A raça humana por um fio,
Presenciando a morte da sapiência,
Mendiga à beira do grande rio.
Fazendo filas, sofrendo em ordem,
Em cada ruga a experiência,
De suportar até o que não podem.
Neste horizonte não vejo o Sol,
Apenas um cogumelo em esplendor.
Reflexos que correm, morrem,
Um clarão de luz ameaçador.
Não abro os olhos, mas testemunho
O início de um reinado de terror.
A brisa que agride o meu rosto
Não tem mais o seu perfume.
As gotas ácidas que caem do céu,
Anunciam o fim do arco-íris.
Sete cores a menos na Terra,
A natureza veste o seu negro véu.
Mas não me desperte deste sonho,
Deixe meus olhos abertos, para dentro.
Ainda ouço aqueles passos.
Posso sentir cada movimento,
Talvez o pulsar de uma nova vida,
A nuvem declarando o seu amor ao vento.
Mauricio José
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