É
madrugada...
Da
janela do meu quarto
contemplo
as cores avermelhadas do céu
a
nos dizer que um novo dia
está
chegando.
Novo
renascer!
Novas
esperanças!
As
cinzas de sonhos desfeitos
esvaem-se
como a noite que findou...



Dentro
do peito dorido
resta
uma gota de saudade...
Saudade
da infância já distante...
Do
regato cristalino refletindo
a
imagem da menina-moleca...
Da
varanda da casa grande, onde, à tardinha,
a
criançada se sentava para ouvir histórias
de
duendes e fadas...



Do
sino da igrejinha a badalar, saudoso,
o
toque da Ave-Maria...
Das
brincadeiras de cabra cega,
das
cantigas de roda, em noites
de
lua cheia...
Do
umbuzeiro frondoso e amigo, servindo
de
abrigo para os companheiros alados...
Do
pequeno açude, ponto de encontro
de
casais apaixonados...



Da
pedra bonita, testemunha muda
de
secretas juras amorosas...
Saudade
de tantas coisas...
Saudade!....
Ah!
restinho de saudade
que
faz doer o mesmo tanto
que
uma saudade inteira!!!
