Base Bíblica: IICrônicas 19.13.
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O Ministério Profético
Estudo realizado Jefferson Ronaldo
INTRODUÇÃO
O assunto que
pretendo abordar, têm sido causa de discussão por
vários séculos por parte dos teólogos e leigos que adotam uma ou outra forma de
interpretação de uma única passagem bíblica. Os versículos que têm sido ao
longo de todo este tempo motivo de discussão está localizado em ICo 13.8-10 que diz: ‘...mas,
havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência,
passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém,
vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado’. Porque esta
passagem causa tanta controvérsia você me pergunta?
Isto ocorre devido ao fato que baseados nele, alguns afirmam que os dons espirituais encontrados em várias listas do novo testamento, cessarão junto com o apagar das luzes do movimento apostólico primitivo. Para estes, quando morreu o último apóstolo nomeado por Cristo, morreu também o mover espiritual que os acompanhava, pois segundo estes teólogos, os dons serviram para aquele momento da Igreja Primitiva. Além disto, ‘o que é perfeito e que estava sendo aguardado já veio, ou seja, a conclusão do cânon sagrado o qual já no período patrístico estava sendo utilizado em larga escala, e, conforme nos demonstra á história da igreja cristã, nos concílios realizados na idade média, foram quase que universalmente reconhecidos, tendo praticamente naquele período a composição que encontramos em nossas bíblias atuais.
Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a correção na justiça...(IITm 3.16). Alicerçado neste texto pretendo mostrar através de toda bíblia qual base nos dá a melhor interpretação acerca desta discordância teológica. Nesta resenha você poderá encontrar argumentos pró ou contra tal linha de raciocínio, e estes lhe servirão para um esclarecimento sobre tal assunto, podendo assim te levar a uma visão mais clara dos dons espirituais na igreja contemporânea.
O famoso teólogo
franco-alemão Oscar Cullman em seu livro “Cristologia do Novo Testamento” (2001: 31-74),
demonstra uma linha de pensamento que devido as credenciais do mesmo
pretendemos analisar. Ele nos diz que: Aqueles que chamavam Jesus como “profeta”, não queriam com isso simplesmente classificar-lhe
dentro de uma certa categoria de homens existentes em sua época? De fato alguém
se sentiria tentado a crer que se chamou a Jesus “profeta” para indicar sua
profissão, como o chamaram de rabbi,
mestre. Porém, convém notar que na época do Novo Testamento, a profecia, como
profissão regular e organizada, já não existia no judaísmo.
Por outro lado, quase
não havia mais profetas no sentido especificamente israelita do termo, quer
dizer, homens visitados pelo Espírito, que recebiam de Deus uma vocação
particular. O antigo profetismo havia se extinguido progressivamente; e
praticamente não existia mais senão sob a forma escrita de livros proféticos.
Isto por si bastaria para mostrar que, ao chamar a Jesus “profeta”, não se classificava-o simplesmente em uma categoria profissional
determinada. Porém, o argumento decisivo é que na maior parte das passagens
onde este título lhe é dado, Jesus não aparece somente como um profeta, mas
como o profeta – a saber: o último
profeta, aquele que devia “cumprir” toda profecia, no final dos tempos.
Segundo Foulkes
(1986:73-85), o ministério profético (ou pelo menos o nome de profeta) logo
morreu na Igreja juntamente com a morte da primeira geração eclesiástica. Sua
obra, que era receber e declarar a palavra de Deus sob inspiração direta do
Espírito, era mais vital antes da existência de um
cânon das Escrituras do Novo Testamento. Em escritos do segundo século lemos
acerca de profetas, mas em importância decrescente.
Os escritos
apostólicos começavam a ser lidos largamente e aceitos
como autorizados, e estes foram paulatinamente substituindo a autoridade o dos
profetas. Ao mesmo tempo, o ministério local assumiu cada vez mais importância,
maior que a dos ministros itinerantes, e a isto, acrescentou-se o problema de
que surgiram muitos falsos mestres e “profetas” por conta própria que iam de
lugar em lugar, como vendedores ambulantes, cada um a oferecer sua mercadoria.
Ralph & Gretchen
Mahoney são os diretores editoriais da revista ATOS à qual é uma adaptação para
o português do World MAP. Este ministério trabalha com líderes da América
Latina, África e Ásia. Sua ênfase está no preparo teológico dos tais para poderem responderem as mais diversas indagações feitas por
leigos ou clérigos religiosos. Por este motivo estou listando nesta resenha
bibliográfica trechos do artigo publicado por esta revista (2001: 1-24), pois
certamente merecem algum respeito. Eles descrevem que há cerca de 86 anos
atrás, aconteceu um despertamento espiritual que gerou uma denominação
conhecida como “O Movimento Apostólico de Gales”. Concebido por uma grande
visitação de Deus, este movimento inspirou alguns dos ensinamentos mais
profundos sobre o cargo do apóstolo e do profeta. As crenças doutrinárias dos
que estavam envolvidos neste reavivamento, com relação a apóstolos e profetas,
tinham uma base realmente bíblica. Deus deu aos líderes de igrejas galeses
revelações singulares sobre os dons ministeriais retratados em Efésios 4.11 “E
Ele deu alguns para apóstolos, alguns para profetas, outros para evangelistas,
outros para pastores e mestres...” Nos primeiros anos deste movimento, Deus
levantou muitos apóstolos e profetas verdadeiros. A posição doutrinária deles afirmava que os apóstolos e profetas
deveriam trabalhar juntos.
Os apóstolos não deveriam sair para
ministrarem, a menos que fossem acompanhados por um profeta, e vice-versa.
Estas equipes foram distribuídas por todo o mundo, e eles saiam com grande
poder para ministrar as pessoas. Em Lucas 11.49 Jesus ensinou: “Portanto... disse a sabedoria de Deus: Eu
lhes enviarei profetas e apóstolos...” ICo 12.28 nos diz: ”Deus colocou alguns na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo
lugar profetas...” Observe a ligação nesses versículos dos apóstolos e
profetas. Aí então, em Efésios 2.20 Paulo diz que a
Igreja está “edificada no fundamento dos
apóstolos e profetas.” Ele
une estes dois ministérios no sentido de trabalharem juntos na colocação dos
fundamentos da Igreja. A ligação entre o cargo do apóstolo e do profeta em
todos estes versículos é um indicador de que estes dois cargos funcionam
juntos. O Pr.
Caio Fábio (1991: 86-96), contra argumenta que os dons são para a Igreja de
hoje, pois todos fomos batizados no Corpo de Cristo (ICo 12.13). Vimos que o que Paulo diz no contexto que se
segue a esta passagem está relacionado ao fato de que a diversidade dos dons
encontra um recíproco positivo na unidade da Igreja através do batismo com o
Espírito Santo, algo que todos os cristãos receberam. Além disso, a salvação e
os dons são acontecimentos inseparáveis. Na epístola de Tito 3.4-7, vimos que
aquele que nos salvou por sua graça é
o mesmo que derramou abundantemente o
Espírito sobre nós. Observe que no Novo Testamento, salvação e dons do Espírito
são ambos obra da graça de Deus. Em Ef 2.8,9 se diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a
fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se
glorie”.
Em seu livro
Restauração na Casa de Deus, o Pr. Ubirajara Crespo (1997: 106-111) analisa
esta passagem de Ef 4.7,11,12 dizendo que é
interessante como Paulo começa este texto falando da graça concedida a cada um. Esta palavra vem do grego karis que é a raiz da palavra carisma karisma.indivíduos são dotados pelo
próprio Jesus, dos dons (Karismas) descritos em Efésios 4. Os ministros são
pessoas dotadas espiritualmente de dons que os capacitem a servir a Igreja.
Em seu comentário de
I Coríntios Leon Morris (1981: 149-150) diz o seguinte: Salienta-se a duração
do amor. O amor jamais acaba, sendo
que o verbo é o comumente empregado com o sentido de “cair”. Vem a ser usado no
sentido de “colapso” , “sofrer ruína”. O amor nunca
sofrerá um destino assim. “As muitas águas não poderiam apagar o amor” (Ct
8.7). contrariamente a esta duração do amor, Paulo
coloca o passamento certo de dons em que
os coríntios se fixavam como sua abundante reserva de provisões. As profecias desaparecerão. O verbo é katargeõ, que significa basicamente
“reduzir a nada” “tornar inútil”. As profecias
são a apresentação daquilo que Deus diz aos homens por meio do profeta. Mas
quando estivermos diante de Deus, não haverá lugar para o profeta. Então as profecias não terão lugar; estarão
completamente sem razão de ser.
CRÍTICA
Agora que vimos os diferentes pontos de vista acerca deste versículo de ICo 13.8, quero declarar minha opinião sobre o assunto. Paulo inicia o capítulo que fala acerca de dons espirituais dizendo que quanto ao assunto, ele não queria que os crentes de corinto fossem ignorantes. Isto demonstra á importância de se ter uma compreensão teológica correta acerca do assunto, e, muito mais ainda, possuir uma vivência adequada dos mesmos, tanto de forma pessoal, quanto no ambiente eclesiástico.
Para tal, pretendo deixar claro que o objetivo deste estudo é o conhecimento bíblico correto sobre esta doutrina pneumática-cristológica. Mas, faço uma observação que julgo ser neste caso conveniente: “...O saber ensoberbece, mas o amor edifica” ICo 8.1b. Certamente todos os autores acima citados, possuem títulos acadêmicos que demonstram o grau de conhecimento dos mesmos nesta área teológica. O problema talvez inicia-se quando um ou outro pende para uma visão que lhe agrade ou convenha ressaltar em detrimento com outra. Para tal fato, na segunda carta aos coríntios nós encontramos o antídoto: ‘Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade’ IICo 13.8.
Sendo assim, provavelmente tais teólogos que afirmam á inexistência dos dons da forma que eles se manifestavam no passado na igreja atual, estão ligeiramente equivocados, ou, presos á uma visão teológica parcial, pois por todo novo testamento encontramos explicações de como os dons deveriam ser administrados pelo corpo de Cristo, e também por cada indivíduo deles dotado. Quando Paulo fala a Timóteo ele o exorta seu discípulo á reavivar o dom de Deus que nele havia, e em outra passagem ele o exorta a combater o bom combate com base nas profecias que ele havia recebido. (ver ITm 1.18; IITm 1.6)
Quando se fala que os dons desapareceram após o período patrístico, devemos observar o fato por outro ângulo de vista, pois isto ocorreu devido principalmente á manifestação contrária do diabo no meio da igreja, e consequentemente com o afastamento da mesma de seu primeiro amor (Ap 2.4), o que propiciou á entrada da religião, á qual certamente atua de forma contrária á vontade de Deus.
Um outro fato, relaciona-se com a questão do abafamento das manifestações espirituais genuínas, ou seja, mesmo que Deus estivesse atuando em algum lugar ou igreja, para os líderes da igreja oficial, tais relatos eram constantemente negados, ou quando divulgados, os mesmos eram demonstrados com uma visão contrária á realidade. É por este motivo que vemos na idade média muitos cristãos sendo queimados vivos, ou sofrendo algum outro tipo de punição por parte da igreja oficial. Sendo que normalmente o único erro que eles haviam cometido, era o de terem crido em Deus, e terem sido usados por Ele para realizarem curas, milagres ou por profetizarem, ou por terem tido algum tipo de revelação espíritual, que naquele período da igreja era considerado como manifestações satânicas, ou obras realizadas por bruxos. Portanto, dificílmente naquela época alguém buscaria ter em sua vida as manifestações espírituais que eram relatadas na bíblia, e isto por dois motivos:
a) Poucos tinham acesso as sagradas escrituras, pois estas estavam nas mãos dos sacerdotes e dos nobres.
b) Aqueles que de algum modo pudessem ler os textos bíblicos, mesmo se o conseguissem compreender, certamente evitariam sequer comentar suas opiniões, pois somente os sacerdotes da igreja instituída é que possuiam o “poder” e a santidade necessária para interpretar os textos sagrados.
Os que promoveram tal ação, a fizeram pelo motivo que lhes convinha ter um povo submisso as suas leis e tradições, e que vivessem longe do Deus verdadeiro. É por este motivo que creio ser necessário nos dias atuais uma compreensão clara acerca deste assunto, e a conseqüente vivência dos mesmos de forma equilibrada e em harmonia com os ditames bíblicos.
REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA
1. ARAÚJO, CAIO FÁBIO.. Espírito
Santo, O Deus que Vive em Nós. 1ª ed.. São Paulo: CLC
Editora, 1991. 160p.
2. CRESPO, UBIRAJARA.. Restauração na Casa de Deus. 1ª ed.. São Paulo: Editora Naós, 1997.143p.
3. FOULKES, FRANCIS.. Efésios, Introdução e Comentário. Reimpressão.. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1986.150p.
4. MORRIS, CANON LEON.. I Coríntios, Introdução e Comentário. 1ª ed.. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1981.199p.
5. MAHONEY, Ralph.. Compreendendo o Profético na Igreja de Hoje. Minas Gerais, v. 16, n. 2, p. 3-38, abril/junho. 2001.
6. CULLMAM, OSCAR.. Cristologia do Novo Testamento. 1ª ed.. São Paulo: Editora Liber, 2001. 440p.