1.1 - FORMAS DE
RELACIONAMENTO
Podemos
verificar como as três pessoas da Trindade estão, dentro do ensino Paulino,
envolvidas na distribuição dos dons na Igreja. Para efeito didático, à maioria
dos teólogos estabelecem as listas de dons espirituais em três categorias, de
conformidade com a pessoa da trindade que os distribui. Esta distinção serve
para melhorar não somente a visualização espiritual dos dons, e suas
correlações Trinitárias, mas também serve para um melhor posicionamento da
pessoa a qual o dom em si torna-se manifesto.
Algumas
seitas e religiões pseudocristãs são assim denominadas pelos teólogos
genuinamente cristãos, quando em suas declarações teológicas fazem alegações
normalmente erradas sobre o Senhor Jesus Cristo ou sobre o Espírito Santo.
Normalmente elas possuem um conceito em parte correto sobre Deus Pai, mas
quando dissertam sobre as outras duas pessoas da trindade elas derrapam, e
demonstram que por mais “bonitinho que seja” o comportamento de seus líderes e
membros ainda assim são hereges, pois “... há três que dão testemunho no céu: o
Pai, a Palavra e o Espírito; e estes três são um” IJo 5.7.
Sendo assim, a distinção dos dons e da pessoa da Trindade que os distribui, não é neste estudo demonstrada com vista à diminuição ou engrandecimento de uma ou outra pessoa da Trindade, antes pelo contrário, serve para o ensino teológico trinitário que coloca de forma relevante o grau de equivalência existente nas pessoas da trindade, as quais por todo antigo e novo testamento se revelam. Veja que não são três deuses, mas sim três pessoas que possuem características diferentes e que em sua essência são uma só Pessoa. Disse Jesus: “Quem me vê a mim vê o Pai”; e “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome” Jo 14.9b e 26a. Nestes dois versículos podemos entender a correlação que existe entre as três pessoas da trindade.
De forma
prática estarei listando os dons de acordo com a respectiva pessoa da trindade
que os distribui. Teólogos como Dr. C. Peter Wagner demonstram em seus livros
de estudo sobre este assunto outras listas relacionadas aos dons espirituais.
Recomendamos que o leitor interessado consulte a bibliografia que se encontra
no final deste estudo para poder encontrar o título de tais obras. Nós
decidimos estudar somente as três listas mais conhecidas, pois o objetivo desta
obra está na ênfase do ministério profético. (vide Tb CHOWN, Gordon; Os Dons do
Espírito Santo: SOUZA, Estevam Ângelo de: Os Nove Dons do Espírito Santo).
O talento é uma capacitação
natural, isto é, recebido por causa da concepção natural, o qual leva-nos a
fazer de forma surpreendente, coisas como: pintar, cantar, discursar, bordar,
etc. Podemos ver tanto no A.T. quanto no N.T. pessoas as quais este tipo de
habilidade natural lhes era patente. (ver Ex 35. 10,25,31 e 35 c/ At 9.36-41).
Vimos nestes dois casos que pessoas que tinham uma habilidade natural peculiar
em alguma área, tornaram-se instrumentos de Deus para abençoar o Seu povo. Sem
dúvida você já ouviu falar de alguém que têm um talento natural para algum
esporte, ou arte. Isto porque, tal pessoa destaca-se entre muitos que fazem
parte do seu meio de convívio, e alguns a despeito da falta de apoio ou
incentivo quer seja familiar, social ou governamental, conseguem ainda assim,
se sobrepor aos seus demais amigos ou concorrentes. Alguns povos parecem
possuir um talento natural para determinadas habilidades comuns aos seres
humanos, tais como:
Nos esportes:
- Ginastica Olímpica – Romênia,
Japão, China, Coréia, Rússia.
- Basketball – E.U.A.
- Futebol – Brasil
Nas áreas acadêmicas:
- Filosofia – Gregos (no
passado), Alemães no presente.
- Pintura – França –
Inglaterra, Alemanha.
- Teologia – Alemanha –
França – Inglaterra – EUA.
Á partir
deste princípio podemos entender que Deus nos preparou para sermos eficientes
no seu trabalho (Ef 2.10 e Sl
139.13-16). Portanto, nada no Reino de Deus acontece sem que seja previamente
planejado. Durante a nossa concepção, foram previstas certas inclinações e
capacitações, com o objetivo de serem usadas mais tarde no Corpo de Cristo.
Estes talentos são desenvolvidos em nós com treinamento e maturidade, cabendo
ao Espírito Santo a potencialização destes, acrescentando a eles uma tremenda
energia divina.
Já muito
se falou da teoria grega acerca da capacitação que os deuses membros de seu
panteão poderiam dar aos seres humanos quando os mesmos viessem a invocá-los.
Esta idéia foi muito difundida quando se deu o advento das olimpíadas (776
a.C.), que eram jogos realizados em Atenas, visando a união do povo grego, mas
também celebrando os deuses que eram responsáveis pela proteção das “Polis”. O
termo “En-Theós” significa ‘estar cheio de deus', e, este termo era utilizado
pelos gregos para descrever os seus melhores atletas, como aqueles que estavam
cheios do sopro ou do poder das divindades que eles veneravam. Nós cristãos
podemos afirmar que somos cheios de Deus, pois á própria palavra de Deus nos
admoesta a assim estarmos: “... mas enchei-vos do Espírito” Ef 5.18b.
É certo
que a maioria dos fatos relacionados aos heróis da Grécia antiga, não passa de
mitologia. Mas, não podemos afirmar que algumas coisas realmente aconteceram, e
que, talvez certos homens tinham algum tipo de poder sobrenatural. Caso fizéssemos
tal afirmação, nós cairíamos em contradição com o ensino bíblico do antigo
testamento, que nos fala acerca da força sobrenatural existente em homens como
Gideão e Sansão. A diferença está no fato de que esses eram potencializados
pelo Espírito de Deus (Jz 16.14b), já os ‘heróis’ da mitologia grega, se é que
alguns deles realmente existiram, certamente eram homens que já possuíam algum
talento ou força natural (que é inerente a todos os seres humanos), e, por
impulso satânico, eram potencializados pelos espíritos malignos que eles
adoravam, para fazerem coisas “sobrenaturais”.
Podemos
então afirmar que: “O dom básico é uma capacitação natural dotada de impulso
espiritual”. Portanto um ser espiritualmente morto, não conseguirá receber de
forma completa impulsos espirituais vindos de Deus (Ef 2.1). Somente um
renascido pode ser sensibilizado espiritualmente pelo Espírito Santo de Deus.
Entendemos que um dom básico é um talento espiritualmente energizado. Temos
então a seguinte diferença entre dons básicos, dons ministeriais e dons
carismáticos:
a) Os
dons básicos são incorporados e desenvolvidos em nós desde a nossa concepção
natural. Estes dons podem ser de certa forma desenvolvidos tanto para o bem,
quanto para o mal, pois são inalienáveis (Rm 11.29). Encontramos um exemplo
desta alegação em IISm 16.23 que diz: “O conselho que Aitofel dava, naqueles
dias, era como resposta de Deus a uma consulta...” Isto demonstra que este
homem tinha tanto uma habilidade natural para compreender questões, e possuía em
si um impulso espiritual dado por Deus que o distinguia dos demais
conselheiros. Já em IISm 17.14c lemos: “Pois ordenara o Senhor que fosse
dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal sobreviesse contra
Absalão” (grifo do autor).
Este
texto revela uma intervenção divina em uma determinada situação que envolvia o
rei Davi. Isto foi necessário porque Aitofel estava utilizando um talento que
lhe foi dado por Deus de forma leviana. Repare bem que Deus não retirou sua
unção de conselho (Is 11.2c) da vida de Aitofel, mas por Sua justiça, habilitou
Husai com o mesmo tipo de unção, e confundiu a mente de Absalão e seus
ministros para que eles atentassem no conselho de Husai, e rejeitassem o de
Aitofel: “Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o de Aitofel” IISm
17.14b.
b)
Os dons carismáticos nos são concedidos quando somos batizados pelo Espírito
Santo. Levam-nos á combater o ‘bom combate’ proposto por Deus, e também nos é
útil para o desempenho do ministério dentro do corpo de Cristo. O apóstolo
Paulo sabia bem a importância dos dons carismáticos para o desempenho de seu
ministério. Em Efésios ele deparou-se
com vários tipos de problemas, e percebeu que a maioria deles eram de ordem
espiritual (Ef 6.10-20). Ele já havia descrito na sua carta aos Coríntios que
para um combatente de Cristo lutar contra o inimigo, ele deve utilizar um
armamento espiritual: “Porque as armas da
nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir
fortalezas, anulando sofismas, e toda altivez que se levante contra o
conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,
e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa
submissão” IICo 10.4-6. Assim como acontece com aqueles que possuem os dons
básicos, e o utilizam de forma errada, podemos encontrar por toda bíblia
exemplos de pessoas que utilizaram de forma arbitrária os dons que receberam do
Espírito Santo. Vide IIPe 2.1-3
c)
Os dons ministeriais são dados a algumas pessoas para que tenham sábia direção
da obra de Deus na Terra, e para que estes preparem os outros membros do Corpo
de Cristo para engajarem-se na guerra e tornem-se vencedores. Os líderes que
são chamados para viverem neste âmbito espiritual estão um pouco mais longe de
serem atingidos pelos erros relacionados nas outras duas classes de dons. Isto
porque, para tal pessoa fazer parte desta classe de lideres ministeriais,
precisa cumprir vários pré-requisitos, tais como: Formação Teológica,
Maturidade Cristã, Bom Testemunho dos seus convivas, e o que neste caso
específico uma unção clara manifestando-se nele, sendo esta correspondente ao
chamado que exercerá. Quando isto ocorre, todos os que estão ao redor de tal
pessoa, o reconhecerão como alguém que possui um destes cinco chamados
ministeriais, e além disto, por seus frutos também poder-se observar a
manifestação de Deus a favor de tal indivíduo. Veja alguns exemplos deste
conceito:
* Paulo,
o Apóstolo – IICo 12.11-13.
* Ágabo,
o Profeta – At 11.27-30.
* Felipe
o Evangelista – At 8.4-8; 26-40.
*
Timóteo, o Pastor – I e IITm.
* Zenas,
o Mestre – Tt 3.13.
Vemos que todos esses homens
possuíam um talento natural ou inclinação para determinada área de ensino ou
administração. Além disto eles possuíam todos os pré-requisitos que estão
listados em I e IITm. Estes são chamados por Cristo para tornarem-se líderes
ministeriais responsáveis pela árdua tarefa de em conjunto uns com os outros,
levarem os membros de uma determinada Igreja ou denominação ao aperfeiçoamento,
ao desempenho do seu serviço, e ao crescimento espiritual que nos é requerido
por Deus como membros do Corpo de Cristo. EF 4.11-16
Iremos
agora relacionar os dons básicos, dando para cada um deles, uma definição que
possa deixar claro o que significa cada um deles dentro do corpo de Cristo.
Veremos nesta primeira lista de uma forma muito clara que é o próprio Deus Pai
o responsável pela distribuição destes dons.
(Romanos 12.1-8) -> “Porque, pela graça que me foi dada, digo
a cada um dentre vós que não pense de sim mesmo além do que convém; antes,
pense com moderação, segundo a medida de fé que Deus repartiu a cada um.
Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros
têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em
Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça
que nos foi dada: se profecia seja segundo a proporção da fé; se ministério
dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que
exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside,
com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria”.(ênfase acrescentada
pelo autor)
Os dons
básicos são funções dadas a indivíduos com o objetivo de capacitá-los espiritualmente,
para exercerem assim uma função dentro do corpo de Cristo. Ousamos então em
afirmar que estes dons básicos assemelham-se com talentos naturais, os quais
nascem com todos os seres humanos, sendo diferente quando o indivíduo
converte-se ao Senhor, e consequentemente passa a ser potencializado por Deus,
o que resulta em um “desenvolvimento” destas habilidades naturais, para a
conseqüente edificação do Reino de Deus. Neste caso, é bom entendermos que dons
e talentos, embora sejam por natureza diferentes, acabam por relacionar-se
intimamente. Eles são de natureza diferente, porque os talentos são concedidos
naturalmente e os dons são concedidos de forma sobrenatural. Explicarei de
forma pormenorizada esta lista de dons para que o(a) leitor(a) obtenha um
entendimento maior do assunto:
Contribuição (ele dá) ->
Capacitação espiritual para suprir, com bens, as necessidades materiais dos
irmãos e da obra, de tal modo que produza bênçãos espirituais.
Deixamos
claro que ainda não estão sendo tratados os dons carismáticos, pois estes que
estão descritos em ICo12-14 serão em breve relacionados. É importante salientar
que qualquer ser humano possui um ou mais talentos naturais, e consequentemente
ao converterem-se, todos os seres humanos poderão receber de Deus Pai um ou
mais destes dons acima listados, pois para com Deus “não há acepção de pessoas”
(Rm 2.11).
II
– O ESPÍRITO SANTO: DONS CARISMÁTICOS
2.1 - DEMONSTRANDO O SEU PODER
Certamente toda a teologia
Paulina estava baseada principalmente nos ensinos de nosso Senhor Jesus Cristo,
e por este motivo iremos ver que os ensinos de nosso Mestre amado estão em
Paulo desenvolvidos de forma mais clara do que nos evangelhos. Vemos em Marcos
16.17,18 a declaração de que os sinais seguirão os que crêem. A palavra sinais
no grego é a palavra (semeion), ou seja, uma marca ou distintivo pelo qual
alguma coisa é conhecida, uma indicação.
O que Jesus estava tentando
transmitir, é que alguns distintivos de fé genuína acompanhariam aos que
cressem, isto é, manifestações de genuína fé no poder de Deus, uma indicação de
que esta fé realmente existe. Nós já analisamos a primeira passagem que
relaciona os dons espirituais, por este motivo veremos agora a segunda lista
que se situa em ICo 12-14, que trata especificadamente dos “dons do Espírito
Santo”.
(ICo 12.4-11) ->
“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade
nos serviços, mas o Senhor e o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o
mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a
cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a
palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do
conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito,
dons de curar, a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro,
discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas, e a outro, capacidade
para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas,
distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente”.
Estes são os dons que o
Espírito Santo dá a indivíduos pertencentes à sua Igreja com o objetivo de
manifestar-se sobrenaturalmente ao corpo. Vamos denominar este segmento de
“dons carismáticos”.
2.1.1 – Pneumatologia Cristã
Antes de entrarmos na analise
propriamente dita desta listagem de dons, vamos ver uma das mais enfáticas
observações paulinas, sobre o critério de distribuição dos dons dentro do corpo
de Cristo. A bíblia ensina que cada pessoa redimida recebeu pelo menos um Dom
do Espirito Santo: “Ora, os dons são diversos... mas a manifestação do Espirito
é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso” (ICo 12.4,7). Nós somos responsáveis diante de Deus pela
maneira com que usamos nossos dons. O apóstolo Paulo compara a Igreja aos
nossos corpos físicos, onde cada membro tem uma função especial, mas todos
trabalham juntos. Ele diz: “ O corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser
o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo: nem por isso deixa de ser do
corpo... Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe
aprouve”. (ver ICo 12.14-21)
Paulo ainda acrescenta que
até os membros do corpo que parecem ser os mais fracos ou os menos úteis são
necessários e essenciais para que seu funcionamento seja perfeito. Cada membro
do corpo é único. Não existe nenhum outro “você” ou “eu”. Em certo sentido o
dom de ambas as pessoas, ainda que potencialmente diferentes, são únicos. Deus
dá dons semelhantes a pessoas diferentes, mas há algo de especial nisto que nos
faz diferentes de qualquer pessoa que já viveu nesta terra. Se qualquer de nós
estiver faltando, o corpo está incompleto.
Iremos então classificar
estes dons ICo 12-14 de dons carismáticos, pois apesar de Paulo não usar
especificamente este termo, nós o vemos implicitamente em suas cartas. Para
efeito didático, estamos classificando os
Dons Carismáticos em três categorias diferentes, ou seja: Dons de expressão
vocal, dons de poder e dons de revelação. Veja a seguir:
a
- Dons de Expressão Verbal: >(dizem
algo)
1.
Profecia
2.
Variedade
de línguas
3.
Interpretação
de línguas
b
- Dons de Ação ou Poder:
1.
Fé
2.
Operação de
milagres
3.
Dons de
curar
c
- Dons de Revelação ou Conhecimento
1.
Palavra de
sabedoria
2.
Palavra de
conhecimento
3.
Discernimento
de espíritos
Profecia -> Nenhuma profecia pode
exceder o que já foi revelado através da palavra de Deus. Ela pode ajudar-nos a
compreender as verdades dos oráculos sagrados. Certas pessoas podem profetizar
algo acerca do que está ocorrendo com alguma pessoa, família, igreja, etc... At
21.9
Variedade de Línguas -> Todo crente
pode orar em línguas, pois isso não é um ato natural, produzido pela alma, mas
sim é um ato sobrenatural, o qual nos é dado pelo Espirito de Deus, e que se
manifesta em nosso espirito.
Interpretação de Línguas -> Não
depende de qualquer conhecimento natural para interpretar. Como Deus, não faz
confusão, a interpretação certamente será coerente com os princípios bíblicos
para o homem ou mulher que a recebe.
Fé -> É a capacidade de confiar em
Deus de maneira sobrenatural, na questão de conhecer a Cristo, à sua palavra,
ao seu sistema espiritual; e mediante essa fé, também convence outros a confiar
nEle.
Operação de Milagres -> Esse dom
talvez mais do que qualquer outro, apresenta Jesus aos não convertidos de uma
forma intensa, sobrenatural e incontestável. Junto com este dom, virá
certamente um grande temor ao coração do homem que o desenvolve. Por ser um dom
espetacular, faz com que as pessoas na maioria das vezes, creiam que o homem
usado por Deus nesta área ministerial, é superior aos outros.
Dons de Curar -> O dom da cura atua
quando entra em operação o Espirito Santo de Deus. Assim como o dom de operação
de milagres, este dom traz consigo, um grande encargo ministerial. Isto porque,
caberá ao líder que o desenvolve, transmitir todos os louvores a Deus. Zc 14.9.
Palavra de Sabedoria -> Habilidade de
compreender e de transmitir as coisas mais profundas do Espirito de Deus, de
compreender os mistérios Cristãos, como também a capacidade de transmitir a
outros este conhecimento (Rm 11.33). Na primeira carta de Paulo aos coríntios
no capítulo 15, vemos entre os versículos 1-19 a manifestação deste dom de uma
forma muito objetiva. Ele declara com sabedoria um ensino que já era encontrado
nos evangelhos, ou seja, a morte e a ressurreição de Cristo. Mas, Deus
certamente lhe deu esta palavra de sabedoria, para que seus ouvintes anulassem
um ensino herético acerca da ressurreição dos mortos.
Palavra de Conhecimento -> Deve
aplicar-se tanto ao acolhimento como a compreensão do que é dito e ensinado a
Igreja; Inclui a transmissão deste conhecimento, o qual suplanta o que
normalmente é encontrado nos meios acadêmicos ou eclesiásticos. Em ICo 15.20-29
c/ 35-58, encontramos uma demonstração deste dom por intermédio da vida de
Paulo. Vemos que o tipo de ensino que ele transmite aos coríntios estava além
daquele transmitido tanto no antigo testamento, quanto nos evangelhos.
Discernimento de Espíritos -> Poder de
distinguir entre as operações do Espirito Santo e as operações de espíritos
malignos e enganadores (IJo 4.1 c/ ITm 4.1). Este dom manifestava-se no
apóstolo Pedro de uma forma tão contínua, que em duas passagens do livro de
Atos dos Apóstolos, nós podemos ver Pedro valendo-se do mesmo para desmascarar
o inimigo. At 5.1.11 c/ At 8.14-25
Concluímos esta parte do
estudo sobre os dons carismáticos colocando alguns pontos como sendo cruciais,
afirmando que:
a)
Eles são a
capacitação para o crente realizar a sua adoração na Igreja (ICo 7.7).
b)
Servem
também para fazer com que o crente desenvolva o seu ministério na comunidade
dos crentes (ICo 12.28; Ef 4.4-6).
c)
Habilitam
os ministros cristãos para irem a guerra, com as melhores armas que podem
existir para tal tarefa, ou seja, libertar os cativos de satanás, e levá-los
aos pés de Cristo.
III-
O FILHO LIBERA OS DONS MINISTERIAIS
3.1 - SE O PAI ESTÁ TRABALHANDO, O FILHO
TAMBÉM ESTÁ!
(Efésios
4.11-12) ”E ele mesmo
concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e
outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o
desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que
cheguemos á unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo...”.
Alguns dons dados a pessoas,
transformam-se em ministérios que têm o objetivo de preparar os demais membros
do corpo para a obra. A este segmento chamaremos de dons ministeriais. No escopo da teologia Paulina, este é um dos
assuntos mais discutidos pela Igreja atual. Paulo declara o cerne da liderança
eclesiástica, a qual deve ser constituída dos seguintes membros: Apóstolos,
Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres.
A palavra ministério é
utilizada na maioria das igrejas cristãs contemporâneas, e, normalmente não é
compreendida de forma correta por parte dos membros, e nem por parte dos
líderes das igrejas que a utilizam. Por este motivo, vamos estudar um pouco
acerca desta palavra, e como ela era utilizada originalmente pelas pessoas que
compunham á Igreja Primitiva.
# Diakonos
Esta palavra de origem grega
era normalmente utilizada para denominar um criado doméstico pessoal e comum.
Este varria a casa, preparava a comida, servia nas mesas, lavava a louça e
assim por diante. Em Rm 13.4; 15.8; ICo 3.5; IICo 3.6; 6.4; 11.15; Gl 2.17; Ef
6.21 e em outras passagens, ela é traduzida como ‘ministro’, ou ‘atendente’ ou
‘diácono’. O que destacamos é que ela sempre tinha uma associação com um servo
doméstico particular.
A palavra diakoneo (servir), é geralmente traduzida
como ‘ministrar’. Novamente, a palavra grega para limpar o chão é utilizada
para atividade espiritual em Mt 20.28; 25.44; At 19.22; Rm 15.25 e ss.
Já a palavra diakonia (serviço), é a palavra
principal do Novo Testamento para ‘ministério’. Em Lucas 10.39-41 a vemos sendo
ilustrada dentro de seu significado comum para obrigações domésticas. Mas ela é
também utilizada para indicar serviço espiritual. Veja alguns exemplos nos
quais ela está no NT associada:
*
Apóstolos – At 1.17, 25;
6.4; 12.25; 21.19; Rm 11.13
*
Cristãos – At 6.1;
11.29; Rm 12.7; 15.31; Ef 4.12; IITm 4.11.
*
O Espírito Santo – IICo
3.8,9
*
Anjos – Hb 1.14
*
Pregadores e mestres –
At 20.24; IICo 4.1; 6.3; ITm 1.12; Cl 4.17.
O grupo de palavras diakonos mostra que um ‘ministro’ não é
o amo, o dono da casa: que ‘ministrar’ não significa dar ordens: e que o
‘ministério’ não é um alto ofício ou uma atividade de grande status. Ao
pensarmos biblicamente sobre ‘ministério’, devemos começar a entender que ‘um
ministro’ é mais semelhante a um servo doméstico com pouco status e que
‘ministério’ é um trabalho semelhante ao de limpeza, manutenção de carro ou
culinária.
# Leitourgos
Se na palavra diakonia nós podemos descrever alguém
que realiza um serviço particular de tempo integral de baixo status e
remuneração, em leitourgos, nos
encontramos alguém que executa um serviço público de tempo parcial, alto status
e nenhuma remuneração.
Ela é ocasionalmente usada no
Novo Testamento para identificar ‘um ministro’, mas tem um significado bem
diferente de diakonos. Leitourgos é a
palavra grega usada para um importante servo público, alguém que executa um
ofício público a própria custa. No NT as palavras leitourgos, ‘um ministro’; leitourgeo,
‘ministrar’; e leitourgia,
‘ministério’ são usadas para as seguintes pessoas:
* Cristo – Hebreus 8.2
* Paulo – Romanos 15.16
* Epafrodito – Felipenses
2.25
* Os profetas e mestres em
Antioquia – At 13.2
* A obrigação dos gentios
para com os judeus – Romanos 15.27
* De uns para com os outros
cristãos – ICo 9.12; Fl 2.17-20.
Este uso ocasional de leitourgos expressa o fato de não
servimos para nosso próprio benefício, nem como pessoas que estão procurando
edificar o seu próprio reino. Esta palavra pelo contrário nos demonstra que
sempre o ministério deve ser tratado com a maior importância, pois ele é
público e tem um caráter representativo, ou seja, representamos o Senhor que
nos chamou para o Seu serviço.
# Huperetes
Esta palavra é muitas vezes
traduzida também como ministro. Literalmente ela significa um ‘sub-remador’, e
era usada como uma palavra popular e coloquial para qualquer subalterno que
agia sob a direção de outra pessoa. Veja os exemplos:
* Um atendente da sinagoga –
Lc 4.20
* Marcos – At 13.13
* Rei Davi – At 13.36
* Paulo – At 20.34; 26.16;
ICo 4.1.
Esta palavra enfatiza que os
ministros não são pessoas que estão a cargo de suas próprias atividades. São
homens e mulheres que funcionam debaixo de autoridade. At 13.36 mostra que o
grande rei Davi foi apenas um ‘sub-remador’ de Deus, e ICo 4.1 declara que os
líderes da igreja deviam ser considerados e tratados como ‘sub-remadores’, ou
seja, como pessoas sob a liderança e direção de Cristo.
Talvez a maneira mais simples
e precisa que podemos pensar biblicamente acerca do ministério após analisar
estas três palavras, é ver que no Novo Testamento a mensagem básica para
‘ministro’ está relacionada com o fato de que este deve ser sempre um ‘servo’,
e um ‘ministério’ é sempre um ‘serviço’. Portanto, qualquer idéia, padrão ou
prática de ministério que se distancie do serviço humilde não está enraizada
nas Escrituras.
Vejamos agora as diversas
palavras que eram utilizadas para denominar um servo, e como as mesmas foram
aplicadas no Novo Testamento.
# Doulos
Significa um servo que tem um
senhor, contrastando com um que é empregado pelo seu dono. Nos tempos
neotestamentários, doulos referia-se
a um escravo. A diferença principal entre doulos
e diakonos é que a primeira
aponta para um relacionamento enquanto que a segunda indica uma atividade.
Doulos então é usada para mostrar que os
cristãos são possuídos e controlados por Deus. Vemos isto em Rm 1.1; Gl 1.10;
Ef 6.6; Fl 1.1; Tt 1.1 e em outras passagens. Porque somos possuídos por Deus,
somos chamados:
* Para servir a Deus – Mt
6.24; Rm 7.6; Fl 2.22.
* Para servir a Cristo – At
20.19; Rm 12.11; 14.18; Ef 6.7; Cl 3.24.
* Para servir-mos uns aos
outros – Gl 6.2.
Os escravos devem obedecer a
seus senhores, assim doulos salienta
o modo que servimos porque Deus é nosso dono. A diferença está no fato de que
servos púbicos são voluntários, e os servos particulares podem parar de
trabalhar para seus empregadores quando desejarem. Podemos dizer que um
ministro é alguém que se coloca voluntariamente à disposição de Deus para
servi-lo da maneira que Ele desejar.
# Latris
A segunda palavra para
‘servo’ que não é traduzida como ‘ministro’. Latris literalmente significa ‘um servo contratado’ e latreuo, servir, é usada no Novo
Testamento para descreve um serviço espiritual em particular dos sacerdotes e
levitas que eram pagos para servir a Deus no templo, e a adoração que os
cristãos oferecem a Deus. Vemos isso em Atos 7.7; 24.14; 27.23; Hebreus 9.1.
O NT deixa claro que todos os
cristãos são chamados para servir e adorar a Deus – como os sacerdotes e
levitas – com oração, louvor, e sacrifícios espirituais. Mas, diferente dos
sacerdotes e levitas, as Escrituras não nos encorajam a ter a expectativa de
sermos pagos por esse trabalho.
Não somos chamados para ser latris, ou seja, servos contratados que
trabalham primeiramente pelo pagamento. Somos chamados para sermos diakonos, ou seja, servos voluntários
que continuam servindo o seu senhor/empregador pelo fato único e exclusivo de
amá-lo, e querer estar sempre a sua disposição para qualquer serviço! “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para
ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mc 10.45.
Sabemos que na época de Jesus eles não
tinham automóvel ou ônibus. As ruas eram compartilhadas por animais como
cavalos, burros, andavam pelas mesmas estradas e caminhos que as pessoas. Assim
sendo, se você caminhasse por aquelas antigas ruas, você estaria andando no
meio de muito esterco, sujeira e poeira.
Lavar os pés de alguém na época do Novo
Testamento, era uma tarefa geralmente reservada para o mais baixo escravo da
família. Assim sendo, quando o Senhor Jesus lavou os pés dos Seus discípulos
(Jo 13.5), Ele estava assumindo o lugar mais baixo do mais baixo escravo. Pedro
ficou espantado que o Rei dos reis e Senhor dos senhores assumisse o lugar mais
baixo dos escravos. No entanto, Ele estava dando um exemplo para os Seus
seguidores, daquela época, e também para os dos dias atuais. Ou seja, cabe-nos
assim como o Mestre sermos verdadeiros escravos uns dos outros, e, aos líderes,
á tarefa de destacarem-se no serviço cristão como escravos de Cristo que servem
aos seus liderados e os que porventura forem pelo Senhor enviados para a casa
(igreja) onde tal escravo exerce o seu trabalho.
3.1.1 – Implicações Teológicas
Após este breve ensino sobre
o que é ministério e de como devemos nos portar ministerialmente, estaremos
vendo algo acerca dos ‘dons ministeriais’, e de sua relevância na igreja
contemporânea. A discussão começa quando, alguns teólogos dizem que estes dons
morreram juntamente com a igreja do primeiro século, e outros teólogos dizem
que os dons somente serão extintos quando for retirado o que é perfeito, ou
seja, o Espírito Santo, o qual devido ao arrebatamento da Igreja, já não estará
mais trabalhando no planeta terra da forma que Ele vem trabalhando desde o princípio,
e mais particularmente, no período conhecido como a “era da igreja”. Entre os
teólogos que afirmam que os dons foram extintos no primeiro século da era
cristã, encontram-se os seguintes:
O famoso teólogo franco-alemão Oscar Cullman em seu livro
“Cristologia do Novo Testamento” (2001: 31-74), demonstra uma linha de
pensamento que devido as credenciais do mesmo pretendemos analisar. Ele nos diz
que: Aqueles que chamavam Jesus como “profeta”, não queriam com isso
simplesmente classificar-lhe dentro de uma certa categoria de homens existentes
em sua época? De fato alguém se sentiria tentado a crer que se chamou a Jesus
“profeta” para indicar sua profissão, como o chamaram de rabbi, mestre. Porém,
convém notar que na época do Novo Testamento, a profecia, como profissão
regular e organizada, já não existia no judaísmo.
Por outro lado, quase não havia mais
profetas no sentido especificamente israelita do termo, quer dizer, homens
visitados pelo Espírito, que recebiam de Deus uma vocação particular. O antigo profetismo
havia se extinguido progressivamente; e praticamente não existia mais senão sob
a forma escrita de livros proféticos. Isto por si bastaria para mostrar que, ao
chamar a Jesus “profeta”, não o classificava simplesmente em uma categoria
profissional determinada.
Porém, o argumento decisivo é que na
maior parte das passagens onde este título lhe é dada, Jesus não aparece
somente como um profeta, mas como o profeta – a saber: o último profeta, aquele
que devia “cumprir” toda profecia, no final dos tempos.
Segundo Foulkes (1986:73-85), o
ministério profético (ou pelo menos o nome de profeta) logo morreu na Igreja
juntamente com a morte da primeira geração eclesiástica. Sua obra, que era
receber e declarar a palavra de Deus sob inspiração direta do Espírito era mais
vital antes da existência de um cânon das Escrituras do Novo Testamento. Em
escritos do segundo século lemos acerca de profetas, mas em importância
decrescente. Os escritos apostólicos começavam a ser lidos largamente e aceitos
como autorizados, e estes foram paulatinamente substituindo a autoridade o dos
profetas. Ao mesmo tempo, o ministério local assumiu cada vez mais importância,
maior que a dos ministros itinerantes, e a isto, acrescentou-se o problema de
que surgiram muitos falsos mestres e “profetas” por conta própria que iam de
lugar em lugar, como vendedores ambulantes, cada um a oferecer sua mercadoria.
Ralph & Gretchen Mahoney são os
diretores editoriais da revista ATOS à qual é uma adaptação para o português do
World MAP. Este ministério trabalha com líderes da América Latina, África e
Ásia. Sua ênfase está no preparo teológico dos tais para poderem responder as
mais diversas indagações feitas por leigos ou clérigos religiosos. Por este
motivo estou listando nesta resenha bibliográfica trechos do artigo publicado
por esta revista (2001: 1-24), pois certamente merecem algum respeito. Eles
descrevem que há cerca de 86 anos atrás, aconteceu um despertamento espiritual
que gerou uma denominação conhecida como “O Movimento Apostólico de Gales”.
Concebido por uma grande visitação de Deus, este movimento inspirou alguns dos
ensinamentos mais profundos sobre o cargo do apóstolo e do profeta. As crenças
doutrinárias dos que estavam envolvidos neste reavivamento, com relação a
apóstolos e profetas, tinham uma base realmente bíblica. Deus deu aos líderes
de igrejas galeses revelações singulares sobre os dons ministeriais retratados
em Efésios 4.11 “E Ele deu alguns para apóstolos, alguns para profetas, outros
para evangelistas, outros para pastores e mestres...” Nos primeiros anos deste
movimento, Deus levantou muitos apóstolos e profetas verdadeiros. A posição doutrinária deles afirmava que os
apóstolos e profetas deveriam trabalhar juntos.
Os apóstolos não deveriam sair para
ministrarem, a menos que fossem acompanhados por um profeta, e vice-versa.
Estas equipes foram distribuídas por todo o mundo, e eles saiam com grande
poder para ministrar as pessoas. Em Lucas 11.49 Jesus ensinou: “Portanto...
disse a sabedoria de Deus: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos...” ICo 12.28
nos diz: ”Deus colocou alguns na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo
lugar profetas...” Observe a ligação nesses versículos dos apóstolos e
profetas. Aí então, em Efésios 2.20 Paulo diz que a Igreja está “edificada no
fundamento dos apóstolos e profetas”. Ele une estes dois ministérios no sentido
de trabalharem juntos na colocação dos fundamentos da Igreja. A ligação entre o
cargo do apóstolo e do profeta em todos estes versículos é um indicador de que
estes dois cargos funcionam juntos.
O que aconteceu entre os anos 400 e 1700 d.C.
para não haver tantos registros de manifestações genuínas do Espírito Santo,
como os que nós encontramos nos primeiros 300 anos da Igreja Cristã? O Pr. Caio
Fábio nos responde no mesmo livro (91-92:1991), com as seguintes sugestões:
Primeira Resposta. A ignorância bíblica que o
Catolicismo Romano infundiu no povo impediu o florescimento dos dons durante
esse tempo. Do ano 400 até a Reforma, e pouco além, como os reformadores tinham
preocupações de caráter mais soteriológico do que carismático e escatológico –
assuntos em que raramente tocam em seus escritos -, não houve quase nenhuma
reflexão teológica a respeito dos dons. O fato é que a Igreja Católica se
encarregou de infundir uma ignorância espiritual absoluta na mente das pessoas.
Segunda Resposta. Os pré-reformadores –
levantados por Deus antes da Reforma – ergueram sua voz falando em nome de
Deus, sem quase mencionar o assunto dos dons. A verdade é que eles tinham
outros temas a tratar – mais importantes e perigosos para o Evangelho - e que
os preocupavam muito mais, como: o poder do papado, a salvação pelas obras, a
bruxaria na Igreja, e inclusive a venda de indulgências.
Terceira Resposta. A mesma preocupação
soteriológica dos pré-reformadores também envolveu a mente dos reformadores.
Dizer que os dons não são vigentes porque não se falavam neles deveria
levar-nos pelo menos às seguintes decisões extremadas:
a – Jogar fora o livro de Tiago, porque Lutero
não o entendia, e era de opinião que não deveria fazer parte do cânon sagrado.
b – Jogar fora também o livro de Apocalipse, porque Calvino o
julgava complicado demais, e afirmava não o compreender muito bem. Para Lutero,
havia uma divergência quase inconciliável entre a teologia de Paulo e a de
Tiago. Para Calvino – como já disse – o Apocalipse era inextricável. Nem por
isso desprezamos Tiago, ou queimamos o Apocalipse.
c – Os dons se manifestaram em algumas ocasiões, e de maneira
descontrolada, o que levou os líderes a teme-los pelo que aconteceu: falta de
educação no seu uso. Do ano 400 para cá, verificaram-se manifestações, mas tão
loucas que as lideranças ficaram simplesmente apavoradas.
Além disso, o que sucedeu em Corinto tornou-se
tão célebre, fazendo com que a questão dos dons espirituais se tornasse – e
desde sempre – um tanto controvertida. Dou graças a Deus pelas igrejas onde
tenho servido. Prefiro mil vezes pastoreá-las a pastorear uma igreja como a de
Corinto! Nela havia problemas tremendos. Daí as afirmações contraditórias: “Eu
sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Pedro, eu sou de Cristo (...)” (ICo
1.12). Era uma igreja onde alguém tinha um caso amoroso com a mulher do pai, a
madrasta (5.1-5); ou os irmãos engalfinhavam-se nos tribunais, em razão de
negócios e sociedade (6.1-11); onde as pessoas eram capazes de sair do culto e
ir ao templo de Apolo, sentar-se à mesa do ídolo e comer fartamente do alimento
a ele sacrificado (8 e 10); onde a autoridade do apóstolo era questionada
(9.2), como também a do marido sobre a mulher (a questão do véu. no cap. 11);
igreja na qual os dons espirituais eram uma balbúrdia, o culto uma loucura
(14), a questão da ressurreição controvertida, e na qual inclusive pessoas se
batizavam em lembrança de mortos, pela possibilidade de assim se salvarem
(15.29).
Ora, tudo isso fez muitos pensarem na igreja de
Corinto como um caso clássico de uma igreja na qual toda essa balbúrdia era o
resultado da prática dos dons espirituais, esquecidos de que ela não era a
única a praticá-los. Além disso, o terceiro para o quarto século houve os
problemas com os adventistas montanos, grupo carismático fanático que se
levantou e influenciou tremendamente alguns segmentos da Igreja, os quais
viviam profetizando sobre a vinda do Senhor. Eles criaram um alvoroço tão
grande na Igreja, que as deixaram apavoradas com tudo que dizia respeito das
manifestações carismáticas.
Orlando Boyer, no livro Heróis da Fé
(1985:271Pg), nos dá vários relatos dos homens que inspiraram a muitos outros
quando viviam e ministravam, e que ainda hoje são exemplos de conduta e
retidão. Podemos através deste livro observar como Deus atuou na vida destes
homens, e que, muitos deles foram verdadeiros líderes espirituais. Como poderia
alguém dizer que Guilherme Carey não foi literalmente um apóstolo? Quando leio
os escritos destes que são céticos quanto aos dons espirituais, posso ver que
eles são iguais aos que negaram ‘as destras da comunhão’ para Carey quando este
foi chamado por Deus para pregar o evangelho aos pagãos. Veja bem, pode ser que
os teólogos que fazem parte da neo-ortodoxia digam que devemos sim levar o
evangelho aos perdidos. Mas, este evangelho é mais social (Teologia da
Libertação), político (Teologia da Morte de Deus), secular (Teologia Secular).
Ou seja, para estes teólogos, assim como os da época de Carey, Deus não deve
ser levado tão á sério assim, e a mensagem bíblica não deve ser tomada à regra
(Barth, Bultmam, e outros). Para estes reproduzo o que está escrito no livro de
Boyer (pg. 102) que diz: “Quando Guilherme Carey chegou à Índia, os ingleses
negou-lhe permissão para desembarcar. Ao morrer, porém, o governo mandou içar
as bandeiras a meia haste em honra de um herói que fizera mais para a Índia do
que todos os generais britânicos”. Calcula-se que traduziu a Bíblia para a
terça parte dos habitantes do mundo. Ou que poderíamos dizer de Carlos Finney?
Transcrevo aqui outro trecho do livro de Boyer (pg. 137) “Descobriu-se, por
pesquisa que mais de 85 pessoas de cada 100 eu se convertiam sob a pregação de
Finney, permaneciam fiéis a Deus. Parece que Finney tinha o poder de
impressionar a consciência dos homens, sobre a necessidade de um viver santo,
de tal maneira que produzia fruto mais permanente”. Perguntemos a estes que
dizem que os dons ministeriais se extinguiram no tempo da igreja primitiva, o
que é que moveu Jorge Müller (o apóstolo da fé) a desenvolver um ministério tão
eficaz em Bristol?.
Como alguém pode contestar o ministério
profético de Jerônimo Savonarola (1452–1498), o qual além de ser um arauto da
pregação evangélica, foi também um percursor da reforma protestante, pois
quando este morreu, Lutero contava apenas com quinze anos de idade. Savonarola
profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e
assim sucedeu (pg. 19). Outro profeta que Boyer cita em seu livro foi João Huss
(1369-1445), que morreu queimado em praça pública na Boêmia, por ser um profeta
que não se curvava á outros deuses. Quando ele estava no cárcere, sentenciado
pelo Papa a ser queimado vivo, ele profetizou: “Podem matar o ganso (na sua
língua, ‘huss’ é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não
poderão queimar”. Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o
‘cisne’ afixou, afixou na porta da Igreja de Wittenberg, as suas noventa e
cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss
enganara-se em apenas dois anos, na sua predição. Outra frase destacada por
Boyer em seu livro e que me impactou profundamente, foi o que ele em suas
pesquisa sobre a vida de Martinho Lutero encontrou, e transcreveu da seguinte
maneira: “Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e
interpretava; revestido de todos os dons do Espírito” (Souer, vol. 3, pg. 406).
Em seu livro Restauração na Casa de Deus,
o Pr. Ubirajara Crespo (1997: 106-111) analisa esta passagem de Ef 4.7,11, 12
dizendo que é interessante como Paulo começa este texto falando da graça concedida a cada um. Esta palavra
vem do grego karis que
é a raiz da palavra carisma karisma. indivíduos
são dotados pelo próprio Jesus, dos dons (Karismas) descritos em Efésios 4. Os
ministros são pessoas dotadas espiritualmente de dons que os capacitem a servir
a Igreja.
No
comentário de I Coríntios Leon Morris (1981: 149-150) diz o seguinte:
Salienta-se a duração do amor. O amor jamais acaba, sendo que o verbo é o
sempre empregado com o sentido de “cair”. Vem a ser usado no sentido de
“colapso”, “sofrer ruína”. O amor nunca sofrerá um destino assim. “As muitas
águas não poderiam apagar o amor” (Ct 8.7). Contrariamente a esta duração do
amor, Paulo coloca o passamento certo de dons em que os coríntios se fixavam
como sua abundante reserva de provisões. As profecias desaparecerão. O verbo é
katargeõ, que significa basicamente “reduzir a nada” “tornar inútil”. As
profecias são a apresentação daquilo que Deus diz aos homens por meio do
profeta. Mas quando estivermos diante de Deus, não haverá lugar para o profeta.
Então as profecias não terão lugar; estarão completamente sem razão de ser.
Com todo respeito que deve
ser dado aos acadêmicos que em seus escritos falam contra á manifestação plena
dos dons ministeriais para todas as épocas da igreja, eu quero através deste
estudo literalmente discordar de suas idéias. E para o tal venho desde o início
demonstrando com uma boa base bíblica a existência dos dons espirituais suas
implicações tanto na vida do crente que o(s) possue(m), quando na comunidade
dos cristãos aonde estes dons se manifestam.
Uma passagem clássica citada
pelos defensores da tese que os dons cessariam (e nesta linha de pensamento
encontram-se os membros da seita testemunhas de Jeová), está na primeira carta
de Paulo aos coríntios no capítulo 13 e versículos 8-10, que diz: “O amor
jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão;
havendo ciência, passará; porque em parte, conhecemos e, em parte,
profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte
será aniquilado”. Para estes, ‘o que é perfeito’ seria o fechamento do cânon
das sagradas escrituras, que se deu quando o profeta João escreveu o último
livro da bíblia, ou seja, o livro de Apocalipse.
Algo que me desperta o
interesse neste tipo de visão teológica deturpada que alguns teólogos adotam,
está no fato que a grande maioria dos defensores desta linha teológica, já
erram quando saem por aí distribuindo revistas de ensino dizendo como devem se
comportar os adeptos das seitas e religiões que eles fundaram ou que endossam
como sendo corretas. Estes normalmente possuem como exemplo da veracidade de
seus ensinos a questão por eles sempre alegada de que seus fundadores receberam
uma revelação direta de Deus (ou no caso de alguns, de um potente arcanjo),
dizendo que ‘eles foram iluminados com uma grande e última revelação’ para o
final dos tempos. Veja bem, primeiro eles dizem que profecias, ciência,
revelação, e todos os outros dons como o de curar os enfermos cessaram.
Mas, depois eles se
fundamentam e espalham suas heresias desgraçadas por todo mundo, baseados em
revelações, profecias, curas ou quaisquer outras coisas mais que seus lideres
‘mortos’ receberam. Estão “duplamente mortos” (Jd 12c), pois se condenam a si
mesmos com seus ensinos contraditórios. Isto não significa que se alguns deles
a partir de hoje reconhecerem á validade dos dons para os dias atuais serão
liberados da condição de pecadores, pois os mesmos serão salvos somente quando
cumprirem um preceito antigo mais indispensável o qual o profeta Isaías revelou
em seu livro, ele nos diz: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta
maneira, jamais verão a alva”. Is 8.20
3.1.2 – A Bíblia, nossa grande Aliada!
Bom, agora talvez alguém me
pergunte. Com que base você pode alegar que os dons não cessarão após o período
apostólico. Começarei á destruir este sofisma teológico, com o texto de João
17.20 que diz: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a
crer em mim, por intermédio da sua palavra”. Neste texto Jesus demonstrou que
tanto os apóstolos como os conversos no primeiro século mereceriam da parte do
Pai uma atenção igual aos que nos séculos seguintes (inclusive os do século
XXI), viessem a crer nele.
Em segundo lugar, veremos que
a mesma ordenança que o Mestre deu aos apóstolos, foi dada para todos os cristãos,
ou seja, façam tanto uma como outra coisa. Como já dissemos acima á maioria das
seitas, utilizam um ou outro preceito bíblico, mas negam todos os outros e o
Senhor Jesus disse que “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto
que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino
dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado
grande no reino dos céus” (Mt 5.19). Quais mandamentos? “Ide, portanto, fazei
discípulos...” “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos...” (Mt
28.19a. c/ 10.8a).
Em terceiro lugar, observamos
no discurso de Pedro descrito no livro de Atos 2.38-39, que o ‘Dom do Espírito
Santo’ seria dado para “quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. Qual, ou quais dons?
No mínimo poderíamos dizer que seria o dom de línguas, haja vista que na
passagem imediatamente anterior o apóstolo está elucidando um fato que para
muitos era uma loucura coletiva ou um êxtase provocado pela embriagues dos 120
discípulos de Cristo, os quais haviam acabado de receber o batismo com do
Espírito Santo (vide At 2.1-36). Agora, sejamos francos, se este dom seria dado
como disse Pedro a tantos quantos o Senhor viesse no futuro chamar, isto
novamente me leva a crer que é uma promessa que deve se cumprir de forma
integral nos dias atuais, e, se o dom por ele referido era o dom de línguas, já
nos dá um esclarecimento que esta interpretação teológica que ensina a extinção
dos dons junto com a morte dos apóstolos, está totalmente errada, pois repito
novamente o que disse o apóstolo: “... e para todos os que ainda estão longe,
isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”.
Amado amigo quero dizer-lhe
que: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e é útil para o ensino,
para a repreensão, para a correção, para a educação na
justiça (IITm 3.16), sendo assim, não existe contradição alguma no que eu estou
lhe ensinando, portanto volte-se para Deus com uma atitude de arrependimento,
peça-lhe perdão pelo seu pecado de incredulidade, e a partir de hoje comece
crer que Jesus é o mesmo” ontem, hoje e eternamente “(Hb 13.8), e é por este
motivo que assim como Ele capacitou á igreja primitiva com uma forma variada de
dons para cada um de seus membros, assim também ele faz nos dias de hoje”.
O quarto argumento teológico
que quero aqui ressaltar está no livro de Efésios, aonde nos encontramos o
seguinte texto:
“E
a graça foi concedida a cada um visando um de nós segundo a proporção do dom de
Cristo. E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos,
outros para profetas, outros
para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao
aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação
do Corpo de Cristo”. Ef 4.7,11, 12.
Se ‘o que é perfeito’
extinguiria os dons ministeriais, ele também extinguiria todos os outros dons e
talentos que existiam na igreja apostólica não é mesmo? Para os religiosos que
respondem esta pergunta com um sim, eu contra-argumento com a seguinte
pergunta: Porque é que então nós encontramos em todas estas seitas
nomenclaturas que em sua essência são aquelas utilizadas no período apostólico?
ü Pastor = Ancião
ü Presbítero = Pastor
ü Líder = Diáconos = Servidores =
Assistentes
ü Instrutor = Mestre
Olha que interessante. Os
teólogos que para satisfazerem seus desejos dizem que os dons ministeriais tais
como de apóstolo e profeta morreram no passado, utilizam estas mesmas passagens
para dar base aos seus ensinos quando instituem pastores, anciãos, presbíteros,
diáconos, etc... Em suas seitas ou denominações. Com certeza estes são os
falsos profetas e mestres profetizados pelo Senhor Jesus Cristo e pelo apóstolo
Paulo (vide Mt 24.11 c/ ITm 4.1-7), pois quando ditam seus ensinos, o fazem
somente com vistas naquilo que lhes agrada, deixando de ensinar toda escritura,
contradizendo assim o que á própria bíblia nos recomenda fazer (At 20.27 c IITm
3.16).
3.1.3 – Caminhando em direção á Verdade
Após este breve parêntese em
nosso estudo, vamos agora continuar o estudo acerca do ministério profético.
Como vimos nas outras duas listas de dons espirituais, cada pessoa da trindade
de uma certa forma ficou responsável pela administração de uma área específica
dos dons tanto na vida dos cristãos quanto no seio da igreja local e universal.
Neste ponto iremos ver o Senhor Jesus Cristo como o responsável direto pelos
dons ministeriais, sua distribuição, e por que não dizer sua manutenção. Nossos
textos base serão encontrados em sua grande maioria na carta de Paulo aos
Efésios, vejamos alguns:
v 2.20a “edificados sobre o fundamento dos
apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”;
v 3.5b “foi revelado aos seus santos
apóstolos e profetas, no Espírito”,
v 4.7,11 12 “E a graça foi concedida a cada
um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos,
outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e
mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu
serviço, para a edificação do Corpo de Cristo”.
Dentro deste estudo nós já
falamos que a palavra graça vem do grego (Karis)
que é a raiz para a palavra carisma (carisma). Indivíduos são, segundo Paulo, dotados
pelo próprio Jesus de algo imerecido por qualquer um deles, pois ninguém por
mais intelectual, elegante, belo ou qualquer outro atributo natural que possua,
é digno de receber de Deus algo. Sendo assim, Cristo por sua bondade e
misericórdia, deu-nos um pouco de seu poder e graça para que possamos fazer á
obra dele nesta terra. Para o apóstolo Paulo, a Igreja é muito mais do que um
ajuntamento de pessoas reunidas dentro de um templo, cantando hinos e lendo
trechos da Bíblia. Por este motivo dá-se à existência de um corpo diretivo o
qual irá preparar os santos para executarem a obra a qual o Senhor Jesus os
convocou a fazer. Neste caso então iremos ver o que cada um destes lideres
espirituais devem fazer para a “edificação dos santos”, pois os mesmos foram
diretamente pelo Senhor incumbidos de realizarem tal tarefa.
#Apóstolos
A palavra grega apóstolos, deriva-se de apo, ‘de’ e stello, ‘enviar’. Literalmente significa, ‘alguém que é
enviado’, assim ‘apóstolos’, são aqueles que são enviados ou comissionados. No
Novo Testamento há pelo menos três tipos de apóstolos:
· Jesus Cristo, que foi enviado de Deus –
Hb 3.1; Jo 17.3.
· Apóstolos de Fundamento, enviados por
Jesus – Lc 6.13; 9.10.
· Apóstolos Gerais, enviados por Cristo
via seus sub-líderes – At 14.4; Rm 16.7; IICo 8.23; Fl 2.25; ITs 2.6
Os apóstolos de fundamento
foram escolhidos por Jesus como testemunhas oculares especiais. Tinham
autoridade especial para testemunhar e passar adiante o testemunho de Cristo.
Obviamente pertenceram somente à primeira geração de crentes. Devido á este fato, é que alguns líderes
ensinam que os apóstolos do fundamento foram os únicos apóstolos. Mas o NT
também cita Barnabé, Andrônico e Junia (provavelmente uma mulher) como sendo
apóstolos. Norman Parish¨ em suas preleções sobre o assunto cita
também Febe como sendo alguém que exercia o ministério apostólico (Rm 16.1).
Vejamos algumas das características dos apóstolos:
1.Paternidade
I Coríntios 4.15 sugere que a
paternidade espiritual está no coração do ministério apostólico. Isto fala de
uma direção sábia e vivificante, de nutrição e proteção, e o dom de dar começo
às coisas. I Coríntios 3.10 mostra que os apóstolos estabelecem a obra de Deus
e edificam a igreja. Inspiram e motivam a visão de Deus nos outros.
2. Autoridade
IICo 10.8 sugere que os
apóstolos têm autoridade no Espírito para ver o cumprimento da visão de Deus,
mas devemos notar que não se trata de uma autoridade sobre as igrejas. Paulo
apoiava e encorajava as igrejas, ele confrontava seus pecados e erros, mas ele
nunca lhes deu ordem ou direção – esta é a tarefa dos líderes locais.
3. Sinais e Maravilhas
IICo 12.12 estabelece que o
ministério de milagres é uma característica vital dos apóstolos. É obvio que
nem todos os apóstolos foram usados por Deus para fazerem sinais e maravilhas
visíveis nos tempos primitivos, mas, creio que todos aqueles que são por Ele
comissionados devem buscar dele estes dons pneumáticos.
4. Levantar líderes e liberar os dons
Paulo sempre viajava e
ministrava em equipe, envolvendo-se profundamente no treinamento e liberação de
ministérios. Sabemos que ele evangelizou várias pessoas, e muitas outras ele
particularmente discipulou. Vemos isto em IITm 2.2 e Rm 1.11-12.
5. Estruturando e fortalecendo a vida na
igreja
At 14.23 e 15.41 descrevem os
apóstolos nomeando lideres locais em igrejas recém-estabelecidas e visitando
igrejas com o intuito de fortalecê-las.
6. Chamado Preciso
IICo 10.13 mostra que Paulo
foi chamado para um lugar específico. Os apóstolos não são somente ‘enviados’,
eles são enviados para lugares ou grupos de pessoas específicos.
Hoje em dia os apóstolos são
aqueles que normalmente pastoreiam pastores, não tendo em si, a necessidade de
fazerem um trabalho missionário para serem considerados como tais.
#
Profetas (será estudado
á parte)
Pode-se comparar o profeta
com o sistema nervoso do corpo, pois a sua função primordial é manter a
temperatura em alto grau, e fazer com que o corpo esteja sempre ligado,
elétrico e sensível à voz do Espirito Santo de Deus.
#
Evangelistas
Sua função é fazer com que a
Igreja volte-se para fora de si mesma e vá atrás do incrédulo. É alguém que
entende muito bem o que Jesus disse em Mt 28.19. Cabe ao evangelista,
demonstrar de forma prática como devem ser evangelizados os perdidos, pois ao
demonstrar resultados em sua obra evangelizadora, contribuirá de duas formas
para o engrandecimento do Reino de Deus, ou seja, libertando os perdidos, e consequentemente
incentivando os cristãos a fazerem o mesmo que ele faz!
#
Pastores
Ele é o que cuida do rebanho
de uma forma mais pessoal. Nos dias atuais os pastores têm além da
responsabilidade de cuidar do seu rebanho, a incumbência administrativa da igreja,
e o envolvimento social com a comunidade ao seu redor. Alguns também se
aventuram na política, sendo este um assunto largamente debatido nos meios
teológicos ao redor do mundo.
#
Mestres
O mestre tem por objetivo,
fornecer à Igreja base doutrinária para o mover que Deus está levantando, bem
como alicerces firmes para a fé do povo de Deus. Quando este realmente coloca
em prática o seu chamado, ocupa-se também no ensino secular de problemáticas
tanto do cotidiano urbano e rural, quanto também em áreas inacessíveis ao
público em geral, tais como engenharia nuclear, biotecnologia, ou até na
engenharia genética. Buscando assim de uma forma racional, fundamentar e
esclarecer princípios que possuem uma essência bíblica.
Todos nós sabemos que o joio
e o trigo são em parte ‘semelhantes’. O Nosso Senhor Jesus Cristo várias vezes
nos exortou a estarmos atentos acerca das sutis diferenças que existem entre as
coisas que tangem ao mundo espiritual. Vemos por exemplo Ele nos falando por
intermédio de parábolas que a fé é semelhante ao grão de mostarda (ver Mc
4.30-34; Lc 13.18-21). Em outra parábola Ele fala acerca do fermento dos
fariseus e a hipocrisia (Mc 8.11-12; Mt 16. 1-12).
Estes textos nos mostram
correlações que existem entre coisas físicas e espirituais, bem como entre
atitudes morais e espirituais as quais muitas vezes estão separadas por uma
linha muito tênue, e merecem por este motivo uma observação mais de perto para
serem contrastadas e assim dividida e colocadas em seus devidos lugares de
repouso. No caso do joio e do trigo, esta diferença é tão sutil que o Próprio
Senhor Jesus admoestou-nos a termos cuidado em querer separar um do outro, pois
poderíamos cometer sérios erros: “Porém ele lhes disse: Não, para que à colher
o joio não arranqueis também o trigo com ele”. (Mt 13.29)
Esta explanação serve para
mostrar que, assim como existem sutis diferenças entre as coisas físicas e as
espirituais, existem também diferenças entre coisa espirituais e espirituais,
vejamos, por exemplo, o que diz o apóstolo Paulo em I Coríntios 2.13 “Disto
também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito
Santo ensina, comparando as coisas
espirituais com as espirituais”. Por este motivo no próximo capítulo
estarei começando á trazer a lume algumas diferenças que encontro na
manifestação dos dons espirituais distribuídos pelas três pessoas da trindade.
IV
– Divisão Sistemática
4.1 – RECEBENDO REVELAÇÃO
A partir deste ponto
começaremos a fazer uma distinção sistemática e teológica acerca das seguintes
palavras que encontramos na Bíblia: Dom # Profecia # Profeta #.
4.1.1
- Dom
No Antigo Testamento, uma
dúzia de vocábulos é empregada para indicar dons de uma espécie ou de
outra.
- Os sacrifícios e outras
ofertas que eram dados a Deus (Ex 28,38; Nm 18.11).
- Os levitas em certo sentido
eram um presente ao Senhor (Nm 18.6)
- Os homens davam dadivas em
ocasiões festivas (Sl 45.12; Et 9.22).
- Eram dados presentes que
serviam como dote (Gn 34.12)
- Presentes que serviam como
sinais da abundância dos reis (Dn 2.6)
- Presentes ou dádivas de Deus aos homens
tais como saúde, alimentação, bens, servos,
etc. (Ec 3.13).
No Novo Testamento há uma
marcante mudança de ênfase quanto ás várias formas dos apóstolos utilizarem-se
da palavra dom. Algumas das nove palavras ligadas à idéia de dom se referem às
dádivas dos homens a Deus, como anathema
(Lc 21.5), e especialmente dõron (Mt
5.23; 23.18). Algumas se referem às dádivas dos homens uns aos outros, por
exemplo, dõron (Ap 11.10), doma (Mt 7.11; Fp 4.17). Porém a coisa
característica é o emprego de vários termos que denotam inteira ou
primariamente os dons que Deus concede aos homens para que estes usufruam dele,
e para que também possam levar á outros á de alguma maneira serem beneficiados
pelo dom que possuem. Dorea (o
vocábulo expressa algo gratuito e abundante) se encontra onze vezes, sempre
indicando uma salvação (Rm 5.5,17), ou pode aparecer sem qualquer definição
(“seu dom inefável” IICo 9.15), ou indica o Espírito Santo (At 2.38). Tiago nos
lembra que “toda boa dádiva (dosis)
e todo dom perfeito (dorema) é lá do alto” (Tg 1.17). Vimos que cada uma destas palavras tem
uma aplicabilidade, e, portanto, devem ser analisadas sempre dentro do contexto
que as cercam.
4.1.2
– Profecia
O Dom da profecia é aquela
capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para
receberem e transmitirem alguma mensagem imediata de Deus ao seu povo, através
de alguma declaração divinamente ungida (C. Peter Wagner – Descubra seus Dons
Espirituais).
Frederick Dale Bruner no livro Teologia do
Espírito Santo (113 – 1983) escreve o seguinte acerca do dom da profecia de ICo
12.10: Aquilo que se acredita ser o dom da profecia é exercido na maioria das assembléias
pentecostais. Alguém que parece possuído pelo Espírito falará no vernáculo
sentenças ou frases que relembram a Bíblia, usualmente na exortação, e mais
freqüentemente com um contexto e conteúdo escatológico e até mesmo visionário.
A profecia é semelhante às línguas por ocorrer mais freqüentemente em uma
condição extática ou para-extática. E por entender-se como veículo do Espírito,
Mosiman pode até mesmo dizer da profecia que “difere do falar em línguas
somente pelo fato de ser enunciada em linguagem que se pode compreender”.
A profecia é usualmente definida, até mesmo pelos mais cuidadosos
no movimento pentecostal, como algo mais do que um pronunciamento inspirado
pelo Espírito, mas sim, como realmente a voz do próprio Espírito: na profecia,
nos informam, temos “o Espírito falando”.
Na assembléia pentecostal normal, ocorrerá a profecia bem como as
línguas. A proporção entre a profecia e as línguas em uma assembléia usual
parecem variar de acordo com a quantidade de emoção presente; nas atmosferas
mais quietas, a profecia predomina; nas mais carregadas emocionalmente, as
línguas.
Finalmente, visto que se sente que a profecia é uma comunicação espiritual espontânea direta, não deve ser confundida com a pregação ou com observações preparadas em que a substância é obtida por meios convencionais ou diretos do que mediante a inspiração imediata. O Espírito fala da Sua mente e do Seu coração de modo espontâneo e direto a assembléia através dos Seus profetas. Mesmo assim, parece que há algum reconhecimento dos perigos inerentes num dom que alegadamente transmite a voz direta do Espírito. Mesmo entre as vozes mais refreadas do movimento pentecostal, no entanto, parece haver uma disposição para arriscar os perigos a fim de possuir o dom – pois o dom propriamente dito é altissimamente estimado.
Como já vimos nos itens
acima, a palavra profecia aparece várias vezes nas Sagradas Escrituras,
e especificadamente ela é mencionada como um dom dado por Deus (Rm 12.3 “...
que Deus repartiu a cada um”), e também ela é mencionada como um dom dado pelo
Espírito Santo (ICo 12.7 “A manifestação do Espírito...”). Esta palavra tem uma
delicada diferença quando é aplicada pelo Apóstolo Paulo nestas duas listas de
dons espirituais, isto porque certamente ele não era nenhum tolo a tal ponto de
ficar repassando os mesmos assuntos mais com visões diferentes.
Analisando um pouco mais de
perto o texto de Romanos 12.1-8, podemos ver que o apóstolo utiliza o método de
comparação para ensinar aos cristãos daquela localidade algo acerca dos dons.
1º-...Não saiba mais do que
convém saber...vrs. 3
2º-...Assim como... vrs. 4
3º-...Assim nós... vrs. 5
Creio que ele utilizou este
método não somente para deixar bem claro a questão da importância do “corpo
místico de Cristo”, o qual deve estar ligado de uma forma coesa para que possa
realmente funcionar, mas creio que ele utilizou também este método para que, no
caso que estamos analisando, fazer uma separação ainda que tênue sobre a outra
lista que ele já havia escrito, pois como todos nós sabemos as epistolas aos
Coríntios já haviam sido escritas naquele período, e provavelmente circulavam
por várias igrejas daquela época servindo-lhes de instrução e consolação (ver
IIPe 3.16). A pergunta é: Porque ele fez este tipo de separação?
Esta separação deu-se devido
ao fato de que realmente existe uma ‘ainda que sutil’ diferença entre aquele
que é utilizado por Deus Pai para profetizar, e aquele que é utilizado pelo
Espírito Santo para trazer uma palavra de profecia. Pois o primeiro normalmente
é um líder eclesiástico responsável pela pregação/ensino na igreja, e o
segundo, pode ser tanto os que fazem parte da primeira lista, como qualquer
cristão leigo. Como já dissemos acima, esta é uma linha bem fina que deve ser
observada com muita cautela, para não cairmos no erro de asseverar algo
inexistente na palavra de Deus. Temos como que por compêndio teológico a
necessidade de demonstrar textos de prova para basearmos qualquer ensino como
sendo bíblico, e existe para a maioria dos casos o requerimento de um número
mínimo de passagens correlatas para o alicerce do mesmo.
O Dr. E. Lund em seu livro
‘Hermenêutica’ nos diz que a primeira regra fundamental da correta
interpretação bíblica deve ser: A
Escritura explicada pela Escritura, ou seja, a Bíblia, sua própria intérprete. E, é com base neste pressuposto
que quero basear este raciocínio em versículos que estão dentro do contexto de
Romanos e Coríntios, para que possamos assim compreender melhor o que nos foi
ensinado por Deus através destas cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Rm 12.6
diz: “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia seja segundo a proporção da
fé”. O primeiro conceito que eu quero deixar bem claro está no versículo 3, que
diz assim: “... cada um dentre vós que
não pense de si mesmo além do que convém”.
Para reforçar esta
recomendação paulina, cito também um versículo que contém uma admoestação dada
pelo próprio Senhor Jesus: “Ora, se eu, sendo o Senhor e Mestre, vos lavei os
pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). O fundamental
destes dois versículos é estabelecer um princípio de humildade que deve ser
vivido por parte de qualquer cristão, pois nenhum ser humano, por mais “usado
que seja” por Deus pode se vangloriar diante dos outros cristãos, pois além de
ser um erro ético e social, certamente a pessoa que tiver tal atitude
demonstrará total ignorância quanto ao que realmente é ser alguém usado por
Deus.
Vemos então que Paulo ao
falar de profecia em Romanos deu a entender que nem todos seriam usados por
Deus para profetizar (naquele contexto eclesiástico), pois para o tal, deveriam
ter uma proporção de fé superior aos demais crentes da congregação. Isto não
significa que eles eram superiores aos demais irmãos, mais sim, que viviam em
uma dependência mais profunda de Deus, e por este motivo deveriam crer nEle
ativamente para poder profetizar-ensinar aos outros como deveriam conviver
dentro do contexto eclesiástico e secular. Para ilustrar este princípio, quero
citar algumas passagens onde vemos homens que cometeram este tipo de erro, e
qual foi à conseqüência de tal ato.
Analisando
Caim:
Vemos neste homem o início de
um sentimento que hoje em dia está tão em voga, ‘o ciúme’. Na sociedade atual,
em todos lugares, este tipo de sentimento coexiste na maioria das vezes com
tanta naturalidade com outros sentimentos, que por causa dele, são podados ou
mal administrados.
Temos por exemplo, hoje em
dia tantos casais que no início de seu relacionamento, se proclamam
apaixonados, e fazem-se promessas de amor mútuo e eterno. Na maioria das vezes
falam a verdade um para o outro, mas devido à presença de um outro sentimento
(ciúmes), normalmente por coisas mínimas, tais como o homem simplesmente
elogiar alguma virtude psicológica de sua professora da universidade, por
exemplo, já faz com que sua noiva, esposa, etc..., Rebele-se contra ele, rompa
o relacionamento, e em muitos casos tente agredi-lo ou como já aconteceu
algumas vezes, matar a pessoa que tanto ama!
Você que esta lendo esta
monografia, certamente já ouviu, ou até já viveu algo semelhante, e isto
demonstra simplesmente o quão poderoso é este sentimento, que na maioria das
vezes têm sido a porta de entrada para espíritos malignos, que se alojam nesta
área da vida de um ser humano, e quanto mais se alimentam, mais poderosos se
tornam na vida do homem ou mulher que permitir a entrada deles.
Isso foi o que ocorreu com
Caim. Apesar de estar vivendo em uma terra boa (ver Gn 4.2), e de possuir tudo
o que necessitava, permitiu que um sentimento de disputa fosse criado entre ele
e seu irmão. O resultado disto foi que na primeira oportunidade encontrada por
ele para destruir literalmente seu irmão, ele não perdeu tempo, e o matou.
Infelizmente, encontramos
hoje em dia este mesmo sentimento/espírito agindo no meio das Igrejas Cristãs,
e é por isso que normalmente nós vemos de tempos em tempos, cismas
doutrinários, os quais em sua maioria não são causados por divergências de
doutrina, mas sim porque, lideres e liderados disputam por ‘um lugar ao sol’,
que é ser líder de um departamento ou pastor principal de uma denominação.
Talvez, Caim queria ser o
único que pudesse chegar a Deus, e por este motivo teve que ‘infelizmente’
matar o seu irmão, pois este, segundo o pensamento de Caim, estava impedindo-o
de se relacionar com Deus, pois afinal, somente ele sabia como se achegar a
Deus.
Veja que coincidência, pois
nos dias atuais é o que mais temos visto nas igrejas, líderes e liderados,
fazendo de tudo para tentar derrubar um ao outro, com o único intuito de
demonstrar quem é que realmente sabe aproximar-se de Deus e de agradá-lo.
Infelizmente a história deste homem teve um final infeliz, e normalmente,
aqueles que na Igreja atual são invadidos por este sentimento e promovem, ou
tentam promover a queda de seus irmãos de ministério, recebem como Caim, uma
marca, e ficam vagando por aí, nos presídios, prostíbulos, bingos, centros
espíritas, etc..., E como diz a canção popular estão, “... esperando a morte
chegar!” Gn4.14
Analisando
Josué:
Você pode estar se
perguntando, Josué? Que é que ele tem a ver com este assunto de orgulho
espiritual, e falta de verdadeira humildade? A resposta você encontrará nas
próximas linhas, por isso prepare-se. Já fazia dois anos que os Israelitas
tinham partido do Egito. Estava praticamente tudo correndo bem, pois Deus já
tinha separado as famílias da tribo de Levi que seriam responsáveis pelo
tabernáculo, e já estavam separadas as funções das outras tribos que seguiriam
pelo deserto ao lado do tabernáculo, até que na Nova Terra onde pudesse ser
estabelecido em um lugar central para todos virem adorar a Deus.
Provavelmente aquele moço
participou de alguma forma na coordenação do layout do tabernáculo e da posição
das famílias e tribos em volta do mesmo. E quer seja, desenhando, pintando ou
carregando alguma coisa lá estava ele, no meio dos grandes, servindo, pois ele
sabia que para isso tinha sido tocado por Deus desde sua infância. Ele admirava
Moisés, e o respeitava muito, pois afinal, era o único homem em toda terra que
falava face-a-face com Deus. Por estar continuamente, como nós dizemos aqui no
Brasil, no meio da panela, ele recebia um pouco da unção que estava sobre seus
líderes principais (Moisés, Arão e Miriã a profeta), e além disto, sempre que
um deles era, como dizem os pentecostais, “tomados pelo poder”,
consequentemente precisavam talvez do auxílio de alguém para levantar-se do
chão que por horas ficavam prostrados, lá estava ele, pronto para ajudá-los e
demonstrar para os outros jovens como é que se serve a Deus, pois só ele é que
sabia servir da forma mais exata e sublime. Assim, ele já se equiparava com os
líderes, pois afinal, Deus o havia colocado entre eles, e isto lhe servia de
grande respaldo!
Como em Israel não existe
festa junina, Josué estranhou o clarão e o cheiro de fogo que havia perto de
sua tenda, pois era ainda de madrugada, e o arraial estava iluminado por aquela
luz provocada pela fogueira que alguém tinha feito. Provavelmente ele pensou: o
populacho que veio entre nós, deve estar acendendo fogo para algum deus que
eles antigamente serviam, e isto vai dar rolo! A primeira coisa que o moço fez
foi ir verificar se Moisés precisava de alguma coisa, e logo ao chegar à tenda
onde ele repousava, percebeu que ele já havia se levantado e ido para a tenda
da Congregação.
Após um longo período
esperando por seu líder do lado de fora da Tenda, ele recebeu a ordem para
entrar, e em questão de segundos foi fazer aquilo que ele estava acostumado a
fazer; entregar bilhetes para alguns homens que também se destacavam entre o
povo como líderes. Até este momento não havia nada de anormal, pois em sua
rotina de office-boy, ele já estava acostumado a entregar bilhetes, encomendas,
e outras coisas, mas, a única diferença é que naquele dia, além do fogo que ele
viu logo de madrugada queimando as extremidades do arraial, ele percebeu também
que Moisés tinha passado um tempo de oração maior do que o normal, e que por
incrível que pareça, alguns homens que ele nem conhecia direito, estavam
entrando na tenda da congregação, e o pior estavam desenvolvendo praticamente a
mesma atividade, que cabia somente aos seus líderes desenvolverem: Eles estavam
profetizando!
Neste momento aquele moço
ficou atônito, e toda a sua humildade foi por água abaixo, pois afinal, aqueles
homens nunca lavaram o banheiro do tabernáculo, nunca lavaram a lona que era
grossa e pesada, pois era feita de peles de carneiro, e em suma, nunca tiveram
que lavar as ‘sandálias de Moisés, Arão e Miriã’ (e olha que Miriã era
exigente!). Por este motivo ele se irou, e disse consigo mesmo que iria
reclamar com Moisés, o “por que” de tal exclusão afinal ele era o homem que
estava sendo preparado para ocupar o cargo de Moisés, e sendo assim ele merecia
algumas explicações.
Fazendo uma analogia com os
dias de hoje, podemos ver quantos que certamente possuem um chamado de Deus, e
como Josué, mas que, também como ele, em situações “mais profundas”, como era
esta relatada acima, eles tendem a ver as coisas somente pelo ângulo que lhes
agrada, e por isto, normalmente rebelam-se contra seus líderes dizendo quais
são as manifestações que devem ocorrer na Igreja, pois como todo mundo sabe,
eles possuem, assim como Josué, o dom de “analistas de ministérios”. Quero lhe
dizer, meu caro leitor que provavelmente você também têm este dom, pois afinal,
sempre no final do culto você compartilha com sua esposa ou amigos o quão
escassa de poder foi a reunião, ou como aquela (e) irmão(a) é inexperiente em
seu relacionamento com Deus, e por isso fez o papel ridículo de orar alto, dar gargalhadas,
cair no chão, dançar, ou chorar em extremo, fazendo assim com que os visitantes
fiquem escandalizados, não é mesmo?
Normalmente estas pessoas,
assim como Josué, caem no ridículo, pois são na maioria das vezes repreendidas
por Deus em público, pois provavelmente esta deve ser a melhor forma para que
elas “retornem a sensatez” (IITm 2.26). Graças a Deus que Josué ao receber uma
repreensão de Moisés, não foi trabalhar com outro profeta qualquer, ou tentar
abrir um ministério concorrente (como muitos fazem), mas se submeteu, e o final
desta história está gravado nos anais da humanidade.
4.1.3 – Compreendendo a Questão!
Utilizei estas duas
ilustrações para ressaltar o fato de que nenhum ministro cristão é maior do que
o outro, e como é o propósito deste estudo, todos devem saber qual é o seu
verdadeiro chamado. Como o apóstolo Paulo nos adverte devemos “... permanecer
na vocação em que fomos chamados” ICo 7.20
4.1.4
– Como alguém pode profetizar?
A maneira (método) pelo qual
profetizamos é semelhante ao falar em línguas. O falar em línguas é um falar
impremeditado (não planejado de antemão) numa outra língua, com as palavras
sendo dadas a nós pelo Espírito. “... e começaram a falar em outras línguas
conforme o Espírito lhes davam as palavras para falarem” (At 2.4). A profecia também é uma proclamação
espontânea de palavras e idéias dadas num certo momento pelo Espírito, mas numa
língua que conhecemos e compreendemos.
Davi disse em IISm 23.2: “O
Espírito do SENHOR falou por mim, e a Sua palavra esteve em minha língua”. O
Espírito dava as palavras e idéias e Davi as falava. Essa é a maneira pela qual
a profecia vem a nós. Temos um exemplo claro da profecia no relacionamento
entre Moisés e o seu irmão Aarão. Vocês se lembram que Moisés estava protestando
o chamado de Deus em sua vida para ser um libertador. Ele se sentia
incompetente. “E Moisés dizia ao
Senhor... Eu não sou eloqüente... mas sou pesado de boca, e pesado de língua”.(Ex
4.10) Deus, no entanto, tinha um remédio para a deficiência de Moisés – Iria
dar-lhe um porta-voz (Ex 7.1). “Não é
Aarão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele sabe falar bem... Aarão, teu irmão
será o teu profeta... Você falará com ele e colocará palavras em sua boca... Você falará [a Aarão] tudo o que
Eu lhe ordenar. E Aarão falará com Faraó” (Ex 4.14,15; 7.2). Moisés
colocava palavras na boca de Aarão. Moisés dava a Aarão as palavras para ele
dizer, e Aarão as falava a Faraó.
Da mesma maneira o Espírito
nos dá as palavras para dizermos, e pela fé nós as falamos. Isto é chamado de “profecia”, ou se as palavras estiverem
numa outra língua que não compreendemos, isto é chamado de “falar em línguas”. “Todos podereis profetizar,
uns depois dos outros...” ICo 14.31.
4.1.5 – Limitações da Profecia
“O que profetiza fala aos
homens para edificação, exortação e consolo” (ICo 14.3). A edificação, a
exortação, e o consolo, são as três coisas que definem o simples dom de
profecia.
ü Edificação neste caso significa construir na vida
de seus ouvintes o caráter de Cristo, bem como fortalecer as convicções dos
cristãos quanto aos ensinos mais profundos deixados pelo Mestre;
ü Exortação significa despertar, admoestar, e levar
os cristãos a caminharem pelo caminho estreito que deve ser trilhado por
aqueles que professam sua fé em Cristo;
Consolar significa alegrar, e trazer sempre uma palavra de ânimo aos que
padecem perseguições. Na Igreja o
simples dom de profecia serve para edificar o povo, despertar o crente (e ás
vezes, os incrédulos), além de trazer alegria aos que precisam ser consolados.
O dom de profecia nunca vai além destas três coisas.
Pode-se dizer então que este
dom não é para se predizer o futuro,
nem para se dar um direcionamento. Ele não deve ser confundido com a habilidade
de pregar. São palavras dadas pelo Espírito num dado momento para edificar,
despertar, e alegrar os crentes. Estes são os limites do simples dom de profecia. Se você profetiza, (especialmente se for
um crente recém convertido, ou alguém que recebeu este dom recentemente), a sua
manifestação deste dom deveria normalmente ser limitada a estas três coisas.
4.1.6 – O Dom da Profecia de ICo 12 não é Pregação!
Queremos fazer esta alegação
neste estudo porque, em algumas denominações é ensinado que quando o apóstolo
Paulo falou acerca do dom de profecia descrito em ICo 12.10, ele estava
referindo-se ao ato de pregar a palavra. Desde o início deste estudo estamos
procurando tirar todo o emaranhado teológico que existe acerca deste assunto, e
neste ponto pretendo mostrar a sutil diferença que há entre o dom da profecia
descrito em Coríntios e o mesmo dom (talento) descrito em Romanos.
Vemos em Romanos que o
requisito básico para utilização do dom da profecia era que ele deveria ser
exercido conforme a proporção da fé: “Se alguém tem o dom de profetizar, use-o
na proporção da sua fé” (Rm 12.6b). Esta alegação feita por ele demonstra que
haveria contrastes entre cada um daqueles que recebessem tal dádiva de Deus,
pois conforme o próprio texto diz, alguns poderiam desenvolvê-lo de uma forma
mais ativa ou menos do que os outros.
Isto ocorreu tanto no
passado, quanto no presente, pois já naquele período existiam homens em quem
este Dom se manifestava de uma forma mais intensa do que nos outros. Apolo é um
exemplo de pessoa que se movia neste dom. Em Atos 18.24 nos lemos acerca dele:
“... era homem culto e tinha grande conhecimento da Escrituras... e com grande
fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus...” É certo que todos os
apóstolos possuíam um bom conhecimento das sagradas escrituras, mas, nem todos
possuíam este ‘fervor’ ou ‘poder’ que repousava sobre Apolo. Certamente, ele
havia recebido de Deus este dom da profecia, e com uma fé um tanto superior aos
demais o exercia de forma contundente. Em Apocalipse 19.10c nós encontramos o
seguinte texto: “O testemunho de Jesus é o espirito de profecia”. Já em Atos
18.25b diz: ”... e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse
apenas o batismo de João” (ênfase acrescentada). Ao fazermos um paralelo
destas passagens nós encontramos o seguinte:
Testemunho de Jesus Acerca
de Jesus Espirito de profecia Batismo
de João
![]()
![]()
Ou seja, Apolo não havia
ainda sido batizado pelo Espírito Santo, e consequentemente ainda não tinha
recebido nenhum dom carismático ainda, como também apesar de já desenvolver em
parte um trabalho ministerial, ainda não havia recebido nenhum dom ministerial
específico. Quem era então que o tinha capacitado ou até comissionado para tal
tarefa evangelística? Para mim á resposta é clara. O próprio Deus o havia
impulsionado, pois como diz a narrativa de Atos 18.24-28 ele era um judeu
natural de Alexandria (cidade do Egito), ou seja, conhecia a lei. Esta passagem
de Atos também nos informa que ele conhecia o batismo de João, e isto demonstra
que ele já vivia na nova dispensação, e por fim, nos diz que ele ‘fora
instruído no caminho do Senhor’, ou seja, já tinha uma noção clara acerca de
assuntos soteriológicos e messiânica.
Por esta razão, Deus Pai não
esperou a boa vontade dos apóstolos para já começar a usar este homem, antes
pelo contrário, Ele o capacitou e somente depois de algum tempo é que ele foi
instruído de forma mais clara sobre outros assuntos teológicos, e
consequentemente, poder receber tanto o batismo no Espírito Santo quanto um
ministério de tempo integral. Em At 18.25-26, podemos ver que Apolo foi
instruído por Priscila e Áquila sobre o batismo do Espírito Santo, pois
comparando as informações que Lucas nos dá nestes dois versículos, podemos
chegar a esta conclusão: ‘...Conhecendo apenas o batismo de João’ vrs 25.b,
‘...Com mais exatidão, lhe expôs o caminho de Deus’ vrs 26b. Na seqüência do
relato bíblico, encontramos Apolo indo diretamente para a Igreja de Corinto,
sendo para mim, uma comprovação de que ele foi para aquela região para
ministrar, e receber instrução ‘in loco’ sobre a pessoa do Espírito Santo.
Quando isto ocorreu, certamente ele foi impulsionado a trabalhar de forma mais
dinâmica na obra do Senhor.
Já na primeira carta de Paulo
aos coríntios, o requisito ‘...segundo a proporção da fé’ (Rm 12) não é por
Paulo ensinado para aqueles que recebiam o dom de profetizar. Porque, os que deste
dom ali descrito eram dotados, não seriam necessariamente pastores ou líderes
eclesiásticos, mas sim, simples membros da comunidade cristã. Isto pode ser
entendido pelo contexto bíblico de coríntios. No capítulo 14.24 o apóstolo diz:
“Mas se entrar algum descrente ou não
instruído quando todos estiverem profetizando...” e no versículo 39:
“Portanto, meus irmãos, busquem com
dedicação o profetizar...” É muito fácil de entender que nestas passagens
ele estava falando para os membros daquela igreja, pois não teria como ao mesmo
tempo todos estarem pregando a palavra.
Conclui-se então que
realmente havia uma diferença entre os que recebiam o dom/talento de profetizar
descrito por Paulo em Romanos 12, e os que recebiam o dom/carisma de profetizar
descrito por Paulo em ICo 12. Paulo usa este mesmo tipo de raciocínio
idiomático quando trata do tema carne. Em Romanos 7.18 ele diz: ‘Porque eu sei
que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum...’ Os Gnósticos do
primeiro século da era cristã, tinham como base de raciocínio a concepção de
que a carne era inerentemente má, e por isto, nunca poderia ser/viver de forma
agradável a Deus. Dentre os adeptos desta filosofia, existiam duas fortes
correntes de pensamento. Uma dizia que todos deveriam entregar-se aos prazeres
mundanos de forma desenfreada, pois como ‘a carne’ é má, deveriam fazer de tudo
para destruí-la o mais rápido possível, e assim, serem libertos (ao morrer)
para viverem segundo os mais altos preceitos de pureza requeridos por seus
deuses. A outra linha de pensamento, cria no ascetismo rigoroso, para impedir
‘a carne’ de qualquer tipo de prazer, e, como os primeiros (ao morrer)
atingirem a pureza requerida por deus a todos os homens.
Devido este tipo de
pensamento, os gnósticos não criam que Jesus veio ‘em carne’, pois ela é má, e
nunca poderia se tornar boa. Jesus era interpretado por eles também de duas
formas básicas.
a) Ele nunca viveu na terra
como um homem encarnado, mas sim, era um espírito que por um determinado tempo
manifestou-se (fantasma) aos apóstolos para ensinar-lhes o caminho da vida
eterna ao lado de Deus.
b) Jesus era um homem, que
foi possuído pelo ‘Logos’ Cristo na
ocasião do batismo, e retirou-se dele antes da crucificação.
Certamente, para os gnósticos
o versículo de Romanos que estamos analisando a respeito da carne, era um prato
cheio para suas teorias, pois dava base para suas filosofias acerca da natureza
maléfica da carne. Agora, é óbvio que o apóstolo não estava literalmente
dizendo que a carne (grego sarx =
tecido) era má, mas sim que o ser humano como um todo, estava, por causa do
pecado, condenado a viver inclinado a práticas pecaminosas. E, é por este
motivo que ele pode dizer que Cristo (em carne) foi obediente em tudo (100%
perfeito cf. Rm 5.19 c/ Fp 2.8 e Hb 9.14), e tornou-se o mediador de uma nova
aliança entre Deus e os homens.
Os gnósticos ficaram
confundidos (ICo 1.23) porque o ensino Paulino sobre a ressurreição, pois se a
carne é inerentemente má, somente após a morte é que esta natureza é
aniquilada, permitindo ao homem aproximar-se do divino. Mas, para Paulo, Cristo
não somente viveu em carne, mas ao ressuscitar recebeu uma ‘glorificação’ de
seu corpo, e continua a viver com um ‘corpo glorificado’!
Utilizei este ensino sobre a
carne, para você compreender que quando Paulo ou os outros escritores bíblicos
utilizam uma palavra (profecia / carne / lei / fé), não querem dizer que
qualquer uma delas possui o mesmo significado em suas explicações teológicas ou
dogmáticas. Muitos, por ignorância acham que Paulo e Tiago (Rm 5.1 x Tg 2.24)
tinham pensamentos opostos quanto à natureza da fé cristã. Isto não é verdade,
pois quando analisamos o contexto histórico/teológico que permeava as pessoas
que receberam as referidas epístolas, entendemos que os apóstolos estavam
abordando visões diferentes (não divergentes), da fé no ambiente eclesiástico
de seus discípulos.
Assim também é razoável que
entendamos estes princípios quando analisamos as listas de dons descritas em
várias partes do Novo Testamento, e de forma plausível, possamos ensinar aos
nossos ouvintes o que diz realmente Paulo e os outros apóstolos quando
relatavam a um determinado grupo, como, quando e de que maneira Deus Pai, Filho
e Espírito Santo distribuíam os dons.
4.1.7 – Explicação do Princípio
Utilizei esta ilustração para
ressaltar o fato de que não podemos usar um ensino, única e exclusivamente com
base á etimologia de uma palavra, mas sim, devemos procurar dentro do contexto
onde ele se encontra, o ‘porque’ foi ali inserida, o ‘para que’ tipo de ensino
ela serve, ‘qual’ é a sua aplicação imediata, e ‘como’ devemos entender a sua
aplicabilidade tanto para os seus ouvintes imediatos, quanto para os que depois
a receberão.
Nenhum ministro Cristão é
maior do que o outro, e como é o propósito deste estudo, todos devem saber qual
é o seu verdadeiro chamado, porque, aquele que possui o dom de profetizar
(ensinar, ministrar) descrito em Romanos 12, e o dom de profetizar/profecia de
ICo 12 (edifica, exorta e consola), não faz com que um seja maior/menor que o
outro, antes pelo contrário, faz com que os membros de uma comunidade,
portem-se no convívio eclesiástico de forma harmoniosa e respeitosa, pois como
disse o próprio Mestre ‘...O maior entre vós seja como o menor; e aquele que
dirige seja como o que serve’ (Lc 22.26). Outra passagem que quebra todo
conceito de superioridade da parte daquele que recebe um ou mais dons, está em
ICo 7.20 aonde o apóstolo
Paulo nos adverte que devemos “...permanecer na vocação em que fomos chamados”,
ou seja, se somos ou temos alguma coisa, é porque Deus nos chamou, e não
podemos querer este ou aquele dom, como se pudéssemos encontrá-los em uma
liquidação de Hipermercado!
Analisando o capítulo 12 de
Romanos, veremos um pouco mais de perto o que nos diz o versículo 4: “Porque assim como num só corpo temos muitos
membros, mas nem todos os membros têm a mesma função”. Volto a utilizar
neste estudo a concepção de que, o apóstolo sabia o que estava falando, pois
além de ser um homem treinado para ser um mestre de mestres, possuía também no
momento em que foi escrita esta carta, uma profunda relação com Deus, e isto o
habilitava de tal maneira, que devemos respeitar e por em prática os seus
ensinos, os quais salvo ressalvas dele mesmo, eram inspirados pelo próprio
Espirito Santo de Deus. Portanto, creio que o que diz o versículo, é o que ele
quer dizer, e não o que nós queiramos que ele diga, pois de uma forma simples e
clara, Deus nos transmitiu este conceito de que ‘...nem todos têm a mesma
função’. Se você ainda não compreendeu, vou tentar explicar-lhe de uma forma
mais simples;
Ø
A igreja é
o corpo místico de Cristo (Ef 1.22,23)
Ø
Os crentes
professos do mundo inteiro fazem parte deste corpo (ICo 10.16,17 c/ Rm 12.5)
Ø
Neste corpo
todos possuem um lugar de honra ( ICo 12.12-27 )
Ø Se existe alguma concorrência, ela deve
existir no sentido de quem é o que vai se humilhar mais! (Mt
20.26-27 c/ Mc 9.35).
Este último princípio de vida cristã é
maravilhoso, pois nos fala de algo quase impossível de ser vivido, pois, como
“eu”, um ser humano tão sublime e esplêndido, tão importante na sociedade, tão
famoso por meus conhecimentos acadêmicos, tão pobre e sem recursos, tão isso,
ou tão aquilo! Como “eu” vou me submeter a alguém que não possui a mesma
envergadura espiritual que eu possuo, ou com alguém que possui mais dinheiro do
que eu, e segundo “eu” penso deveria dar-me boa parte de seus bens, para assim
então demonstrar que é digno de que eu me humilhe perante ele, pois fazendo
este gesto tal pessoa será igual a mim!
Você pode perceber o quão
difícil é em nossa sociedade atual alguém se humilhar segundo os padrões
bíblicos? Isto porque o orgulho está enraizado no coração dos homens, e quer
seja pobre ou rico, o ser humano sempre vai arrumar uma desculpa para não se
humilhar de verdade. Creio que uma das formas de alguém verdadeiramente
demonstrar humildade, é ter a mesma atitude em devidas situações por um período
longo de tempo. Hora, isto não quer dizer que só porque uma pessoa passa a vida
inteira limpando o banheiro da Igreja que ela é uma pessoa humilde.
Para ilustrar esta questão
veremos um texto bíblico que demonstra uma situação que muitas vezes ocorre na
vida real. Em Mt 18.23-35 podemos encontrar a parábola do credor incompassivo,
vejamos o que ela nos pode ensinar:
1º Um Rei que queria ajustar
contas com os seus servos.
2º Um servo que devia em
quantias atuais + ou – sessenta bilhões de dólares.
3º Um conservo aparece na
história e devia ao primeiro servo +ou – mil dólares.
A questão chave do ensino de
Jesus é que tanto um grande devedor quanto o outro podem receber o perdão de
suas dívidas por parte do Rei. Agora a questão fica delicada, quando o que
devia uma soma exageradamente exorbitante, recebeu o perdão de suas dívidas mas
em contrapartida não quis perdoar a dívida de seu conservo, a qual perante o
que lhe foi perdoada era irrisória. Bom o moral da história para o nosso casso,
está no fato de que por um momento aquele primeiro servo parecia uma pessoa
humilde (pois ao ser cobrado estava em uma miséria total – vrs 25,26), e assim
também muitas pessoas quando estão sem dinheiro, ou numa posição de status são
como este servo da parábola.
Eles são bonzinhos, falam em
tom brando, abaixam a cabeça quando conversam com os outros, e assim como Saul
(ISm 10.21-23) antes de ser rei, até se escondem do público, demonstrando o
quão humildes eles são! Mas, depois de ocuparem o lugar que eles “merecem”,
tornam-se carrascos de seus pseudo adversários, e assim como Saul perseguiu a
Davi e a tantos outros em seu Reino, assim também o Nosso Senhor Jesus Cristo
nos demonstrou nesta parábola que, só com o tempo é que as pessoas demonstram
sua face verdadeira. Nesta parábola que estamos analisando, o Mestre não diz
quanto tempo passou, entre o perdão da dívida do primeiro servo, até o momento
em que ele encontrou o seu conservo. O que importa é que por um período aquele
homem mostrou-se alguém muito humilde, mas na primeira oportunidade que teve de
demonstrar quem realmente ele era, mostrou a sua face oculta dos homens, e esta
era mesquinha, vingativa, agressiva e totalmente impiedosa. O triste é que
ainda nos dias de hoje, nós vemos isto ocorrendo, e torno a dizer, quero que
este estudo sirva para você saber quem realmente é, e tome assim o seu
verdadeiro lugar dentro do corpo de Cristo, pois infelizmente devida a falta de
ensino nas Igrejas Cristãs, todos querem ser profetas, sem saberem ao menos
distinguir a diferença que existe nestas três listas principais, as quais falam
sobre dons espirituais, e por acharem que “ser chamado de profeta” é ser maior do que pastor, ou diácono, ou
aspirante a servidor, ou novo convertido, têm feito com que todos auto
proclamem-se profeta, pensando assim estar em uma posição mais elevada do que
os outros.
Quero alertar-lhes desde já
que “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por
Deus...” (Hb 5.4). Por este motivo, após vermos as diferenças entre dom/talento
de profetizar, e dom/carisma da profecia, estaremos agora vendo á diferença
entre estes dois e o Dom/ministério profético, o qual possui sobre si um peso e
uma responsabilidade superior, aos que simplesmente são inspirados por Deus ou
pelo Espírito Santo á profetizarem de uma ou de outra forma. Iremos ver que o
profeta, além de possuir o dom/talento e o dom/carisma sobre si, possui também
o chamado ministerial profético, o qual é dado de forma específica pelo Senhor
Jesus Cristo á alguns indivíduos, para que estes junto com os outros
‘’ministros” possa trazer aos santos:
* à edificação
* o aperfeiçoamento
* à unidade da fé
* à perfeita
varonilidade
* à medida da
estatura da plenitude de Cristo
* o pleno
conhecimento do Filho de Deus
V - O PROFETA
5.1 –
Enfatizando o Ministério Profético
Na Igreja de
hoje, vemos a muitos se declarando apóstolos e, ou, profetas, e eles querem ser
chamados de “Apóstolo Fulano de Tal” ou “Profeta Ciclano de Tal”. Normalmente,
criam-se congressos para ‘elevar’ alguém ao apostolado. A pergunta é, será que
eles sabem qual é o verdadeiro significado do Ministério Apostólico ou
Profético?
Em ICo 4.13 você
verá que os verdadeiros apóstolos são geralmente vistos como ‘...lixo deste
mundo, refugo de todos’. Às vezes, esta é a diferença entre um verdadeiro
apóstolo e um falso apóstolo. E assim também é que podemos ver entre o falso
profeta e o verdadeiro. O falso geralmente quer ser ‘elevado’, o verdadeiro
está disposto a ser considerado como ‘...lixo deste mundo’.
Qualquer
estudante de teologia sabe que os termos descritos em Ef 4.11 para designar os
líderes eclesiásticos, nunca foram no N.T. utilizados com títulos de lisonja,
ou como se os que possuíssem tal designação, devessem ser colocados em um local
de destaque entre os demais obreiros cristãos ou até mesmo dos cristãos leigos.
Ao invés de serem
usadas tais nomenclaturas como títulos lisonjeiros, tais palavras eram
semelhantes as que eram usadas para descrever tarefas tais como, arquiteto,
pintor, pedreiro, escritor, encanador, etc. Sabemos que uma descrição de
tarefa, define uma função que determinado indivíduo executa. É a mesma coisa
com as palavras apóstolo, profeta,
evangelista, pastor e mestre, que definem uma função, ou trabalho, que
alguém executa.
Na maioria das
sociedades, não usamos descrições de tarefas como títulos, pois assim como no
período neotestamentário, fazer tal coisa, seria algo sem significado ou
relevância. Por exemplo, ao falarmos de alguma pessoa, nós não dizemos
‘Encanador Fulano de Tal’, ou seja, quando falamos de algum artista de cinema,
nós não dizemos ‘Ator Arnold Swazenegar’, ou ‘Atriz Shirley MacLayne’. Isto
significaria transformar as suas descrições de tarefas em títulos.
O que normalmente
nós dizemos, até para evitar a confusão de nomes entre pessoas que exercem
profissões diferentes, as seguintes designações: ‘Fulano de Tal’, o
‘Encanador’, ou ‘Michael Jordan’ o ‘Jogador’, ou ‘Madona’ a ‘Cantora’, para não
confundi-la com o quadro famoso de Leonardo da Vinci!
Com relação a
Jesus foi dito: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria...” (Mc 6.3). Jesus
nunca tentou receber títulos lisonjeiros, nem a honra e louvor dos homens. Pv
27.2 c/ IICo 10.18
Ao invés, ele
“...aniquilou a Sua própria reputação, e tomou sobre Si mesmo a forma de
servo...“ (Fp 2.7). A sua afirmação mais constante era que Ele é o Filho de
Deus, e, isto é algo que qualquer um de nós podemos hoje também afirmar, pois
através do sangue dEle e de sua morte vicária, nós juntamente com Ele somos
assim também chamados, pois João diz: “Mas a todos quanto o receberam, deu-lhes
o poder de se tornarem filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo
1.12).
Bom, segundo Dt
10.17; Rm 2.11 e Ef 6.9, “...para com Deus não há acepção de pessoas”, e, creio
eu que não existe nenhum filho de Deus que possa considerar-se ‘mais filho’, ou
‘mais importante’ para Deus, do que qualquer um dos seus outros milhões de
filhos que Ele têm por toda terra. Mas, algumas pessoas que gostam de ser
chamadas por seus títulos acham que são dignas de serem tratadas de forma
destacada no meio da congregação ou da comunidade dos crentes.
Certamente você
já esteve em alguma festa social, e quando chegou o ‘Profeta Fulano de Tal’
recebeu o mérito de sentar-se na melhor mesa, ou receber o melhor refrigerante
que ‘é claro’ estava preparado especialmente para ele e seus ilustres e
superiores familiares!
Ou então, quando
existe algum evento público os ‘Fulanos de Tal’ são merecedores de camarim com
ar condicionado, frutas, água gelada, etc... enquanto que ‘a ralé’ fica no meio
do sol escaldante, e, em muitos casos sem acesso ao mínimo de higiene pública
necessária para tais eventos, como água e sanitários.
É lógico que os
tais proeminentes líderes, não ocupam sempre os primeiros lugares, ou recebem a
honra de se destacarem em todos os eventos. Veja por exemplo, quando foi que
você viu, algum apóstolo/profeta lavando o chão da igreja que ele próprio
pastoreia, ou mais ainda, da igreja de alguns de seus empregados (oops!
discípulos)?
Ou, quando foi
que você viu algum grande apóstolo/profeta utilizando o banheiro público? É
lógico, que ele tem todas as partes de seu corpo mais ungidas do que você e eu,
e por isso não pode utilizar o mesmo assento sanitário que o populacho utiliza!
Eu
particularmente já ouvi várias pregações e ensinos sobre a vida do apóstolo
Paulo. O que vou falar agora, provavelmente você já conhece, mas, creio que servirá
para relembrar alguns líderes de como foi que este homem de Deus progrediu em
sua carreira espiritual.
Em IICo 11.5 ele
diz: Em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. Assim estão alguns
homens de Deus hoje em dia falando, pois eles em nada são menores do que os
presidentes de grandes corporações, e por isso, eles também merecem uma(s)
secretaria(s), alguns office-boys, e, é lógico, um bando de puxa-sacos, que
ficam prontos para recolherem a saliva de tal homem de Deus, quando o mesmo,
por descuido, quando estiver eloqüentemente pregando, começar á junto com suas
palavras, cuspir no povo! Estes puxa-sacos recolhem á saliva de seus estimados
‘Fulanos de Tal’, para que se por um descuido de Deus o grande líder vier á
falecer, possa ser clonado e retornar imediatamente á sua cadeira estofada, o
seu escritório com ar condicionado, suas revistas semanais, periódicos, e
talvez de vez em quando á leitura de sua linda e novíssima bíblia com letras
douradas, que é tão bonita que ele nem sequer pensa em manuseá-la!
Paulo, precisou
de algumas bordoadas de Deus, dos homens e do diabo, para mudar o conceito que
ele tinha de si mesmo. Veja como ele ainda se autodenominava no meio de sua
carreira em Fp 3.4: ...Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu
ainda mais. Veja como ele utiliza o pronome pessoal ‘eu’.
Entre o eu era, e
o eu sou que se subentende neste versículo, certamente houve algum progresso
espiritual, pois no contexto do mesmo Paulo explica que considera como perda
tal passado, mas, se necessário for, ele demonstrará que também é alguém
importante!
Agora, quantos
estão por ai se baseando em seus estudos acadêmicos ou eclesiásticos para
acharem-se superiores aos demais irmãos da congregação? Quantos estão nas
igrejas dando ordens para outras pessoas, simplesmente porque possuem em sua
carreira o ofício de gerente de alguma empresa, ou engenheiro, ou advogado, o
que para eles, faz com que eles também na Igreja devam ser considerados como os
‘tais’.
Existem dois
problemas claros que devem ser vistos neste caso:
a) – Estas
pessoas muitas vezes não possuem nem 1 ano de convertidos, e já são colocadas
pelo burocrata que governa a igreja local em posição superior á daqueles que
freqüentam a mesma por muito mais tempo, e que conhecem tanto á Deus como á sua
santa palavra de forma obviamente mais profunda do que o ‘Sr(a) Profissão’.
Isto causa inúmeros problemas, pois quem foi que disse que Deus escolheu os
detentores de títulos acadêmicos para serem por Ele utilizados? Quando esta
pessoa assume o seu cargo eclesiástico, ela traz consigo normas empresariais e
sociais para liderar as pessoas, pois afinal, ele(a) é o Sr(a) profissão, e
sabe como governar e dar ordens para os pobres-coitados membros miseráveis da
igreja que não tem sequer o Iº grau completo! Á única coisa que o Sr(a)
profissão não sabe, é verdadeiramente liderar as pessoas de acordo com a
vontade de Deus, pois o mesmo como novo convertido, e como um profissional tão
atarefado, não tem tempo para orar e ler a bíblia! Não é ridículo? Mas, é o que
mais acontece nas igrejas contemporâneas infelizmente!
b) – O segundo
problema que pode ocorrer, reside no fato que pela inexperiência espiritual do
Sr(a) profissão, este pode começar a transmitir conceitos de sua antiga
religião misturados com os preceitos bíblicos. Isto ocorre quase que sempre,
porque esta pessoa que normalmente está imbuída das melhores intenções para com
os pobres que ela governa, ainda assim, ela pelo pouco tempo de vida cristã que
possui, não conseguirá discernir a diferença entre o santo e o profano, o limpo
e o impuro (Ez 44.23). Surgirão assim heresias e comportamentos doutrinários
inconvenientes ,e, muitas vezes problemas entre os liderados do Sr(a)
profissão, na área sexual, emocional e espiritual, resultando finalmente no
desvio de muitas pessoas da igreja, e no nascimento de alguns bebês
extra-matrimônio.
É lógico que o
que acabei de relatar não acontece no seu ministério, pois, o seu tesoureiro é
uma pessoa que vêm de uma família humilde da região, mas que nunca teve uma mal
testemunho entre os donos de botecos da região! O seu vice-presidente é um
irmão da igreja que trabalha em uma empresa da região como faxineiro, e foi
escolhido para tal posição devido aos atributos espirituais que vem
demonstrando no decorrer dos anos!
O diretor(a)
administrativo de sua igreja, é uma irmã que nunca trabalhou, mas que desde
criança teve uma vida espiritual relevante pelas igrejas por onde passou, e que
se enquadra nos versículos de Pv 31.10-31.
Mas, se o seu
tesoureiro é alguém que foi escolhido para tal tarefa simplesmente porque
trabalha em uma rede de supermercados como chefe do caixa central (e de vez em
quando fica com as quebras§ dos caixas), e não por seus
atributos morais e espirituais descritos em ITm 3, tem alguma coisa errada! Se
o seu vice-presidente foi escolhido somente porque ele é dono de uma
micro-empresa (e você nunca se importa com o fato de que ele sonega impostos),
e não porque ele é o único da região que possue uma empresa idônea, tem alguma
coisa errada! Se o seu administrador foi escolhido por ser um engenheiro famoso
pelos prédios que supervisionou (mas que levava de vez em quando alguns sacos
de cimento para á chácara que estava construindo), e não porque demonstra o dom
de contribuir liberalmente (Rm 12.8) muito atuante em sua vida, tem alguma
coisa errada!
Por fim, Paulo em
ITm 1.15 disse o seguinte: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores,
dos quais eu sou o principal! Nossa! Como alguém pode dizer isso de si mesmo
dizem os religiosos. Afinal, você é um ‘crente águia’, dizia um pastor da
Venezuela!
Você é cabeça, e
não cauda! Enfatizam os que só pregam prosperidade. Mas, Paulo teve que no
final de sua carreira dizer que era um dos principais dos pecadores!
Salomão diz em provérbios 18.12: Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade. É certo que muitos líderes eclesiásticos tem caído em escândalos os mais diversos por causa da soberba. Lembro-me de uma fita VHS que vi á algum tempo atrás, aonde um famoso evangelista relata que no passado ele havia cometido alguns erros, pelo fato de que se achava a ‘última coca-cola do deserto’. Ou seja, por causa da fama, do ‘poder de sua denominação’ e em especial da igreja que ele pastoreava, e pelos inúmeros programas televisivos aonde o lindo rosto dele aparecia, ele considerava-se como alguém superior aos demais cristãos que viviam algumas órbitas abaixo dele! Nesta fita, ele diz que hoje, qualquer criança pode orar (com imposição de mãos) por ele, pois conseguiu chegar a conclusão de que é um simples ser humano, e o título que tinha, não impediu o diabo de atuar na vida dele de forma que foi induzido em grande parte, a cometer os erros que se tornaram públicos naquela época.
5.1.1 – Como se tornaram
profetas?
No Velho
Testamento, um profeta era geralmente chamado de ‘homem de Deus’ – Dt 33,1; ISm
2.27; 9,6; IRe 13.1; 20.28; 25.7-9; IIRe 4.7; IICr 25.7-9 e Ne 12.24. Mas eram
também conhecidos como ‘servos de Deus’ -
a palavra hebraica ebed
significa um ‘praticante’.
A frase ‘o servo
de Deus’ é dada somente a Moisés – Dt 24.5; Js 8.31. Mas os adjetivos (seu, teu
e meu) servo são usados com relação aos outros profetas – Jr 44.4; Ez 38.17; Dn
9.6; Zc 1.6. Vemos claramente o relacionamento de servo que os profetas desfrutavam
com Deus em IIRe 17,13 e Ed 9,11. Eram porta-vozes de Deus e estavam sob ordens
para transmitir sua mensagem, sem alterá-la de modo algum. Podemos chama-los de
‘ministros’ de Deus no Velho Testamento.
Três palavras
hebraicas são usadas para descrever um profeta:
* nabi
– significa alguém que chama e é chamado: profetas – servos – ministros – são
chamados por Deus, eles chamam as pessoas da parte de Deus, e chamam a Deus
para as pessoas.
* roehe e hozeh – são
formas diferentes de ‘ver’; significa alguém que vê e é visto; os profetas vêem
a Deus, vêem o que Deus está fazendo, vêem os acontecimentos e são vistos por
homens e mulheres.
Estas palavras propõem a base
do ministério no Espírito. Somos chamados pelo próprio Deus, e depois chamados
para as pessoas; vemos o que Deus está fazendo, sendo vistos pelas pessoas
quando servimos como os ‘praticantes’ de Deus.
Sabe-se também que no Velho
Testamento, os profetas tinham de ser escolhidos por Deus. Todos os vários
relatos de um chamado do profeta demonstram o poder do chamado de Deus. Tinham
de escolher o colocar de lado o que estavam fazendo – começando algo que
parecia ser difícil – ou desobedecer a Deus – Ex 3.1-4, 17; Is 6; Jr 1.4-19; Ez 3; Os 1.2; Am 7.14,15 e
Jn 1.1.
O objetivo principal do
chamado não era de enviá-los como divinos moços de recado, mas de convocá-los à
presença do Deus santo. Após terem ficado perante Ele, podiam ficar perante
reis e nações. Após terem ouvido o Seu chamado, podiam chamar os outros. Este
ouvir é o coração de todo ministério no Espírito. Vemos isso em IRe 22; Jr
23.22 e Am 3.7.
5.1.2
- O que o seu ministério envolvia?
Os servos de Deus estavam
envolvidos em três atividades principais:
a. falar as palavras de Deus
O coração da sua mensagem era
sempre ‘conserte-se com Deus’. Pronunciavam alertas acerca do futuro, o qual
validavam usando exemplos das intervenções passadas de Deus; chamavam os ímpios
para o arrependimento ao descrever a ira vindoura; e ofereciam benção, chamando
os piedosos à santidade – Am 5; Zc 1,14 – 2,3; Os 5 e Is 2,2-5. Eles também
chamavam o povo de Deus para cuidar dos pobres e necessitados – Lv 19,9-18; Dt
23,15-25; IICr 28,9-15; Am 2,6-7; 4,1-3 e 8,4-8.
Os profetas lembravam o povo
do que Deus fizera; usavam o passado para proclamar a natureza de Deus, e então
revelavam o que Deus estava prestes a fazer. Isto não era uma suposição
inspirada, mas um revelação divina. Não faziam projeções; profetizavam. Falavam
aos outros o que tinham ouvido Deus lhes falar – Is 41,21-23 e 45,20-22.
b. pleiteando com Deus
Os servos de Deus eram as
únicas pessoas no Velho Testamento que podiam interceder com Deus pelas
situações e pelo povo. Abraão, um dos primeiros profetas da bíblia, é descrito
como sendo capaz de pleitear com Deus com êxito e mudar uma situação – Gn 20,7.
Jetro sugeriu que Moisés fizesse da intercessão sua prioridade e Moisés colocou
seu conselho em prática – Ex 18,19 e Nm 27,5. Os profetas eram de tal maneira
conhecidos como intercessores poderosos, que até os reis rogavam para que eles
pleiteassem com Deus aos seus favores – IRe 13,6; IIRe 19,4 e Zc 7,1-3.
c. fazendo as ações de Deus
Os servos de Deus eram as
únicas pessoas no Velho Testamento que estavam
envolvidas com o milagre – com sinais e maravilhas, cura, aconselhamento
e falar com a autoridade profética de Deus. Somente os homens e mulheres que
foram ungidos com o Espírito de Deus eram capazes de ser os ‘praticantes’ das
ações de Deus – Gn 20; Nm 12; IRe 13; 17,7-24; IIRe 4,8-37; 20,1-11; IICr
25,5-16 e Jr 38,14-28.
5.1.3
- Como eram inspirados para ministrar?<
a. a palavra de Deus
Amós 3.8 mostra que a palavra
de Deus tinha um impacto dinâmico sobre os profetas. ‘A palavra de Deus veio a’
é a frase mais freqüente que descreve esse tipo de inspiração. ‘Veio a’ é
melhor traduzida como, ‘tornou-se ativamente presente em’ ou, simplesmente ‘foi
para’. Esta expressão descreve uma conscientização interna da mensagem de Deus,
a qual cresce ao longo de um período de tempo – por exemplo, Zacarias 1.1,7.
Como vemos em Jr 1.11; 18.1-4, 24 e Amós 7.7, esta instigação às vezes provinha
de acontecimentos comuns. Parece que Deus desvendava Sua palavra na intimidade
da comunhão particular com Seu servo, ao invés de, através de um lampejo
repentino de iluminação. Trata-se de uma inspiração como resultado de
meditação, reflexão, observação e estudo.
b. o fardo de Deus
Habacuque 1.1 descreve a massa do Senhor. Algumas
traduções traduzem-na como ‘mensagem’ ou ‘oráculo’, mas literalmente significa
um ‘pão’ ‘fardo’. Ela traz em si a idéia de Deus permitindo que Seu servo sinta
o que Ele sente – Is 13.1; 14.28; 15.1; 17.1; 19.1; 21.1, 11, 13; 22.1 e Jr
23.33-40.
c. o Espírito de Deus
A Escritura ensina um
associação tão forte entre o Espírito e a profecia, que não há como enfatizar
mais. Números 11.29 é a primeira ligação; I Samuel 10 e 19. 18-24 mostram que a
descida do Espírito Santo levou à profecia espontânea. Miquéias 3.8 sugere que
o Espírito não foi somente a fonte de inspiração para os servos de Deus, mas
também que Ele deu-lhes a coragem necessária para entregar a revelação. E Joel
2.28 deixa claro que o recebimento do Espírito devia resultar na atividade da
profecia divina – falar as palavras de Deus, a pessoas em particular, no poder
de Deus. Isto é uma inspiração instantânea para entrega imediata.
d. sonhos, visões e anjos
Os servos de Deus
reivindicavam inspiração freqüente através de visões de dia e sonhos de noite –
Nm 12.6; Is 6; Ez 12.8; Dn 7.1; Zc 1.8. Em raras ocasiões, anjos eram enviados
aos profetas – IIRe 1.3-15; ICr 21.18; Dn 9.21 e Zc 1,9.
5.1.4
- Como eles ministravam?
Embora todos os profetas do
Velho Testamento fossem inspirados pelo mesmo Deus, cada um tinha um estilo de
discurso e ministério distintos. Os profetas meramente transmitiam a revelação
que tinham recebido de Deus. Revelação, contudo, não é ditado; assim os
profetas deixavam a marca de suas próprias personalidades nas revelações e
falavam-nas numa variedade de estilos. Narrativa, prosa, parábolas, discurso
direto, sátira, salmos, lamentações, sermões, diatribes±,
comentários – todos esses e outros métodos de declaração, foram usados pelos
sevos de Deus para transmitir a revelação de Deus.
Quando os servos de Deus
falavam no Espírito, não expressavam uma opinião – traziam um proferir com
autoridade, o qual alterava a situação. O que anunciavam acontecia. Is 40.6-8 e
55.11 revelam o tremendo poder da palavra profética falada. Alguns profetas
usavam atos simbólicos e dramáticos como parte da profecia. Não se tratavam de
auxílios visuais, mas de atos proféticos que proclamavam o que Deus dissera e
pensara – por exemplo, Ex 17.9; Jr 19.1. 10,11; Ez 4.1-3. Outros profetas
usavam milagres. De fato os únicos operadores de milagres no Antigo Testamento
foram os profetas. Moisés, Elias e Eliseu são exemplos óbvios, mas também vemos
isto em IRe 13.1-10.
5.1.5
– Jesus, o Grande Profeta!
Em Deuteronônio 18.15-20
Moisés discursa para o povo de Israel acerca de um grande profeta que viria
depois dele, e que, este certamente seria o verdadeiro libertador do povo
judeu. Ele estava naquele momento preparando o povo para a liderança de Josué.
É certo também que de uma forma indireta ele estava profetizando ao povo que
Deus enviaria um outro profeta, o qual traria a lei para o povo, operaria
milagres e os iria curar. Por causa da interpretação errônea que os líderes
israelitas haviam ensinado ao povo, tanto eles como cada um dos judeus daquela
época esperavam que o Messias vindouro fosse “outro Moisés”, ou seja, um
profeta ao qual Deus revelaria a Si mesmo como o fez em Números 12.6-8; e que
repetiria, em grande escala os despojos do Êxodo.
Quando os sacerdotes e os
levitas questionaram João Batista, em João 1.19-25, queriam estabelecer se ele
era ; ‘o Profeta’. E Atos 3.22-24 mostra que Pedro cria que Cristo era este Profeta. Repetidas vezes,
Jesus foi reconhecido pelo povo como um profeta – Mt 21.11; Lc 24.10.19; Jo
4.18; 6.14; 7.52. Em Mateus 13.57 Jesus se considerou como um profeta.
Certamente, Ele manifestou todos os sinais de um profeta extraordinário ao
longo do seu ministério e seguiu todos os seus princípios de ministério no
Espírito.
· Os profetas estão perto do coração do
Pai – João 1.18 mostra que, entre todos, Jesus é o que está mais perto do
coração do Pai.
· Os profetas compartilham dos segredos de
Deus - Mateus 11.27 sugere um grau de
intimidade incomparável até mesmo ao de Moisés.
· Os profetas são servos de Deus – o
Evangelho de João revela Jesus como Alguém que está totalmente sob a autoridade
de Seu Pai. Mostra que Ele nunca vai a lugar algum, faz qualquer coisa, ou age,
a não ser uma área definida com um chamado único.
· Os profetas são porta-vozes de Deus –
João 12.49,50 relata que Jesus não reivindicou nenhuma originalidade para Seu
discurso. Tudo que ele falava era o que o Pai dizia para que Ele dissesse.
· Somente os profetas costumavam curar os
enfermos – o mendigo de João 9 identificou Jesus como um profeta porque seus
olhos foram abertos.
· Somente os profetas intercediam com Deus
– Romanos 8.34 revela Jesus como o Intercessor.
· Somente os profetas transmitiam o conselho
de Deus ao povo – Isaías 9.6 aponta para Jesus como o conselheiro maravilhoso.
· Os profetas são ungidos com o Espírito –
João 3.34 mostra que Jesus foi ungido sem medida.
A identificação do Espírito
com a profecia no Velho Testamento alcança seu clímax em Jesus. Em Atos 10.38,
Pedro citou Isaías 61.1, aplicando-a a Jesus. Seu batismo foi o ponto principal
da vida de Jesus. Ao Ter saído do rio, o Espírito veio. Naquele momento, Jesus
foi revelado como o Christos – o
ungido. Ele foi separado como um profeta amado ungido pelo Espírito para servir
e ministrar no Espírito.
Em Mt 3.1-12; Mc 1.8; Lc
3.1-18 e Jo 1.19-34, João Batista apresentou Jesus como Aquele que batizaria no
Espírito Santo. A primeira atividade profética de Jesus após sua ressurreição
foi de batizar Sua Igreja no Espírito Santo – separar a Igreja como uma geração
contínua de profetas. Quando o Senhor Jesus batizou os primeiros membros da
igreja com o Espírito, Ele estava inaugurando uma nova era e uma nova
organização para o ministério profético. Ele reteu o entendimento básico do
Velho Testamento, mas a igreja, em vez de indivíduos isolados, tornou-se o
centro do ministério profético. Isto significa que o ministério profético
deveria estar no centro de toda expressão da igreja hoje. No A.T. podemos
observar que os profetas somente recebiam auxílio espiritual de outras pessoas
quando estas eram visitadas pelo Espírito Santo. Isto significa que nem todos
eram por Ele visitados, e, mesmo estes, não estavam continuamente ‘cheios, ou
plenos’ dEle. (vide ISm 10.10,11)
Em Nm 11.16,17; 24-30 Moisés
precisou de ajuda, mas seu fardo profético podia ser compartilhado somente com
aqueles sobre os quais o Espírito vinha. Quando Josué inquiriu acerca da
profecia de Eldade e Medade, Moisés respondeu com uma oração profética que tem
perdurado ao longo dos séculos, ele disse: ‘Oxalá que todo o povo do Senhor
fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito’.
Deus ouviu e honrou esta
oração no Pentecostes quando Ele derramou do Seu Espírito sem restrição sobre a
igreja. Desde o Pentecostes, a possibilidade do ministério profético no
Espírito foi aberta a todo crente na igreja que tiver sido cheio da pessoa do
Espírito Santo. Conforme a interpretação de Pedro em At 2.18, podemos entender
que todo crente em Jesus pode ministrar no Espírito, e consequentemente,
qualquer um pode ser chamado por Ele para ser um profeta em potencial. Todo
crente pode agora ministrar com autoridade e curar as pessoas em suas mais
diversas áreas de debilidade, pois o Espírito que nelas habita, as habilita a
serem como os profetas do A.T., manifestar o poder de Deus a favor dos homens.
A promessa de Atos 2.18 não é
que todos serão profetas, mas que todos profetizarão. Esta é uma distinção
importante. O profetizar da igreja neotestamentária é visto no comportamento
diário dos santos no mesmo livro. Agora, também em Atos nós podemos encontrar
passagens que fazem separação entre os cristãos membros da igreja e os profetas
que por ela eram reconhecidos. Isto também ocorre em outras áreas ministeriais,
como por exemplo, o fato de que todos os cristãos são chamados a evangelizar,
mas somente alguns possuem a unção ministerial de evangelista. Todos nós somos
enviados por Deus ao mundo com a missão de curar os enfermos, mas são poucos que
têm sobre si uma unção específica de cura. Todos são chamados para receber de
graça o conhecimento de Deus, e da mesma maneira dar a outros, mas nem todos
são mestres! É por este motivo então que estamos aqui elucidando o fato de que
todos os cristãos são realmente chamados por Deus para envolverem-se em alguma
atividade profética que pode ser desenvolvida em sua casa, bairro, cidade,
escola, emprego, etc..., Mas nem todos são profetas!
5.2
– Detectando as falhas do Profético
A palavra grega prophetes, ‘profeta’, vem de pro, ‘adiante’, e phemi, ‘falar’. Ela literalmente significa ‘alguém que fala adiante
(profere)’, e descreve alguém que fala as palavras de Deus e revela Seus
pensamentos. Os profetas são chamados para viver em comunhão íntima com Deus. Entram
na Sua presença para ouvir Seus pensamentos, e emergem para pregar, encorajar e
explicar o que Deus está fazendo, ou desafiar os padrões e comportamentos da
igreja no mundo. O ideal é que os profetas transmitam somente o que Deus está
pensando e fazendo, não manchando a mensagem com suas próprias opiniões e
valores culturais. No Novo Testamento, parece haver dois tipos de profetas:
· Aqueles
que atuavam somente dentro da igreja local – onde todas as pessoas eram
encorajadas a buscar a Deus por profecia, Atos 13.1; ICo 12.10, 28; 13.1, 8,9;
14.1-6.
· Aqueles
que eram reconhecidos de forma mais abrangente e atuavam trans-localmente,
Atos 11.27,28; 21.10,11: há referência a estes profetas em Efésios 4.11.
O ministério neotestamentário do profeta
envolvia sete princípios basicamente.
1. Era oficialmente
reconhecido. Homens e mulheres, os quais uma igreja local reconhecia num
período de tempo ou regularmente para receber e transmitir profecias, eram
identificados como profetas. Não eram nomeados a uma posição; eram reconhecidos
quando provavam que tinham uma parcela no ministério profético de Cristo.
2. O seu ministério envolvia
revelação concreta – Atos 11.27-30; 13.1-3.
3. Falavam com a inspiração
do Espírito Santo – Atos 11.27.
4. Não eram infalíveis. A
profecia de Ágabo em Atos 21.10 era precisa em termos gerais, mas alguns dos
detalhes não ocorreram exatamente como ele havia profetizado. Não anulou a
força de sua mensagem, a qual era verdadeira. Mesmo assim, Paulo não agiu
segundo a mensagem; mas sim, ele usou-a para se preparar para a dificuldade que
viria.
Isto mostra que temos uma
obrigação séria de ‘julgar’ a profecia, como em I Coríntios 14.29-32 nos
ensina. A palavra grega diakrisis,
‘julgar’ ou ‘discernir’ significa ‘separar’, mostrando que os ‘outros’ (a
palavra grega allos refere-se aos
outros profetas) não aceitam ou rejeitam a mensagem inteira, mas sim, separam o
refugo humano e realça a divina parte essencial.
5. Prediziam o futuro – Atos
11.27-30; Tm 4.1.
6. Davam direção para o ministério,
confirmando de forma clara o que as pessoas já sabiam – Atos 13.11-33; ITm
1.18; 4.14; IITm 1.6.
7. Apontavam para o que Deus estava fazendo, como em Atos
11.27-30. Ágabo não exigiu uma resposta humana; ele simplesmente alertou quanto
a uma fome que estava por vir, deixando que as pessoas reagissem à medida que
eram guiadas. O profeta trans-local transmitia a palavra de Deus, e os líderes
locais decidiam como deveriam agir segundo a profecia.
5.2.1
– Problemas no Ministério Profético
Existe muito que nos dias
atuais estão fazendo de tudo para que nenhum profeta apareça em suas igrejas.
Isto porque, nos últimos tempos muitos tem tido experiências negativas com este
tipo de ministério. Em muitos lugares os pseudoprofetas provocaram várias aberrações,
tais como:
a. Desvio doutrinário
b. Falsas profecias
c. Contendas e dissensões
entre os líderes
d. Desvios sexuais
É difícil para qualquer líder
colocar em prática o versículo 19 do capítulo cinco de ITessalonicenses que
diz: “Não extingais o Espírito”, pois, querem continuamente um mover do
Espírito no meio da igreja que dirigem, mas, não querem que estes problemas,
que normalmente ocorrem aonde o ministério profético se manifesta, venha também
acontecer no meio da igreja que eles dirigem, causando-lhes assim enormes
problemas. Surge então esta dificuldade, que os coloca entre a cruz e o punhal.
Devido aos problemas que já
ocorreram em lugares aonde o ministério profético se manifestava, a maioria dos
líderes e pastores fazem de tudo para bloquear estes dons carismáticos e
ministeriais. Eles sabem que junto com a unção profética, vêm à manifestação do
Espírito Santo no corpo de cristãos locais, e isto é algo que traz consigo
várias dificuldades de controle da liturgia e de como os crentes devem se comportar
no horário de culto, pois na maioria dos locais que ocorrem tais experiências,
as pessoas tendem a ficar como que embriagadas, e um tanto dispersas quanto ao
que lhes cercam, causando assim uma certa desordem na igreja.
Além disto, existe sempre o
erro de algumas pessoas começarem a se autoproclamarem profetas, ou exorcistas,
ou curandeiros, fazendo assim coisas que estão totalmente longe de serem
atribuídas ao Espírito Santo, pois, pertencem mais ao âmbito da carne e do
espírito humano. E quando isto ocorre, normalmente trás para igreja problemas
de ordem moral, social e principalmente espiritual. O resultado de tais atos é
verificado em poucos meses, pois começam a surgir os famosos escândalos
religiosos, os quais normalmente envolvem os pseudoprofetas nas mais ilícitas
situações que podem ser verificadas em um homem/mulher de Deus, ou seja, sexo
ilícito, escândalos financeiros, heresias doutrinárias, e muitas vezes até
feitiçaria.
Podemos ver estas coisas
acontecendo na Igreja de Corinto, a qual por mover-se espiritualmente falando
de forma desordenada, permitiu que se criasse em seu meio, situações totalmente
contrárias ao propósito fundamental de sua criação efetuada por Paulo, pois
este quando evangelizou os primeiros coríntios, certamente lhes explanou da
pureza e simplicidade do evangelho do Senhor Jesus Cristo, e quando estes o
aceitaram, receberam com certeza o batismo do Espírito Santo. Ou seja, tudo que
lhes era necessário para que vivessem uma vida de harmonia social e espiritual,
lhes foi ministrado pelo apóstolo, mas estes “se apartaram da simplicidade que
há em Cristo Jesus” (Fp 2.5), e cometeram vários tipos de torpeza, sendo
explicitamente advertidos pelo apóstolo (ICo 5).
Em contrapartida, isto não
impediu que Paulo deixa-se de incentivar os crentes a buscarem ter uma vida
espiritual, pois na mesma carta aos coríntios ele diz: “Entretanto, busquem com
dedicação os melhores dons” (ICo 12.31). É certo que Paulo estava irritado e
triste por receber tais notícias desta igreja, mas ele sabia que isto ocorria
por causa da manifestação do velho homem no seio da igreja, e nunca por causa
de um descuido de Deus na hora de distribuir dons aos homens. Gostaria de citar
aqui uma frase que sempre é citada pelo Apóstolo Rubens[1]
que realça tal concepção, ele diz: “A mentira do homem, não anula a verdade de
Deus!”. Sendo assim, devemos dar lugar aos dons proféticos, porém, dentro de
alguns limites pré-definidos pela liderança da Igreja local, tais como os que
foram recomendados por Paulo em ITs 5.19,20, 21 “Não extingais o Espírito. Não
desprezeis profecias. Provem todas as coisas; retenham o que é bom”. Estes
versículos indicam que algumas manifestações espirituais devem ser submetidas a
um exame antes de serem aceitas como que vindas de Deus. Aquilo que não passar
no teste rigoroso das Sagradas Escrituras deve ser literalmente aniquilado,
evitando assim que ‘outros espíritos’ possam invadir o ambiente espiritual da
igreja.
Em Pv 14.4 á
Bíblia diz: “Onde não há bois, o celeiro fica limpo, mas a abundância de
colheitas é pela força do boi”. Os dons proféticos são como bois; Os bois
trazem uma ‘abundância’, mas também criam sujeiras no estábulo; as
manifestações do dom de profecia traz bênçãos, mas também podem criar
problemas, como os que já tratamos nesta monografia. No entanto, temos de fazer
uma escolha. Será que queremos “...a força do boi”, com o estábulo sujo como
resultado - ou um “...celeiro que é
limpo”? Você pode ter um celeiro limpo ou você pode ter a abundância juntamente com algumas das desordens que vêm juntamente
com o boi.
Devido aos problemas que podem resultar do livre funcionamento dos dons do Espírito, muitas igrejas têm expulsado os ministérios proféticos. Isto proporciona um situação agradável, higiênica, e limpa, sem alguns dos problemas e dificuldades que o boi traz. No entanto, perdemos muito, quando jogamos fora os bois. “A abundância de colheitas é pela força do boi”. Se você tem um boi em seu estábulo, você tem que ocasionalmente limpá-lo e remover os estercos. Pastores! Se soubermos quais os problemas possíveis com os dons do Espírito e como lidar com eles, podemos ter estes maravilhosos dons funcionando na congregação com um mínimo de dificuldade. Veremos agora alguns dos erros mais comuns que se encontram no ministério profético, e como podem ser evitados:
5.2.2
- Profecias vindas do profeta e não de Deus.
Por todo Antigo Testamento
nós encontramos falsos profetas, que por motivos gananciosos afastaram-se do
verdadeiro Deus, e passaram a profetizar por “encomenda”. Em IReis 22 nós
encontramos o relato de um verdadeiro profeta de Deus, que lutou contra os
profetas gananciosos daquele período. No livro de Neemias, também podemos
encontrar alguns relatos de profetas que profetizavam de acordo com a soma
monetária que lhes era dada (Ne 6.10-14). Outro caso que quero relatar
encontra-se em Amós 7.10-17, um relato sublime de como deve se comportar um
verdadeiro profeta de Deus, diante das situações que o cercam. Pois os falsos
profetas estavam como sempre trazendo uma mensagem que agradava os ouvidos dos
líderes da nação, mas o verdadeiro profeta de Deus estava trazendo outro tipo
de mensagem, a qual não agradava muito aos seus ouvintes. Por este motivo, o
sacerdote de Betel (Amazias), procurou intimidar o profeta de Deus, mas como um
verdadeiro profeta, ele não se exaltou, mas sim confiou no Deus que o havia
arregimentado para este serviço. No versículo 14 Amós diz: “Eu não sou profeta
nem pertenço a nenhum grupo de profetas, apenas cuido do gado e faço colheita
de figos silvestres. Mas o Senhor me tirou do serviço junto ao rebanho e
me disse: Vá, profetize a Israel, o meu povo” (grifo do autor). Infelizmente, o
sacerdote não se arrependeu de seu pecado, e conta à história que ele morreu
naquele mesmo ano, em cumprimento a profecia do verdadeiro profeta (Am 7.17c).
Deixo aqui a minha opinião de
que, quando não estamos alinhados a vontade de Deus, é melhor evitar qualquer
tipo de confronto com um verdadeiro profeta de Deus, pois, o que ele fala,
normalmente se cumpre! Infelizmente, muitas pessoas estão nos dias atuais
profetizando coisas que surgem de seus próprios corações. A princípio, não
podemos afirmar que isto é algo literalmente induzido pelo diabo na vida do (a)
profeta, antes pelo contrário, geralmente é algo que o próprio profeta cria em
sua mente. “Então o Senhor me disse: É mentira o que os profetas estão
profetizando em meu nome. Eu não os enviei nem lhes dei ordem nenhuma, nem
falei com eles. Eles estão profetizando para vocês falsas visões, adivinhações
inúteis e ilusões de sua próprias mentes” (Jr 14.14). Este tipo de erro era
muito comum no tempo de Jeremias, e gostaria aqui de levar você a observar
algumas causas para que tantos profetas houvessem se corrompido naquele período
da história israelita.
a.
A nação
estava desfragmentada, e sendo levada ao cativeiro.
b.
Havia
escassez de alimentos, para o povo e para os líderes espirituais.
c.
Estes
profetas vinham de uma linhagem deturpada de líderes, e por este motivo, não
possuíam bons exemplos á seguirem.
d.
Existiam
muitos mercenários políticos, e consequentemente espirituais.
É óbvio que nenhum destes ou
de quaisquer outros motivos serviam para justificar tais ações por parte dos
profetas de Israel, mas, infelizmente a maioria deles foi corrompida, ou
tornou-se apóstata, impedindo então o verdadeiro mover de Deus em suas vidas, e
dando liberdade para o mover de seus próprios espíritos, em vez de serem
guiados pelo Espírito Santo de Deus, começando assim a profetizar aquilo que
lhes vinha na mente, ou traduzindo em miúdos, profetizando para o povo, para os
nobres e reis, o que mais lhes agradava, e não o que verdadeiramente precisavam
ouvir! Agora, penso eu, se naquela época em que o Espírito Santo ainda não
havia sido derramado, já existia ‘vários falsos profetas, imagina nos dias
atuais, onde muitos querem ‘profetizar’ com o intuito de ganhar algum dinheiro
ou fama, (At 8.19).
5.2.3
- Profecias geradas por uma motivação
errada
No tempo de Moisés, Deus já
dava instruções para nação de Israel saber lutar contra os falsos profetas,
dando-lhes um meio totalmente eficaz de identificar alguém que não profetizasse
em nome do Senhor. Deuteronômio 18.22 diz: “Quando um profeta falar em nome do
Senhor, e esta tal palavra não suceder, nem se cumprir... o profeta a falou
presunçosamente...”, e, em Jeremias 23.16 Ele disse: “Assim diz o Senhor dos
Exércitos: não ouçam as palavras dos profetas que... falam a visão dos seus
próprios corações, e não da boca do Senhor”. O interessante nestas duas
passagens é que Deus diz ‘profeta’ e não homem ou mulher, o que significa que,
aqueles que trariam para o povo falsas profecias, seriam profetas verdadeiros,
mas que devido á vários motivos os quais muitas vezes são alheios á compreensão
humana, começariam á trazer palavras que não vinham da boca de Deus, e por este
motivo deveriam ser rejeitados, e em muitos casos, mortos (Dt 18.20b).
No livro de Colossenses o
apóstolo Paulo nos dá uma séria advertência, pois ele ensina que a ‘cobiça... É
idolatria’ (Cl 3.5). Quando a motivação por detrás de nossos ministérios é
obtermos dinheiro, ou fama, ou o louvor dos homens, tornamo-nos semelhantes a
Balaão, que estava disposto a vender o seu dom e leiloá-lo pela oferta mais
alta. Portanto, assim sendo, é de vital importância que as nossas motivações
sejam corretas ao funcionarmos no profético.
Todo o capítulo 13 de
Ezequiel contém algumas repreensões de Deus contra os falsos profetas, as quais
desde o versículo 2-10 nos dizem: “Filho do homem, profetiza aos profetas de
Israel que profetizam... dos seus próprios corações”. Vrs. 3 “... profetas
loucos que seguem os seus próprios espíritos e não viram nada!” O vrs 5 define
um dos grandes fracassos destes profetas “Não subistes às brechas, nem
reparastes as fendas da Casa de Israel, para estardes na batalha...” vrs 7 “Acaso
vocês não tiveram visões falsas e não pronunciaram adivinhações mentirosas
quando disseram ‘Palavra do Senhor’, sendo que eu não falei?” Logo depois de
descrever os erros dos profetas, Ezequiel trás à tona os julgamentos que viriam
sobre estes homens e mulheres que desviavam o povo do caminho do Senhor (Ez
13.11-16). Veja bem que, neste capítulo constrangedor, o Senhor está
demonstrando os perigos de se misturar às impurezas da idolatria e das
motivações egoístas com o verdadeiro ministério dirigido pelo Espírito. Se não
mantivermos um padrão de retidão e santidade em nossas vidas, abriremos
certamente as portas para que espíritos de engano comecem a atuar em nossas
vidas.
5.2.4
- Ser guiado por espírito de
adivinhação
Muitas pessoas são enganadas pelo
inimigo nesta área tão importante do ministério profético. Normalmente, isto
ocorre devido ao fato de que estes não conhecem claramente á funcionalidade do
dom de palavra de conhecimento, o qual só pode ser dado á um cristão, pela
pessoa do Espírito Santo de Deus. Em contrapartida, sabe-se que os falsos
profetas (médiuns, adivinhos, chamãs, pajés) possuem, aparentemente este mesmo
poder de conhecer algo sobre a vida de uma pessoa, sem que esta tenha tido
anteriormente com o mesmo qualquer contato anterior. Isto faz com que muitos
sejam induzidos por tais pessoas á tomarem atitudes que os levam cada vez mais
para o fundo do poço! É por este motivo que muitos, não acreditam que um
verdadeiro profeta de Deus possa saber algo sobre alguém de forma sobrenatural,
pois, acreditam que somente os acima classificados, é que “trabalham” nesta
área.
No livro de Atos 16.16-18,
nós vemos uma jovem que possuía tal espirito atuando em seu ser, e por este
motivo, dizia coisas que pareciam provir de Deus. “Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que nos mostram o caminho da
salvação”. Esta parecia ser uma boa palavra, mas, sabemos que era uma
declaração provinda de um espírito satânico, o qual possuía aquela garota (At
16.16). Sendo assim, Paulo no devido tempo repreendeu aquele espírito e o
expulsou daquela garota, pois como homem de Deus que era, não poderia permitir
que um espírito de orgulho (o qual era enviado para Paulo e Silas juntamente
com os elogios), o persuadisse a crer que era alguém merecedor de honrarias
humanas.
Algumas traduções deste
versículo sugerem que um ‘espírito de adivinhação’ possuía esta garota, mas uma
tradução literal de pneuma puthona
seria ‘espírito de piton’. Piton foi o nome na mitologia grega do dragão
Pítias, o qual habitava nos pés o Monte Parnasso, guardando o oráculo de Delfi.
Ele foi morto por Apolo e o nome foi transferido para Apolo, sendo
freqüentemente aplicado a vaticinadores e adivinhadores. Estes eram
considerados como sendo inspirados por Apolo quando agiam como ventriloquistas
de espírito.
O problema surge, quando um
verdadeiro profeta começa a ministrar influenciado por este tipo de espírito, e
não pelo Espírito Santo de Deus. No A.T., nós temos vários exemplos de profetas
que assim eram induzidos, e em IRe 22.11,12,13 nós encontramos um exemplo claro
deste tipo de situação: “Todos os
profetas profetizaram assim..., “seja, pois, a tua palavra como a palavra de um
deles e fala o que é bom”. Ou seja, profetiza o que está sendo encomendado
pelo Rei, ou, permita que um outro espírito, e não o Espírito Santo de Deus
conduza tua língua! Infelizmente, nós vemos muitos agindo assim também nos dias
atuais, pois preferem falar boas palavras para o povo, ou para os líderes,
visando sempre um lugar de descanso e destaque, pois com tais palavras não terá
nunca ninguém que o(a) olhe de forma negativa, mas antes vai sempre estar nas
graças do povo e dos líderes eclesiásticos “... fala o que é bom 13.c”. O
primeiro problema que ocorre quando alguém, ou alguns são seduzidos por este
tipo de profecia, está descrito em Ez 13.4,5, que diz: “Os teus profetas, ó
Israel, são como raposas entre as ruínas. Não subistes às brechas (alma dos
seus ouvintes), nem fizestes muros (área espiritual dos seus ouvintes) para a
casa de Israel, para que ela permaneça firme na peleja no Dia do Senhor (ou
seja, quando esta (s) pessoa (s) tiver que dar contas ao Senhor de como viveram
na Terra).
Ao meu ver o segundo problema
imediato ocorre com o próprio profeta, pois veja o que diz Ez 13.9 c/ Hb 10.31
“Minha mão será contra os profetas...”; “... horrível coisa é cair nas mãos do
Deus vivo”.
Com certeza o terceiro
problema imediato que ocorre, diz respeito ao local onde tal falso (a) profeta
ministra, ou seja, a comunidade ou igreja que permite que uma pessoa assim
tenha voz ativa no meio do povo. Veja o que diz Os 5.4 c/ Ap 2.20: “O seu
proceder não lhes permite voltar para o seu Deus, porque um espírito de
prostituição está no meio deles, e não conhecem ao Senhor”, “Tenho, porém,
contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara
profetisa...”. Não há dúvidas de que a igreja também é prejudicada quando os
seus líderes não detectam um falso mover profético em seu meio. Podemos dizer
que:
a – indivíduos são seduzidos
e influenciados negativamente
b – tais profetas sofrem
condenação da parte de Deus
c – a igreja/comunidade
também sofre
5.2.5
- Ser motivado por ganância ou por
pressão de homens
Na segunda carta de Pedro
3.15,16, existe uma passagem que relata o fim trágico de um profeta do Antigo
Testamento chamado Balaão, ela diz: “... Balaão,... recebeu, porém castigo da
sua transgressão..., um mudo animal..., refreou a insensatez do profeta”
(ênfase acrescentada). O apóstolo Pedro está falando de algo ocorrido no tempo
de Moisés (Nm 22-25), mas que de uma certa foram também ocorria em sua época,
pois os espíritos malignos que atuaram na vida de Balaão naquela época, erram
praticamente os mesmos que estavam usando pessoas no tempo do Novo Testamento.
Iremos enfatizar aqui somente alguns aspectos desta doutrina de Balaão, são
eles:
a – corrupção monetária “ainda que Balaque me desse a sua casa cheia
de prata e ouro” Nm 22.18.
b – feitiçaria “... ensinava a Balaque a armar ciladas...”.
5.2.6
- Profecias que não condizem com o
ensino Bíblico
Conforme Deuteronômio 18.22,
quando um profeta fala algo que não se cumpre, o tal deve ser visto com
bastante cuidado, e se possível afastado por um tempo de suas funções
ministeriais, até que ele possa resolver tal problema em seu ministério. Pode
ser que, nem sempre aquilo que o profeta falar, se cumpra de uma forma literal,
pois mesmo os profetas do A.T. tiveram alguns erros em suas predições. Em Jr
27, vemos que Deus dá uma palavra para o profeta acerca do jugo que Ele
colocaria sobre algumas das nações mais poderosas daquele período, e por este
motivo, o profeta deveria fazer canzis (correias) e colocá-los em seu próprio
pescoço por alguns momentos, e logo depois, os deveria enviar aos reis de Edom,
Moabe, Amom, Tiro, Sidom e o rei da Babilônia. Não existe nenhuma referência
Bíblica ou Histórica de que estes canzis foram realmente enviados. Mas, isto
não quer dizer que o profeta falhou, mas sim que a alegoria da profecia falava
de algo, superior a aquilo que os olhos pudessem enxergar, e no devido tempo o
jugo de Deus caiu sobre cada uma das nações mencionadas (algumas só receberam o
jugo de Deus após anos da morte do profeta), levando-lhas ao cativeiro ou á
ruína total.
Um outro exemplo que podemos
dar está em Isaías cap. 38-40, onde lemos: “Naqueles dias, Ezequias adoeceu de
uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe
disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não
viverás”. Meu Deus, que palavra forte! Creio que até o profeta tremeu quando
Deus lhe revelou que o rei de Judá iria morrer. Mas como um bom profeta de Deus
ele foi cumprir o seu chamado, e levou esta palavra para o Rei. O Missionário
Josué Yrion diz em algumas de suas preleções que ‘em barco que têm comandante,
marinheiro não opina’! Isaías talvez não conhecesse este provérbio popular, mas
sabia que o que Deus falou, tá falado!
A dificuldade de análise
desta palavra de conhecimento/profecia aparece, quando Deus de uma hora para
outra, manda o profeta Isaías retornar ao palácio e trazer outra palavra para o
rei, ele disse: “... acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos” (vrs. 5b).
Opa, Opa, Opa! Que conversa é esta! Quer dizer que Deus mandou o profeta trazer
uma profecia, e logo depois se arrependeu, e mandou ele trazer uma outra
profecia para remendar o erro? É lógico que a resposta é não! O que aconteceu
então? O versículo dois nos traz o começo da resposta: “Então, virou Ezequias o
rosto para a parede e orou ao Senhor”.
Quando o rei tomou esta
atitude, ele tomou a atitude que Deus queria que ele tomasse, ou seja, Deus
queria que o rei vivesse com base ao seu poder, amor e misericórdia, e não com
base em seu poderio bélico e intelectual. Podemos tirar esta conclusão quando
lemos II Re 20.1 em conjunto com IICr 32.24, os quais demonstram que quando
esta palavra de Deus veio por intermédio do profeta Isaías para o rei Ezequias,
ele já tinha a segurança de que Deus o livraria das mãos do rei da Assíria
(IIRe 19.20 c/ IICr 32.21), e consequentemente, permitiu que um espírito de orgulho
o dominasse, trazendo junto consigo como conseqüência imediata uma enfermidade
mortal (... naqueles dias... IIRs 20.1). Ninguém sabe exatamente que tipo de
enfermidade acometeu o rei, mas podemos somente dizer que o rei ficou:
a – fraco fisicamente ->
Is 38.13...Quebrou todos os ossos.
b – sofreu opressão -> Is
38.14c
c – ficou amargurado -> Is
38.15b
d – estava em pecado -> Is
38.17c
e – estava com ulcera ou
câncer de pele (possível tradução) -> Is 38.21
Como falamos anteriormente,
creio que quando o rei arrependeu-se de seu orgulho (... lançaste para trás de
ti todos os meus pecados Is 38.17c), Deus imediatamente mudou sua sorte (Então,
veio à palavra do Senhor a Isaías... Is 38.4). Provavelmente, o profeta tinha
passado na cozinha do palácio para comer algum bijuzinho, pois, a cozinheira do
palácio era famosa por seus bijús! E, depois de fartar-se desta iguaria, cantou
alguns corinhos com os sacerdotes que também estavam de passagem pela cozinha
do palácio, indo logo tomando o seu caminho. Depois de ter este pequeno
contratempo de mais ou menos duas horas, o profeta (que tinha antecestrais
mineiros) já estava calmamente saindo da parte central da cidade, quando veio
novamente a palavra de Deus para ele retornar ao palácio, e dizer que Deus
tinha concedido ao rei mais quinze anos de vida (IIRe 20.4-11).
Antes de terminar este
mini-esboço de pregação quero somente destacar duas coisas, que são realmente
importantes nesta passagem.
I.
O profeta
foi humilde o suficiente para obedecer prontamente à voz de Deus, e, deu o novo
recado ao rei. Devemos ter esta mesma atitude, quando percebemos o que Deus
está falando em um momento, e transmitir o que Ele falar em outro momento,
ainda que sua segunda ordem seja totalmente “contrária” a primeira, pois o
Senhor é Ele e não nós!
II.
Vê-se que o
profeta não se sentiu menor, por ter que usar de um artifício natural para
completar a palavra que Deus trouxe por intermédio dele. Digo isto porque, se
Deus disse que iria curar, não era necessário usar nenhum remédio! (Isto é o
que dizem os fanáticos e desmiolados). Se algum profeta mais antigo (Elias ou
Eliseu) estivesse vivo nos tempos de Isaías, talvez diria que ele não tinha fé
para ministrar a ‘unção de cura’. Mas, certamente o profeta além de ser um
homem de fé, era também um homem que tinha os pés no chão, pois utilizou algo
medicinal para efetuar uma ordem espiritual (... tomai uma pasta de figos IIRe
20.7).
5.2.7
- Usar as profecias para governar a outtros
Com o advento do Novo
Testamento, ficou claro que ninguém deveria ser guiado por profetas ou
profecias, pois todos receberam a mensagem de que Cristo é a cabeça da Igreja
(Ef 1.22), ou seja, todos os cristãos devem obedecer somente o comando do único
cabeça, o qual juntamente com o Espírito Santo, guia suas ovelhas/discípulos
aos rios de águas tranqüilas profetizado por Davi (Sl 23), e incorporado por
Cristo (Jo 10.1-18; 16.13). É certo que os líderes eclesiásticos recebem dele o
direcionamento para a comunidade ou grupo de pessoas que dirigem (Hb 13.7; 17),
e que por este motivo, são responsáveis por dar um direcionamento aos seus
discípulos. Mas, isto não quer dizer que os mesmos podem ter o poder de
governar ou controlar os membros de seu rebanho.
5.3 - Sendo corretamente influenciados pelas
profecias[2]
Existem duas
correntes de interpretação acerca da prisão do apóstolo Paulo descrita no livro
de Atos. A primeira diz que ele teria mesmo que ser preso pela vontade de Deus,
pois assim testemunharia em Roma acerca do evangelho. A segunda corrente de
interpretação, diz que ele errou no quando menosprezou o conselho dos profetas
e líderes que não criam ser da vontade de Deus para ele naquele momento, à sua
resolução de ir até Jerusalém, pois conforme uma palavra do profeta Ágabo
“Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas
mãos dos gentios” At 21.11b. Caro leitor cabe a você escolher qual corrente
teológica mais lhe agrada, mais com base a esta linha de raciocínio acima
apresentada, eu lhe recomendo que no mínimo dê um pouco mais de atenção ao que
dizem os verdadeiros profetas para que você não seja preso, física moral ou
espiritualmente falando. “Por isso, os abati por meio dos profetas; pela
palavra da minha boca, os matei; e os meus juízos sairão como a luz”. (Vide Tb
Am 7.12-17 c/ Jr 44.16-19)
Nesta Monografia
iremos analisar um pouco mais de perto os versículos apresentados por uma
destas correntes, que neste caso crê que Paulo foi aprisionado em Roma porquê
não ouviu á Deus.
Sabemos que a
norma bíblica é a de não sermos governados (ou dirigidos) pelos profetas ou
pelas profecias. Eis aqui um exemplo disto através da vida do Apóstolo Paulo.
Em Atos capítulo 20, encontramos Paulo a caminho de Jerusalém. Ele quer ir para
‘ganhar judeus para Jesus’, mas há um probleminha. Ele não foi chamado por Deus
para ganhar os judeus para Jesus; ele foi chamado para ganhar os gentios (Atos
9.15; 13.47; 22.21 e Gl 1.16, 2.7).
Os únicos judeus que ele
poderia talvez ganhar para Jesus seriam os que haviam sido dispersos para fora
de Israel às cidades gentias do Império Romano. Estas eram as cidades às quais
Paulo havia sido chamado como missionário. Quem era o apóstolo dos judeus?
Pedro! (Gl 2.7-9). Paulo, no entanto, amava de tal forma o seu próprio povo
judeu que ele disse que poderia desejar ser ele próprio amaldiçoado se ao menos
ele pudesse influenciá-los a crer em Jesus (At 17.1,2; Rm 9.3).
Apesar dos nossos desejos e
paixões pessoais, não podemos fazer o que não fomos chamados a fazer. Há
limitações que Deus coloca em nossos ministérios, ordenando-nos e chamando-nos
a certos grupos étnicos e/ou a certas regiões geográficas do mundo. Paulo tinha
sido chamado para gentios. Qualquer que seja o seu chamado, fique dentro dos
seus limites! Na jornada em que seguiremos agora, vemos Paulo no caminho a Jerusalém,
com a intenção de ministrar aos judeus de lá: ‘E eis que agora, ligado pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo
as coisas que hão de acontecer a mim lá, exceto que o Espírito Santo testemunha
em todas as cidades, dizendo que prisões e tribulações me aguardam lá’ (At
20.22,23).
Paulo estava indo, ligado em
seu próprio espírito (‘e’, com letra minúscula) e não no Espírito Santo. Ele
disse que o Espírito Santo testemunhava em todas as cidades que prisões e
aflições o aguardavam em Jerusalém. Em todas as igrejas que ele visitava,
pessoas dirigidas pelo Espírito lhe diziam: “Paulo, a única coisa que está
esperando você em Jerusalém são prisões e aflições”. Mas o que ele fez? Ele não
era governado por profetas ou profecias. Ele simplesmente continuou indo.
Em Atos 21.14 encontramos
Paulo em Tiro, onde ele ficou com certos discípulos durante sete dias. Estes
bons irmãos lhe disseram ‘através do
Espírito’ (com ‘E’ maiúsculo, indicando que era o Espírito Santo) que ele NÃO deveria subir a Jerusalém.
Isto não era claro o suficiente? Mas o que Paulo fez? Ele continuou indo. Ele
não era governado por profetas nem profecias.
Um pouco mais adiante, Paulo
e sua equipe chegaram a Cesaréia, onde ficaram com Filipe, o evangelista.
Enquanto estavam lá, o profeta Ágabo chegou e deu a Paulo uma severa
admoestação com relação a viajar a Jerusalém (veja Atos 21.8-14). E o que Paulo
fez? Ele continuou indo. Ele não era governado por profetas nem profecias. Se
todas as igrejas estiverem dizendo-lhe a mesma coisa, se houver irmãos
repetindo-lhe a mesma mensagem pelo Espírito, e estes profetas estiverem
repetindo a mesma mensagem vez após vez, preste atenção! Você deveria ser
influenciado pelo que você ouve de tantas fontes confiáveis assim.
Entende-se que Paulo deveria ter
parado, considerado, e ouvido, mas ele estava determinado a ganhar os judeus
para Jesus, e, assim sendo, ele continuou viajando a Jerusalém. “Quando eu [Paulo] voltei a Jerusalém,
enquanto orava no templo, fui arrebatado para fora de mim e vi o Senhor dizendo-me:
Apressa-te e sai apressadamente de Jerusalém, pois não receberão o teu
testemunho acerca de Mim”. (At 22.17,18)
Jesus na verdade apareceu a
Paulo no templo de Jerusalém, enquanto ele orava. O Senhor lhe disse para sair
apressadamente, porque os judeus de lá não receberiam o seu testemunho. O que
Paulo fez? Ele começou a argumentar com Jesus!
A resposta final de Jesus
foi: “Vai, pois enviá-lo-ei para longe,
aos gentios” (At 22.21). Em essência, o Senhor estava tentando explicar a
um Paulo muito teimoso o seguinte: Eu, não te chamei para ganhar os judeus para
os judeus; Eu te chamei aos GENTIOS, Paulo, GENTIOS! GENTIOS! GENTIOS! O que
Paulo fez? Ele ficou lá mesmo em Jerusalém. Mas, como Jesus lhe havia dito, os
judeus mais tarde o colocaram em grilhões e o entregaram – aos gentios! E onde
os gentios o levaram? Onde Deus queria que ele estivesse – Roma!
Assim sendo, se você não for
livremente ao lugar que Deus planejou para você, talvez Ele o leve em grilhões.
Deus quer que a Sua vontade seja cumprida, como neste caso da vontade de Deus
trazendo Paulo finalmente a Roma. Vós, “...
estais guardados pelo poder de Deus, através da fé para a salvação... em que
vós grandemente vos alegrais, ainda que agora, por um tempo sendo necessário,
estejais contristados através de várias tribulações” (IPe 1.5,6). No
entanto, se você teve um forte rio profético fluindo e entrando em sua vida,
isto pode ser um sinal para você considerar seriamente o que está sendo falado
a você. É muito mais agradável permitirmos ser influenciados, do que sermos acorrentados!
CONCLUSÃO
Após um longo período de inverno, chegou
o verão! Concluímos este estudo, com uma observação da atitude cotidiana de
Paulo, pois quando este se apresentava a si mesmo dizia: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo”, ou seja, ele não se apresentava
primeiro como apóstolo, e em seguida dava o seu nome (Apóstolo Paulo), pois
certamente ele sabia que o exercício dos dons, nunca deve vir à frente do
caráter cristão. Por este motivo, nós devemos respeitar as pessoas, pelo o que
elas são, e não que pelo o que elas fazem. Os líderes não devem procurar a
admiração dos outros por causa dos seus títulos, mas sim por causa do seu
comportamento.
Como você pode perceber, nesta monografia
vários aspectos da doutrina pneumática ficaram de fora. Isto porque, como foi
dito na introdução, o meu intuito era
abordar os aspectos gerais da doutrina de dons espirituais com uma pequena
ênfase no profetismo bíblico. Digo pequena, pelo fato que os livros proféticos
ocupam praticamente a metade dos escritos tidos por proféticos no conjunto
bíblico protestante (da qual o autor é representante), e, por este motivo
merece estudos com uma profundidade maior do que o requerido para um T.C.C. do
curso o qual estou me formando.
Quero salientar que, os pontos abordados
são por assim dizer caminhos por onde os teólogos e futuros bacharéis poderão
iniciar suas pesquisas etimológicas ou doutrinarias para futuras monografias ou
teses de mestrado. Quando estabeleci uma fagulha de discordância quando á
diferença entre as listas de dons referidas por Paulo em suas epístolas, o fiz
com bastante clareza, e, procurei no mínimo estabelecer pontos de luz na
interpretação que tenho sobre tais passagens. O profeta Oséias diz “Conheçamos
e prossigamos em conhecer o Senhor; Os 6.3. Quero utilizar este versículo para
dizer que:
ü
O cânon
neotestamentário fechou no concílio de Nícéia 325 d.C., e por este motivo
nenhuma outra revelação dada aos homens de toda era da Igreja terá um peso
igual ou superior ao que já foi revelado.
ü
Após o
período apostólico, vários homens eruditos e piedosos surgiram através dos
tempos e até os dias atuais temos brilhantes catedráticos nas mais diversa
áreas da teologia. Isto me leva a crer que dificilmente conseguirei através
desta, suplantar todo o ensino que por séculos vem sendo dado por estes homens
quanto á abordagem dos dons espirituais, e principalmente do ministério
profético, o qual abordei neste estudo.
ü
A única
coisa quero pedir aos meus leitores, é que no mínimo, após esta leitura, que
cada um de vós, procure com um senso crítico, mas sensato, buscar entender o
que foi dito, e, no caso daqueles que discordarem, tentem estabelecer bases
sólidas para vossas linhas de raciocínio, podendo assim viver diariamente á
exortação do profeta acima colocada.
Mostrar-lhes-ei agora somente mais um
fato bíblico que podemos abordar, o qual será útil para os leitores. Sabe-se
que o ministério profético desde o período Adâmico existia, mas, somente em
tempos futuros é que este desenvolveu-se. Temos no período pré-mosaico vários
representantes desse mover: Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, etc... Sl 105.15.
Todos estes tinham alguma característica de um verdadeiro profeta. Em sua
grande maioria, todos possuíam o Dom de revelação!
Quando Moisés surge no quadro bíblico,
demonstra um desenvolvimento deste ministério Ex 6.3. Outro grande expoente
deste ministério no Antigo Testamento foi Samuel ISm 3.20, o qual iniciou o
ciclo das escolas de profetas com sede em Betel sua terra natal.
O ponto que quero chegar nesta conclusão,
encontra-se em IIRe 5.8b que diz: “...Deixa-o vir a mim, e saberá que há
profeta em Israel”. O objetivo mor desta monografia foi levar conhecimento aos
leigos sobre o assunto, e ministrar ao corpo de cristo um ensino coerente com a
nossa situação atual aonde “... muitos falsos profetas têm saído pelo mundo
afora” (IJo 4.1b), cabendo assim aos líderes terem o conhecimento necessário
para distinguir entre o falso e o verdadeiro.
Mas, cito este versículo para falar
especificamente com os verdadeiros profetas de Deus. Creio que cabe a nós nesta
geração, termos o mesmo ímpeto ministerial que repousava sobre Eliseu. Passando
um olhar rápido pelo contexto deste versículo, sabemos que o rei de Israel
recebeu uma carta do rei da Síria acerca de seu comandante do exército (Naamã),
o qual era leproso, e que tinha ouvido dizer que em Israel havia um profeta de
Deus que o poderia curar de sua lepra. Quando o rei recebeu esta carta
ficou temeroso, pois não possuía poder
para realizar tal tarefa. Mas, quando o ‘profeta’ recebeu a notícia, logo
prontificou-se á realizar o milagre!
Ao meu ver, um(a) verdadeiro(a) profeta
de Deus deve assim como Eliseu, estar pronto para resolver os problemas que
surgem no Reino de Deus (Igreja) e no dos homens (Mundo/Humanidade em Geral).
Cabe á nós profetas fazer as coisas que os outros membros do Reino de Deus não
estão fazendo, ou seja, milagres e maravilhas. É lógico que eu não estou
dizendo que estas coisas só podem ser feitas pelos profetas, pois nas comissões
dadas por Jesus, não há distinção para quem por Ele seria usado nesta área (Mc
16.17; Lc 10.9; etc...). A questão está no fato que, um verdadeiro profeta
certamente deve buscar em Deus esta unção para operar milagres, pois só assim
será confirmado como o tal! Faço somente uma observação, nunca se auto nomeie
profeta: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado
por Deus... Hb 5.4”.
“Tomara todo o povo do Senhor fosse
profeta” Nm 11.29
“...Porventura, são todos profetas?” ICo
12.29
Fim!!!
“...e
há de ser que o deus que responder por fogo esse é que é Deus”
IRe
18.24.
“Que dizes tu a respeito dele, visto que te
abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele” Jo 9.17b
“Todos
ficavam possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se
levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” Lc 7.16.
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¨ Norman Parish é o apóstolo fundador da Comunidade Cristo Centro com sede na Guatemala.
§ Quebra nos caixas de hipermercados, é a falta encontrada entre o total de entradas no registro do caixa, e o montante de dinheiro, cheques, etc, que ele apresenta no final do expediente. Se tal débito for menor do que R$ 5,00 o funcionário não é penalizado. Se um hipermercado com 70 caixas, tiver dez quebras no dia, os funcionários e o chefe podem sempre ficar com R$ 2,50 cada. Sendo assim, o seu tesoureiro rouba por dia da empresa R$ 25,00 ou X 6 na semana e X 4 semanas, um valor igual á R$ 600,00.
± critica severa
[1] O Ap. Rubens de Mattos é Presidente das
Comunidades Cristo Centro do Brasil.
[2] Estudo baseado no artigo extraído da
Revista Atos Abril-Junho 2002. Vol. 16 Nº 2.