MINHA VIAGEM A LISBOA

 

Hoje, quando a brava terra lusitana (desconfio que alguém já falou assim) está totalmente integrada à Comunidade Européia e as piadas sobre portugueses já não fazem tanto sucesso, as citações à velha Lisboa são uma constante na mídia. Por isso, com freqüência, sinto saudades da viagem que não fiz àquela cidade. Quer dizer, não a fiz transportando-me fisicamente, mas fiz em verdade pela fantasia que o meu avô paterno criou para mim ou, talvez, eu tenha criado para ele.

O que sei, no duro, é que na minha lembrança ficou a imagem de um vagão de trem, daqueles velhos carros de madeira com assentos de palhinha, provavelmente na viagem que minha família fez de Campos para Niterói, por volta de mil novecentos e  trinta e quatro. Minha memória me diz, e aqui eu invoco o seu testemunho, que o meu avô me afirmara ter estado em Lisboa. Desse seu imaginado relato me ficou uma imagem fantástica da decantada capital portuguesa.

Se essa imagem tem alguma coisa a ver com a realidade, infelizmente nunca pude comprovar pois jamais lá estive pra valer e o que a televisão mostra não é suficiente para confirmar. Confesso que gostaria de visitar aquele cidade para fazer a comparação e, quando mais não fosse, por honrar a memória do meu avô que, no duro mesmo, também nunca viajou a Portugal. Peço-lhe, postumamente, desculpas porque criei essa fantasia sobre uma mentirinha que, muito provavelmente, nunca tenha dito.

 

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