não nos quer,
Solução viável leva ao esquecimento.
Mas quão difícil é esquecer!

ROSA BRANCA

 

 

Rosa branca, ganhei um dia

E a tristeza em mim morou.

Aquele ser que eu mais queria

À solidão me abandonou

 

O meu peito vi sangrar.

A rosa branca tingiu-se.

Eu tremia a soluçar

Pelo ingrato que partiu-se.

 

E partindo foi pra longe.

A rosa branca murchou.

Hoje só restam saudades

De quem nunca mais voltou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAMINHEMOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dê-mo-nos as mãos

eu, tu e o tempo...

Seguimos a árdua estrada

à procura do esquecimento.

 

Caminhemos, unidos

como se fôssemos irmãos,

trilhando caminhos,

longas jornadas...

sem nada a perdermos

ou tão pouco algo a encontrar...

 

Caminhemos,

eu, tu e o tempo...

Eu tentando buscar-te.

Tu desejando encontrar-me.

O tempo enganando a ambos,

passando rápido,

cada vez mais deixando-nos

para trás,

sem nada a perder...

Só eu...só tu...

 

Caminhemos os dois

em estradas perpendiculares.

No fim, de um negro túnel,

uma luz brilhou.

Talvez a esperança

de eu e tu, novamente

sermos Nós.

 

SER MULHER...

 

Ser mulher não é ter

apenas cromossomos XX

no seu genoma.

 

Ser mulher não é apenas:

parir filhos e depois criá-los,

cuidar da casa,

da comida do marido,

das compras do supermercado,

ter dupla ou tripla

jornada de trabalho sem remuneração...

 

Ser mulher é querer

amar e ser amada!

Respeitar e ser respeitada!

Dar felicidade

E ter o direito de

 ser feliz!

 

E sobretudo, ser VALORIZADA

como ser humano que é...

 

MULHER!!!

 

 

 

 

EXALTAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tu hás de ser eterno,

porque eterno é:

o esplendor do Universo;

o sentimento de Deus;

o meu Amor por ti!

 

Tu hás de ser infinito,

porque infinito é:

o brilho das estrelas;

o calor do sol;

o meu Amor por ti!

 

Tu hás de ser o mais amado

dos homens que habitam a Terra,

porque, como uma mãe que ama

o filho, em seu ventre gerado,

_Eu te amo!

 

Tu hás de ser eterno...infinito,

porque eterno e infinito é o amor!

Amor: criação divina...!

Elo de união entre os homens...!

Razão maior da existência humana...!

 

É esse o sentimento que abrigo por ti

no santuário de meu coração

e somente a ti, quero ofertá-lo.

 

PALAVRAS

 
 
EU QUERIA ESCREVER PALAVRAS FORTES
QUE TRANSCENDESSEM A IMENSIDÃO DO INFINITO,
REPOUSASSEM NO LUME DE UMA ESTRELA,
BRILHASSEM AOS OLHOS DO HOMEM
ACENDENDO SUA PRÓPRIA VERDADE NO CORAÇÃO.
 
EU QUERIA ESCREVER PALAVRAS ETERNAS,
QUE FLUTUASSEM NA INCREDULIDADE DA VIDA;
FORTALECESSEM ÀS EXISTÊNCIAS DO UNIVERSO,
LEVASSEM A TODOS A MENSAGEM CONTIDA
APLACANDO AS DORES HÁ MUITO SENTIDAS.
 
EU QUERIA ESCREVER PALAVRAS BONITAS,
QUE ILUDISSEM ÀS REALIDADES DO COTIDIANO,
APAGASSEM AS MALDADES DO MUNDO,
REVELASSEM UM FUTURO MELHOR
REVIVENDO AS ESPERANÇAS PERDIDAS.
 
EU QUERIA ESCREVER PALAVRAS VERDADEIRAS
COMO AS PALAVRAS DE CRISTO AOS DISCÍPULOS.
 
EU QUERIA ESCREVER PALAVRAS,
NAS QUAIS EU PUDESSE ACREDITAR...
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DUAS MARIAS E UMA MARGARIDA 

OU CRIANÇAS DO VENTO

 
 
 
O CATA-VENTO GIRA...
O PASSARINHO CANTA... 
O GATINHO MIA...
 
 
A MAMÃE NA JANELA
CHAMA POR ELAS:
 
 
LUIZA MARGARIDA!
MARIA ILONA!
MARIA JOÃO!

 

LÁ VEM ELAS!
CORRENDO LIVRES,
COMO CRIANÇAS DO VENTO.
 
 
NÃO HÁ EM SEU PENSAMENTO:
FALSIDADE, MALEDICÊNCIA, DOR.
 
 
A CHUVA CAI...
A FLORZINHA DESABROCHA...
O CACHORRINHO LATE...
 
 
 
O PAPAI NA JANELA
CHAMA POR ELAS:
 
 LUIZA MARGARIDA!
MARIA ILONA!
MARIA JOÃO!
 
LÁ VEM ELAS!
CORRENDO LIVRES,
COMO CRIANÇAS DO VENTO.
 
 
 HÁ EM SEU PENSAMENTO:
BONDADE, INOCÊNCIA, AMOR.
 
 
 
NA JANELA,
PAPAI E MAMÃE 
CHAMAM POR ELAS:
 
 
LUIZA MARGARIDA!
MARIA ILONA!
MARIA JOÃO!
 
 
LÁ VEM ELAS!
CORRENDO LIVRES,
DE BRACINHOS ABERTOS
COMO CRIANÇAS DO VENTO!
 
 

 

DESENCANTO

É noite...

tento banir o tédio

que se apossa do meu ser.

Percorro caminhos

numa viagem fantástica

através da imaginação.

Espectros e sombras contrastam

 na mente

desvelando vultos incontestáveis.

Dor, saudade, revolta

um misto de bem-querer e angústia

dilaceram-se em profundas mágoas.

Dilúvios de pranto

banham a face límpida,

o olhar se perde na escuridão da vida.

O que passou, ficou para atrás

mas ainda não foi de todo dizimado,

restaram imagens, dissabores, desilusões.

E em cada uma das noites que se transcenderam,

um a um desfilam garbosos

na passarela dos sonhos

enternecidos no tempo,

mas resumidos em apenas

um vocábulo:

_ Amor!

 

´´

A NOIVA IMAGINÁRIA

 

 

 

Nasceu para ser culta, bela

Alma cândida e pura

Hoje, sofre as agruras da vida

Intimamente resignada,

mas aparência singela

Enobrece o olhar

com suave candura

naturalmente adquirida.

 

É este o perfil da noiva imaginária.

 

 

 

SOU COMO O VENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou como o vento,

Que varre e arrebenta!

 

Sou como o vento,

Que passa e acaricia!

 

Sou como o vento,

Que a nem tudo agüenta!

 

Sou como o vento,

Que sopra como brisa macia!

 

Sou como o vento,

Que só quer liberdade!

 

Sou como o vento,

Que só busca a felicidade!

 

Sou como o vento,

Que só busca a felicidade!

 

 

 

>>>>>>>>>>>>>> VAMOS ÀS POESIAS DOS MEUS AMIGOS? >>>>>>>>>>>>>>

 

ILONA BASTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilona Bastos é uma pessoa que eu conheci através da Internet.

Escreve lindas histórias infanto-juvenis

e também poemas.

Hoje, posso afirmar que somos amigas.

É por este motivo que suas 

poesias estão aqui.

 

SONHOS COLORIDOS

 

 

Vem, vamos!

Leva-me contigo pelos verdes campos,

A minha mão na tua, o teu coração no meu,

Os nossos sonhos desenhando-se, coloridos,

No horizonte…

 

Não deixes que o vazio me invada,

Que as sombras me inspirem tristeza,

Que o sol fuja de nós e se esconda

 Por detrás da nuvens cor-de-chumbo

Que a nossa desilusão engendra.

 

Ouves o gritar da sirene

Que anuncia a rotina do cinzento?

Sentes o frio pegajoso

Que à nossa volta se cria?

E o amontoado de medos,

Fantasmas sombrios,

Que nos aprisionam e nos afastam da vida?

 

Vem, vamos!

Leva-me contigo pelos verdes campos,

Em busca da luz e da vida.

Que a felicidade nos invada!

Que o azul do céu nos inspire alegria!

Que o sol nos acompanhe por entre as flores

E nos guie até ao horizonte,

Onde os nossos sonhos se desenham coloridos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARIA DA FONSECA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria da Fonseca é uma senhora avó,

que escreve lindos poemas inspirados em seus netos e fatos do cotidiano.

É outra amiga que aqui se faz presente.

 

 

AS ROLINHAS

 

 

As rolinhas, que eu conheço,

Têm penas matizadas

De cinza, branco e castanho.

Têm asas bem lançadas

 

 

 

E as cabecinhas redondas.

Muito vivos os olhitos

Vêm tudo o que se passa.

Brilhantes são seus biquitos.

 

 

 

E tendo em conta o seu nome,

Arrulham com alegria,

Desde que vêm o Sol

Até terminar o dia.

 

 

 

A rola chama-se Juju,

O menino é o Tiago.

A este lindo casal

Ele dá o seu afago.

 

 

 

A primavera chegou,

A Juju pôs um ovinho.

E as duas meigas rolinhas

Nunca deixaram o ninho.

 

 

 

Ficava o rolo de noite

Sobre o ovinho sentado.

De dia sentava a rola

Sobre o filho desejado.

 

 

 

Um dia estalou o ovo,

Logo os pais acorreram

A ajudar a avezita,

Que depressa esconderam.

 

 

 

 

 

- Já têm o seu bébé!

Grita o Tiago contente,

Desejoso de espreitar

A rolinha mais recente.

 

 

 

Vê-se através da penugem

O seu corpinho rosado,

Sua cabeça é redonda

E o olhinho bem fechado.

 

 

 

Mas o casal de rolinhas

Não deixa seu filho ver,

Muito bem aconchegado

Para não arrefecer.

 

 

 

Com o bico o alimentam,

Dão-lhe da sua comida.

É preciso que ele cresça

E se prepare p'rá vida.

 

 

 

O Tiago  admirado,

Nas rolinhas reconhece

O grande apego dos pais,

Que seu filho lhes merece.

 

 

 

No seu pensar de criança,

Está bem certo o petiz,

- Os paizinhos dão o apoio

P'ró filho crescer feliz.

 

 

 

No mundo em que nós vivemos,

Esta é uma lei natural.

Ao amor como o dos pais,

Não há outro amor igual!

 

Lisboa, 15/05/00

 

 

 

INSTANTÂNEO

 

 

 

 

Neste Abril tão variado

O dia aqueceu enfim.

Da janela do meu quarto,

Como está lindo o jardim!

 

A luz do Sol é brilhante

E as folhas embeleza,

Criando vários matizes,

Que animam a minha reza.

 

Finalmente uma andorinha

Está além a passar.

Mato a minha saudade

Seguindo-a com o olhar.

 

Respiro fundo a harmonia

Da tarde serena e quente.

Ouço o chilrear dos pássaros,

E sinto-me bem contente!

 

Inclinam-se agora os ramos

Todos numa direcção.

Desaparece a quietude

E a minha inspiração!

Lisboa, 14/04/01

 

VIDA DUPLA

 

 

- A gata tem doze anos -

Passa o seu tempo a dormir.

Não incomoda ninguém,

E só tarde vai sair.

 

- Mas à noite o que fará? -

Parece sempre cansada.

Só acorda p'ra comer,

E adormece, confiada.

 

Tapa os olhos co' as patitas

Num assomo de candura.

- A Fofinha é muito linda! -

Diz a Irene com brandura.

 

O seu pêlo é tigrado,

E mantem-se tão sedoso!

Ao querer dar marradinhas,

Seu miado é carinhoso.

 

- Andará atrás dos ratos? -

Mas não posso acreditar,

Que uma gata tão mansinha

Ande de noite a caçar!

   

- Pois olhe que pode crer,

A Fofinha, esta beleza,

De que nós tanto gostamos,

Segue as leis da Natureza.

 

E mal que assim não fosse!-

A gatinha tão formosa

E simpática de dia,

Torna-se, à noite, ardilosa.

               

Lisboa,11/07/01

 

 

 
DÓRIS VARGAS DOS SANTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dóris é mais que amiga, é como uma irmã.

Hoje, é uma senhora casada com dois filhos.

Em nossa adolescência, ela escreveu estes poemas!

 

ESTRADA SEM FIM

 

 

Trilho meu caminho:

triste e solitária;

Entregue ao abandono;

a essa solidão imensa

que me devora o coração;

cheia de mágoa e tristeza

dessa saudade amarga

na qual você me entregou,

no destino cruel do sofrimento.

As amarguras deixaram cicatrizes em mim.

É a isso que me reduziu,

com seu desprezo e sua superioridade.

Deixando-me aqui sozinha, você partiu

sem adeus, nem lembranças.

Foi e nem se quer lembrou

do amor e da alegria que vivemos.

Mas as recordações, essas não morreram.

Ficaram e eternamente

vão viver em meu pensamento,

fazendo-me andar só

nesta sombria e triste

estrada sem fim:

_ A vida ...!!!

 

 

 

VITOR DE SOUZA SEVERGNINI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vitor é meu irmão.Na adolescência, escrevia versos.

 

A VIDA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vida nada mais é  do que uma passagem pelo mundo.

Um mundo estranho,

em que nós só conhecemos estranhos.

Estranhos que são amigos,parentes,

familiares que se uniram pelo amor.

Amor é um sentimento muito estranho

e que pouco sabe-se sobre ele.

Mas a vida em si, ninguém sabe

o que é, de onde surgiu

e porque acaba.

Acaba-se tudo...

o amor...

os sentimentos...

os sonhos...

as dores...

a aflição.

A aflição de vivermos em dias tumultuados,

porque nós não sabemos

gozar a vida como ela deve

ser gozada.

Ser alguém é uma maneira de viver,

porque sendo alguém

nós vivemos uma vida em um mundo.

Mundo em que nos encontramos

para vivermos uma vida em comum.

Porém a vida não é como todos pensam...

ele não é moleza...

Moleza é o que muitas pessoas têm

para enfrentar a vida.

E, então o que você está esperando?

Aproveite mais a vida,

porque quando nós vemos já

passou um bom pedaço dela

e quando quisermos aproveitá-la

já não haverá mais tempo.

 

E dai você fica se queixando da vida...

 

 

FILOSOFIAS DE UM SENTIMENTO: AMOR

Quem sou eu?

Sou uma estrela à procura de um firmamento para brilhar...

Sou um mar à procura de uma praia para quebrar-se...

Sou um sol à procura de um dia para iluminar...

Sou um corpo à procura de uma alma para animar-se...

 

Quem és tu?

És um firmamento em busca de uma estrela;

És uma praia em busca de um mar;

És um dia em busca de um sol;

És uma alma em busca de um corpo.

 

Quem somos nós?

Somos a imensidão do firmamento,

onde fulgentes estrelas

abrilhantam as noites

Somos o mar

a quebrar-se na praia

em flutuantes espumas.

Somos o sol

que ao iluminar cada dia

presenteia vida à natureza.

Somos corpo e alma

que animam-se

ao entrarem em conjunção.

 

Somos nós mesmos!

Eu e tu...

Tu e eu...

Porque nos amamos,

E o amor,

é a razão maior de nossa existência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ELAINE  NEDEL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elaine é uma amiga fiel, companheira e sensível.

 

 

 

 

LEMBRANÇAS

 

 

Gosto do vento.

Gosto da chuva.

O vento me leva.

A chuva me acaricia.

O vento me traz lembranças.

Das noites de chuva fria,

Em que meu amor comigo dormia.

Gosto muito do vento.

Gosto muito da chuva.

 

 

AMO

   

Sofro, sinto, amo.

Não é bom sofrer,

Faz doer!

É bom sentir,

o que faz bem!

É muito bom amar

sentir...

Aí vale a pena sofrer!

Amo, sinto, sofro.

 

SER MÃE...

 

Ser mãe, eu sei o que é.

Não é parir,

Não é nascer,

Não é gerar.

É conviver,

É amar,

É doar-se,

É sofrer,

É ganhar,

É perder.

Já ganhei,

Já sofri,

Já amei,

Já perdi.

Mas o importante

é que ainda sou mãe,

Sobrevivi.

 

 

 

>>>>>>>>>>>>>> POESIAS DE NATAL >>>>>>>>>>>>>>

>>>>> O NATAL DE JESUS >>>>.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jesus nasceu em Belém.

Vinte e cinco de dezembro

foi sua data de nascimento.

Neste lindo momento,

Anjos disseram amém.

Os pastores viram

uma linda estrela cadente.

Vieram do Oriente

Ao menino visitar.

Trouxeram presentes:

óleo, incenso e mirra

e   ao Pequenino foram

 ofertar.

Jesus foi crescendo

aos poucos.

Ajudando Maria e José.

Os milagres foram acontecendo,

conforme Ele foi amadurecendo.

Adulto se tornou

Ajudando as pessoas,

Ele foi  incomodando aos reis

Que num julgamento injusto

Colocou o menino na cruz

Matando assim Jesus.

Sua alma ao céu subiu

e da lá retornou

para com sua luz

mostrar-nos o sacrifício da cruz.

Oh, meu Jesus!

Cuida de mim com cuidado!

Quero andar sempre a teu lado!

Por tudo o que me deste:

_ Muito Obrigado!

Denise Severgnini

Júlia Paul Oliveira

 

 

N A T A L

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
Em Belém, Jesus nasceu,
numa noite sem igual.
No céu, a estrela apareceu
Anunciando a festa celestial.
 
 
 
Nos lares, a alegria reina.
Há felicidade - no geral -
Uma chama de vela queima
a representar o espírito de Natal.
 
 
 
 
 
Junto à árvore multicor,
a petizada alegre, se ajeita
contemplando o fulgor
dos lumes que a ela enfeita.
 
 
 
 
 
O Nascimento do menino marcou
O resgate da vida da gente.
Papai Noel, nesta noite chegou
Trouxe a mim, belo presente.
 
 
 
 
 
 
 
 

 

>>>>>>>>>>>> UMA POESIA DE ANO NOVO >>>>>>>>>>>>>

ANO NOVO

Sempre que um ano finda

Sentimos algo de criança

Apesar das tristezas, resta ainda

no coração das pessoas, a esperança.

 

A vida é de luta, mas é linda!

A nostalgia nos traz à lembrança

Uma emoção que é sempre bem-vinda,

pois evoca o amor, real herança.

 

Na favela, no campo, na mansão...

em todo local, há um irmão

que fé neste ano novo tem.

 

Nunca tiramos o mesmo retrato...

Cada ano sua peculiaridade contém...

Acreditemos nisso e feliz 2004!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CREMILDE VIEIRA DA CRUZ

 

 

 

 

 

 

 

Cremilde é uma nova amiga que chegou até mim, através de Ilona.

Eu conhecia Avómi através de suas histórias infantis.

Agora, vou conhecer junto com vocês Cremilde, através de seus poemas.

 

MINHA FORMA DE DIZER

 

 

 

Só um Vinícius,

Um Pessoa,

quiçá uma alma boa,

um ser ainda sem vícios...

 

Um Régio,

Um Rosa,

Um Sérgio...

 

       Quem entende certa glosa?

 

E porque não um Nobre,

Um Camões...

- Mais um que morreu pobre,

alma rica de ilusões.

 

Mas se fosse um Gil Vicente,

Um Garrett,

quiçá um Dante

Um desconhecido até...

 

Mas eu

que não posso senão passar

ávidos olhos no céu,

braços estendidos ao mar...

 

Eu não

que eu escrevo para gritar,

derramo chagas sem rimar,

grito gritos de solidão.

 

Eu, poeta?!

Que horror!!!

Escrevo mal e em linha recta,

sinto na alma uma dor,

penso assim em labirinto,

escrevo igual ao que sinto.

 

 

 

Eu, rimar?!

Eu, poeta?!

 

Deixai falar o poeta,

atingir a sua meta,

que poeta não quero ser

nem mesmo quando morrer.

 

Deixai cantar o cantor,

fazer prosa o prosador...

Deixai falar o doutor,

que eu só sei dizer amor.

 

 

                                                 1989/01/13

 

 

                                                        

 

MENINA DAS LOIRAS TRANÇAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MENINA DAS LOIRAS TRANÇAS

 

Menina das loiras tranças,

Boneca, joinha linda,

Não te vejo de criança!

Volta atrás minha menina.

 

Ainda tens loiras tranças?

Lindas feições de menina?

Ainda tenho na lembrança,

Que há pouco eras criança.

 

- Boneca?

Bons olhos a vejam,

Para assim lhe chamarem.

Joinha?

Só quem ama,

Assim pode pensar.

Linda?

Depende de quem a olhar.

 

.................

 

Abriram-se os olhos,

Pois estava a sonhar

E logo fugi.

É que pus-me a pensar:..

A menina das loiras tranças

A que tenho na lembrança

Vai deixar de ser menina

Boneca, joinha linda.

Como irá ela ficar?

Ai, que susto me vai pregar!...

 

...............

 

A menina das loiras tranças

Já deixou de ser menina

E as tranças da menina

 

 

 

 

Também deixaram de o ser

Nem é loira

Podem crer

 

Ai, menina que ontem era

Porque não permanecer?

Será que a pobre menina

Coração continua a ter?

 

“Batem leve, levemente, como

 quem chama por mim...”

 

É ele!

É o coração da menina

Que não deixou de bater

 

-         Será que ainda o vais ouvir?

1985/07/28

 

NO CAMINHO

Falo com o caminho

 

 

Falo com o caminho,

Com as pedras...

Os eucaliptos sobrepõem-se,

Falam alto,

E há um buzinar de carros,

Que me fere os tímpanos.

A poluição dos escapes

Provoca-me arrepios,

Assim como o silêncio das luzes

Que se apagaram ao amanhecer.

 

Há vozes nos escaparates do muros,

Mas não falam comigo,

Falam com as silhuetas esguias dos coqueiros

Que se elevam ao céu.

 

Deixei apodrecer os frutos

Daquele Setembro de marés verdes

E caminhei sem nexo

Pelos pensamentos grávidos de heresias.

 

Sinto, todas as manhãs,

O sopro da esperança,

Porém, o crepúsculo desce sem voz

E sem corpo duma palavra.

 

Quando imagino as onze horas,

De braços dependurados no vazio,

Olhos nas chaminés de tijolos fendidos

E viajo para norte a sós comigo,

Guardo na gaveta as flores de primaveras azuis,

Nego a existência do sol no corpo da verdade,

Esmoreço,

Sinto fome,

Sinto sede.

Olho o pão,

Olho a água,

Olho aquela maçã azul...

 

 

 

Não.

Não é essa fome que sinto.

Não é essa sede que sinto.

Sinto fome,

E sinto sede,

Das chuvas daquele Setembro que inventei,

Aquele Setembro de marés verdes.

 

 

1989/09/21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JURAMENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JURAMENTO

 

Pintavas mitos

No barro da onda.

No espaço compreendido

Entre um mito

E outro mito

Existia a verdade,

Enigma de tuas horas de Setembro.

Cheirava a flores murchas

De outonos anunciados há séculos,

Mas não querias acreditar nas águas

E continuavas, continuavas...

Pintavas mitos no barro da onda.

A tarde era um nome negro

E tuas mãos cansadas

Estendiam-se na senda de cabelos verdes

Repousados,

Mas sem uma palavra clara.

 

Era a hora prolongada

De fogo extinto

Sem que te desse nada

Senão o frio a roer o tempo

No caminho sem paisagem.

 

Acendeste então um grito

Em teu coração devastado

E juraste que,

Havias de vencer a hora.

 

 

                                                         1989/06/25

 

 

                            

SEM TÍTULO 

 

 

 

Não ouvi mais nada.

 

Não disse mais nada.

 

Não fiz mais nada.

 

Tudo seria intemporal.

 

 

 

 

 

 

 

 
>>>>>> VAMOS A MAIS POESIAS DA DENISE? >>>>>>>>

VERSO E REVERSO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Teus olhos eram plácidos lagos

Refletindo a vida cor da esperança

Teus beijos, abraços, doces afagos 

Emoções que meu corpo não mais alcança.

 

 

Os anos passaram e meus estragos

São as cicatrizes, não mais a doença.

São as reminiscências de tempos amargos

Desventuras de minh'alma criança.

 

 

Teus olhos não me trazem saudade, no entanto

Refletem a mágoa que hoje te devora.

Teu amor partiu...Ah!Como entendo este pranto!

 

 

A dor que sentes, um dia irá embora.

As recordações são teu presente, enquanto

Minha vida segue serena, agora.

 

 

MADURA EXISTÊNCIA

Nossos gestos externam a experiência

dos fatos passados...de uma atitude servil.

Os louros de uma madura existência

não apagam de todo a ansiedade juvenil.

 

 

O sentido que damos a nossa consciência

está calcada numa imensa luta viril.

As puras sementes sofrem a influência

produzindo boa colheita, se a terra é fértil.

 

 

Quando flores são semeadas na alma

desabrocham mesmo em chão de espinhos,

pois o amor à dura provação acalma.

 

 

O passar dos anos traz a certeza

que a madura existência é adquirida em caminhos

de dor e padecer, mas também de rara beleza.

 

Para Cremilde com carinho 

P

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

>>>>> POEMA DA CREMILDE >>>>>>>>

HORIZONTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um vento macio

abana as águas penetradas de espaço

e de suave melodia das canções do mar

 Não há mágoa

nem o embaraço de salas sem espaço

 Ao canto do sol

uma palmeira verde desfralda suas palmas

que alongadas em liberdade

abraçam o mundo inteiro

 É tempo de amar

qualquer dia de domingo

 Aqui não há portas

nem janelas

nem fechaduras

nem trancas

 Há um horizonte enorme

um sol vindo do céu

um céu azul de mar

um mar azul de céu

 Aqui há flores

plantas viçosas

cactos e rosas

liberdade de sonhar 

 

                                           1988 

                            

>>>>>>NOVA AMIGA CHEGANDO... >>>>>>>>>>

ANEROSE BRAGA

 

Anerose é minha companheira de escola.

Temos algo em comum: gostamos de escrever.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SOU ASSIM

   

Sou assim:

Às vezes calma, às vezes agitada

Às vezes triste e alegre,

Às vezes calada, observadora.

Sou estranha, faço manha,

Faço riso e me acanho.

Sou assim

Sou amiga, sou adulta

Às vezes choro, às vezes brigo

Sou estranha, faço manha

E me acanho.

Sou menina, sou criança,

às vezes brigo, às vezes xingo

Sou assim.

Sei chorar.

Sei sorrir

Sei calar

Sei sentir

Sei amar.

 

DECISÃO

 

Penso...

Dispenso...

Não sei o que fazer.

Será certo ou errado?

 

A dúvida angustia e me deprime.

Vencerei

ou serei apenas derrotada?

Esta incerteza chega a doer.

É como se a luz faltasse

e sou houvesse escuridão.

 

Na mente é assim;

Quando a luz chegar

a decisão final será

só uma

e sem 

jamais

ter 

volta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MENSAGENS

 

 

 

 

 

 

 

 

Num olhar

se percebe

o que o outro

está sentindo,

pensando,

desejando?

 

 

Oh, claro que sim,

responde a pessoa

que ama, 

pois só ela

consegue decifrar

a mensagem pura

e sincera

que está contida

nas profundezas

do olhar

da

pessoa

amada.

 

FOLHA EM BRANCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Procuro palavras para definir

os sentimentos que me assolam.

Temo, desesperadamente, não conseguir;

As "verdades" ditas não me consolam.

 

É tão difícil a um objetivo perseguir

ou uma meta mais humana almejar?

Será que é mais fácil desistir

a levantar as mangas e lutar?

 

As misérias da vida me doem...

As carências de crianças me corroem...

São visões distorcidas que com meus olhas arranco.

 

Tanta injustiça social me causa medo,

É doloroso assistir tal degredo.

-Que fazer?- Sou uma folha em branco!

 

 

NÃO SOU

Não sou um oceano,

apenas uma molécula de água.

 

_ É na combinação de incalculáveis moléculas que se formam as massas de água constituindo os oceanos.

 

Não sou um deserto,

apenas um grão de areia.

 

_ É na união de milhões de grãos

 de areia que a vastidão do deserto se manifesta.

 

Não sou uma árvore,

apenas um frágil galho.

 

_ É o galho o sustentáculo do fruto

de onde provém a semente e no

futuro, uma nova árvore.

 

Não sou uma constelação,

apenas um planetóide iluminado.

 

_ É na conjunção de estrelas e planetas

 que constitui-se a

infinitude do universo.

 

Não sou uma multidão,

apenas uma pessoas com minha individualidade.

 

_ É na combinação de diferentes

genótipos que a humanidade

prospera e evolui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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