Os
tapetes choram a ausência
de seus passos
e as paredes suam
clamores
que inundam a lembrança
do seu riso.
A janela embaça
seus cristais
ao descobrir que das paredes
não penduram quadros senão
penas
e que sobre os tapetes
flutua o eco insone
de seus passos de
outros dias.
Nos vasos florescem
teias de aranha coalhadas
de
lembranças
onde cada pétala é um beijo
e cada flor uma carícia
e cada
dia um abraço
e cada sombra um espelho
e cada noite o reflexo
de sua
pele sobre a minha
e cada instante uma angústia
que visita sem
convite
minhas noites e meus dias.
E
sentadas no jardim
as promessas quebradas
contemplam a janela
que
mostra as paredes
que hospedam as dores
que declamam os queixumes
que
caminham o caminho
que conduz até os tapetes
que calados sofrem
a
ausência de seus passos.
E se arrastam as lembranças
nos tapetes de outros
rastros
e passeia nas paredes
a fragrância de sua ausência
e desenho
nas janelas
cicatrizes decoradas
com lamúrias desbotadas
com desejos
exauridos
com perguntas sem resposta
e discursos sem
sentido.
Sim.
Solidão.
Nem mais
nem menos.
( Bruno Kampel )
Envie por e-mail |
Webmaster Eloisa
[email protected]