I - A TRINDADE ATUANDO NOS HOMENS

 

1.1 - FORMAS DE RELACIONAMENTO

Podemos verificar como as três pessoas da Trindade estão, dentro do ensino Paulino, envolvidas na distribuição dos dons na Igreja. Para efeito didático, à maioria dos teólogos estabelecem as listas de dons espirituais em três categorias, de conformidade com a pessoa da trindade que os distribui. Esta distinção serve para melhorar não somente a visualização espiritual dos dons, e suas correlações Trinitárias, mas também serve para um melhor posicionamento da pessoa a qual o dom em si torna-se manifesto.

 

Algumas seitas e religiões pseudocristãs são assim denominadas pelos teólogos genuinamente cristãos, quando em suas declarações teológicas fazem alegações normalmente erradas sobre o Senhor Jesus Cristo ou sobre o Espírito Santo. Normalmente elas possuem um conceito em parte correto sobre Deus Pai, mas quando dissertam sobre as outras duas pessoas da trindade elas derrapam, e demonstram que por mais “bonitinho que seja” o comportamento de seus líderes e membros ainda assim são hereges, pois “... há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito; e estes três são um” IJo 5.7.

 

Sendo assim, a distinção dos dons e da pessoa da Trindade que os distribui, não é neste estudo demonstrada com vista à diminuição ou engrandecimento de uma ou outra pessoa da Trindade, antes pelo contrário, serve para o ensino teológico trinitário que coloca de forma relevante o grau de equivalência existente nas pessoas da trindade, as quais por todo antigo e novo testamento se revelam.  Veja que não são três deuses, mas sim três pessoas que possuem características diferentes e que em sua essência são uma só Pessoa. Disse Jesus: “Quem me vê a mim vê o Pai”; e “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome” Jo 14.9b e 26a. Nestes dois versículos podemos entender a correlação que existe entre as três pessoas da trindade. 

 

De forma prática estarei listando os dons de acordo com a respectiva pessoa da trindade que os distribui. Teólogos como Dr. C. Peter Wagner demonstram em seus livros de estudo sobre este assunto outras listas relacionadas aos dons espirituais. Recomendamos que o leitor interessado consulte a bibliografia que se encontra no final deste estudo para poder encontrar o título de tais obras. Nós decidimos estudar somente as três listas mais conhecidas, pois o objetivo desta obra está na ênfase do ministério profético. (vide Tb CHOWN, Gordon; Os Dons do Espírito Santo: SOUZA, Estevam Ângelo de: Os Nove Dons do Espírito Santo).

 

1.1.1 – A Diferença Entre Dons e Talentos

O talento é uma capacitação natural, isto é, recebido por causa da concepção natural, o qual leva-nos a fazer de forma surpreendente, coisas como: pintar, cantar, discursar, bordar, etc. Podemos ver tanto no A.T. quanto no N.T. pessoas as quais este tipo de habilidade natural lhes era patente. (ver Ex 35. 10,25,31 e 35 c/ At 9.36-41). Vimos nestes dois casos que pessoas que tinham uma habilidade natural peculiar em alguma área, tornaram-se instrumentos de Deus para abençoar o Seu povo. Sem dúvida você já ouviu falar de alguém que têm um talento natural para algum esporte, ou arte. Isto porque, tal pessoa destaca-se entre muitos que fazem parte do seu meio de convívio, e alguns a despeito da falta de apoio ou incentivo quer seja familiar, social ou governamental, conseguem ainda assim, se sobrepor aos seus demais amigos ou concorrentes. Alguns povos parecem possuir um talento natural para determinadas habilidades comuns aos seres humanos, tais como:

Nos esportes:

- Ginastica Olímpica – Romênia, Japão, China, Coréia, Rússia.

- Basketball – E.U.A.

- Futebol – Brasil

Nas áreas acadêmicas:

- Filosofia – Gregos (no passado), Alemães no presente.

- Pintura – França – Inglaterra, Alemanha.

- Teologia – Alemanha – França – Inglaterra – EUA.

 

Á partir deste princípio podemos entender que Deus nos preparou para sermos eficientes no seu trabalho (Ef  2.10 e Sl 139.13-16). Portanto, nada no Reino de Deus acontece sem que seja previamente planejado. Durante a nossa concepção, foram previstas certas inclinações e capacitações, com o objetivo de serem usadas mais tarde no Corpo de Cristo. Estes talentos são desenvolvidos em nós com treinamento e maturidade, cabendo ao Espírito Santo a potencialização destes, acrescentando a eles uma tremenda energia divina.

 

Já muito se falou da teoria grega acerca da capacitação que os deuses membros de seu panteão poderiam dar aos seres humanos quando os mesmos viessem a invocá-los. Esta idéia foi muito difundida quando se deu o advento das olimpíadas (776 a.C.), que eram jogos realizados em Atenas, visando a união do povo grego, mas também celebrando os deuses que eram responsáveis pela proteção das “Polis”. O termo “En-Theós” significa ‘estar cheio de deus', e, este termo era utilizado pelos gregos para descrever os seus melhores atletas, como aqueles que estavam cheios do sopro ou do poder das divindades que eles veneravam. Nós cristãos podemos afirmar que somos cheios de Deus, pois á própria palavra de Deus nos admoesta a assim estarmos: “... mas enchei-vos do Espírito” Ef 5.18b.

 

É certo que a maioria dos fatos relacionados aos heróis da Grécia antiga, não passa de mitologia. Mas, não podemos afirmar que algumas coisas realmente aconteceram, e que, talvez certos homens tinham algum tipo de poder sobrenatural. Caso fizéssemos tal afirmação, nós cairíamos em contradição com o ensino bíblico do antigo testamento, que nos fala acerca da força sobrenatural existente em homens como Gideão e Sansão. A diferença está no fato de que esses eram potencializados pelo Espírito de Deus (Jz 16.14b), já os ‘heróis’ da mitologia grega, se é que alguns deles realmente existiram, certamente eram homens que já possuíam algum talento ou força natural (que é inerente a todos os seres humanos), e, por impulso satânico, eram potencializados pelos espíritos malignos que eles adoravam, para fazerem coisas “sobrenaturais”.

 

Podemos então afirmar que: “O dom básico é uma capacitação natural dotada de impulso espiritual”. Portanto um ser espiritualmente morto, não conseguirá receber de forma completa impulsos espirituais vindos de Deus (Ef 2.1). Somente um renascido pode ser sensibilizado espiritualmente pelo Espírito Santo de Deus. Entendemos que um dom básico é um talento espiritualmente energizado. Temos então a seguinte diferença entre dons básicos, dons ministeriais e dons carismáticos:

 

a) Os dons básicos são incorporados e desenvolvidos em nós desde a nossa concepção natural. Estes dons podem ser de certa forma desenvolvidos tanto para o bem, quanto para o mal, pois são inalienáveis (Rm 11.29). Encontramos um exemplo desta alegação em IISm 16.23 que diz: “O conselho que Aitofel dava, naqueles dias, era como resposta de Deus a uma consulta...” Isto demonstra que este homem tinha tanto uma habilidade natural para compreender questões, e possuía em si um impulso espiritual dado por Deus que o distinguia dos demais conselheiros. Já em IISm 17.14c lemos: “Pois ordenara o Senhor que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para que o mal sobreviesse contra Absalão” (grifo do autor).

 

Este texto revela uma intervenção divina em uma determinada situação que envolvia o rei Davi. Isto foi necessário porque Aitofel estava utilizando um talento que lhe foi dado por Deus de forma leviana. Repare bem que Deus não retirou sua unção de conselho (Is 11.2c) da vida de Aitofel, mas por Sua justiça, habilitou Husai com o mesmo tipo de unção, e confundiu a mente de Absalão e seus ministros para que eles atentassem no conselho de Husai, e rejeitassem o de Aitofel: “Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o de Aitofel” IISm 17.14b.

 

b) Os dons carismáticos nos são concedidos quando somos batizados pelo Espírito Santo. Levam-nos á combater o ‘bom combate’ proposto por Deus, e também nos é útil para o desempenho do ministério dentro do corpo de Cristo. O apóstolo Paulo sabia bem a importância dos dons carismáticos para o desempenho de seu ministério. Em Efésios  ele deparou-se com vários tipos de problemas, e percebeu que a maioria deles eram de ordem espiritual (Ef 6.10-20). Ele já havia descrito na sua carta aos Coríntios que para um combatente de Cristo lutar contra o inimigo, ele deve utilizar um armamento espiritual: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando sofismas, e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão” IICo 10.4-6. Assim como acontece com aqueles que possuem os dons básicos, e o utilizam de forma errada, podemos encontrar por toda bíblia exemplos de pessoas que utilizaram de forma arbitrária os dons que receberam do Espírito Santo. Vide IIPe 2.1-3

c) Os dons ministeriais são dados a algumas pessoas para que tenham sábia direção da obra de Deus na Terra, e para que estes preparem os outros membros do Corpo de Cristo para engajarem-se na guerra e tornem-se vencedores. Os líderes que são chamados para viverem neste âmbito espiritual estão um pouco mais longe de serem atingidos pelos erros relacionados nas outras duas classes de dons. Isto porque, para tal pessoa fazer parte desta classe de lideres ministeriais, precisa cumprir vários pré-requisitos, tais como: Formação Teológica, Maturidade Cristã, Bom Testemunho dos seus convivas, e o que neste caso específico uma unção clara manifestando-se nele, sendo esta correspondente ao chamado que exercerá. Quando isto ocorre, todos os que estão ao redor de tal pessoa, o reconhecerão como alguém que possui um destes cinco chamados ministeriais, e além disto, por seus frutos também poder-se observar a manifestação de Deus a favor de tal indivíduo. Veja alguns exemplos deste conceito:

 

* Paulo, o Apóstolo – IICo 12.11-13.

* Ágabo, o Profeta – At 11.27-30.

* Felipe o Evangelista – At 8.4-8; 26-40.

* Timóteo, o Pastor – I e IITm.

* Zenas, o Mestre – Tt 3.13.

 

Vemos que todos esses homens possuíam um talento natural ou inclinação para determinada área de ensino ou administração. Além disto eles possuíam todos os pré-requisitos que estão listados em I e IITm. Estes são chamados por Cristo para tornarem-se líderes ministeriais responsáveis pela árdua tarefa de em conjunto uns com os outros, levarem os membros de uma determinada Igreja ou denominação ao aperfeiçoamento, ao desempenho do seu serviço, e ao crescimento espiritual que nos é requerido por Deus como membros do Corpo de Cristo. EF 4.11-16

 

Iremos agora relacionar os dons básicos, dando para cada um deles, uma definição que possa deixar claro o que significa cada um deles dentro do corpo de Cristo. Veremos nesta primeira lista de uma forma muito clara que é o próprio Deus Pai o responsável pela distribuição destes dons.

1.1.2 – Dons Distribuídos pelo Pai: Dons básicos

(Romanos 12.1-8) -> “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de sim mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida de fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia seja segundo a proporção da fé; se ministério dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria”.(ênfase acrescentada pelo autor)

 

Os dons básicos são funções dadas a indivíduos com o objetivo de capacitá-los espiritualmente, para exercerem assim uma função dentro do corpo de Cristo. Ousamos então em afirmar que estes dons básicos assemelham-se com talentos naturais, os quais nascem com todos os seres humanos, sendo diferente quando o indivíduo converte-se ao Senhor, e consequentemente passa a ser potencializado por Deus, o que resulta em um “desenvolvimento” destas habilidades naturais, para a conseqüente edificação do Reino de Deus. Neste caso, é bom entendermos que dons e talentos, embora sejam por natureza diferentes, acabam por relacionar-se intimamente. Eles são de natureza diferente, porque os talentos são concedidos naturalmente e os dons são concedidos de forma sobrenatural. Explicarei de forma pormenorizada esta lista de dons para que o(a) leitor(a) obtenha um entendimento maior do assunto:

 

Profecia (ele fala) -> Capacidade espiritualmente concedida para proclamar verdades da palavra de Deus, de modo a revelar intenções que estejam em desacordo com esta proclamação. Exorta, Consola e Edifica.

 

Serviço (ele ajuda) -> Capacitação espiritual para suprir necessidades de modo a demonstrar de maneira prática seu amor a Cristo.

 

Ensino (ele sabe) -> Capacidade espiritual para extrair doutrinas e conceitos profundos através de uma investigação minuciosa.

 

Exortação (ele aplica e disciplina) -> Capacitação dada por Deus para colocar princípios Bíblicos em situações especificas, estimulando e desenvolvendo maturidade espiritual em indivíduos.

 

Contribuição (ele dá) -> Capacitação espiritual para suprir, com bens, as necessidades materiais dos irmãos e da obra, de tal modo que produza bênçãos espirituais.

 

Presidir (ele coordena) -> Capacitação espiritual concebida para direcionar recursos humanos e espirituais de tal modo que alcance os alvos espirituais pretendidos.

 

Misericórdia (ele se envolve em auxilio à outros) -> Capacitação espiritual para ter empatia com pessoas que estejam sofrendo, ao ponto de envolver-se profundamente.

 

Deixamos claro que ainda não estão sendo tratados os dons carismáticos, pois estes que estão descritos em ICo12-14 serão em breve relacionados. É importante salientar que qualquer ser humano possui um ou mais talentos naturais, e consequentemente ao converterem-se, todos os seres humanos poderão receber de Deus Pai um ou mais destes dons acima listados, pois para com Deus “não há acepção de pessoas” (Rm 2.11).

 


II – O ESPÍRITO SANTO: DONS CARISMÁTICOS

 

2.1 - DEMONSTRANDO O SEU PODER

Certamente toda a teologia Paulina estava baseada principalmente nos ensinos de nosso Senhor Jesus Cristo, e por este motivo iremos ver que os ensinos de nosso Mestre amado estão em Paulo desenvolvidos de forma mais clara do que nos evangelhos. Vemos em Marcos 16.17,18 a declaração de que os sinais seguirão os que crêem. A palavra sinais no grego é a palavra (semeion), ou seja, uma marca ou distintivo pelo qual alguma coisa é conhecida, uma indicação.

 

O que Jesus estava tentando transmitir, é que alguns distintivos de fé genuína acompanhariam aos que cressem, isto é, manifestações de genuína fé no poder de Deus, uma indicação de que esta fé realmente existe. Nós já analisamos a primeira passagem que relaciona os dons espirituais, por este motivo veremos agora a segunda lista que se situa em ICo 12-14, que trata especificadamente dos “dons do Espírito Santo”.

 

(ICo 12.4-11) -> “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor e o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar, a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas, e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente”.

 

Estes são os dons que o Espírito Santo dá a indivíduos pertencentes à sua Igreja com o objetivo de manifestar-se sobrenaturalmente ao corpo. Vamos denominar este segmento de “dons carismáticos”.

 

2.1.1 – Pneumatologia Cristã

Antes de entrarmos na analise propriamente dita desta listagem de dons, vamos ver uma das mais enfáticas observações paulinas, sobre o critério de distribuição dos dons dentro do corpo de Cristo. A bíblia ensina que cada pessoa redimida recebeu pelo menos um Dom do Espirito Santo: “Ora, os dons são diversos... mas a manifestação do Espirito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso” (ICo 12.4,7). Nós somos responsáveis diante de Deus pela maneira com que usamos nossos dons. O apóstolo Paulo compara a Igreja aos nossos corpos físicos, onde cada membro tem uma função especial, mas todos trabalham juntos. Ele diz: “ O corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo: nem por isso deixa de ser do corpo... Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve”. (ver ICo 12.14-21)

 

Paulo ainda acrescenta que até os membros do corpo que parecem ser os mais fracos ou os menos úteis são necessários e essenciais para que seu funcionamento seja perfeito. Cada membro do corpo é único. Não existe nenhum outro “você” ou “eu”. Em certo sentido o dom de ambas as pessoas, ainda que potencialmente diferentes, são únicos. Deus dá dons semelhantes a pessoas diferentes, mas há algo de especial nisto que nos faz diferentes de qualquer pessoa que já viveu nesta terra. Se qualquer de nós estiver faltando, o corpo está incompleto.

 

Iremos então classificar estes dons ICo 12-14 de dons carismáticos, pois apesar de Paulo não usar especificamente este termo, nós o vemos implicitamente em suas cartas. Para efeito didático, estamos classificando os Dons Carismáticos em três categorias diferentes, ou seja: Dons de expressão vocal, dons de poder e dons de revelação. Veja a seguir:

 

a - Dons de Expressão Verbal: >(dizem algo)

1.             Profecia

2.             Variedade de línguas

3.             Interpretação de línguas

 

b - Dons de Ação ou Poder: (fazem algo)

1.            

2.             Operação de milagres

3.             Dons de curar

 

c - Dons de Revelação ou Conhecimento

1.             Palavra de sabedoria

2.             Palavra de conhecimento

3.             Discernimento de espíritos

 

Profecia -> Nenhuma profecia pode exceder o que já foi revelado através da palavra de Deus. Ela pode ajudar-nos a compreender as verdades dos oráculos sagrados. Certas pessoas podem profetizar algo acerca do que está ocorrendo com alguma pessoa, família, igreja, etc... At 21.9

 

Variedade de Línguas -> Todo crente pode orar em línguas, pois isso não é um ato natural, produzido pela alma, mas sim é um ato sobrenatural, o qual nos é dado pelo Espirito de Deus, e que se manifesta em nosso espirito.

 

Interpretação de Línguas -> Não depende de qualquer conhecimento natural para interpretar. Como Deus, não faz confusão, a interpretação certamente será coerente com os princípios bíblicos para o homem ou mulher que a recebe.

 

Fé -> É a capacidade de confiar em Deus de maneira sobrenatural, na questão de conhecer a Cristo, à sua palavra, ao seu sistema espiritual; e mediante essa fé, também convence outros a confiar nEle.

 

Operação de Milagres -> Esse dom talvez mais do que qualquer outro, apresenta Jesus aos não convertidos de uma forma intensa, sobrenatural e incontestável. Junto com este dom, virá certamente um grande temor ao coração do homem que o desenvolve. Por ser um dom espetacular, faz com que as pessoas na maioria das vezes, creiam que o homem usado por Deus nesta área ministerial, é superior aos outros.

 

Dons de Curar -> O dom da cura atua quando entra em operação o Espirito Santo de Deus. Assim como o dom de operação de milagres, este dom traz consigo, um grande encargo ministerial. Isto porque, caberá ao líder que o desenvolve, transmitir todos os louvores a Deus. Zc 14.9.

 

Palavra de Sabedoria -> Habilidade de compreender e de transmitir as coisas mais profundas do Espirito de Deus, de compreender os mistérios Cristãos, como também a capacidade de transmitir a outros este conhecimento (Rm 11.33). Na primeira carta de Paulo aos coríntios no capítulo 15, vemos entre os versículos 1-19 a manifestação deste dom de uma forma muito objetiva. Ele declara com sabedoria um ensino que já era encontrado nos evangelhos, ou seja, a morte e a ressurreição de Cristo. Mas, Deus certamente lhe deu esta palavra de sabedoria, para que seus ouvintes anulassem um ensino herético acerca da ressurreição dos mortos.

 

Palavra de Conhecimento -> Deve aplicar-se tanto ao acolhimento como a compreensão do que é dito e ensinado a Igreja; Inclui a transmissão deste conhecimento, o qual suplanta o que normalmente é encontrado nos meios acadêmicos ou eclesiásticos. Em ICo 15.20-29 c/ 35-58, encontramos uma demonstração deste dom por intermédio da vida de Paulo. Vemos que o tipo de ensino que ele transmite aos coríntios estava além daquele transmitido tanto no antigo testamento, quanto nos evangelhos.  

 

Discernimento de Espíritos -> Poder de distinguir entre as operações do Espirito Santo e as operações de espíritos malignos e enganadores (IJo 4.1 c/ ITm 4.1). Este dom manifestava-se no apóstolo Pedro de uma forma tão contínua, que em duas passagens do livro de Atos dos Apóstolos, nós podemos ver Pedro valendo-se do mesmo para desmascarar o inimigo. At 5.1.11 c/ At 8.14-25

 

Concluímos esta parte do estudo sobre os dons carismáticos colocando alguns pontos como sendo cruciais, afirmando que:

 

a)             Eles são a capacitação para o crente realizar a sua adoração na Igreja (ICo 7.7).

 

b)             Servem também para fazer com que o crente desenvolva o seu ministério na comunidade dos crentes (ICo 12.28; Ef 4.4-6).

 

c)             Habilitam os ministros cristãos para irem a guerra, com as melhores armas que podem existir para tal tarefa, ou seja, libertar os cativos de satanás, e levá-los aos pés de Cristo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


III- O FILHO LIBERA OS DONS MINISTERIAIS

 

3.1 - SE O PAI ESTÁ TRABALHANDO, O FILHO TAMBÉM ESTÁ!

(Efésios 4.11-12) ”E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que cheguemos á unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo...”.

 

Alguns dons dados a pessoas, transformam-se em ministérios que têm o objetivo de preparar os demais membros do corpo para a obra. A este segmento chamaremos de dons ministeriais. No escopo da teologia Paulina, este é um dos assuntos mais discutidos pela Igreja atual. Paulo declara o cerne da liderança eclesiástica, a qual deve ser constituída dos seguintes membros: Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres.

 

A palavra ministério é utilizada na maioria das igrejas cristãs contemporâneas, e, normalmente não é compreendida de forma correta por parte dos membros, e nem por parte dos líderes das igrejas que a utilizam. Por este motivo, vamos estudar um pouco acerca desta palavra, e como ela era utilizada originalmente pelas pessoas que compunham á Igreja Primitiva.

 

# Diakonos

Esta palavra de origem grega era normalmente utilizada para denominar um criado doméstico pessoal e comum. Este varria a casa, preparava a comida, servia nas mesas, lavava a louça e assim por diante. Em Rm 13.4; 15.8; ICo 3.5; IICo 3.6; 6.4; 11.15; Gl 2.17; Ef 6.21 e em outras passagens, ela é traduzida como ‘ministro’, ou ‘atendente’ ou ‘diácono’. O que destacamos é que ela sempre tinha uma associação com um servo doméstico particular.

 

A palavra diakoneo (servir), é geralmente traduzida como ‘ministrar’. Novamente, a palavra grega para limpar o chão é utilizada para atividade espiritual em Mt 20.28; 25.44; At 19.22; Rm 15.25 e ss.

 

Já a palavra diakonia (serviço), é a palavra principal do Novo Testamento para ‘ministério’. Em Lucas 10.39-41 a vemos sendo ilustrada dentro de seu significado comum para obrigações domésticas. Mas ela é também utilizada para indicar serviço espiritual. Veja alguns exemplos nos quais ela está no NT associada:

* Apóstolos – At 1.17, 25; 6.4; 12.25; 21.19; Rm 11.13

* Cristãos – At 6.1; 11.29; Rm 12.7; 15.31; Ef 4.12; IITm 4.11.

* O Espírito Santo – IICo 3.8,9

* Anjos – Hb 1.14

* Pregadores e mestres – At 20.24; IICo 4.1; 6.3; ITm 1.12; Cl 4.17.

 

O grupo de palavras diakonos mostra que um ‘ministro’ não é o amo, o dono da casa: que ‘ministrar’ não significa dar ordens: e que o ‘ministério’ não é um alto ofício ou uma atividade de grande status. Ao pensarmos biblicamente sobre ‘ministério’, devemos começar a entender que ‘um ministro’ é mais semelhante a um servo doméstico com pouco status e que ‘ministério’ é um trabalho semelhante ao de limpeza, manutenção de carro ou culinária.

 

# Leitourgos

Se na palavra diakonia nós podemos descrever alguém que realiza um serviço particular de tempo integral de baixo status e remuneração, em leitourgos, nos encontramos alguém que executa um serviço público de tempo parcial, alto status e nenhuma remuneração.

 

Ela é ocasionalmente usada no Novo Testamento para identificar ‘um ministro’, mas tem um significado bem diferente de diakonos. Leitourgos é a palavra grega usada para um importante servo público, alguém que executa um ofício público a própria custa. No NT as palavras leitourgos, ‘um ministro’; leitourgeo, ‘ministrar’; e leitourgia, ‘ministério’ são usadas para as seguintes pessoas:

* Cristo – Hebreus 8.2

* Paulo – Romanos 15.16

* Epafrodito – Felipenses 2.25

* Os profetas e mestres em Antioquia – At 13.2

* A obrigação dos gentios para com os judeus – Romanos 15.27

* De uns para com os outros cristãos – ICo 9.12; Fl 2.17-20.

 

Este uso ocasional de leitourgos expressa o fato de não servimos para nosso próprio benefício, nem como pessoas que estão procurando edificar o seu próprio reino. Esta palavra pelo contrário nos demonstra que sempre o ministério deve ser tratado com a maior importância, pois ele é público e tem um caráter representativo, ou seja, representamos o Senhor que nos chamou para o Seu serviço.

 

# Huperetes

Esta palavra é muitas vezes traduzida também como ministro. Literalmente ela significa um ‘sub-remador’, e era usada como uma palavra popular e coloquial para qualquer subalterno que agia sob a direção de outra pessoa. Veja os exemplos:

 

* Um atendente da sinagoga – Lc 4.20

* Marcos – At 13.13

* Rei Davi – At 13.36

* Paulo – At 20.34; 26.16; ICo 4.1.

 

Esta palavra enfatiza que os ministros não são pessoas que estão a cargo de suas próprias atividades. São homens e mulheres que funcionam debaixo de autoridade. At 13.36 mostra que o grande rei Davi foi apenas um ‘sub-remador’ de Deus, e ICo 4.1 declara que os líderes da igreja deviam ser considerados e tratados como ‘sub-remadores’, ou seja, como pessoas sob a liderança e direção de Cristo.

Talvez a maneira mais simples e precisa que podemos pensar biblicamente acerca do ministério após analisar estas três palavras, é ver que no Novo Testamento a mensagem básica para ‘ministro’ está relacionada com o fato de que este deve ser sempre um ‘servo’, e um ‘ministério’ é sempre um ‘serviço’. Portanto, qualquer idéia, padrão ou prática de ministério que se distancie do serviço humilde não está enraizada nas Escrituras.

 

Vejamos agora as diversas palavras que eram utilizadas para denominar um servo, e como as mesmas foram aplicadas no Novo Testamento.

 

# Doulos

Significa um servo que tem um senhor, contrastando com um que é empregado pelo seu dono. Nos tempos neotestamentários, doulos referia-se a um escravo. A diferença principal entre doulos e diakonos é que a primeira aponta para um relacionamento enquanto que a segunda indica uma atividade.

 

Doulos então é usada para mostrar que os cristãos são possuídos e controlados por Deus. Vemos isto em Rm 1.1; Gl 1.10; Ef 6.6; Fl 1.1; Tt 1.1 e em outras passagens. Porque somos possuídos por Deus, somos chamados:

 

* Para servir a Deus – Mt 6.24; Rm 7.6; Fl 2.22.

* Para servir a Cristo – At 20.19; Rm 12.11; 14.18; Ef 6.7; Cl 3.24.

* Para servir-mos uns aos outros – Gl 6.2.

 

Os escravos devem obedecer a seus senhores, assim doulos salienta o modo que servimos porque Deus é nosso dono. A diferença está no fato de que servos púbicos são voluntários, e os servos particulares podem parar de trabalhar para seus empregadores quando desejarem. Podemos dizer que um ministro é alguém que se coloca voluntariamente à disposição de Deus para servi-lo da maneira que Ele desejar.

 

# Latris

A segunda palavra para ‘servo’ que não é traduzida como ‘ministro’. Latris literalmente significa ‘um servo contratado’ e latreuo, servir, é usada no Novo Testamento para descreve um serviço espiritual em particular dos sacerdotes e levitas que eram pagos para servir a Deus no templo, e a adoração que os cristãos oferecem a Deus. Vemos isso em Atos 7.7; 24.14; 27.23; Hebreus 9.1.

 

O NT deixa claro que todos os cristãos são chamados para servir e adorar a Deus – como os sacerdotes e levitas – com oração, louvor, e sacrifícios espirituais. Mas, diferente dos sacerdotes e levitas, as Escrituras não nos encorajam a ter a expectativa de sermos pagos por esse trabalho.

 

Não somos chamados para ser latris, ou seja, servos contratados que trabalham primeiramente pelo pagamento. Somos chamados para sermos diakonos, ou seja, servos voluntários que continuam servindo o seu senhor/empregador pelo fato único e exclusivo de amá-lo, e querer estar sempre a sua disposição para qualquer serviço! “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mc 10.45.

 

Sabemos que na época de Jesus eles não tinham automóvel ou ônibus. As ruas eram compartilhadas por animais como cavalos, burros, andavam pelas mesmas estradas e caminhos que as pessoas. Assim sendo, se você caminhasse por aquelas antigas ruas, você estaria andando no meio de muito esterco, sujeira e poeira.

 

 

Lavar os pés de alguém na época do Novo Testamento, era uma tarefa geralmente reservada para o mais baixo escravo da família. Assim sendo, quando o Senhor Jesus lavou os pés dos Seus discípulos (Jo 13.5), Ele estava assumindo o lugar mais baixo do mais baixo escravo. Pedro ficou espantado que o Rei dos reis e Senhor dos senhores assumisse o lugar mais baixo dos escravos. No entanto, Ele estava dando um exemplo para os Seus seguidores, daquela época, e também para os dos dias atuais. Ou seja, cabe-nos assim como o Mestre sermos verdadeiros escravos uns dos outros, e, aos líderes, á tarefa de destacarem-se no serviço cristão como escravos de Cristo que servem aos seus liderados e os que porventura forem pelo Senhor enviados para a casa (igreja) onde tal escravo exerce o seu trabalho.

 

 

3.1.1 – Implicações Teológicas

Após este breve ensino sobre o que é ministério e de como devemos nos portar ministerialmente, estaremos vendo algo acerca dos ‘dons ministeriais’, e de sua relevância na igreja contemporânea. A discussão começa quando, alguns teólogos dizem que estes dons morreram juntamente com a igreja do primeiro século, e outros teólogos dizem que os dons somente serão extintos quando for retirado o que é perfeito, ou seja, o Espírito Santo, o qual devido ao arrebatamento da Igreja, já não estará mais trabalhando no planeta terra da forma que Ele vem trabalhando desde o princípio, e mais particularmente, no período conhecido como a “era da igreja”. Entre os teólogos que afirmam que os dons foram extintos no primeiro século da era cristã, encontram-se os seguintes:

 

O famoso teólogo franco-alemão Oscar Cullman em seu livro “Cristologia do Novo Testamento” (2001: 31-74), demonstra uma linha de pensamento que devido as credenciais do mesmo pretendemos analisar. Ele nos diz que: Aqueles que chamavam Jesus como “profeta”, não queriam com isso simplesmente classificar-lhe dentro de uma certa categoria de homens existentes em sua época? De fato alguém se sentiria tentado a crer que se chamou a Jesus “profeta” para indicar sua profissão, como o chamaram de rabbi, mestre. Porém, convém notar que na época do Novo Testamento, a profecia, como profissão regular e organizada, já não existia no judaísmo.

 

Por outro lado, quase não havia mais profetas no sentido especificamente israelita do termo, quer dizer, homens visitados pelo Espírito, que recebiam de Deus uma vocação particular. O antigo profetismo havia se extinguido progressivamente; e praticamente não existia mais senão sob a forma escrita de livros proféticos. Isto por si bastaria para mostrar que, ao chamar a Jesus “profeta”, não o classificava simplesmente em uma categoria profissional determinada.

 

Porém, o argumento decisivo é que na maior parte das passagens onde este título lhe é dada, Jesus não aparece somente como um profeta, mas como o profeta – a saber: o último profeta, aquele que devia “cumprir” toda profecia, no final dos tempos.

 

Segundo Foulkes (1986:73-85), o ministério profético (ou pelo menos o nome de profeta) logo morreu na Igreja juntamente com a morte da primeira geração eclesiástica. Sua obra, que era receber e declarar a palavra de Deus sob inspiração direta do Espírito era mais vital antes da existência de um cânon das Escrituras do Novo Testamento. Em escritos do segundo século lemos acerca de profetas, mas em importância decrescente. Os escritos apostólicos começavam a ser lidos largamente e aceitos como autorizados, e estes foram paulatinamente substituindo a autoridade o dos profetas. Ao mesmo tempo, o ministério local assumiu cada vez mais importância, maior que a dos ministros itinerantes, e a isto, acrescentou-se o problema de que surgiram muitos falsos mestres e “profetas” por conta própria que iam de lugar em lugar, como vendedores ambulantes, cada um a oferecer sua mercadoria.

 

Ralph & Gretchen Mahoney são os diretores editoriais da revista ATOS à qual é uma adaptação para o português do World MAP. Este ministério trabalha com líderes da América Latina, África e Ásia. Sua ênfase está no preparo teológico dos tais para poderem responder as mais diversas indagações feitas por leigos ou clérigos religiosos. Por este motivo estou listando nesta resenha bibliográfica trechos do artigo publicado por esta revista (2001: 1-24), pois certamente merecem algum respeito. Eles descrevem que há cerca de 86 anos atrás, aconteceu um despertamento espiritual que gerou uma denominação conhecida como “O Movimento Apostólico de Gales”. Concebido por uma grande visitação de Deus, este movimento inspirou alguns dos ensinamentos mais profundos sobre o cargo do apóstolo e do profeta. As crenças doutrinárias dos que estavam envolvidos neste reavivamento, com relação a apóstolos e profetas, tinham uma base realmente bíblica. Deus deu aos líderes de igrejas galeses revelações singulares sobre os dons ministeriais retratados em Efésios 4.11 “E Ele deu alguns para apóstolos, alguns para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres...” Nos primeiros anos deste movimento, Deus levantou muitos apóstolos e profetas verdadeiros. A posição doutrinária deles afirmava que os apóstolos e profetas deveriam trabalhar juntos.

Os apóstolos não deveriam sair para ministrarem, a menos que fossem acompanhados por um profeta, e vice-versa. Estas equipes foram distribuídas por todo o mundo, e eles saiam com grande poder para ministrar as pessoas. Em Lucas 11.49 Jesus ensinou: “Portanto... disse a sabedoria de Deus: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos...” ICo 12.28 nos diz: ”Deus colocou alguns na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas...” Observe a ligação nesses versículos dos apóstolos e profetas. Aí então, em Efésios 2.20 Paulo diz que a Igreja está “edificada no fundamento dos apóstolos e profetas”. Ele une estes dois ministérios no sentido de trabalharem juntos na colocação dos fundamentos da Igreja. A ligação entre o cargo do apóstolo e do profeta em todos estes versículos é um indicador de que estes dois cargos funcionam juntos.

 

O Pr. Caio Fábio (1991: 86-96), contra argumenta que os dons são para a Igreja de hoje, pois todos fomos batizados no Corpo de Cristo (ICo 12.13). Vimos o que Paulo diz no contexto que se segue a esta passagem está relacionado ao fato de que a diversidade dos dons encontra um recíproco positivo na unidade da Igreja através do batismo com o Espírito Santo, algo que todos os cristãos receberam. Além disso, a salvação e os dons são acontecimentos inseparáveis. Na epístola de Tito 3.4-7, vimos que aquele que nos salvou por sua graça é o mesmo que derramou abundantemente o Espírito sobre nós. Observe que no Novo Testamento, salvação e dons do Espírito são ambos obra da graça de Deus. Em Ef 2.8,9 se diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

 

O que aconteceu entre os anos 400 e 1700 d.C. para não haver tantos registros de manifestações genuínas do Espírito Santo, como os que nós encontramos nos primeiros 300 anos da Igreja Cristã? O Pr. Caio Fábio nos responde no mesmo livro (91-92:1991), com as seguintes sugestões:

 

Primeira Resposta. A ignorância bíblica que o Catolicismo Romano infundiu no povo impediu o florescimento dos dons durante esse tempo. Do ano 400 até a Reforma, e pouco além, como os reformadores tinham preocupações de caráter mais soteriológico do que carismático e escatológico – assuntos em que raramente tocam em seus escritos -, não houve quase nenhuma reflexão teológica a respeito dos dons. O fato é que a Igreja Católica se encarregou de infundir uma ignorância espiritual absoluta na mente das pessoas.

 

Segunda Resposta. Os pré-reformadores – levantados por Deus antes da Reforma – ergueram sua voz falando em nome de Deus, sem quase mencionar o assunto dos dons. A verdade é que eles tinham outros temas a tratar – mais importantes e perigosos para o Evangelho - e que os preocupavam muito mais, como: o poder do papado, a salvação pelas obras, a bruxaria na Igreja, e inclusive a venda de indulgências.

 

Terceira Resposta. A mesma preocupação soteriológica dos pré-reformadores também envolveu a mente dos reformadores. Dizer que os dons não são vigentes porque não se falavam neles deveria levar-nos pelo menos às seguintes decisões extremadas:

 

a – Jogar fora o livro de Tiago, porque Lutero não o entendia, e era de opinião que não deveria fazer parte do cânon sagrado.

b – Jogar fora também o livro de Apocalipse, porque Calvino o julgava complicado demais, e afirmava não o compreender muito bem. Para Lutero, havia uma divergência quase inconciliável entre a teologia de Paulo e a de Tiago. Para Calvino – como já disse – o Apocalipse era inextricável. Nem por isso desprezamos Tiago, ou queimamos o Apocalipse.

c – Os dons se manifestaram em algumas ocasiões, e de maneira descontrolada, o que levou os líderes a teme-los pelo que aconteceu: falta de educação no seu uso. Do ano 400 para cá, verificaram-se manifestações, mas tão loucas que as lideranças ficaram simplesmente apavoradas.

        

Além disso, o que sucedeu em Corinto tornou-se tão célebre, fazendo com que a questão dos dons espirituais se tornasse – e desde sempre – um tanto controvertida. Dou graças a Deus pelas igrejas onde tenho servido. Prefiro mil vezes pastoreá-las a pastorear uma igreja como a de Corinto! Nela havia problemas tremendos. Daí as afirmações contraditórias: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Pedro, eu sou de Cristo (...)” (ICo 1.12). Era uma igreja onde alguém tinha um caso amoroso com a mulher do pai, a madrasta (5.1-5); ou os irmãos engalfinhavam-se nos tribunais, em razão de negócios e sociedade (6.1-11); onde as pessoas eram capazes de sair do culto e ir ao templo de Apolo, sentar-se à mesa do ídolo e comer fartamente do alimento a ele sacrificado (8 e 10); onde a autoridade do apóstolo era questionada (9.2), como também a do marido sobre a mulher (a questão do véu. no cap. 11); igreja na qual os dons espirituais eram uma balbúrdia, o culto uma loucura (14), a questão da ressurreição controvertida, e na qual inclusive pessoas se batizavam em lembrança de mortos, pela possibilidade de assim se salvarem (15.29).

 

Ora, tudo isso fez muitos pensarem na igreja de Corinto como um caso clássico de uma igreja na qual toda essa balbúrdia era o resultado da prática dos dons espirituais, esquecidos de que ela não era a única a praticá-los. Além disso, o terceiro para o quarto século houve os problemas com os adventistas montanos, grupo carismático fanático que se levantou e influenciou tremendamente alguns segmentos da Igreja, os quais viviam profetizando sobre a vinda do Senhor. Eles criaram um alvoroço tão grande na Igreja, que as deixaram apavoradas com tudo que dizia respeito das manifestações carismáticas.

 

Orlando Boyer, no livro Heróis da Fé (1985:271Pg), nos dá vários relatos dos homens que inspiraram a muitos outros quando viviam e ministravam, e que ainda hoje são exemplos de conduta e retidão. Podemos através deste livro observar como Deus atuou na vida destes homens, e que, muitos deles foram verdadeiros líderes espirituais. Como poderia alguém dizer que Guilherme Carey não foi literalmente um apóstolo? Quando leio os escritos destes que são céticos quanto aos dons espirituais, posso ver que eles são iguais aos que negaram ‘as destras da comunhão’ para Carey quando este foi chamado por Deus para pregar o evangelho aos pagãos. Veja bem, pode ser que os teólogos que fazem parte da neo-ortodoxia digam que devemos sim levar o evangelho aos perdidos. Mas, este evangelho é mais social (Teologia da Libertação), político (Teologia da Morte de Deus), secular (Teologia Secular). Ou seja, para estes teólogos, assim como os da época de Carey, Deus não deve ser levado tão á sério assim, e a mensagem bíblica não deve ser tomada à regra (Barth, Bultmam, e outros). Para estes reproduzo o que está escrito no livro de Boyer (pg. 102) que diz: “Quando Guilherme Carey chegou à Índia, os ingleses negou-lhe permissão para desembarcar. Ao morrer, porém, o governo mandou içar as bandeiras a meia haste em honra de um herói que fizera mais para a Índia do que todos os generais britânicos”. Calcula-se que traduziu a Bíblia para a terça parte dos habitantes do mundo. Ou que poderíamos dizer de Carlos Finney? Transcrevo aqui outro trecho do livro de Boyer (pg. 137) “Descobriu-se, por pesquisa que mais de 85 pessoas de cada 100 eu se convertiam sob a pregação de Finney, permaneciam fiéis a Deus. Parece que Finney tinha o poder de impressionar a consciência dos homens, sobre a necessidade de um viver santo, de tal maneira que produzia fruto mais permanente”. Perguntemos a estes que dizem que os dons ministeriais se extinguiram no tempo da igreja primitiva, o que é que moveu Jorge Müller (o apóstolo da fé) a desenvolver um ministério tão eficaz em Bristol?.

 

Como alguém pode contestar o ministério profético de Jerônimo Savonarola (1452–1498), o qual além de ser um arauto da pregação evangélica, foi também um percursor da reforma protestante, pois quando este morreu, Lutero contava apenas com quinze anos de idade. Savonarola profetizou que Lorenzo, o Papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e assim sucedeu (pg. 19). Outro profeta que Boyer cita em seu livro foi João Huss (1369-1445), que morreu queimado em praça pública na Boêmia, por ser um profeta que não se curvava á outros deuses. Quando ele estava no cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, ele profetizou: “Podem matar o ganso (na sua língua, ‘huss’ é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”. Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o ‘cisne’ afixou, afixou na porta da Igreja de Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss enganara-se em apenas dois anos, na sua predição. Outra frase destacada por Boyer em seu livro e que me impactou profundamente, foi o que ele em suas pesquisa sobre a vida de Martinho Lutero encontrou, e transcreveu da seguinte maneira: “Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e interpretava; revestido de todos os dons do Espírito” (Souer, vol. 3, pg. 406).

 

Em seu livro Restauração na Casa de Deus, o Pr. Ubirajara Crespo (1997: 106-111) analisa esta passagem de Ef 4.7,11, 12 dizendo que é interessante como Paulo começa este texto falando da graça concedida a cada um. Esta palavra vem do grego karis que é a raiz da palavra carisma karisma. indivíduos são dotados pelo próprio Jesus, dos dons (Karismas) descritos em Efésios 4. Os ministros são pessoas dotadas espiritualmente de dons que os capacitem a servir a Igreja.

 

No comentário de I Coríntios Leon Morris (1981: 149-150) diz o seguinte: Salienta-se a duração do amor. O amor jamais acaba, sendo que o verbo é o sempre empregado com o sentido de “cair”. Vem a ser usado no sentido de “colapso”, “sofrer ruína”. O amor nunca sofrerá um destino assim. “As muitas águas não poderiam apagar o amor” (Ct 8.7). Contrariamente a esta duração do amor, Paulo coloca o passamento certo de dons em que os coríntios se fixavam como sua abundante reserva de provisões. As profecias desaparecerão. O verbo é katargeõ, que significa basicamente “reduzir a nada” “tornar inútil”. As profecias são a apresentação daquilo que Deus diz aos homens por meio do profeta. Mas quando estivermos diante de Deus, não haverá lugar para o profeta. Então as profecias não terão lugar; estarão completamente sem razão de ser.

 

Com todo respeito que deve ser dado aos acadêmicos que em seus escritos falam contra á manifestação plena dos dons ministeriais para todas as épocas da igreja, eu quero através deste estudo literalmente discordar de suas idéias. E para o tal venho desde o início demonstrando com uma boa base bíblica a existência dos dons espirituais suas implicações tanto na vida do crente que o(s) possue(m), quando na comunidade dos cristãos aonde estes dons se manifestam.

 

Uma passagem clássica citada pelos defensores da tese que os dons cessariam (e nesta linha de pensamento encontram-se os membros da seita testemunhas de Jeová), está na primeira carta de Paulo aos coríntios no capítulo 13 e versículos 8-10, que diz: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado”. Para estes, ‘o que é perfeito’ seria o fechamento do cânon das sagradas escrituras, que se deu quando o profeta João escreveu o último livro da bíblia, ou seja, o livro de Apocalipse.

 

Algo que me desperta o interesse neste tipo de visão teológica deturpada que alguns teólogos adotam, está no fato que a grande maioria dos defensores desta linha teológica, já erram quando saem por aí distribuindo revistas de ensino dizendo como devem se comportar os adeptos das seitas e religiões que eles fundaram ou que endossam como sendo corretas. Estes normalmente possuem como exemplo da veracidade de seus ensinos a questão por eles sempre alegada de que seus fundadores receberam uma revelação direta de Deus (ou no caso de alguns, de um potente arcanjo), dizendo que ‘eles foram iluminados com uma grande e última revelação’ para o final dos tempos. Veja bem, primeiro eles dizem que profecias, ciência, revelação, e todos os outros dons como o de curar os enfermos cessaram.

Mas, depois eles se fundamentam e espalham suas heresias desgraçadas por todo mundo, baseados em revelações, profecias, curas ou quaisquer outras coisas mais que seus lideres ‘mortos’ receberam. Estão “duplamente mortos” (Jd 12c), pois se condenam a si mesmos com seus ensinos contraditórios. Isto não significa que se alguns deles a partir de hoje reconhecerem á validade dos dons para os dias atuais serão liberados da condição de pecadores, pois os mesmos serão salvos somente quando cumprirem um preceito antigo mais indispensável o qual o profeta Isaías revelou em seu livro, ele nos diz: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”. Is 8.20

 

3.1.2 – A Bíblia, nossa grande Aliada!

Bom, agora talvez alguém me pergunte. Com que base você pode alegar que os dons não cessarão após o período apostólico. Começarei á destruir este sofisma teológico, com o texto de João 17.20 que diz: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra”. Neste texto Jesus demonstrou que tanto os apóstolos como os conversos no primeiro século mereceriam da parte do Pai uma atenção igual aos que nos séculos seguintes (inclusive os do século XXI), viessem a crer nele.

 

Em segundo lugar, veremos que a mesma ordenança que o Mestre deu aos apóstolos, foi dada para todos os cristãos, ou seja, façam tanto uma como outra coisa. Como já dissemos acima á maioria das seitas, utilizam um ou outro preceito bíblico, mas negam todos os outros e o Senhor Jesus disse que “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5.19). Quais mandamentos? “Ide, portanto, fazei discípulos...” “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos...” (Mt 28.19a. c/ 10.8a).        

 

Em terceiro lugar, observamos no discurso de Pedro descrito no livro de Atos 2.38-39, que o ‘Dom do Espírito Santo’ seria dado para “quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. Qual, ou quais dons? No mínimo poderíamos dizer que seria o dom de línguas, haja vista que na passagem imediatamente anterior o apóstolo está elucidando um fato que para muitos era uma loucura coletiva ou um êxtase provocado pela embriagues dos 120 discípulos de Cristo, os quais haviam acabado de receber o batismo com do Espírito Santo (vide At 2.1-36). Agora, sejamos francos, se este dom seria dado como disse Pedro a tantos quantos o Senhor viesse no futuro chamar, isto novamente me leva a crer que é uma promessa que deve se cumprir de forma integral nos dias atuais, e, se o dom por ele referido era o dom de línguas, já nos dá um esclarecimento que esta interpretação teológica que ensina a extinção dos dons junto com a morte dos apóstolos, está totalmente errada, pois repito novamente o que disse o apóstolo: “... e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”.

 

Amado amigo quero dizer-lhe que: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (IITm 3.16), sendo assim, não existe contradição alguma no que eu estou lhe ensinando, portanto volte-se para Deus com uma atitude de arrependimento, peça-lhe perdão pelo seu pecado de incredulidade, e a partir de hoje comece crer que Jesus é o mesmo” ontem, hoje e eternamente “(Hb 13.8), e é por este motivo que assim como Ele capacitou á igreja primitiva com uma forma variada de dons para cada um de seus membros, assim também ele faz nos dias de hoje”.

 

O quarto argumento teológico que quero aqui ressaltar está no livro de Efésios, aonde nos encontramos o seguinte texto:

“E a graça foi concedida a cada um visando um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo”. Ef 4.7,11, 12.

 

Se ‘o que é perfeito’ extinguiria os dons ministeriais, ele também extinguiria todos os outros dons e talentos que existiam na igreja apostólica não é mesmo? Para os religiosos que respondem esta pergunta com um sim, eu contra-argumento com a seguinte pergunta: Porque é que então nós encontramos em todas estas seitas nomenclaturas que em sua essência são aquelas utilizadas no período apostólico?

 

ü      Pastor = Ancião

ü      Presbítero = Pastor

ü      Líder = Diáconos = Servidores = Assistentes

ü      Instrutor = Mestre

 

Olha que interessante. Os teólogos que para satisfazerem seus desejos dizem que os dons ministeriais tais como de apóstolo e profeta morreram no passado, utilizam estas mesmas passagens para dar base aos seus ensinos quando instituem pastores, anciãos, presbíteros, diáconos, etc... Em suas seitas ou denominações. Com certeza estes são os falsos profetas e mestres profetizados pelo Senhor Jesus Cristo e pelo apóstolo Paulo (vide Mt 24.11 c/ ITm 4.1-7), pois quando ditam seus ensinos, o fazem somente com vistas naquilo que lhes agrada, deixando de ensinar toda escritura, contradizendo assim o que á própria bíblia nos recomenda fazer (At 20.27 c IITm 3.16).

 

3.1.3 – Caminhando em direção á Verdade

Após este breve parêntese em nosso estudo, vamos agora continuar o estudo acerca do ministério profético. Como vimos nas outras duas listas de dons espirituais, cada pessoa da trindade de uma certa forma ficou responsável pela administração de uma área específica dos dons tanto na vida dos cristãos quanto no seio da igreja local e universal. Neste ponto iremos ver o Senhor Jesus Cristo como o responsável direto pelos dons ministeriais, sua distribuição, e por que não dizer sua manutenção. Nossos textos base serão encontrados em sua grande maioria na carta de Paulo aos Efésios, vejamos alguns:

 

v     2.20a “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”;

v     3.5b “foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito”,

v     4.7,11 12 “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo”.

 

Dentro deste estudo nós já falamos que  a palavra graça vem do grego (Karis) que é a raiz para a palavra carisma (carisma). Indivíduos são, segundo Paulo, dotados pelo próprio Jesus de algo imerecido por qualquer um deles, pois ninguém por mais intelectual, elegante, belo ou qualquer outro atributo natural que possua, é digno de receber de Deus algo. Sendo assim, Cristo por sua bondade e misericórdia, deu-nos um pouco de seu poder e graça para que possamos fazer á obra dele nesta terra. Para o apóstolo Paulo, a Igreja é muito mais do que um ajuntamento de pessoas reunidas dentro de um templo, cantando hinos e lendo trechos da Bíblia. Por este motivo dá-se à existência de um corpo diretivo o qual irá preparar os santos para executarem a obra a qual o Senhor Jesus os convocou a fazer. Neste caso então iremos ver o que cada um destes lideres espirituais devem fazer para a “edificação dos santos”, pois os mesmos foram diretamente pelo Senhor incumbidos de realizarem tal tarefa.

 

#Apóstolos

A palavra grega apóstolos, deriva-se de apo, ‘de’ e stello, ‘enviar. Literalmente significa, ‘alguém que é enviado’, assim ‘apóstolos’, são aqueles que são enviados ou comissionados. No Novo Testamento há pelo menos três tipos de apóstolos:

 

· Jesus Cristo, que foi enviado de Deus – Hb 3.1; Jo 17.3.

· Apóstolos de Fundamento, enviados por Jesus – Lc 6.13; 9.10.

· Apóstolos Gerais, enviados por Cristo via seus sub-líderes – At 14.4; Rm 16.7; IICo 8.23; Fl 2.25; ITs 2.6

 

Os apóstolos de fundamento foram escolhidos por Jesus como testemunhas oculares especiais. Tinham autoridade especial para testemunhar e passar adiante o testemunho de Cristo. Obviamente pertenceram somente à primeira geração de crentes.  Devido á este fato, é que alguns líderes ensinam que os apóstolos do fundamento foram os únicos apóstolos. Mas o NT também cita Barnabé, Andrônico e Junia (provavelmente uma mulher) como sendo apóstolos. Norman Parish¨ em suas preleções sobre o assunto cita também Febe como sendo alguém que exercia o ministério apostólico (Rm 16.1). Vejamos algumas das características dos apóstolos:

 

1.Paternidade

I Coríntios 4.15 sugere que a paternidade espiritual está no coração do ministério apostólico. Isto fala de uma direção sábia e vivificante, de nutrição e proteção, e o dom de dar começo às coisas. I Coríntios 3.10 mostra que os apóstolos estabelecem a obra de Deus e edificam a igreja. Inspiram e motivam a visão de Deus nos outros.

 

2. Autoridade

IICo 10.8 sugere que os apóstolos têm autoridade no Espírito para ver o cumprimento da visão de Deus, mas devemos notar que não se trata de uma autoridade sobre as igrejas. Paulo apoiava e encorajava as igrejas, ele confrontava seus pecados e erros, mas ele nunca lhes deu ordem ou direção – esta é a tarefa dos líderes locais.

 

3. Sinais e Maravilhas

IICo 12.12 estabelece que o ministério de milagres é uma característica vital dos apóstolos. É obvio que nem todos os apóstolos foram usados por Deus para fazerem sinais e maravilhas visíveis nos tempos primitivos, mas, creio que todos aqueles que são por Ele comissionados devem buscar dele estes dons pneumáticos.

 

4.    Levantar líderes e liberar os dons

Paulo sempre viajava e ministrava em equipe, envolvendo-se profundamente no treinamento e liberação de ministérios. Sabemos que ele evangelizou várias pessoas, e muitas outras ele particularmente discipulou. Vemos isto em IITm 2.2 e Rm 1.11-12.

5.    Estruturando e fortalecendo a vida na igreja

At 14.23 e 15.41 descrevem os apóstolos nomeando lideres locais em igrejas recém-estabelecidas e visitando igrejas com o intuito de fortalecê-las.

 

6.    Chamado Preciso

IICo 10.13 mostra que Paulo foi chamado para um lugar específico. Os apóstolos não são somente ‘enviados’, eles são enviados para lugares ou grupos de pessoas específicos.

 

Hoje em dia os apóstolos são aqueles que normalmente pastoreiam pastores, não tendo em si, a necessidade de fazerem um trabalho missionário para serem considerados como tais.

 

# Profetas (será estudado á parte)

Pode-se comparar o profeta com o sistema nervoso do corpo, pois a sua função primordial é manter a temperatura em alto grau, e fazer com que o corpo esteja sempre ligado, elétrico e sensível à voz do Espirito Santo de Deus.

 

# Evangelistas

Sua função é fazer com que a Igreja volte-se para fora de si mesma e vá atrás do incrédulo. É alguém que entende muito bem o que Jesus disse em Mt 28.19. Cabe ao evangelista, demonstrar de forma prática como devem ser evangelizados os perdidos, pois ao demonstrar resultados em sua obra evangelizadora, contribuirá de duas formas para o engrandecimento do Reino de Deus, ou seja, libertando os perdidos, e consequentemente incentivando os cristãos a fazerem o mesmo que ele faz!

 

# Pastores

Ele é o que cuida do rebanho de uma forma mais pessoal. Nos dias atuais os pastores têm além da responsabilidade de cuidar do seu rebanho, a incumbência administrativa da igreja, e o envolvimento social com a comunidade ao seu redor. Alguns também se aventuram na política, sendo este um assunto largamente debatido nos meios teológicos ao redor do mundo.

 

# Mestres

O mestre tem por objetivo, fornecer à Igreja base doutrinária para o mover que Deus está levantando, bem como alicerces firmes para a fé do povo de Deus. Quando este realmente coloca em prática o seu chamado, ocupa-se também no ensino secular de problemáticas tanto do cotidiano urbano e rural, quanto também em áreas inacessíveis ao público em geral, tais como engenharia nuclear, biotecnologia, ou até na engenharia genética. Buscando assim de uma forma racional, fundamentar e esclarecer princípios que possuem uma essência bíblica.

 

3.1.4 - Fazendo Distinção entre o Joio e o Trrigo

Todos nós sabemos que o joio e o trigo são em parte ‘semelhantes’. O Nosso Senhor Jesus Cristo várias vezes nos exortou a estarmos atentos acerca das sutis diferenças que existem entre as coisas que tangem ao mundo espiritual. Vemos por exemplo Ele nos falando por intermédio de parábolas que a fé é semelhante ao grão de mostarda (ver Mc 4.30-34; Lc 13.18-21). Em outra parábola Ele fala acerca do fermento dos fariseus e a hipocrisia (Mc 8.11-12; Mt 16. 1-12).

 

Estes textos nos mostram correlações que existem entre coisas físicas e espirituais, bem como entre atitudes morais e espirituais as quais muitas vezes estão separadas por uma linha muito tênue, e merecem por este motivo uma observação mais de perto para serem contrastadas e assim dividida e colocadas em seus devidos lugares de repouso. No caso do joio e do trigo, esta diferença é tão sutil que o Próprio Senhor Jesus admoestou-nos a termos cuidado em querer separar um do outro, pois poderíamos cometer sérios erros: “Porém ele lhes disse: Não, para que à colher o joio não arranqueis também o trigo com ele”. (Mt 13.29)

 

Esta explanação serve para mostrar que, assim como existem sutis diferenças entre as coisas físicas e as espirituais, existem também diferenças entre coisa espirituais e espirituais, vejamos, por exemplo, o que diz o apóstolo Paulo em I Coríntios 2.13 “Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais”. Por este motivo no próximo capítulo estarei começando á trazer a lume algumas diferenças que encontro na manifestação dos dons espirituais distribuídos pelas três pessoas da trindade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


IV – Divisão Sistemática

 

4.1 – RECEBENDO REVELAÇÃO

A partir deste ponto começaremos a fazer uma distinção sistemática e teológica acerca das seguintes palavras que encontramos na Bíblia: Dom # Profecia # Profeta #. 

 

4.1.1 - Dom

No Antigo Testamento, uma dúzia de vocábulos é empregada para indicar dons de uma espécie ou de outra. 

- Os sacrifícios e outras ofertas que eram dados a Deus (Ex 28,38; Nm 18.11).

- Os levitas em certo sentido eram um presente ao Senhor (Nm 18.6)

- Os homens davam dadivas em ocasiões festivas (Sl 45.12; Et 9.22).

- Eram dados presentes que serviam como dote (Gn 34.12)

- Presentes que serviam como sinais da abundância dos reis (Dn 2.6)

- Presentes ou dádivas de Deus aos homens tais como saúde, alimentação, bens, servos,  etc. (Ec 3.13).

 

No Novo Testamento há uma marcante mudança de ênfase quanto ás várias formas dos apóstolos utilizarem-se da palavra dom. Algumas das nove palavras ligadas à idéia de dom se referem às dádivas dos homens a Deus, como anathema (Lc 21.5), e especialmente dõron (Mt 5.23; 23.18). Algumas se referem às dádivas dos homens uns aos outros, por exemplo, dõron (Ap 11.10), doma (Mt 7.11; Fp 4.17). Porém a coisa característica é o emprego de vários termos que denotam inteira ou primariamente os dons que Deus concede aos homens para que estes usufruam dele, e para que também possam levar á outros á de alguma maneira serem beneficiados pelo dom que possuem. Dorea (o vocábulo expressa algo gratuito e abundante) se encontra onze vezes, sempre indicando uma salvação (Rm 5.5,17), ou pode aparecer sem qualquer definição (“seu dom inefável” IICo 9.15), ou indica o Espírito Santo (At 2.38). Tiago nos lembra que “toda boa dádiva (dosis) e todo dom perfeito (dorema) é lá do alto” (Tg 1.17). Vimos que cada uma destas palavras tem uma aplicabilidade, e, portanto, devem ser analisadas sempre dentro do contexto que as cercam.

 

4.1.2 – Profecia

O Dom da profecia é aquela capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para receberem e transmitirem alguma mensagem imediata de Deus ao seu povo, através de alguma declaração divinamente ungida (C. Peter Wagner – Descubra seus Dons Espirituais).  

Frederick Dale Bruner no livro Teologia do Espírito Santo (113 – 1983) escreve o seguinte acerca do dom da profecia de ICo 12.10: Aquilo que se acredita ser o dom da profecia é exercido na maioria das assembléias pentecostais. Alguém que parece possuído pelo Espírito falará no vernáculo sentenças ou frases que relembram a Bíblia, usualmente na exortação, e mais freqüentemente com um contexto e conteúdo escatológico e até mesmo visionário. A profecia é semelhante às línguas por ocorrer mais freqüentemente em uma condição extática ou para-extática. E por entender-se como veículo do Espírito, Mosiman pode até mesmo dizer da profecia que “difere do falar em línguas somente pelo fato de ser enunciada em linguagem que se pode compreender”.

 

A profecia é usualmente definida, até mesmo pelos mais cuidadosos no movimento pentecostal, como algo mais do que um pronunciamento inspirado pelo Espírito, mas sim, como realmente a voz do próprio Espírito: na profecia, nos informam, temos “o Espírito falando”.  Na assembléia pentecostal normal, ocorrerá a profecia bem como as línguas. A proporção entre a profecia e as línguas em uma assembléia usual parecem variar de acordo com a quantidade de emoção presente; nas atmosferas mais quietas, a profecia predomina; nas mais carregadas emocionalmente, as línguas.

 

Finalmente, visto que se sente que a profecia é uma comunicação espiritual espontânea direta, não deve ser confundida com a pregação ou com observações preparadas em que a substância é obtida por meios convencionais ou diretos do que mediante a inspiração imediata. O Espírito fala da Sua mente e do Seu coração de modo espontâneo e direto a assembléia através dos Seus profetas. Mesmo assim, parece que há algum reconhecimento dos perigos inerentes num dom que alegadamente transmite a voz direta do Espírito. Mesmo entre as vozes mais refreadas do movimento pentecostal, no entanto, parece haver uma disposição para arriscar os perigos a fim de possuir o dom – pois o dom propriamente dito é altissimamente estimado.

 

Como já vimos nos itens acima, a palavra profecia aparece várias vezes nas Sagradas Escrituras, e especificadamente ela é mencionada como um dom dado por Deus (Rm 12.3 “... que Deus repartiu a cada um”), e também ela é mencionada como um dom dado pelo Espírito Santo (ICo 12.7 “A manifestação do Espírito...”). Esta palavra tem uma delicada diferença quando é aplicada pelo Apóstolo Paulo nestas duas listas de dons espirituais, isto porque certamente ele não era nenhum tolo a tal ponto de ficar repassando os mesmos assuntos mais com visões diferentes.

 

Analisando um pouco mais de perto o texto de Romanos 12.1-8, podemos ver que o apóstolo utiliza o método de comparação para ensinar aos cristãos daquela localidade algo acerca dos dons.

1º-...Não saiba mais do que convém saber...vrs. 3

2º-...Assim como... vrs. 4

3º-...Assim nós... vrs. 5

 

Creio que ele utilizou este método não somente para deixar bem claro a questão da importância do “corpo místico de Cristo”, o qual deve estar ligado de uma forma coesa para que possa realmente funcionar, mas creio que ele utilizou também este método para que, no caso que estamos analisando, fazer uma separação ainda que tênue sobre a outra lista que ele já havia escrito, pois como todos nós sabemos as epistolas aos Coríntios já haviam sido escritas naquele período, e provavelmente circulavam por várias igrejas daquela época servindo-lhes de instrução e consolação (ver IIPe 3.16). A pergunta é: Porque ele fez este tipo de separação?

 

Esta separação deu-se devido ao fato de que realmente existe uma ‘ainda que sutil’ diferença entre aquele que é utilizado por Deus Pai para profetizar, e aquele que é utilizado pelo Espírito Santo para trazer uma palavra de profecia. Pois o primeiro normalmente é um líder eclesiástico responsável pela pregação/ensino na igreja, e o segundo, pode ser tanto os que fazem parte da primeira lista, como qualquer cristão leigo. Como já dissemos acima, esta é uma linha bem fina que deve ser observada com muita cautela, para não cairmos no erro de asseverar algo inexistente na palavra de Deus. Temos como que por compêndio teológico a necessidade de demonstrar textos de prova para basearmos qualquer ensino como sendo bíblico, e existe para a maioria dos casos o requerimento de um número mínimo de passagens correlatas para o alicerce do mesmo.

 

O Dr. E. Lund em seu livro ‘Hermenêutica’ nos diz que a primeira regra fundamental da correta interpretação bíblica deve ser: A Escritura explicada pela Escritura, ou seja, a Bíblia, sua própria intérprete. E, é com base neste pressuposto que quero basear este raciocínio em versículos que estão dentro do contexto de Romanos e Coríntios, para que possamos assim compreender melhor o que nos foi ensinado por Deus através destas cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Rm 12.6 diz: “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia seja segundo a proporção da fé”. O primeiro conceito que eu quero deixar bem claro está no versículo 3, que diz assim: “... cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém”.

 

Para reforçar esta recomendação paulina, cito também um versículo que contém uma admoestação dada pelo próprio Senhor Jesus: “Ora, se eu, sendo o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). O fundamental destes dois versículos é estabelecer um princípio de humildade que deve ser vivido por parte de qualquer cristão, pois nenhum ser humano, por mais “usado que seja” por Deus pode se vangloriar diante dos outros cristãos, pois além de ser um erro ético e social, certamente a pessoa que tiver tal atitude demonstrará total ignorância quanto ao que realmente é ser alguém usado por Deus.

 

Vemos então que Paulo ao falar de profecia em Romanos deu a entender que nem todos seriam usados por Deus para profetizar (naquele contexto eclesiástico), pois para o tal, deveriam ter uma proporção de fé superior aos demais crentes da congregação. Isto não significa que eles eram superiores aos demais irmãos, mais sim, que viviam em uma dependência mais profunda de Deus, e por este motivo deveriam crer nEle ativamente para poder profetizar-ensinar aos outros como deveriam conviver dentro do contexto eclesiástico e secular. Para ilustrar este princípio, quero citar algumas passagens onde vemos homens que cometeram este tipo de erro, e qual foi à conseqüência de tal ato.

 

Analisando Caim:

Vemos neste homem o início de um sentimento que hoje em dia está tão em voga, ‘o ciúme’. Na sociedade atual, em todos lugares, este tipo de sentimento coexiste na maioria das vezes com tanta naturalidade com outros sentimentos, que por causa dele, são podados ou mal administrados.

Temos por exemplo, hoje em dia tantos casais que no início de seu relacionamento, se proclamam apaixonados, e fazem-se promessas de amor mútuo e eterno. Na maioria das vezes falam a verdade um para o outro, mas devido à presença de um outro sentimento (ciúmes), normalmente por coisas mínimas, tais como o homem simplesmente elogiar alguma virtude psicológica de sua professora da universidade, por exemplo, já faz com que sua noiva, esposa, etc..., Rebele-se contra ele, rompa o relacionamento, e em muitos casos tente agredi-lo ou como já aconteceu algumas vezes, matar a pessoa que tanto ama!

 

Você que esta lendo esta monografia, certamente já ouviu, ou até já viveu algo semelhante, e isto demonstra simplesmente o quão poderoso é este sentimento, que na maioria das vezes têm sido a porta de entrada para espíritos malignos, que se alojam nesta área da vida de um ser humano, e quanto mais se alimentam, mais poderosos se tornam na vida do homem ou mulher que permitir a entrada deles.

 

Isso foi o que ocorreu com Caim. Apesar de estar vivendo em uma terra boa (ver Gn 4.2), e de possuir tudo o que necessitava, permitiu que um sentimento de disputa fosse criado entre ele e seu irmão. O resultado disto foi que na primeira oportunidade encontrada por ele para destruir literalmente seu irmão, ele não perdeu tempo, e o matou.

 

Infelizmente, encontramos hoje em dia este mesmo sentimento/espírito agindo no meio das Igrejas Cristãs, e é por isso que normalmente nós vemos de tempos em tempos, cismas doutrinários, os quais em sua maioria não são causados por divergências de doutrina, mas sim porque, lideres e liderados disputam por ‘um lugar ao sol’, que é ser líder de um departamento ou pastor principal de uma denominação.

 

Talvez, Caim queria ser o único que pudesse chegar a Deus, e por este motivo teve que ‘infelizmente’ matar o seu irmão, pois este, segundo o pensamento de Caim, estava impedindo-o de se relacionar com Deus, pois afinal, somente ele sabia como se achegar a Deus.

 

Veja que coincidência, pois nos dias atuais é o que mais temos visto nas igrejas, líderes e liderados, fazendo de tudo para tentar derrubar um ao outro, com o único intuito de demonstrar quem é que realmente sabe aproximar-se de Deus e de agradá-lo. Infelizmente a história deste homem teve um final infeliz, e normalmente, aqueles que na Igreja atual são invadidos por este sentimento e promovem, ou tentam promover a queda de seus irmãos de ministério, recebem como Caim, uma marca, e ficam vagando por aí, nos presídios, prostíbulos, bingos, centros espíritas, etc..., E como diz a canção popular estão, “... esperando a morte chegar!” Gn4.14

 

Analisando Josué:

Você pode estar se perguntando, Josué? Que é que ele tem a ver com este assunto de orgulho espiritual, e falta de verdadeira humildade? A resposta você encontrará nas próximas linhas, por isso prepare-se. Já fazia dois anos que os Israelitas tinham partido do Egito. Estava praticamente tudo correndo bem, pois Deus já tinha separado as famílias da tribo de Levi que seriam responsáveis pelo tabernáculo, e já estavam separadas as funções das outras tribos que seguiriam pelo deserto ao lado do tabernáculo, até que na Nova Terra onde pudesse ser estabelecido em um lugar central para todos virem adorar a Deus.

 

Provavelmente aquele moço participou de alguma forma na coordenação do layout do tabernáculo e da posição das famílias e tribos em volta do mesmo. E quer seja, desenhando, pintando ou carregando alguma coisa lá estava ele, no meio dos grandes, servindo, pois ele sabia que para isso tinha sido tocado por Deus desde sua infância. Ele admirava Moisés, e o respeitava muito, pois afinal, era o único homem em toda terra que falava face-a-face com Deus. Por estar continuamente, como nós dizemos aqui no Brasil, no meio da panela, ele recebia um pouco da unção que estava sobre seus líderes principais (Moisés, Arão e Miriã a profeta), e além disto, sempre que um deles era, como dizem os pentecostais, “tomados pelo poder”, consequentemente precisavam talvez do auxílio de alguém para levantar-se do chão que por horas ficavam prostrados, lá estava ele, pronto para ajudá-los e demonstrar para os outros jovens como é que se serve a Deus, pois só ele é que sabia servir da forma mais exata e sublime. Assim, ele já se equiparava com os líderes, pois afinal, Deus o havia colocado entre eles, e isto lhe servia de grande respaldo!

 

Como em Israel não existe festa junina, Josué estranhou o clarão e o cheiro de fogo que havia perto de sua tenda, pois era ainda de madrugada, e o arraial estava iluminado por aquela luz provocada pela fogueira que alguém tinha feito. Provavelmente ele pensou: o populacho que veio entre nós, deve estar acendendo fogo para algum deus que eles antigamente serviam, e isto vai dar rolo! A primeira coisa que o moço fez foi ir verificar se Moisés precisava de alguma coisa, e logo ao chegar à tenda onde ele repousava, percebeu que ele já havia se levantado e ido para a tenda da Congregação.

 

Após um longo período esperando por seu líder do lado de fora da Tenda, ele recebeu a ordem para entrar, e em questão de segundos foi fazer aquilo que ele estava acostumado a fazer; entregar bilhetes para alguns homens que também se destacavam entre o povo como líderes. Até este momento não havia nada de anormal, pois em sua rotina de office-boy, ele já estava acostumado a entregar bilhetes, encomendas, e outras coisas, mas, a única diferença é que naquele dia, além do fogo que ele viu logo de madrugada queimando as extremidades do arraial, ele percebeu também que Moisés tinha passado um tempo de oração maior do que o normal, e que por incrível que pareça, alguns homens que ele nem conhecia direito, estavam entrando na tenda da congregação, e o pior estavam desenvolvendo praticamente a mesma atividade, que cabia somente aos seus líderes desenvolverem: Eles estavam profetizando!

 

Neste momento aquele moço ficou atônito, e toda a sua humildade foi por água abaixo, pois afinal, aqueles homens nunca lavaram o banheiro do tabernáculo, nunca lavaram a lona que era grossa e pesada, pois era feita de peles de carneiro, e em suma, nunca tiveram que lavar as ‘sandálias de Moisés, Arão e Miriã’ (e olha que Miriã era exigente!). Por este motivo ele se irou, e disse consigo mesmo que iria reclamar com Moisés, o “por que” de tal exclusão afinal ele era o homem que estava sendo preparado para ocupar o cargo de Moisés, e sendo assim ele merecia algumas explicações.

 

Fazendo uma analogia com os dias de hoje, podemos ver quantos que certamente possuem um chamado de Deus, e como Josué, mas que, também como ele, em situações “mais profundas”, como era esta relatada acima, eles tendem a ver as coisas somente pelo ângulo que lhes agrada, e por isto, normalmente rebelam-se contra seus líderes dizendo quais são as manifestações que devem ocorrer na Igreja, pois como todo mundo sabe, eles possuem, assim como Josué, o dom de “analistas de ministérios”. Quero lhe dizer, meu caro leitor que provavelmente você também têm este dom, pois afinal, sempre no final do culto você compartilha com sua esposa ou amigos o quão escassa de poder foi a reunião, ou como aquela (e) irmão(a) é inexperiente em seu relacionamento com Deus, e por isso fez o papel ridículo de orar alto, dar gargalhadas, cair no chão, dançar, ou chorar em extremo, fazendo assim com que os visitantes fiquem escandalizados, não é mesmo?

 

Normalmente estas pessoas, assim como Josué, caem no ridículo, pois são na maioria das vezes repreendidas por Deus em público, pois provavelmente esta deve ser a melhor forma para que elas “retornem a sensatez” (IITm 2.26). Graças a Deus que Josué ao receber uma repreensão de Moisés, não foi trabalhar com outro profeta qualquer, ou tentar abrir um ministério concorrente (como muitos fazem), mas se submeteu, e o final desta história está gravado nos anais da humanidade.

 

4.1.3 – Compreendendo a Questão!

Utilizei estas duas ilustrações para ressaltar o fato de que nenhum ministro cristão é maior do que o outro, e como é o propósito deste estudo, todos devem saber qual é o seu verdadeiro chamado. Como o apóstolo Paulo nos adverte devemos “... permanecer na vocação em que fomos chamados” ICo 7.20

4.1.4 – Como alguém pode profetizar?

A maneira (método) pelo qual profetizamos é semelhante ao falar em línguas. O falar em línguas é um falar impremeditado (não planejado de antemão) numa outra língua, com as palavras sendo dadas a nós pelo Espírito. “... e começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito lhes davam as palavras para falarem” (At 2.4). A profecia também é uma proclamação espontânea de palavras e idéias dadas num certo momento pelo Espírito, mas numa língua que conhecemos e compreendemos.

 

Davi disse em IISm 23.2: “O Espírito do SENHOR falou por mim, e a Sua palavra esteve em minha língua”. O Espírito dava as palavras e idéias e Davi as falava. Essa é a maneira pela qual a profecia vem a nós. Temos um exemplo claro da profecia no relacionamento entre Moisés e o seu irmão Aarão. Vocês se lembram que Moisés estava protestando o chamado de Deus em sua vida para ser um libertador. Ele se sentia incompetente. “E Moisés dizia ao Senhor... Eu não sou eloqüente... mas sou pesado de boca, e pesado de língua”.(Ex 4.10) Deus, no entanto, tinha um remédio para a deficiência de Moisés – Iria dar-lhe um porta-voz (Ex 7.1). “Não é Aarão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele sabe falar bem... Aarão, teu irmão será o teu profeta... Você falará com ele e colocará palavras em sua boca... Você falará [a Aarão] tudo o que Eu lhe ordenar. E Aarão falará com Faraó” (Ex 4.14,15; 7.2). Moisés colocava palavras na boca de Aarão. Moisés dava a Aarão as palavras para ele dizer, e Aarão as falava a Faraó.

 

Da mesma maneira o Espírito nos dá as palavras para dizermos, e pela fé nós as falamos. Isto é chamado de “profecia”, ou se as palavras estiverem numa outra língua que não compreendemos, isto é chamado de “falar em línguas”. “Todos podereis profetizar, uns depois dos outros...” ICo 14.31.

 

4.1.5 – Limitações da Profecia

 O que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolo” (ICo 14.3). A edificação, a exortação, e o consolo, são as três coisas que definem o simples dom de profecia.

ü      Edificação neste caso significa construir na vida de seus ouvintes o caráter de Cristo, bem como fortalecer as convicções dos cristãos quanto aos ensinos mais profundos deixados pelo Mestre;

 

ü      Exortação significa despertar, admoestar, e levar os cristãos a caminharem pelo caminho estreito que deve ser trilhado por aqueles que professam sua fé em Cristo; Consolar significa alegrar, e trazer sempre uma palavra de ânimo aos que padecem perseguições. Na Igreja o simples dom de profecia serve para edificar o povo, despertar o crente (e ás vezes, os incrédulos), além de trazer alegria aos que precisam ser consolados. O dom de profecia nunca vai além destas três coisas.

 

Pode-se dizer então que este dom não é para se predizer o futuro, nem para se dar um direcionamento. Ele não deve ser confundido com a habilidade de pregar. São palavras dadas pelo Espírito num dado momento para edificar, despertar, e alegrar os crentes. Estes são os limites do simples dom de profecia. Se você profetiza, (especialmente se for um crente recém convertido, ou alguém que recebeu este dom recentemente), a sua manifestação deste dom deveria normalmente ser limitada a estas três coisas.

    

4.1.6 – O Dom da Profecia de ICo 12 não é Pregação!

Queremos fazer esta alegação neste estudo porque, em algumas denominações é ensinado que quando o apóstolo Paulo falou acerca do dom de profecia descrito em ICo 12.10, ele estava referindo-se ao ato de pregar a palavra. Desde o início deste estudo estamos procurando tirar todo o emaranhado teológico que existe acerca deste assunto, e neste ponto pretendo mostrar a sutil diferença que há entre o dom da profecia descrito em Coríntios e o mesmo dom (talento) descrito em Romanos.

 

Vemos em Romanos que o requisito básico para utilização do dom da profecia era que ele deveria ser exercido conforme a proporção da fé: “Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé” (Rm 12.6b). Esta alegação feita por ele demonstra que haveria contrastes entre cada um daqueles que recebessem tal dádiva de Deus, pois conforme o próprio texto diz, alguns poderiam desenvolvê-lo de uma forma mais ativa ou menos do que os outros.

 

Isto ocorreu tanto no passado, quanto no presente, pois já naquele período existiam homens em quem este Dom se manifestava de uma forma mais intensa do que nos outros. Apolo é um exemplo de pessoa que se movia neste dom. Em Atos 18.24 nos lemos acerca dele: “... era homem culto e tinha grande conhecimento da Escrituras... e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus...” É certo que todos os apóstolos possuíam um bom conhecimento das sagradas escrituras, mas, nem todos possuíam este ‘fervor’ ou ‘poder’ que repousava sobre Apolo. Certamente, ele havia recebido de Deus este dom da profecia, e com uma fé um tanto superior aos demais o exercia de forma contundente. Em Apocalipse 19.10c nós encontramos o seguinte texto: “O testemunho de Jesus é o espirito de profecia”. Já em Atos 18.25b diz: ”... e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João” (ênfase acrescentada). Ao fazermos um paralelo destas passagens nós encontramos o seguinte:

Testemunho de Jesus

 

Acerca de Jesus

 

 

Espirito de profecia

 

Batismo de João

 

 
 

 

 

 


Ou seja, Apolo não havia ainda sido batizado pelo Espírito Santo, e consequentemente ainda não tinha recebido nenhum dom carismático ainda, como também apesar de já desenvolver em parte um trabalho ministerial, ainda não havia recebido nenhum dom ministerial específico. Quem era então que o tinha capacitado ou até comissionado para tal tarefa evangelística? Para mim á resposta é clara. O próprio Deus o havia impulsionado, pois como diz a narrativa de Atos 18.24-28 ele era um judeu natural de Alexandria (cidade do Egito), ou seja, conhecia a lei. Esta passagem de Atos também nos informa que ele conhecia o batismo de João, e isto demonstra que ele já vivia na nova dispensação, e por fim, nos diz que ele ‘fora instruído no caminho do Senhor’, ou seja, já tinha uma noção clara acerca de assuntos soteriológicos e messiânica.

 

Por esta razão, Deus Pai não esperou a boa vontade dos apóstolos para já começar a usar este homem, antes pelo contrário, Ele o capacitou e somente depois de algum tempo é que ele foi instruído de forma mais clara sobre outros assuntos teológicos, e consequentemente, poder receber tanto o batismo no Espírito Santo quanto um ministério de tempo integral. Em At 18.25-26, podemos ver que Apolo foi instruído por Priscila e Áquila sobre o batismo do Espírito Santo, pois comparando as informações que Lucas nos dá nestes dois versículos, podemos chegar a esta conclusão: ‘...Conhecendo apenas o batismo de João’ vrs 25.b, ‘...Com mais exatidão, lhe expôs o caminho de Deus’ vrs 26b. Na seqüência do relato bíblico, encontramos Apolo indo diretamente para a Igreja de Corinto, sendo para mim, uma comprovação de que ele foi para aquela região para ministrar, e receber instrução ‘in loco’ sobre a pessoa do Espírito Santo. Quando isto ocorreu, certamente ele foi impulsionado a trabalhar de forma mais dinâmica na obra do Senhor.

 

Já na primeira carta de Paulo aos coríntios, o requisito ‘...segundo a proporção da fé’ (Rm 12) não é por Paulo ensinado para aqueles que recebiam o dom de profetizar. Porque, os que deste dom ali descrito eram dotados, não seriam necessariamente pastores ou líderes eclesiásticos, mas sim, simples membros da comunidade cristã. Isto pode ser entendido pelo contexto bíblico de coríntios. No capítulo 14.24 o apóstolo diz: “Mas se entrar algum descrente ou não instruído quando todos estiverem profetizando...” e no versículo 39: “Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar...” É muito fácil de entender que nestas passagens ele estava falando para os membros daquela igreja, pois não teria como ao mesmo tempo todos estarem pregando a palavra.

 

Conclui-se então que realmente havia uma diferença entre os que recebiam o dom/talento de profetizar descrito por Paulo em Romanos 12, e os que recebiam o dom/carisma de profetizar descrito por Paulo em ICo 12. Paulo usa este mesmo tipo de raciocínio idiomático quando trata do tema carne. Em Romanos 7.18 ele diz: ‘Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum...’ Os Gnósticos do primeiro século da era cristã, tinham como base de raciocínio a concepção de que a carne era inerentemente má, e por isto, nunca poderia ser/viver de forma agradável a Deus. Dentre os adeptos desta filosofia, existiam duas fortes correntes de pensamento. Uma dizia que todos deveriam entregar-se aos prazeres mundanos de forma desenfreada, pois como ‘a carne’ é má, deveriam fazer de tudo para destruí-la o mais rápido possível, e assim, serem libertos (ao morrer) para viverem segundo os mais altos preceitos de pureza requeridos por seus deuses. A outra linha de pensamento, cria no ascetismo rigoroso, para impedir ‘a carne’ de qualquer tipo de prazer, e, como os primeiros (ao morrer) atingirem a pureza requerida por deus a todos os homens.

 

Devido este tipo de pensamento, os gnósticos não criam que Jesus veio ‘em carne’, pois ela é má, e nunca poderia se tornar boa. Jesus era interpretado por eles também de duas formas básicas.

 

a) Ele nunca viveu na terra como um homem encarnado, mas sim, era um espírito que por um determinado tempo manifestou-se (fantasma) aos apóstolos para ensinar-lhes o caminho da vida eterna ao lado de Deus.

 

b) Jesus era um homem, que foi possuído pelo ‘Logos’ Cristo na ocasião do batismo, e retirou-se dele antes da crucificação.

 

Certamente, para os gnósticos o versículo de Romanos que estamos analisando a respeito da carne, era um prato cheio para suas teorias, pois dava base para suas filosofias acerca da natureza maléfica da carne. Agora, é óbvio que o apóstolo não estava literalmente dizendo que a carne (grego sarx = tecido) era má, mas sim que o ser humano como um todo, estava, por causa do pecado, condenado a viver inclinado a práticas pecaminosas. E, é por este motivo que ele pode dizer que Cristo (em carne) foi obediente em tudo (100% perfeito cf. Rm 5.19 c/ Fp 2.8 e Hb 9.14), e tornou-se o mediador de uma nova aliança entre Deus e os homens.

Os gnósticos ficaram confundidos (ICo 1.23) porque o ensino Paulino sobre a ressurreição, pois se a carne é inerentemente má, somente após a morte é que esta natureza é aniquilada, permitindo ao homem aproximar-se do divino. Mas, para Paulo, Cristo não somente viveu em carne, mas ao ressuscitar recebeu uma ‘glorificação’ de seu corpo, e continua a viver com um ‘corpo glorificado’!

 

Utilizei este ensino sobre a carne, para você compreender que quando Paulo ou os outros escritores bíblicos utilizam uma palavra (profecia / carne / lei / fé), não querem dizer que qualquer uma delas possui o mesmo significado em suas explicações teológicas ou dogmáticas. Muitos, por ignorância acham que Paulo e Tiago (Rm 5.1 x Tg 2.24) tinham pensamentos opostos quanto à natureza da fé cristã. Isto não é verdade, pois quando analisamos o contexto histórico/teológico que permeava as pessoas que receberam as referidas epístolas, entendemos que os apóstolos estavam abordando visões diferentes (não divergentes), da fé no ambiente eclesiástico de seus discípulos.  

 

Assim também é razoável que entendamos estes princípios quando analisamos as listas de dons descritas em várias partes do Novo Testamento, e de forma plausível, possamos ensinar aos nossos ouvintes o que diz realmente Paulo e os outros apóstolos quando relatavam a um determinado grupo, como, quando e de que maneira Deus Pai, Filho e Espírito Santo distribuíam os dons.

 

4.1.7 – Explicação do Princípio

Utilizei esta ilustração para ressaltar o fato de que não podemos usar um ensino, única e exclusivamente com base á etimologia de uma palavra, mas sim, devemos procurar dentro do contexto onde ele se encontra, o ‘porque’ foi ali inserida, o ‘para que’ tipo de ensino ela serve, ‘qual’ é a sua aplicação imediata, e ‘como’ devemos entender a sua aplicabilidade tanto para os seus ouvintes imediatos, quanto para os que depois a receberão.

 

Nenhum ministro Cristão é maior do que o outro, e como é o propósito deste estudo, todos devem saber qual é o seu verdadeiro chamado, porque, aquele que possui o dom de profetizar (ensinar, ministrar) descrito em Romanos 12, e o dom de profetizar/profecia de ICo 12 (edifica, exorta e consola), não faz com que um seja maior/menor que o outro, antes pelo contrário, faz com que os membros de uma comunidade, portem-se no convívio eclesiástico de forma harmoniosa e respeitosa, pois como disse o próprio Mestre ‘...O maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve’ (Lc 22.26). Outra passagem que quebra todo conceito de superioridade da parte daquele que recebe um ou mais dons, está em

 

ICo 7.20 aonde o apóstolo Paulo nos adverte que devemos “...permanecer na vocação em que fomos chamados”, ou seja, se somos ou temos alguma coisa, é porque Deus nos chamou, e não podemos querer este ou aquele dom, como se pudéssemos encontrá-los em uma liquidação de Hipermercado!

 

Analisando o capítulo 12 de Romanos, veremos um pouco mais de perto o que nos diz o versículo 4: “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função”. Volto a utilizar neste estudo a concepção de que, o apóstolo sabia o que estava falando, pois além de ser um homem treinado para ser um mestre de mestres, possuía também no momento em que foi escrita esta carta, uma profunda relação com Deus, e isto o habilitava de tal maneira, que devemos respeitar e por em prática os seus ensinos, os quais salvo ressalvas dele mesmo, eram inspirados pelo próprio Espirito Santo de Deus. Portanto, creio que o que diz o versículo, é o que ele quer dizer, e não o que nós queiramos que ele diga, pois de uma forma simples e clara, Deus nos transmitiu este conceito de que ‘...nem todos têm a mesma função’. Se você ainda não compreendeu, vou tentar explicar-lhe de uma forma mais simples;

 

Ø      A igreja é o corpo místico de Cristo (Ef 1.22,23)

Ø      Os crentes professos do mundo inteiro fazem parte deste corpo (ICo 10.16,17 c/ Rm 12.5)

Ø      Neste corpo todos possuem um lugar de honra ( ICo 12.12-27 )

Ø      Se existe alguma concorrência, ela deve existir no sentido de quem é o que vai se humilhar mais! (Mt 20.26-27 c/ Mc 9.35).

 

Este  último princípio de vida cristã é maravilhoso, pois nos fala de algo quase impossível de ser vivido, pois, como “eu”, um ser humano tão sublime e esplêndido, tão importante na sociedade, tão famoso por meus conhecimentos acadêmicos, tão pobre e sem recursos, tão isso, ou tão aquilo! Como “eu” vou me submeter a alguém que não possui a mesma envergadura espiritual que eu possuo, ou com alguém que possui mais dinheiro do que eu, e segundo “eu” penso deveria dar-me boa parte de seus bens, para assim então demonstrar que é digno de que eu me humilhe perante ele, pois fazendo este gesto tal pessoa será igual a mim!

 

Você pode perceber o quão difícil é em nossa sociedade atual alguém se humilhar segundo os padrões bíblicos? Isto porque o orgulho está enraizado no coração dos homens, e quer seja pobre ou rico, o ser humano sempre vai arrumar uma desculpa para não se humilhar de verdade. Creio que uma das formas de alguém verdadeiramente demonstrar humildade, é ter a mesma atitude em devidas situações por um período longo de tempo. Hora, isto não quer dizer que só porque uma pessoa passa a vida inteira limpando o banheiro da Igreja que ela é uma pessoa humilde.

 

Para ilustrar esta questão veremos um texto bíblico que demonstra uma situação que muitas vezes ocorre na vida real. Em Mt 18.23-35 podemos encontrar a parábola do credor incompassivo, vejamos o que ela nos pode ensinar:

1º Um Rei que queria ajustar contas com os seus servos.

2º Um servo que devia em quantias atuais + ou – sessenta bilhões de dólares.

3º Um conservo aparece na história e devia ao primeiro servo +ou – mil dólares.

    

A questão chave do ensino de Jesus é que tanto um grande devedor quanto o outro podem receber o perdão de suas dívidas por parte do Rei. Agora a questão fica delicada, quando o que devia uma soma exageradamente exorbitante, recebeu o perdão de suas dívidas mas em contrapartida não quis perdoar a dívida de seu conservo, a qual perante o que lhe foi perdoada era irrisória. Bom o moral da história para o nosso casso, está no fato de que por um momento aquele primeiro servo parecia uma pessoa humilde (pois ao ser cobrado estava em uma miséria total – vrs 25,26), e assim também muitas pessoas quando estão sem dinheiro, ou numa posição de status são como este servo da parábola.

 

Eles são bonzinhos, falam em tom brando, abaixam a cabeça quando conversam com os outros, e assim como Saul (ISm 10.21-23) antes de ser rei, até se escondem do público, demonstrando o quão humildes eles são! Mas, depois de ocuparem o lugar que eles “merecem”, tornam-se carrascos de seus pseudo adversários, e assim como Saul perseguiu a Davi e a tantos outros em seu Reino, assim também o Nosso Senhor Jesus Cristo nos demonstrou nesta parábola que, só com o tempo é que as pessoas demonstram sua face verdadeira. Nesta parábola que estamos analisando, o Mestre não diz quanto tempo passou, entre o perdão da dívida do primeiro servo, até o momento em que ele encontrou o seu conservo. O que importa é que por um período aquele homem mostrou-se alguém muito humilde, mas na primeira oportunidade que teve de demonstrar quem realmente ele era, mostrou a sua face oculta dos homens, e esta era mesquinha, vingativa, agressiva e totalmente impiedosa. O triste é que ainda nos dias de hoje, nós vemos isto ocorrendo, e torno a dizer, quero que este estudo sirva para você saber quem realmente é, e tome assim o seu verdadeiro lugar dentro do corpo de Cristo, pois infelizmente devida a falta de ensino nas Igrejas Cristãs, todos querem ser profetas, sem saberem ao menos distinguir a diferença que existe nestas três listas principais, as quais falam sobre dons espirituais, e por acharem que “ser chamado de profeta” é ser  maior do que pastor, ou diácono, ou aspirante a servidor, ou novo convertido, têm feito com que todos auto proclamem-se profeta, pensando assim estar em uma posição mais elevada do que os outros.

 

Quero alertar-lhes desde já que “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus...” (Hb 5.4). Por este motivo, após vermos as diferenças entre dom/talento de profetizar, e dom/carisma da profecia, estaremos agora vendo á diferença entre estes dois e o Dom/ministério profético, o qual possui sobre si um peso e uma responsabilidade superior, aos que simplesmente são inspirados por Deus ou pelo Espírito Santo á profetizarem de uma ou de outra forma. Iremos ver que o profeta, além de possuir o dom/talento e o dom/carisma sobre si, possui também o chamado ministerial profético, o qual é dado de forma específica pelo Senhor Jesus Cristo á alguns indivíduos, para que estes junto com os outros ‘’ministros” possa trazer aos santos:


* à edificação

* o aperfeiçoamento

* à unidade da fé

* à perfeita varonilidade

* à medida da estatura da plenitude de Cristo

* o pleno conhecimento do Filho de Deus


 

 

 

 


V - O PROFETA

5.1 – Enfatizando o Ministério Profético

Na Igreja de hoje, vemos a muitos se declarando apóstolos e, ou, profetas, e eles querem ser chamados de “Apóstolo Fulano de Tal” ou “Profeta Ciclano de Tal”. Normalmente, criam-se congressos para ‘elevar’ alguém ao apostolado. A pergunta é, será que eles sabem qual é o verdadeiro significado do Ministério Apostólico ou Profético?

 

Em ICo 4.13 você verá que os verdadeiros apóstolos são geralmente vistos como ‘...lixo deste mundo, refugo de todos’. Às vezes, esta é a diferença entre um verdadeiro apóstolo e um falso apóstolo. E assim também é que podemos ver entre o falso profeta e o verdadeiro. O falso geralmente quer ser ‘elevado’, o verdadeiro está disposto a ser considerado como ‘...lixo deste mundo’.

 

Qualquer estudante de teologia sabe que os termos descritos em Ef 4.11 para designar os líderes eclesiásticos, nunca foram no N.T. utilizados com títulos de lisonja, ou como se os que possuíssem tal designação, devessem ser colocados em um local de destaque entre os demais obreiros cristãos ou até mesmo dos cristãos leigos.

 

Ao invés de serem usadas tais nomenclaturas como títulos lisonjeiros, tais palavras eram semelhantes as que eram usadas para descrever tarefas tais como, arquiteto, pintor, pedreiro, escritor, encanador, etc. Sabemos que uma descrição de tarefa, define uma função que determinado indivíduo executa. É a mesma coisa com as palavras apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre, que definem uma função, ou trabalho, que alguém executa.

 

Na maioria das sociedades, não usamos descrições de tarefas como títulos, pois assim como no período neotestamentário, fazer tal coisa, seria algo sem significado ou relevância. Por exemplo, ao falarmos de alguma pessoa, nós não dizemos ‘Encanador Fulano de Tal’, ou seja, quando falamos de algum artista de cinema, nós não dizemos ‘Ator Arnold Swazenegar’, ou ‘Atriz Shirley MacLayne’. Isto significaria transformar as suas descrições de tarefas em títulos.

O que normalmente nós dizemos, até para evitar a confusão de nomes entre pessoas que exercem profissões diferentes, as seguintes designações: ‘Fulano de Tal’, o ‘Encanador’, ou ‘Michael Jordan’ o ‘Jogador’, ou ‘Madona’ a ‘Cantora’, para não confundi-la com o quadro famoso de Leonardo da Vinci!

 

Com relação a Jesus foi dito: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria...” (Mc 6.3). Jesus nunca tentou receber títulos lisonjeiros, nem a honra e louvor dos homens. Pv 27.2 c/ IICo 10.18

 

Ao invés, ele “...aniquilou a Sua própria reputação, e tomou sobre Si mesmo a forma de servo...“ (Fp 2.7). A sua afirmação mais constante era que Ele é o Filho de Deus, e, isto é algo que qualquer um de nós podemos hoje também afirmar, pois através do sangue dEle e de sua morte vicária, nós juntamente com Ele somos assim também chamados, pois João diz: “Mas a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12).

 

Bom, segundo Dt 10.17; Rm 2.11 e Ef 6.9, “...para com Deus não há acepção de pessoas”, e, creio eu que não existe nenhum filho de Deus que possa considerar-se ‘mais filho’, ou ‘mais importante’ para Deus, do que qualquer um dos seus outros milhões de filhos que Ele têm por toda terra. Mas, algumas pessoas que gostam de ser chamadas por seus títulos acham que são dignas de serem tratadas de forma destacada no meio da congregação ou da comunidade dos crentes.

 

Certamente você já esteve em alguma festa social, e quando chegou o ‘Profeta Fulano de Tal’ recebeu o mérito de sentar-se na melhor mesa, ou receber o melhor refrigerante que ‘é claro’ estava preparado especialmente para ele e seus ilustres e superiores familiares!

 

Ou então, quando existe algum evento público os ‘Fulanos de Tal’ são merecedores de camarim com ar condicionado, frutas, água gelada, etc... enquanto que ‘a ralé’ fica no meio do sol escaldante, e, em muitos casos sem acesso ao mínimo de higiene pública necessária para tais eventos, como água e sanitários.

 

É lógico que os tais proeminentes líderes, não ocupam sempre os primeiros lugares, ou recebem a honra de se destacarem em todos os eventos. Veja por exemplo, quando foi que você viu, algum apóstolo/profeta lavando o chão da igreja que ele próprio pastoreia, ou mais ainda, da igreja de alguns de seus empregados (oops! discípulos)?

 

Ou, quando foi que você viu algum grande apóstolo/profeta utilizando o banheiro público? É lógico, que ele tem todas as partes de seu corpo mais ungidas do que você e eu, e por isso não pode utilizar o mesmo assento sanitário que o populacho utiliza!

 

Eu particularmente já ouvi várias pregações e ensinos sobre a vida do apóstolo Paulo. O que vou falar agora, provavelmente você já conhece, mas, creio que servirá para relembrar alguns líderes de como foi que este homem de Deus progrediu em sua carreira espiritual.

 

Em IICo 11.5 ele diz: Em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. Assim estão alguns homens de Deus hoje em dia falando, pois eles em nada são menores do que os presidentes de grandes corporações, e por isso, eles também merecem uma(s) secretaria(s), alguns office-boys, e, é lógico, um bando de puxa-sacos, que ficam prontos para recolherem a saliva de tal homem de Deus, quando o mesmo, por descuido, quando estiver eloqüentemente pregando, começar á junto com suas palavras, cuspir no povo! Estes puxa-sacos recolhem á saliva de seus estimados ‘Fulanos de Tal’, para que se por um descuido de Deus o grande líder vier á falecer, possa ser clonado e retornar imediatamente á sua cadeira estofada, o seu escritório com ar condicionado, suas revistas semanais, periódicos, e talvez de vez em quando á leitura de sua linda e novíssima bíblia com letras douradas, que é tão bonita que ele nem sequer pensa em manuseá-la!

 

Paulo, precisou de algumas bordoadas de Deus, dos homens e do diabo, para mudar o conceito que ele tinha de si mesmo. Veja como ele ainda se autodenominava no meio de sua carreira em Fp 3.4: ...Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais. Veja como ele utiliza o pronome pessoal ‘eu’.

 

Entre o eu era, e o eu sou que se subentende neste versículo, certamente houve algum progresso espiritual, pois no contexto do mesmo Paulo explica que considera como perda tal passado, mas, se necessário for, ele demonstrará que também é alguém importante!

 

Agora, quantos estão por ai se baseando em seus estudos acadêmicos ou eclesiásticos para acharem-se superiores aos demais irmãos da congregação? Quantos estão nas igrejas dando ordens para outras pessoas, simplesmente porque possuem em sua carreira o ofício de gerente de alguma empresa, ou engenheiro, ou advogado, o que para eles, faz com que eles também na Igreja devam ser considerados como os ‘tais’.

 

Existem dois problemas claros que devem ser vistos neste caso:

 

a) – Estas pessoas muitas vezes não possuem nem 1 ano de convertidos, e já são colocadas pelo burocrata que governa a igreja local em posição superior á daqueles que freqüentam a mesma por muito mais tempo, e que conhecem tanto á Deus como á sua santa palavra de forma obviamente mais profunda do que o ‘Sr(a) Profissão’. Isto causa inúmeros problemas, pois quem foi que disse que Deus escolheu os detentores de títulos acadêmicos para serem por Ele utilizados? Quando esta pessoa assume o seu cargo eclesiástico, ela traz consigo normas empresariais e sociais para liderar as pessoas, pois afinal, ele(a) é o Sr(a) profissão, e sabe como governar e dar ordens para os pobres-coitados membros miseráveis da igreja que não tem sequer o Iº grau completo! Á única coisa que o Sr(a) profissão não sabe, é verdadeiramente liderar as pessoas de acordo com a vontade de Deus, pois o mesmo como novo convertido, e como um profissional tão atarefado, não tem tempo para orar e ler a bíblia! Não é ridículo? Mas, é o que mais acontece nas igrejas contemporâneas infelizmente!

 

b) – O segundo problema que pode ocorrer, reside no fato que pela inexperiência espiritual do Sr(a) profissão, este pode começar a transmitir conceitos de sua antiga religião misturados com os preceitos bíblicos. Isto ocorre quase que sempre, porque esta pessoa que normalmente está imbuída das melhores intenções para com os pobres que ela governa, ainda assim, ela pelo pouco tempo de vida cristã que possui, não conseguirá discernir a diferença entre o santo e o profano, o limpo e o impuro (Ez 44.23). Surgirão assim heresias e comportamentos doutrinários inconvenientes ,e, muitas vezes problemas entre os liderados do Sr(a) profissão, na área sexual, emocional e espiritual, resultando finalmente no desvio de muitas pessoas da igreja, e no nascimento de alguns bebês extra-matrimônio.

 

É lógico que o que acabei de relatar não acontece no seu ministério, pois, o seu tesoureiro é uma pessoa que vêm de uma família humilde da região, mas que nunca teve uma mal testemunho entre os donos de botecos da região! O seu vice-presidente é um irmão da igreja que trabalha em uma empresa da região como faxineiro, e foi escolhido para tal posição devido aos atributos espirituais que vem demonstrando no decorrer dos anos!

 

O diretor(a) administrativo de sua igreja, é uma irmã que nunca trabalhou, mas que desde criança teve uma vida espiritual relevante pelas igrejas por onde passou, e que se enquadra nos versículos de Pv 31.10-31.

 

Mas, se o seu tesoureiro é alguém que foi escolhido para tal tarefa simplesmente porque trabalha em uma rede de supermercados como chefe do caixa central (e de vez em quando fica com as quebras§ dos caixas), e não por seus atributos morais e espirituais descritos em ITm 3, tem alguma coisa errada! Se o seu vice-presidente foi escolhido somente porque ele é dono de uma micro-empresa (e você nunca se importa com o fato de que ele sonega impostos), e não porque ele é o único da região que possue uma empresa idônea, tem alguma coisa errada! Se o seu administrador foi escolhido por ser um engenheiro famoso pelos prédios que supervisionou (mas que levava de vez em quando alguns sacos de cimento para á chácara que estava construindo), e não porque demonstra o dom de contribuir liberalmente (Rm 12.8) muito atuante em sua vida, tem alguma coisa errada!

 

Por fim, Paulo em ITm 1.15 disse o seguinte: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal! Nossa! Como alguém pode dizer isso de si mesmo dizem os religiosos. Afinal, você é um ‘crente águia’, dizia um pastor da Venezuela!

 

Você é cabeça, e não cauda! Enfatizam os que só pregam prosperidade. Mas, Paulo teve que no final de sua carreira dizer que era um dos principais dos pecadores!

 

Salomão diz em provérbios 18.12: Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade. É certo que muitos líderes eclesiásticos tem caído em escândalos os mais diversos por causa da soberba. Lembro-me de uma fita VHS que vi á algum tempo atrás, aonde um famoso evangelista relata que no passado ele havia cometido alguns erros, pelo fato de que se achava a ‘última coca-cola do deserto’. Ou seja, por causa da fama, do ‘poder de sua denominação’ e em especial da igreja que ele pastoreava, e pelos inúmeros programas televisivos aonde o lindo rosto dele aparecia, ele considerava-se como alguém superior aos demais cristãos que viviam algumas órbitas abaixo dele! Nesta fita, ele diz que hoje, qualquer criança pode orar (com imposição de mãos) por ele, pois conseguiu chegar a conclusão de que é um simples ser humano, e o título que tinha, não impediu o diabo de atuar na vida dele de forma que foi induzido em grande parte, a cometer os erros que se tornaram públicos naquela época.

 

5.1.1 – Como se tornaram profetas?

No Velho Testamento, um profeta era geralmente chamado de ‘homem de Deus’ – Dt 33,1; ISm 2.27; 9,6; IRe 13.1; 20.28; 25.7-9; IIRe 4.7; IICr 25.7-9 e Ne 12.24. Mas eram também conhecidos como ‘servos de Deus’ -  a palavra hebraica ebed significa um ‘praticante’.

 

A frase ‘o servo de Deus’ é dada somente a Moisés – Dt 24.5; Js 8.31. Mas os adjetivos (seu, teu e meu) servo são usados com relação aos outros profetas – Jr 44.4; Ez 38.17; Dn 9.6; Zc 1.6. Vemos claramente o relacionamento de servo que os profetas desfrutavam com Deus em IIRe 17,13 e Ed 9,11. Eram porta-vozes de Deus e estavam sob ordens para transmitir sua mensagem, sem alterá-la de modo algum. Podemos chama-los de ‘ministros’ de Deus no Velho Testamento.

 

Três palavras hebraicas são usadas para descrever um profeta:

* nabi – significa alguém que chama e é chamado: profetas – servos – ministros – são chamados por Deus, eles chamam as pessoas da parte de Deus, e chamam a Deus para as pessoas.

* roehe e hozeh – são formas diferentes de ‘ver’; significa alguém que vê e é visto; os profetas vêem a Deus, vêem o que Deus está fazendo, vêem os acontecimentos e são vistos por homens e mulheres.

 

Estas palavras propõem a base do ministério no Espírito. Somos chamados pelo próprio Deus, e depois chamados para as pessoas; vemos o que Deus está fazendo, sendo vistos pelas pessoas quando servimos como os ‘praticantes’ de Deus.

 

Sabe-se também que no Velho Testamento, os profetas tinham de ser escolhidos por Deus. Todos os vários relatos de um chamado do profeta demonstram o poder do chamado de Deus. Tinham de escolher o colocar de lado o que estavam fazendo – começando algo que parecia ser difícil – ou desobedecer a Deus – Ex 3.1-4, 17;  Is 6; Jr 1.4-19; Ez 3; Os 1.2; Am 7.14,15 e Jn 1.1.

 

O objetivo principal do chamado não era de enviá-los como divinos moços de recado, mas de convocá-los à presença do Deus santo. Após terem ficado perante Ele, podiam ficar perante reis e nações. Após terem ouvido o Seu chamado, podiam chamar os outros. Este ouvir é o coração de todo ministério no Espírito. Vemos isso em IRe 22; Jr 23.22  e Am 3.7.

 

5.1.2 - O que o seu ministério envolvia?>

Os servos de Deus estavam envolvidos em três atividades principais:

a. falar as palavras de Deus

O coração da sua mensagem era sempre ‘conserte-se com Deus’. Pronunciavam alertas acerca do futuro, o qual validavam usando exemplos das intervenções passadas de Deus; chamavam os ímpios para o arrependimento ao descrever a ira vindoura; e ofereciam benção, chamando os piedosos à santidade – Am 5; Zc 1,14 – 2,3; Os 5 e Is 2,2-5. Eles também chamavam o povo de Deus para cuidar dos pobres e necessitados – Lv 19,9-18; Dt 23,15-25; IICr 28,9-15; Am 2,6-7; 4,1-3 e 8,4-8.

 

Os profetas lembravam o povo do que Deus fizera; usavam o passado para proclamar a natureza de Deus, e então revelavam o que Deus estava prestes a fazer. Isto não era uma suposição inspirada, mas um revelação divina. Não faziam projeções; profetizavam. Falavam aos outros o que tinham ouvido Deus lhes falar – Is 41,21-23 e 45,20-22.

 

b. pleiteando com Deus

Os servos de Deus eram as únicas pessoas no Velho Testamento que podiam interceder com Deus pelas situações e pelo povo. Abraão, um dos primeiros profetas da bíblia, é descrito como sendo capaz de pleitear com Deus com êxito e mudar uma situação – Gn 20,7. Jetro sugeriu que Moisés fizesse da intercessão sua prioridade e Moisés colocou seu conselho em prática – Ex 18,19 e Nm 27,5. Os profetas eram de tal maneira conhecidos como intercessores poderosos, que até os reis rogavam para que eles pleiteassem com Deus aos seus favores – IRe 13,6; IIRe 19,4 e Zc 7,1-3.

 

c. fazendo as ações de Deus

Os servos de Deus eram as únicas pessoas no Velho Testamento que estavam  envolvidas com o milagre – com sinais e maravilhas, cura, aconselhamento e falar com a autoridade profética de Deus. Somente os homens e mulheres que foram ungidos com o Espírito de Deus eram capazes de ser os ‘praticantes’ das ações de Deus – Gn 20; Nm 12; IRe 13; 17,7-24; IIRe 4,8-37; 20,1-11; IICr 25,5-16 e Jr 38,14-28.

 

5.1.3 - Como eram inspirados para ministrar?<

a. a palavra de Deus

Amós 3.8 mostra que a palavra de Deus tinha um impacto dinâmico sobre os profetas. ‘A palavra de Deus veio a’ é a frase mais freqüente que descreve esse tipo de inspiração. ‘Veio a’ é melhor traduzida como, ‘tornou-se ativamente presente em’ ou, simplesmente ‘foi para’. Esta expressão descreve uma conscientização interna da mensagem de Deus, a qual cresce ao longo de um período de tempo – por exemplo, Zacarias 1.1,7. Como vemos em Jr 1.11; 18.1-4, 24 e Amós 7.7, esta instigação às vezes provinha de acontecimentos comuns. Parece que Deus desvendava Sua palavra na intimidade da comunhão particular com Seu servo, ao invés de, através de um lampejo repentino de iluminação. Trata-se de uma inspiração como resultado de meditação, reflexão, observação e estudo.

 

b. o fardo de Deus

Habacuque 1.1 descreve a massa do Senhor. Algumas traduções traduzem-na como ‘mensagem’ ou ‘oráculo’, mas literalmente significa um ‘pão’ ‘fardo’. Ela traz em si a idéia de Deus permitindo que Seu servo sinta o que Ele sente – Is 13.1; 14.28; 15.1; 17.1; 19.1; 21.1, 11, 13; 22.1 e Jr 23.33-40.

c. o Espírito de Deus

A Escritura ensina um associação tão forte entre o Espírito e a profecia, que não há como enfatizar mais. Números 11.29 é a primeira ligação; I Samuel 10 e 19. 18-24 mostram que a descida do Espírito Santo levou à profecia espontânea. Miquéias 3.8 sugere que o Espírito não foi somente a fonte de inspiração para os servos de Deus, mas também que Ele deu-lhes a coragem necessária para entregar a revelação. E Joel 2.28 deixa claro que o recebimento do Espírito devia resultar na atividade da profecia divina – falar as palavras de Deus, a pessoas em particular, no poder de Deus. Isto é uma inspiração instantânea para entrega imediata.

 

d. sonhos, visões e anjos

Os servos de Deus reivindicavam inspiração freqüente através de visões de dia e sonhos de noite – Nm 12.6; Is 6; Ez 12.8; Dn 7.1; Zc 1.8. Em raras ocasiões, anjos eram enviados aos profetas – IIRe 1.3-15; ICr 21.18; Dn 9.21 e Zc 1,9.

 

5.1.4 - Como eles ministravam?

Embora todos os profetas do Velho Testamento fossem inspirados pelo mesmo Deus, cada um tinha um estilo de discurso e ministério distintos. Os profetas meramente transmitiam a revelação que tinham recebido de Deus. Revelação, contudo, não é ditado; assim os profetas deixavam a marca de suas próprias personalidades nas revelações e falavam-nas numa variedade de estilos. Narrativa, prosa, parábolas, discurso direto, sátira, salmos, lamentações, sermões, diatribes±, comentários – todos esses e outros métodos de declaração, foram usados pelos sevos de Deus para transmitir a revelação de Deus.

 

Quando os servos de Deus falavam no Espírito, não expressavam uma opinião – traziam um proferir com autoridade, o qual alterava a situação. O que anunciavam acontecia. Is 40.6-8 e 55.11 revelam o tremendo poder da palavra profética falada. Alguns profetas usavam atos simbólicos e dramáticos como parte da profecia. Não se tratavam de auxílios visuais, mas de atos proféticos que proclamavam o que Deus dissera e pensara – por exemplo, Ex 17.9; Jr 19.1. 10,11; Ez 4.1-3. Outros profetas usavam milagres. De fato os únicos operadores de milagres no Antigo Testamento foram os profetas. Moisés, Elias e Eliseu são exemplos óbvios, mas também vemos isto em IRe 13.1-10.

 

5.1.5 – Jesus, o Grande Profeta!

Em Deuteronônio 18.15-20 Moisés discursa para o povo de Israel acerca de um grande profeta que viria depois dele, e que, este certamente seria o verdadeiro libertador do povo judeu. Ele estava naquele momento preparando o povo para a liderança de Josué. É certo também que de uma forma indireta ele estava profetizando ao povo que Deus enviaria um outro profeta, o qual traria a lei para o povo, operaria milagres e os iria curar. Por causa da interpretação errônea que os líderes israelitas haviam ensinado ao povo, tanto eles como cada um dos judeus daquela época esperavam que o Messias vindouro fosse “outro Moisés”, ou seja, um profeta ao qual Deus revelaria a Si mesmo como o fez em Números 12.6-8; e que repetiria, em grande escala os despojos do Êxodo.

 

Quando os sacerdotes e os levitas questionaram João Batista, em João 1.19-25, queriam estabelecer se ele era ; ‘o Profeta’. E Atos 3.22-24 mostra que Pedro cria que  Cristo era este Profeta. Repetidas vezes, Jesus foi reconhecido pelo povo como um profeta – Mt 21.11; Lc 24.10.19; Jo 4.18; 6.14; 7.52. Em Mateus 13.57 Jesus se considerou como um profeta. Certamente, Ele manifestou todos os sinais de um profeta extraordinário ao longo do seu ministério e seguiu todos os seus princípios de ministério no Espírito.

 

· Os profetas estão perto do coração do Pai – João 1.18 mostra que, entre todos, Jesus é o que está mais perto do coração do Pai.

 

· Os profetas compartilham dos segredos de Deus -  Mateus 11.27 sugere um grau de intimidade incomparável até mesmo ao de Moisés.

 

· Os profetas são servos de Deus – o Evangelho de João revela Jesus como Alguém que está totalmente sob a autoridade de Seu Pai. Mostra que Ele nunca vai a lugar algum, faz qualquer coisa, ou age, a não ser uma área definida com um chamado único.

 

· Os profetas são porta-vozes de Deus – João 12.49,50 relata que Jesus não reivindicou nenhuma originalidade para Seu discurso. Tudo que ele falava era o que o Pai dizia para que Ele dissesse.

 

· Somente os profetas costumavam curar os enfermos – o mendigo de João 9 identificou Jesus como um profeta porque seus olhos foram abertos.

 

· Somente os profetas intercediam com Deus – Romanos 8.34 revela Jesus como o Intercessor.

 

· Somente os profetas transmitiam o conselho de Deus ao povo – Isaías 9.6 aponta para Jesus como o conselheiro maravilhoso.

 

· Os profetas são ungidos com o Espírito – João 3.34 mostra que Jesus foi ungido sem medida.

 

A identificação do Espírito com a profecia no Velho Testamento alcança seu clímax em Jesus. Em Atos 10.38, Pedro citou Isaías 61.1, aplicando-a a Jesus. Seu batismo foi o ponto principal da vida de Jesus. Ao Ter saído do rio, o Espírito veio. Naquele momento, Jesus foi revelado como o Christos – o ungido. Ele foi separado como um profeta amado ungido pelo Espírito para servir e ministrar no Espírito.

 

Em Mt 3.1-12; Mc 1.8; Lc 3.1-18 e Jo 1.19-34, João Batista apresentou Jesus como Aquele que batizaria no Espírito Santo. A primeira atividade profética de Jesus após sua ressurreição foi de batizar Sua Igreja no Espírito Santo – separar a Igreja como uma geração contínua de profetas. Quando o Senhor Jesus batizou os primeiros membros da igreja com o Espírito, Ele estava inaugurando uma nova era e uma nova organização para o ministério profético. Ele reteu o entendimento básico do Velho Testamento, mas a igreja, em vez de indivíduos isolados, tornou-se o centro do ministério profético. Isto significa que o ministério profético deveria estar no centro de toda expressão da igreja hoje. No A.T. podemos observar que os profetas somente recebiam auxílio espiritual de outras pessoas quando estas eram visitadas pelo Espírito Santo. Isto significa que nem todos eram por Ele visitados, e, mesmo estes, não estavam continuamente ‘cheios, ou plenos’ dEle. (vide ISm 10.10,11)

 

Em Nm 11.16,17; 24-30 Moisés precisou de ajuda, mas seu fardo profético podia ser compartilhado somente com aqueles sobre os quais o Espírito vinha. Quando Josué inquiriu acerca da profecia de Eldade e Medade, Moisés respondeu com uma oração profética que tem perdurado ao longo dos séculos, ele disse: ‘Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito’.

 

Deus ouviu e honrou esta oração no Pentecostes quando Ele derramou do Seu Espírito sem restrição sobre a igreja. Desde o Pentecostes, a possibilidade do ministério profético no Espírito foi aberta a todo crente na igreja que tiver sido cheio da pessoa do Espírito Santo. Conforme a interpretação de Pedro em At 2.18, podemos entender que todo crente em Jesus pode ministrar no Espírito, e consequentemente, qualquer um pode ser chamado por Ele para ser um profeta em potencial. Todo crente pode agora ministrar com autoridade e curar as pessoas em suas mais diversas áreas de debilidade, pois o Espírito que nelas habita, as habilita a serem como os profetas do A.T., manifestar o poder de Deus a favor dos homens.

 

A promessa de Atos 2.18 não é que todos serão profetas, mas que todos profetizarão. Esta é uma distinção importante. O profetizar da igreja neotestamentária é visto no comportamento diário dos santos no mesmo livro. Agora, também em Atos nós podemos encontrar passagens que fazem separação entre os cristãos membros da igreja e os profetas que por ela eram reconhecidos. Isto também ocorre em outras áreas ministeriais, como por exemplo, o fato de que todos os cristãos são chamados a evangelizar, mas somente alguns possuem a unção ministerial de evangelista. Todos nós somos enviados por Deus ao mundo com a missão de curar os enfermos, mas são poucos que têm sobre si uma unção específica de cura. Todos são chamados para receber de graça o conhecimento de Deus, e da mesma maneira dar a outros, mas nem todos são mestres! É por este motivo então que estamos aqui elucidando o fato de que todos os cristãos são realmente chamados por Deus para envolverem-se em alguma atividade profética que pode ser desenvolvida em sua casa, bairro, cidade, escola, emprego, etc..., Mas nem todos são profetas!

 

5.2 – Detectando as falhas do Profético

A palavra grega prophetes, ‘profeta’, vem de pro, ‘adiante’, e phemi, ‘falar’. Ela literalmente significa ‘alguém que fala adiante (profere)’, e descreve alguém que fala as palavras de Deus e revela Seus pensamentos. Os profetas são chamados para viver em comunhão íntima com Deus. Entram na Sua presença para ouvir Seus pensamentos, e emergem para pregar, encorajar e explicar o que Deus está fazendo, ou desafiar os padrões e comportamentos da igreja no mundo. O ideal é que os profetas transmitam somente o que Deus está pensando e fazendo, não manchando a mensagem com suas próprias opiniões e valores culturais. No Novo Testamento, parece haver dois tipos de profetas:

 

· Aqueles que atuavam somente dentro da igreja local – onde todas as pessoas eram encorajadas a buscar a Deus por profecia, Atos 13.1; ICo 12.10, 28; 13.1, 8,9; 14.1-6.

 

· Aqueles que eram reconhecidos de forma mais abrangente e atuavam trans-localmente, Atos 11.27,28; 21.10,11: há referência a estes profetas em Efésios 4.11.

 

O ministério neotestamentário do profeta envolvia sete princípios basicamente.

1. Era oficialmente reconhecido. Homens e mulheres, os quais uma igreja local reconhecia num período de tempo ou regularmente para receber e transmitir profecias, eram identificados como profetas. Não eram nomeados a uma posição; eram reconhecidos quando provavam que tinham uma parcela no ministério profético de Cristo.

 

2. O seu ministério envolvia revelação concreta – Atos 11.27-30; 13.1-3.

 

3. Falavam com a inspiração do Espírito Santo – Atos 11.27.

 

4. Não eram infalíveis. A profecia de Ágabo em Atos 21.10 era precisa em termos gerais, mas alguns dos detalhes não ocorreram exatamente como ele havia profetizado. Não anulou a força de sua mensagem, a qual era verdadeira. Mesmo assim, Paulo não agiu segundo a mensagem; mas sim, ele usou-a para se preparar para a dificuldade que viria.

 

Isto mostra que temos uma obrigação séria de ‘julgar’ a profecia, como em I Coríntios 14.29-32 nos ensina. A palavra grega diakrisis, ‘julgar’ ou ‘discernir’ significa ‘separar’, mostrando que os ‘outros’ (a palavra grega allos refere-se aos outros profetas) não aceitam ou rejeitam a mensagem inteira, mas sim, separam o refugo humano e realça a divina parte essencial.

 

5. Prediziam o futuro – Atos 11.27-30; Tm 4.1.

 

6. Davam direção para o ministério, confirmando de forma clara o que as pessoas já sabiam – Atos 13.11-33; ITm 1.18; 4.14; IITm 1.6.

 

  7. Apontavam para o que Deus estava fazendo, como em Atos 11.27-30. Ágabo não exigiu uma resposta humana; ele simplesmente alertou quanto a uma fome que estava por vir, deixando que as pessoas reagissem à medida que eram guiadas. O profeta trans-local transmitia a palavra de Deus, e os líderes locais decidiam como deveriam agir segundo a profecia.

 

5.2.1 – Problemas no Ministério Profético

Existe muito que nos dias atuais estão fazendo de tudo para que nenhum profeta apareça em suas igrejas. Isto porque, nos últimos tempos muitos tem tido experiências negativas com este tipo de ministério. Em muitos lugares os pseudoprofetas provocaram várias aberrações, tais como:

a. Desvio doutrinário

b. Falsas profecias

c. Contendas e dissensões entre os líderes

d. Desvios sexuais

 

É difícil para qualquer líder colocar em prática o versículo 19 do capítulo cinco de ITessalonicenses que diz: “Não extingais o Espírito”, pois, querem continuamente um mover do Espírito no meio da igreja que dirigem, mas, não querem que estes problemas, que normalmente ocorrem aonde o ministério profético se manifesta, venha também acontecer no meio da igreja que eles dirigem, causando-lhes assim enormes problemas. Surge então esta dificuldade, que os coloca entre a cruz e o punhal.

 

Devido aos problemas que já ocorreram em lugares aonde o ministério profético se manifestava, a maioria dos líderes e pastores fazem de tudo para bloquear estes dons carismáticos e ministeriais. Eles sabem que junto com a unção profética, vêm à manifestação do Espírito Santo no corpo de cristãos locais, e isto é algo que traz consigo várias dificuldades de controle da liturgia e de como os crentes devem se comportar no horário de culto, pois na maioria dos locais que ocorrem tais experiências, as pessoas tendem a ficar como que embriagadas, e um tanto dispersas quanto ao que lhes cercam, causando assim uma certa desordem na igreja.

 

Além disto, existe sempre o erro de algumas pessoas começarem a se autoproclamarem profetas, ou exorcistas, ou curandeiros, fazendo assim coisas que estão totalmente longe de serem atribuídas ao Espírito Santo, pois, pertencem mais ao âmbito da carne e do espírito humano. E quando isto ocorre, normalmente trás para igreja problemas de ordem moral, social e principalmente espiritual. O resultado de tais atos é verificado em poucos meses, pois começam a surgir os famosos escândalos religiosos, os quais normalmente envolvem os pseudoprofetas nas mais ilícitas situações que podem ser verificadas em um homem/mulher de Deus, ou seja, sexo ilícito, escândalos financeiros, heresias doutrinárias, e muitas vezes até feitiçaria.

 

Podemos ver estas coisas acontecendo na Igreja de Corinto, a qual por mover-se espiritualmente falando de forma desordenada, permitiu que se criasse em seu meio, situações totalmente contrárias ao propósito fundamental de sua criação efetuada por Paulo, pois este quando evangelizou os primeiros coríntios, certamente lhes explanou da pureza e simplicidade do evangelho do Senhor Jesus Cristo, e quando estes o aceitaram, receberam com certeza o batismo do Espírito Santo. Ou seja, tudo que lhes era necessário para que vivessem uma vida de harmonia social e espiritual, lhes foi ministrado pelo apóstolo, mas estes “se apartaram da simplicidade que há em Cristo Jesus” (Fp 2.5), e cometeram vários tipos de torpeza, sendo explicitamente advertidos pelo apóstolo (ICo 5).  

 

Em contrapartida, isto não impediu que Paulo deixa-se de incentivar os crentes a buscarem ter uma vida espiritual, pois na mesma carta aos coríntios ele diz: “Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons” (ICo 12.31). É certo que Paulo estava irritado e triste por receber tais notícias desta igreja, mas ele sabia que isto ocorria por causa da manifestação do velho homem no seio da igreja, e nunca por causa de um descuido de Deus na hora de distribuir dons aos homens. Gostaria de citar aqui uma frase que sempre é citada pelo Apóstolo Rubens[1] que realça tal concepção, ele diz: “A mentira do homem, não anula a verdade de Deus!”. Sendo assim, devemos dar lugar aos dons proféticos, porém, dentro de alguns limites pré-definidos pela liderança da Igreja local, tais como os que foram recomendados por Paulo em ITs 5.19,20, 21 “Não extingais o Espírito. Não desprezeis profecias. Provem todas as coisas; retenham o que é bom”. Estes versículos indicam que algumas manifestações espirituais devem ser submetidas a um exame antes de serem aceitas como que vindas de Deus. Aquilo que não passar no teste rigoroso das Sagradas Escrituras deve ser literalmente aniquilado, evitando assim que ‘outros espíritos’ possam invadir o ambiente espiritual da igreja.

 

Em Pv 14.4 á Bíblia diz: “Onde não há bois, o celeiro fica limpo, mas a abundância de colheitas é pela força do boi”. Os dons proféticos são como bois; Os bois trazem uma ‘abundância’, mas também criam sujeiras no estábulo; as manifestações do dom de profecia traz bênçãos, mas também podem criar problemas, como os que já tratamos nesta monografia. No entanto, temos de fazer uma escolha. Será que queremos “...a força do boi”, com o estábulo sujo como resultado -  ou um “...celeiro que é limpo”? Você pode ter um celeiro limpo ou você pode ter a abundância juntamente com algumas das desordens que vêm juntamente com o boi.

 

Devido aos problemas que podem resultar do livre funcionamento dos dons do Espírito, muitas igrejas têm expulsado os ministérios proféticos. Isto proporciona um situação agradável, higiênica, e limpa, sem alguns dos problemas e dificuldades que o boi traz. No entanto, perdemos muito, quando jogamos fora os bois. “A abundância de colheitas é pela força do boi”. Se você tem um boi em seu estábulo, você tem que ocasionalmente limpá-lo e remover os estercos. Pastores! Se soubermos quais os problemas possíveis com os dons do Espírito e como lidar com eles, podemos ter estes maravilhosos dons funcionando na congregação com um mínimo de dificuldade. Veremos agora alguns dos erros mais comuns que se encontram no ministério profético, e como podem ser evitados:

 

5.2.2 - Profecias vindas do profeta e não de Deus.

Por todo Antigo Testamento nós encontramos falsos profetas, que por motivos gananciosos afastaram-se do verdadeiro Deus, e passaram a profetizar por “encomenda”. Em IReis 22 nós encontramos o relato de um verdadeiro profeta de Deus, que lutou contra os profetas gananciosos daquele período. No livro de Neemias, também podemos encontrar alguns relatos de profetas que profetizavam de acordo com a soma monetária que lhes era dada (Ne 6.10-14). Outro caso que quero relatar encontra-se em Amós 7.10-17, um relato sublime de como deve se comportar um verdadeiro profeta de Deus, diante das situações que o cercam. Pois os falsos profetas estavam como sempre trazendo uma mensagem que agradava os ouvidos dos líderes da nação, mas o verdadeiro profeta de Deus estava trazendo outro tipo de mensagem, a qual não agradava muito aos seus ouvintes. Por este motivo, o sacerdote de Betel (Amazias), procurou intimidar o profeta de Deus, mas como um verdadeiro profeta, ele não se exaltou, mas sim confiou no Deus que o havia arregimentado para este serviço. No versículo 14 Amós diz: “Eu não sou profeta nem pertenço a nenhum grupo de profetas, apenas cuido do gado e faço colheita de figos silvestres. Mas o Senhor me tirou do serviço junto ao rebanho e me disse: Vá, profetize a Israel, o meu povo” (grifo do autor). Infelizmente, o sacerdote não se arrependeu de seu pecado, e conta à história que ele morreu naquele mesmo ano, em cumprimento a profecia do verdadeiro profeta (Am 7.17c).

 

Deixo aqui a minha opinião de que, quando não estamos alinhados a vontade de Deus, é melhor evitar qualquer tipo de confronto com um verdadeiro profeta de Deus, pois, o que ele fala, normalmente se cumpre! Infelizmente, muitas pessoas estão nos dias atuais profetizando coisas que surgem de seus próprios corações. A princípio, não podemos afirmar que isto é algo literalmente induzido pelo diabo na vida do (a) profeta, antes pelo contrário, geralmente é algo que o próprio profeta cria em sua mente. “Então o Senhor me disse: É mentira o que os profetas estão profetizando em meu nome. Eu não os enviei nem lhes dei ordem nenhuma, nem falei com eles. Eles estão profetizando para vocês falsas visões, adivinhações inúteis e ilusões de sua próprias mentes” (Jr 14.14). Este tipo de erro era muito comum no tempo de Jeremias, e gostaria aqui de levar você a observar algumas causas para que tantos profetas houvessem se corrompido naquele período da história israelita.

 

a.         A nação estava desfragmentada, e sendo levada ao cativeiro.

b.        Havia escassez de alimentos, para o povo e para os líderes espirituais.

c.         Estes profetas vinham de uma linhagem deturpada de líderes, e por este motivo, não possuíam bons exemplos á seguirem.

d.        Existiam muitos mercenários políticos, e consequentemente espirituais.

 

É óbvio que nenhum destes ou de quaisquer outros motivos serviam para justificar tais ações por parte dos profetas de Israel, mas, infelizmente a maioria deles foi corrompida, ou tornou-se apóstata, impedindo então o verdadeiro mover de Deus em suas vidas, e dando liberdade para o mover de seus próprios espíritos, em vez de serem guiados pelo Espírito Santo de Deus, começando assim a profetizar aquilo que lhes vinha na mente, ou traduzindo em miúdos, profetizando para o povo, para os nobres e reis, o que mais lhes agradava, e não o que verdadeiramente precisavam ouvir! Agora, penso eu, se naquela época em que o Espírito Santo ainda não havia sido derramado, já existia ‘vários falsos profetas, imagina nos dias atuais, onde muitos querem ‘profetizar’ com o intuito de ganhar algum dinheiro ou fama, (At 8.19).

 

5.2.3 -  Profecias geradas por uma motivação errada

No tempo de Moisés, Deus já dava instruções para nação de Israel saber lutar contra os falsos profetas, dando-lhes um meio totalmente eficaz de identificar alguém que não profetizasse em nome do Senhor. Deuteronômio 18.22 diz: “Quando um profeta falar em nome do Senhor, e esta tal palavra não suceder, nem se cumprir... o profeta a falou presunçosamente...”, e, em Jeremias 23.16 Ele disse: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: não ouçam as palavras dos profetas que... falam a visão dos seus próprios corações, e não da boca do Senhor”. O interessante nestas duas passagens é que Deus diz ‘profeta’ e não homem ou mulher, o que significa que, aqueles que trariam para o povo falsas profecias, seriam profetas verdadeiros, mas que devido á vários motivos os quais muitas vezes são alheios á compreensão humana, começariam á trazer palavras que não vinham da boca de Deus, e por este motivo deveriam ser rejeitados, e em muitos casos, mortos (Dt 18.20b).

 

No livro de Colossenses o apóstolo Paulo nos dá uma séria advertência, pois ele ensina que a ‘cobiça... É idolatria’ (Cl 3.5). Quando a motivação por detrás de nossos ministérios é obtermos dinheiro, ou fama, ou o louvor dos homens, tornamo-nos semelhantes a Balaão, que estava disposto a vender o seu dom e leiloá-lo pela oferta mais alta. Portanto, assim sendo, é de vital importância que as nossas motivações sejam corretas ao funcionarmos no profético.

 

Todo o capítulo 13 de Ezequiel contém algumas repreensões de Deus contra os falsos profetas, as quais desde o versículo 2-10 nos dizem: “Filho do homem, profetiza aos profetas de Israel que profetizam... dos seus próprios corações”. Vrs. 3 “... profetas loucos que seguem os seus próprios espíritos e não viram nada!” O vrs 5 define um dos grandes fracassos destes profetas “Não subistes às brechas, nem reparastes as fendas da Casa de Israel, para estardes na batalha...” vrs 7 “Acaso vocês não tiveram visões falsas e não pronunciaram adivinhações mentirosas quando disseram ‘Palavra do Senhor’, sendo que eu não falei?” Logo depois de descrever os erros dos profetas, Ezequiel trás à tona os julgamentos que viriam sobre estes homens e mulheres que desviavam o povo do caminho do Senhor (Ez 13.11-16). Veja bem que, neste capítulo constrangedor, o Senhor está demonstrando os perigos de se misturar às impurezas da idolatria e das motivações egoístas com o verdadeiro ministério dirigido pelo Espírito. Se não mantivermos um padrão de retidão e santidade em nossas vidas, abriremos certamente as portas para que espíritos de engano comecem a atuar em nossas vidas.

 

 

 

5.2.4 -  Ser guiado por espírito de adivinhação

Muitas pessoas são enganadas pelo inimigo nesta área tão importante do ministério profético. Normalmente, isto ocorre devido ao fato de que estes não conhecem claramente á funcionalidade do dom de palavra de conhecimento, o qual só pode ser dado á um cristão, pela pessoa do Espírito Santo de Deus. Em contrapartida, sabe-se que os falsos profetas (médiuns, adivinhos, chamãs, pajés) possuem, aparentemente este mesmo poder de conhecer algo sobre a vida de uma pessoa, sem que esta tenha tido anteriormente com o mesmo qualquer contato anterior. Isto faz com que muitos sejam induzidos por tais pessoas á tomarem atitudes que os levam cada vez mais para o fundo do poço! É por este motivo que muitos, não acreditam que um verdadeiro profeta de Deus possa saber algo sobre alguém de forma sobrenatural, pois, acreditam que somente os acima classificados, é que “trabalham” nesta área.

 

No livro de Atos 16.16-18, nós vemos uma jovem que possuía tal espirito atuando em seu ser, e por este motivo, dizia coisas que pareciam provir de Deus. “Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que nos mostram o caminho da salvação”. Esta parecia ser uma boa palavra, mas, sabemos que era uma declaração provinda de um espírito satânico, o qual possuía aquela garota (At 16.16). Sendo assim, Paulo no devido tempo repreendeu aquele espírito e o expulsou daquela garota, pois como homem de Deus que era, não poderia permitir que um espírito de orgulho (o qual era enviado para Paulo e Silas juntamente com os elogios), o persuadisse a crer que era alguém merecedor de honrarias humanas.

 

Algumas traduções deste versículo sugerem que um ‘espírito de adivinhação’ possuía esta garota, mas uma tradução literal de pneuma puthona seria ‘espírito de piton’. Piton foi o nome na mitologia grega do dragão Pítias, o qual habitava nos pés o Monte Parnasso, guardando o oráculo de Delfi. Ele foi morto por Apolo e o nome foi transferido para Apolo, sendo freqüentemente aplicado a vaticinadores e adivinhadores. Estes eram considerados como sendo inspirados por Apolo quando agiam como ventriloquistas de espírito.

 

O problema surge, quando um verdadeiro profeta começa a ministrar influenciado por este tipo de espírito, e não pelo Espírito Santo de Deus. No A.T., nós temos vários exemplos de profetas que assim eram induzidos, e em IRe 22.11,12,13 nós encontramos um exemplo claro deste tipo de situação: “Todos os profetas profetizaram assim..., “seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles e fala o que é bom”. Ou seja, profetiza o que está sendo encomendado pelo Rei, ou, permita que um outro espírito, e não o Espírito Santo de Deus conduza tua língua! Infelizmente, nós vemos muitos agindo assim também nos dias atuais, pois preferem falar boas palavras para o povo, ou para os líderes, visando sempre um lugar de descanso e destaque, pois com tais palavras não terá nunca ninguém que o(a) olhe de forma negativa, mas antes vai sempre estar nas graças do povo e dos líderes eclesiásticos “... fala o que é bom 13.c”. O primeiro problema que ocorre quando alguém, ou alguns são seduzidos por este tipo de profecia, está descrito em Ez 13.4,5, que diz: “Os teus profetas, ó Israel, são como raposas entre as ruínas. Não subistes às brechas (alma dos seus ouvintes), nem fizestes muros (área espiritual dos seus ouvintes) para a casa de Israel, para que ela permaneça firme na peleja no Dia do Senhor (ou seja, quando esta (s) pessoa (s) tiver que dar contas ao Senhor de como viveram na Terra).

 

Ao meu ver o segundo problema imediato ocorre com o próprio profeta, pois veja o que diz Ez 13.9 c/ Hb 10.31 “Minha mão será contra os profetas...”; “... horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

 

Com certeza o terceiro problema imediato que ocorre, diz respeito ao local onde tal falso (a) profeta ministra, ou seja, a comunidade ou igreja que permite que uma pessoa assim tenha voz ativa no meio do povo. Veja o que diz Os 5.4 c/ Ap 2.20: “O seu proceder não lhes permite voltar para o seu Deus, porque um espírito de prostituição está no meio deles, e não conhecem ao Senhor”, “Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa...”. Não há dúvidas de que a igreja também é prejudicada quando os seus líderes não detectam um falso mover profético em seu meio. Podemos dizer que:

a – indivíduos são seduzidos e influenciados negativamente

b – tais profetas sofrem condenação da parte de Deus

c – a igreja/comunidade também sofre

 

 

 

5.2.5 -  Ser motivado por ganância ou por pressão de homens

 

Na segunda carta de Pedro 3.15,16, existe uma passagem que relata o fim trágico de um profeta do Antigo Testamento chamado Balaão, ela diz: “... Balaão,... recebeu, porém castigo da sua transgressão..., um mudo animal..., refreou a insensatez do profeta” (ênfase acrescentada). O apóstolo Pedro está falando de algo ocorrido no tempo de Moisés (Nm 22-25), mas que de uma certa foram também ocorria em sua época, pois os espíritos malignos que atuaram na vida de Balaão naquela época, erram praticamente os mesmos que estavam usando pessoas no tempo do Novo Testamento. Iremos enfatizar aqui somente alguns aspectos desta doutrina de Balaão, são eles:

 

a – corrupção monetária “ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e ouro” Nm 22.18.

 

b – feitiçaria “... ensinava a Balaque a armar ciladas...”.

 

5.2.6 -  Profecias que não condizem com o ensino Bíblico

Conforme Deuteronômio 18.22, quando um profeta fala algo que não se cumpre, o tal deve ser visto com bastante cuidado, e se possível afastado por um tempo de suas funções ministeriais, até que ele possa resolver tal problema em seu ministério. Pode ser que, nem sempre aquilo que o profeta falar, se cumpra de uma forma literal, pois mesmo os profetas do A.T. tiveram alguns erros em suas predições. Em Jr 27, vemos que Deus dá uma palavra para o profeta acerca do jugo que Ele colocaria sobre algumas das nações mais poderosas daquele período, e por este motivo, o profeta deveria fazer canzis (correias) e colocá-los em seu próprio pescoço por alguns momentos, e logo depois, os deveria enviar aos reis de Edom, Moabe, Amom, Tiro, Sidom e o rei da Babilônia. Não existe nenhuma referência Bíblica ou Histórica de que estes canzis foram realmente enviados. Mas, isto não quer dizer que o profeta falhou, mas sim que a alegoria da profecia falava de algo, superior a aquilo que os olhos pudessem enxergar, e no devido tempo o jugo de Deus caiu sobre cada uma das nações mencionadas (algumas só receberam o jugo de Deus após anos da morte do profeta), levando-lhas ao cativeiro ou á ruína total.

 

Um outro exemplo que podemos dar está em Isaías cap. 38-40, onde lemos: “Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás”. Meu Deus, que palavra forte! Creio que até o profeta tremeu quando Deus lhe revelou que o rei de Judá iria morrer. Mas como um bom profeta de Deus ele foi cumprir o seu chamado, e levou esta palavra para o Rei. O Missionário Josué Yrion diz em algumas de suas preleções que ‘em barco que têm comandante, marinheiro não opina’! Isaías talvez não conhecesse este provérbio popular, mas sabia que o que Deus falou, tá falado!

 

A dificuldade de análise desta palavra de conhecimento/profecia aparece, quando Deus de uma hora para outra, manda o profeta Isaías retornar ao palácio e trazer outra palavra para o rei, ele disse: “... acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos” (vrs. 5b). Opa, Opa, Opa! Que conversa é esta! Quer dizer que Deus mandou o profeta trazer uma profecia, e logo depois se arrependeu, e mandou ele trazer uma outra profecia para remendar o erro? É lógico que a resposta é não! O que aconteceu então? O versículo dois nos traz o começo da resposta: “Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao Senhor”.

 

Quando o rei tomou esta atitude, ele tomou a atitude que Deus queria que ele tomasse, ou seja, Deus queria que o rei vivesse com base ao seu poder, amor e misericórdia, e não com base em seu poderio bélico e intelectual. Podemos tirar esta conclusão quando lemos II Re 20.1 em conjunto com IICr 32.24, os quais demonstram que quando esta palavra de Deus veio por intermédio do profeta Isaías para o rei Ezequias, ele já tinha a segurança de que Deus o livraria das mãos do rei da Assíria (IIRe 19.20 c/ IICr 32.21), e consequentemente, permitiu que um espírito de orgulho o dominasse, trazendo junto consigo como conseqüência imediata uma enfermidade mortal (... naqueles dias... IIRs 20.1). Ninguém sabe exatamente que tipo de enfermidade acometeu o rei, mas podemos somente dizer que o rei ficou:

a – fraco fisicamente -> Is 38.13...Quebrou todos os ossos.

b – sofreu opressão -> Is 38.14c

c – ficou amargurado -> Is 38.15b

d – estava em pecado -> Is 38.17c

e – estava com ulcera ou câncer de pele (possível tradução) -> Is 38.21

 

Como falamos anteriormente, creio que quando o rei arrependeu-se de seu orgulho (... lançaste para trás de ti todos os meus pecados Is 38.17c), Deus imediatamente mudou sua sorte (Então, veio à palavra do Senhor a Isaías... Is 38.4). Provavelmente, o profeta tinha passado na cozinha do palácio para comer algum bijuzinho, pois, a cozinheira do palácio era famosa por seus bijús! E, depois de fartar-se desta iguaria, cantou alguns corinhos com os sacerdotes que também estavam de passagem pela cozinha do palácio, indo logo tomando o seu caminho. Depois de ter este pequeno contratempo de mais ou menos duas horas, o profeta (que tinha antecestrais mineiros) já estava calmamente saindo da parte central da cidade, quando veio novamente a palavra de Deus para ele retornar ao palácio, e dizer que Deus tinha concedido ao rei mais quinze anos de vida (IIRe 20.4-11).

 

Antes de terminar este mini-esboço de pregação quero somente destacar duas coisas, que são realmente importantes nesta passagem.

I.              O profeta foi humilde o suficiente para obedecer prontamente à voz de Deus, e, deu o novo recado ao rei. Devemos ter esta mesma atitude, quando percebemos o que Deus está falando em um momento, e transmitir o que Ele falar em outro momento, ainda que sua segunda ordem seja totalmente “contrária” a primeira, pois o Senhor é Ele e não nós!

 

II.            Vê-se que o profeta não se sentiu menor, por ter que usar de um artifício natural para completar a palavra que Deus trouxe por intermédio dele. Digo isto porque, se Deus disse que iria curar, não era necessário usar nenhum remédio! (Isto é o que dizem os fanáticos e desmiolados). Se algum profeta mais antigo (Elias ou Eliseu) estivesse vivo nos tempos de Isaías, talvez diria que ele não tinha fé para ministrar a ‘unção de cura’. Mas, certamente o profeta além de ser um homem de fé, era também um homem que tinha os pés no chão, pois utilizou algo medicinal para efetuar uma ordem espiritual (... tomai uma pasta de figos IIRe 20.7).

 

 

 

5.2.7 - Usar as profecias para governar a outtros

Com o advento do Novo Testamento, ficou claro que ninguém deveria ser guiado por profetas ou profecias, pois todos receberam a mensagem de que Cristo é a cabeça da Igreja (Ef 1.22), ou seja, todos os cristãos devem obedecer somente o comando do único cabeça, o qual juntamente com o Espírito Santo, guia suas ovelhas/discípulos aos rios de águas tranqüilas profetizado por Davi (Sl 23), e incorporado por Cristo (Jo 10.1-18; 16.13). É certo que os líderes eclesiásticos recebem dele o direcionamento para a comunidade ou grupo de pessoas que dirigem (Hb 13.7; 17), e que por este motivo, são responsáveis por dar um direcionamento aos seus discípulos. Mas, isto não quer dizer que os mesmos podem ter o poder de governar ou controlar os membros de seu rebanho.

 

5.3 - Sendo corretamente influenciados pelas profecias[2]

Existem duas correntes de interpretação acerca da prisão do apóstolo Paulo descrita no livro de Atos. A primeira diz que ele teria mesmo que ser preso pela vontade de Deus, pois assim testemunharia em Roma acerca do evangelho. A segunda corrente de interpretação, diz que ele errou no quando menosprezou o conselho dos profetas e líderes que não criam ser da vontade de Deus para ele naquele momento, à sua resolução de ir até Jerusalém, pois conforme uma palavra do profeta Ágabo “Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios” At 21.11b. Caro leitor cabe a você escolher qual corrente teológica mais lhe agrada, mais com base a esta linha de raciocínio acima apresentada, eu lhe recomendo que no mínimo dê um pouco mais de atenção ao que dizem os verdadeiros profetas para que você não seja preso, física moral ou espiritualmente falando. “Por isso, os abati por meio dos profetas; pela palavra da minha boca, os matei; e os meus juízos sairão como a luz”. (Vide Tb Am 7.12-17 c/ Jr 44.16-19)

 

Nesta Monografia iremos analisar um pouco mais de perto os versículos apresentados por uma destas correntes, que neste caso crê que Paulo foi aprisionado em Roma porquê não ouviu á Deus.

 

Sabemos que a norma bíblica é a de não sermos governados (ou dirigidos) pelos profetas ou pelas profecias. Eis aqui um exemplo disto através da vida do Apóstolo Paulo. Em Atos capítulo 20, encontramos Paulo a caminho de Jerusalém. Ele quer ir para ‘ganhar judeus para Jesus’, mas há um probleminha. Ele não foi chamado por Deus para ganhar os judeus para Jesus; ele foi chamado para ganhar os gentios (Atos 9.15; 13.47; 22.21 e Gl 1.16, 2.7).

 

Os únicos judeus que ele poderia talvez ganhar para Jesus seriam os que haviam sido dispersos para fora de Israel às cidades gentias do Império Romano. Estas eram as cidades às quais Paulo havia sido chamado como missionário. Quem era o apóstolo dos judeus? Pedro! (Gl 2.7-9). Paulo, no entanto, amava de tal forma o seu próprio povo judeu que ele disse que poderia desejar ser ele próprio amaldiçoado se ao menos ele pudesse influenciá-los a crer em Jesus (At 17.1,2; Rm 9.3).

 

Apesar dos nossos desejos e paixões pessoais, não podemos fazer o que não fomos chamados a fazer. Há limitações que Deus coloca em nossos ministérios, ordenando-nos e chamando-nos a certos grupos étnicos e/ou a certas regiões geográficas do mundo. Paulo tinha sido chamado para gentios. Qualquer que seja o seu chamado, fique dentro dos seus limites! Na jornada em que seguiremos agora, vemos Paulo no caminho a Jerusalém, com a intenção de ministrar aos judeus de lá: ‘E eis que agora, ligado pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo as coisas que hão de acontecer a mim lá, exceto que o Espírito Santo testemunha em todas as cidades, dizendo que prisões e tribulações me aguardam lá’ (At 20.22,23).

 

Paulo estava indo, ligado em seu próprio espírito (‘e’, com letra minúscula) e não no Espírito Santo. Ele disse que o Espírito Santo testemunhava em todas as cidades que prisões e aflições o aguardavam em Jerusalém. Em todas as igrejas que ele visitava, pessoas dirigidas pelo Espírito lhe diziam: “Paulo, a única coisa que está esperando você em Jerusalém são prisões e aflições”. Mas o que ele fez? Ele não era governado por profetas ou profecias. Ele simplesmente continuou indo.

 

Em Atos 21.14 encontramos Paulo em Tiro, onde ele ficou com certos discípulos durante sete dias. Estes bons irmãos lhe disseram ‘através do Espírito’ (com ‘E’ maiúsculo, indicando que era o Espírito Santo) que ele NÃO deveria subir a Jerusalém. Isto não era claro o suficiente? Mas o que Paulo fez? Ele continuou indo. Ele não era governado por profetas nem profecias.

 

Um pouco mais adiante, Paulo e sua equipe chegaram a Cesaréia, onde ficaram com Filipe, o evangelista. Enquanto estavam lá, o profeta Ágabo chegou e deu a Paulo uma severa admoestação com relação a viajar a Jerusalém (veja Atos 21.8-14). E o que Paulo fez? Ele continuou indo. Ele não era governado por profetas nem profecias. Se todas as igrejas estiverem dizendo-lhe a mesma coisa, se houver irmãos repetindo-lhe a mesma mensagem pelo Espírito, e estes profetas estiverem repetindo a mesma mensagem vez após vez, preste atenção! Você deveria ser influenciado pelo que você ouve de tantas fontes confiáveis assim.

 

Entende-se que Paulo deveria ter parado, considerado, e ouvido, mas ele estava determinado a ganhar os judeus para Jesus, e, assim sendo, ele continuou viajando a Jerusalém. “Quando eu [Paulo] voltei a Jerusalém, enquanto orava no templo, fui arrebatado para fora de mim e vi o Senhor dizendo-me: Apressa-te e sai apressadamente de Jerusalém, pois não receberão o teu testemunho acerca de Mim”. (At 22.17,18)

 

Jesus na verdade apareceu a Paulo no templo de Jerusalém, enquanto ele orava. O Senhor lhe disse para sair apressadamente, porque os judeus de lá não receberiam o seu testemunho. O que Paulo fez? Ele começou a argumentar com Jesus!

 

A resposta final de Jesus foi: “Vai, pois enviá-lo-ei para longe, aos gentios” (At 22.21). Em essência, o Senhor estava tentando explicar a um Paulo muito teimoso o seguinte: Eu, não te chamei para ganhar os judeus para os judeus; Eu te chamei aos GENTIOS, Paulo, GENTIOS! GENTIOS! GENTIOS! O que Paulo fez? Ele ficou lá mesmo em Jerusalém. Mas, como Jesus lhe havia dito, os judeus mais tarde o colocaram em grilhões e o entregaram – aos gentios! E onde os gentios o levaram? Onde Deus queria que ele estivesse – Roma!

 

Assim sendo, se você não for livremente ao lugar que Deus planejou para você, talvez Ele o leve em grilhões. Deus quer que a Sua vontade seja cumprida, como neste caso da vontade de Deus trazendo Paulo finalmente a Roma. Vós, “... estais guardados pelo poder de Deus, através da fé para a salvação... em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora, por um tempo sendo necessário, estejais contristados através de várias tribulações” (IPe 1.5,6). No entanto, se você teve um forte rio profético fluindo e entrando em sua vida, isto pode ser um sinal para você considerar seriamente o que está sendo falado a você. É muito mais agradável permitirmos ser influenciados, do que sermos acorrentados!

 

 

 

 

 

 


CONCLUSÃO

 

Após um longo período de inverno, chegou o verão! Concluímos este estudo, com uma observação da atitude cotidiana de Paulo, pois quando este se apresentava a si mesmo dizia: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo”, ou seja, ele não se apresentava primeiro como apóstolo, e em seguida dava o seu nome (Apóstolo Paulo), pois certamente ele sabia que o exercício dos dons, nunca deve vir à frente do caráter cristão. Por este motivo, nós devemos respeitar as pessoas, pelo o que elas são, e não que pelo o que elas fazem. Os líderes não devem procurar a admiração dos outros por causa dos seus títulos, mas sim por causa do seu comportamento.

 

Como você pode perceber, nesta monografia vários aspectos da doutrina pneumática ficaram de fora. Isto porque, como foi dito na introdução, o  meu intuito era abordar os aspectos gerais da doutrina de dons espirituais com uma pequena ênfase no profetismo bíblico. Digo pequena, pelo fato que os livros proféticos ocupam praticamente a metade dos escritos tidos por proféticos no conjunto bíblico protestante (da qual o autor é representante), e, por este motivo merece estudos com uma profundidade maior do que o requerido para um T.C.C. do curso o qual estou me formando.

 

Quero salientar que, os pontos abordados são por assim dizer caminhos por onde os teólogos e futuros bacharéis poderão iniciar suas pesquisas etimológicas ou doutrinarias para futuras monografias ou teses de mestrado. Quando estabeleci uma fagulha de discordância quando á diferença entre as listas de dons referidas por Paulo em suas epístolas, o fiz com bastante clareza, e, procurei no mínimo estabelecer pontos de luz na interpretação que tenho sobre tais passagens. O profeta Oséias diz “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor; Os 6.3. Quero utilizar este versículo para dizer que:

 

ü      O cânon neotestamentário fechou no concílio de Nícéia 325 d.C., e por este motivo nenhuma outra revelação dada aos homens de toda era da Igreja terá um peso igual ou superior ao que já foi revelado.

 

ü      Após o período apostólico, vários homens eruditos e piedosos surgiram através dos tempos e até os dias atuais temos brilhantes catedráticos nas mais diversa áreas da teologia. Isto me leva a crer que dificilmente conseguirei através desta, suplantar todo o ensino que por séculos vem sendo dado por estes homens quanto á abordagem dos dons espirituais, e principalmente do ministério profético, o qual abordei neste estudo.

 

ü      A única coisa quero pedir aos meus leitores, é que no mínimo, após esta leitura, que cada um de vós, procure com um senso crítico, mas sensato, buscar entender o que foi dito, e, no caso daqueles que discordarem, tentem estabelecer bases sólidas para vossas linhas de raciocínio, podendo assim viver diariamente á exortação do profeta acima colocada.

 

Mostrar-lhes-ei agora somente mais um fato bíblico que podemos abordar, o qual será útil para os leitores. Sabe-se que o ministério profético desde o período Adâmico existia, mas, somente em tempos futuros é que este desenvolveu-se. Temos no período pré-mosaico vários representantes desse mover: Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, etc... Sl 105.15. Todos estes tinham alguma característica de um verdadeiro profeta. Em sua grande maioria, todos possuíam o Dom de revelação!

 

Quando Moisés surge no quadro bíblico, demonstra um desenvolvimento deste ministério Ex 6.3. Outro grande expoente deste ministério no Antigo Testamento foi Samuel ISm 3.20, o qual iniciou o ciclo das escolas de profetas com sede em Betel sua terra natal.

 

O ponto que quero chegar nesta conclusão, encontra-se em IIRe 5.8b que diz: “...Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel”. O objetivo mor desta monografia foi levar conhecimento aos leigos sobre o assunto, e ministrar ao corpo de cristo um ensino coerente com a nossa situação atual aonde “... muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (IJo 4.1b), cabendo assim aos líderes terem o conhecimento necessário para distinguir entre o falso e o verdadeiro.

 

Mas, cito este versículo para falar especificamente com os verdadeiros profetas de Deus. Creio que cabe a nós nesta geração, termos o mesmo ímpeto ministerial que repousava sobre Eliseu. Passando um olhar rápido pelo contexto deste versículo, sabemos que o rei de Israel recebeu uma carta do rei da Síria acerca de seu comandante do exército (Naamã), o qual era leproso, e que tinha ouvido dizer que em Israel havia um profeta de Deus que o poderia curar de sua lepra. Quando o rei recebeu esta carta ficou  temeroso, pois não possuía poder para realizar tal tarefa. Mas, quando o ‘profeta’ recebeu a notícia, logo prontificou-se á realizar o milagre!

 

Ao meu ver, um(a) verdadeiro(a) profeta de Deus deve assim como Eliseu, estar pronto para resolver os problemas que surgem no Reino de Deus (Igreja) e no dos homens (Mundo/Humanidade em Geral). Cabe á nós profetas fazer as coisas que os outros membros do Reino de Deus não estão fazendo, ou seja, milagres e maravilhas. É lógico que eu não estou dizendo que estas coisas só podem ser feitas pelos profetas, pois nas comissões dadas por Jesus, não há distinção para quem por Ele seria usado nesta área (Mc 16.17; Lc 10.9; etc...). A questão está no fato que, um verdadeiro profeta certamente deve buscar em Deus esta unção para operar milagres, pois só assim será confirmado como o tal! Faço somente uma observação, nunca se auto nomeie profeta: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus... Hb 5.4”.

 

“Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta” Nm 11.29

“...Porventura, são todos profetas?” ICo 12.29

 

 

 

Fim!!!

 

“...e há de ser que o deus que responder por fogo esse é que é Deus”

IRe 18.24.

 

 “Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele”     Jo 9.17b

 

“Todos ficavam possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” Lc 7.16.

 

 

 

 

 

 

 

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¨ Norman Parish é o apóstolo  fundador da Comunidade Cristo Centro com sede na Guatemala.

§ Quebra nos caixas de  hipermercados, é a falta encontrada entre o total de entradas no registro do caixa, e o montante de dinheiro, cheques, etc, que ele apresenta no final do expediente. Se tal débito for menor do que R$ 5,00 o funcionário não é penalizado. Se um  hipermercado com 70 caixas, tiver dez quebras no dia, os funcionários e o chefe podem sempre ficar com R$ 2,50 cada. Sendo assim, o seu tesoureiro rouba por dia da empresa R$ 25,00 ou X 6 na semana e X 4 semanas, um valor igual á R$ 600,00.

± critica severa

[1] O Ap. Rubens de Mattos é Presidente das Comunidades Cristo Centro do Brasil.

[2] Estudo baseado no artigo extraído da Revista Atos Abril-Junho 2002. Vol. 16 Nº 2.

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