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Base Bíblica: IICrônicas 19.13.

Esforça-te, e pelejemos pelo nosso povo, e pelas cidades do nosso Deus. Faça o Senhor o que parecer bem aos seus olhos. Messias

BRASIL


Cristo em Vós...
Estudo realizado Jefferson Ronaldo

APRESENTAÇÃO

 

Estaremos neste estudo focalizando o versículo 1.27 da epístola de Paulo aos Colossenses, mas, antes disto, veremos qual a localização desta cidade, o propósito geral de Paulo ao escrever esta carta, o conteúdo da mesma, sua estrutura, e alguns outros pormenores os quais servirão para a elucidação do texto proposto para análise exegética.

Colossos

A informação que atualmente possuímos da cidade de Colossos é escassa. Sabemos que se erguia às margens do rio Lico, afluente do Meandro, a uns 175 km a leste de Éfeso; e que, do ponto de vista administrativo, pertencia à província romana da Ásia. Houve uma época em que gozou de certo prestígio comercial, mas a partir do ano 61 d.C., depois de um violento terremoto, entrou em processo de tanta decadência, que logo chegou quase ao desaparecimento total.

Para Paulo, a Igreja de Colossos era pessoalmente desconhecida na data em que escreveu esta epístola. A pregação do evangelho naquela região da Ásia Menor havia sido confiada a Epafras, residente na cidade (4.12) e talvez o fundador da Igreja. Os crentes que compunham esta igreja, eram de procedência gentílica.

Propósito

Apesar da sua curta existência, a igreja já havia começado a acusar a infiltração de doutrinas que se desviavam do evangelho. Essa notícia recebida por meio de Epafras, alarmou a Paulo, que se achava preso, possivelmente em Roma.

Neste documento se revela a influência que alguns hábitos residuais das antigas crenças religiosas dos habitantes da cidade, exerciam entre os crentes de Colossos (2.8, 14-17), e além disto, eles estavam sendo pressionados pelos judaizantes (2.11-13,16).

Por tudo isto foi que Paulo decidiu escrever esta epístola, trazendo através dela refutações a tais ensinos, e estimulando á fé dos líderes da igreja e de seus discípulos.

Conteúdo e Estrutura

O corpo central da Epístola aos Colossenses, está estruturado em três grandes seções, precedidas de uma breve introdução (1.1-8) e seguidas de um epílogo que contém notas pessoais e saudações de despedida (4.7-18).

Data e Lugar de Redação

Esta epístola oferece uma especial coincidência de nomes próprios com a dirigida a Filemom, também escrita na prisão. Mas o paralelismo mais notável se dá entre Colossenses e Efésios. É provável que ambas pertençam à mesma época (os anos 60 e 61 d.C.), o que explicaria a semelhança dos temas expostos, a forma semelhante de tratá-los e os paralelos de estilo e de vocabulário. Tradicionalmente se considera que Colossenses foi escrita neste período em Roma.

INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

 

Cl 1.27 a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é [Cristo] em vós, a esperança da glória;

Cl 1.27 - oiV hqelhsen o QeoV gnwrisai ti to ploutV thV doxhV \tou musthriou toutou en toiV eqnesin, o eVtin CristoV en umin, h elpiV thV doxhV.

Segundo Halley (752; 1994), Pearlman (441; 1977), e Gundry (1981; 446), "Cristo em vós, a esperança da glória" é a essência da mensagem de Paulo nesta epístola, ou seja, Cristo é o cabeça do universo. Chegamos a Ele diretamente, não por anjos intermediários. Cristo, não está em um sistema filosófico, nem em um conjunto de regras, mas Ele mesmo é nossa sabedoria, nossa vida, a esperança que temos da glória. Ser cristão é essencialmente, amá-Lo, viver nEle, como pessoa, gloriosa e divina pessoa, por quem o universo foi criado, e em quem há completa suficiência para a redenção e eterna perfeição do homem.

O termo ‘mistério’, alude à verdade espiritual oculta dos incrédulos, mas revelada aos crentes. Este era então o ministério de Paulo aos Colossenses, revelar Cristo á cada um deles de forma que os mesmos pudessem conhecê-Lo e serem por eles possuídos.

O motivo deste estudo está em uma ênfase diferenciada deste versículo que proponho demonstrar. Creio que quando Paulo utilizou o substantivo ‘Cristo’ do grego "Cristos, ou, o", ele estava referindo-se ao Senhor Jesus, ao Filho de Deus, ao Filho de Maria, ou seja, falava daquele que caminhou nesta terra, comeu, bebeu, estabeleceu apóstolos, morreu e ressuscitou!

Vejamos o que diz o Dicionário da Bíblia (pg 132) acerca deste vocábulo:

Cristo – O Ungido, nome correspondente ao hebraico Messias. Quando se falava do rei de Israel, dizia-se: "O Ungido"; assim se denominou Saul, e depois dele o rei Davi. O termo foi emprestado da versão dos Setenta, Sl 2.2; Dn 9.25. Quando empregado pelos escritores do Novo Testamento, tem o artigo determinativo e quer dizer o Messias do Antigo Testamento Mt 16.16. Às vezes o determinativo o é omitido Mt 26.68. A palavra Cristo, ainda que empregada no sentido primitivo, é constantemente associada à palavra Jesus, nome aplicado à pessoa do Filho do Homem, que lhe foi dado desde o berço e que ficou como parte integrante do seu nome.

Tal argumentação faz-se necessária pelo fato que em alguns círculos teológicos, existe um ensino errôneo sobre esta passagem. O ensino destes ‘teólogos’ é o seguinte:

  1. Cristo é igual á Messias, que vêm do Hebraico (Mashia) e para nós é traduzido como ‘Ungido’.
  2. O vocábulo era utilizado no Antigo Testamento para falar acerca da ‘unção’ que os homens recebiam para ministrarem o oficio sacerdotal (Arão e seus filhos), para separar os reis de Israel (Saul, Davi e outros) ou para separar os profetas (Elias e Eliseu).
  3. Consequentemente, segundo estes teólogos, ‘Cristo é vós’, significa que a unção que estava sobre Cristo, vêm sobre os Cristãos em geral.

Quero explicar bem o que é que estes teólogos estão ensinando, pois ao meu ver este tipo de ensino pode dar base para um doutrina herética. Quando dizem que a unção vem sobre o cristão, falam que não é Jesus quem vêm habitar no crente, e sim, á unção dEle (um espécie de poder dado por Jesus) que é colocada dentro do cristão para que ele possa trabalhar na obra de Deus.

O conceito é complicado, pois, com este ensino estão querendo dissociar a pessoa do Senhor Jesus do "Cristo", como se Jesus fosse o nome dele, e Cristo fosse somente uma espécie de nomenclatura que lhe era dada pelo fato de que um certo poder estava atuando nEle, mas não era um simples reconhecimento da natureza do Filho de Deus.

Continuam dizendo que assim como Jesus foi Ungido (Cristo) na ocasião do seu batismo (Mt 3. 13-17), os cristão precisam receber a unção (cristo) de Jesus sobre eles. Eta coisas complicada! Este ensino é tão estranho que eu não sei como foi que tais homens conseguiram inventá-lo. É como se eles estivessem dizendo que Jesus na ocasião de seu batismo houvesse recebido um crachá o qual o habilitaria á trabalhar dentro de uma grande empresa, e, por assim dizer, poderia fazer qualquer coisa dentro da mesma (serviços operacionais e executivos), com uma habilidade totalmente extraordinária e superior á qualquer outro funcionário. E, nos dias atuais, quando um cristão recebe tal crachá, pode também (é lógico que em uma escala um pouco inferior á de Jesus), executar as mesmas tarefas que Jesus no passado fez nesta grande empresa, à qual é neste caso uma analogia do mundo em que vivemos nos âmbitos físico, emocional e espiritual.

Finalmente, quando eles utilizam este versículo em suas preleções, eles dizem: "Cristo em vós", ou seja, uma unção em vós, para viverem suas vidas cotidianas, e para exercerem o ministério. Pois, Cristo é a unção e não Jesus habitando dentro do crente!

Quando eu ouvi tal besteira, pensei imediatamente em um texto de João 14.23 que diz: "...Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, e viremos para ele e nele faremos morada". Este texto é claro quanto á questão de que Jesus e o próprio Deus Pai viriam habitar dentro do homem/mulher que o amar. Além disto, no mesmo capítulo Jesus diz que o Espírito Santo também habitaria dentro do crente: "...o Espírito da verdade..., pois habita convosco, e estará em vós".

A interpretação destes versículos é muito lógica! Somente um herege poderia duvidar de tal ensino, que demonstra a questão de um crente em Jesus ser totalmente possuído por Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Veremos então a partir de agora como foi que o Apóstolo Paulo tratou desta questão quando falou sobre Jesus, e entenderemos que para ele, Jesus era o Cristo, Cristo era Jesus, o Espírito de Cristo era o Espírito de Jesus, o Pai de Jesus era o mesmo pai de Cristo, o Senhor era o Cristo, e o Jesus era o Senhor...

Ou seja, não houve em Paulo nenhuma suposição de que haviam duas pessoas em uma, ou que Jesus possuía um ‘manto’, um ‘óleo’, um ‘poder’, ou qualquer outra besteira que qualquer teólogo herege possa inventar! Para Paulo, a utilização de tal substantivo era tão comum, que ele o utilizava em consonância aos outros nomes que eram dados para Jesus, tais como o nazareno, ou o filho de Maria ou o irmão de Tiago, pois, quando as pessoas usavam tais termos era instantaneamente subentendido que estavam falando de Jesus, e não de algo que ele tinha ou manifestava.

ESBOÇO DA DOUTRINA

Vejamos os seguintes textos, conforme a ordem que eles aparecem na disposição de nossas bíblias atuais, e poderemos então perceber claramente que na teologia paulina não há base alguma para tal discurso teológico!

Todos os textos aqui listados possuem alguma referência as palavras "Jesus" ou "Cristo", sendo que normalmente elas se encontram juntas, ou precedidas do substantivo "Senhor", dando assim a entender que, sempre que Paulo utilizou tais vocábulos, estava referindo-se á uma pessoa! Para que aja uma compreensão melhor por parte dos leigos no assunto, estarei comentando alguns versículos, e quando necessário, fazendo alusões aos comentários de outros teólogos sobre os mesmos.

Romanos

Nesta epístola o vocábulo aparece 67 vezes, e normalmente vêm em conjunto com o substantivo masculino singular "Jesus", demonstrando uma intima ligação entre o nome próprio Jesus, e o sobrenome Cristo. Podemos afirmar também que Paulo várias vezes ‘troca’ o nome e o sobrenome, pois utiliza "Cristo" como sendo o nome e "Jesus" como se fosse o sobrenome.

É óbvio que na cultura judaica o nome tinha várias particularidades! Podemos ver isto quando estudamos a doutrina da divindade, e as nomenclaturas que dentro da bíblia são dadas á pessoa de Deus o Pai, como por exemplo:

- El Shaday – Deus Todo Poderoso

- Elhoim – Deus dos deuses

- Jeová Jirê – Deus Provedor

Quando estudamos Pneumatologia vemos também tais diferenças, ainda que em menor quantidade, quando á pessoa do Espírito Santo é citada:

- Sopro de Deus

- Meu Espírito

- Poder do Altíssimo

O interessante é que quando estudamos a pessoa de Jesus Cristo, vemos também algumas diferenças quanto ás formas de tratamento que lhe são dadas, mas, nenhuma delas ofuscam a junção entre estes dois vocábulos. Certamente á questão do significado destas palavras quando analisadas em sua raiz semântica, nos dão o valor que possuíam para o contexto social judaico do primeiro século, porque ainda naquela época, usava-se como motivação para dar nome á uma criança, os acontecimentos mais repentinos na família ou na nação. Havia também para o judeu á questão de preservar os nomes dos ancestrais mais famosos (Lc 1.57-66). Nesta mesma passagem percebemos que Deus as vezes intervinha diretamente na opinião dos pais quanto ao nome que estes deveriam dar ao filho.

Já no caso de Jesus, sabemos que o seu nome foi dado diretamente por Deus (Lc 1.31 c/ Is 7.14), em cumprimento de várias profecias do Antigo Testamento. IISm 7.9, 12-14,16; Is 9.7; Mq 5.2)

1.7 a todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados para serdes santos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus [Cristo].

Existem três formas de alguém ter um nome importante, o qual é reconhecido aonde quer que esta pessoa for:

1º_ Herança Familiar (Reis, Rainhas, Príncipes, Duques, etc..) deixam para os seus herdeiros o ‘poder’ de receberem na terra o mesmo título. Nos dias atuais vemos dentro do sistema monárquico Inglês tal fato. Quando a rainha Elizabeth II morrer, o seu filho Príncipe Charles herdará o trono e se tornará Rei da Inglaterra.

2º_ Por mérito. Nos dias atuais não é tão comum tal situação, mas temos como exemplo para isto a premiação anual do prêmio Nobel da Paz. Este ‘eleva’ alguns cidadãos ao status de cidadão padrão mundial, e traz assim ao escolhido (a) uma elevação á um nível social mais alto ao que recebe tal premio. (Chico Mendez۰ é um exemplo disto)

_ Através da força. Na história da raça humana, este têm sido um dos métodos mais utilizados para um homem/mulher obter um nome reconhecido. Dentre os vários exemplos que me ocorrem, quero mencionar um nome que é um tanto desagradável, mas que esclarece bem este ponto. Hitler! Todos nós sabemos que este homem não era nenhum gênio, artista, intelectual, nobre, etc..., mas, devida sua eloquência e força de persuasão conseguiu de uma forma nefasta adquirir um nome que até hoje é temido, pois quando surge pessoas ao redor do mundo com ambições totalitárias e discriminatórias (anti-semitismo por exemplo), esta é prontamente identificada como um ‘tipo’ de Hitler.

Quando Paulo fala acerca de Jesus em suas cartas, ele o destaca como alguém que merecia os três títulos supremos da humanidade, ou seja:

Senhor = Kiryos – Esta era a tradução integral do nome hebraico de Deus (YHWH) o qual significa Senhor de tudo e de todos. Vide Ex 3.15

Jesus = Jeová Salva, que além dos vários significados que estavam incutidos neste nome, dava-lhe o poder de ser igual ao Deus do Antigo Testamento que ‘salvou’ a nação israelita do cativeiro (Ex 3.6-7; Mt 1.27).

Cristo = Cristo é igual á Messias, que vêm do Hebraico (Mashia) e para nós é traduzido como ‘Ungido’. (Is 45.1/ Mt 1.17- 2.4)

Paulo como profundo conhecedor dos vocábulos acima citados, os utilizava com a maior naturalidade, e, como é o objetivo deste estudo elucidar, dizia que Cristo é aquele que vive, e mora (habita) dentro do cristão. É por este motivo, que devemos tomar cuidado com doutrinas estranhas ao ensino cristológico neotestamentários.

Abaixo, seguem-se alguns versículos que comprovam esta visão. Observe que, por várias vezes o apóstolo não utiliza o nome Jesus, mas somente Cristo, mostrando assim que para ele, utilizar um ou outro nome era indiferente, pois, sabia que seus leitores entenderiam que ele estava falando de uma só pessoa, e não ‘como dizem tais teólogos’ de uma força, ou poder ou capacidade (unção) que vagava pelas regiões celestiais, e derrepente entrava dentro de alguém!

1.8 Primeiramente dou graças ao meu Deus, mediante Jesus [Cristo], por todos vós, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

6.3 Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em [Cristo] Jesus fomos batizados na sua morte?

6.4 Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como [Cristo] foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

8.9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de [Cristo], esse tal não é dele.

8.10 Ora, se [Cristo] está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.

8.17 e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de [Cristo]; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

8.35 quem nos separará do amor de [Cristo]? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

9.1 Digo a verdade em [Cristo], não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo,

9.3 Porque eu mesmo desejaria ser separado de [Cristo], por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne;

16. 24 [A graça de nosso Senhor Jesus [Cristo] seja com todos vós. Amém.]

16.27 ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus [Cristo] para todo o sempre. Amém.

I Coríntios

1.2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em [Cristo] Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus [Cristo], Senhor deles e nosso:

Observe o quão interessante é o fato do apóstolo dizer de forma variada o nome do Senhor neste versículo. Agora, logo abaixo (vers. 6) temos um versículo no qual ele não cita as palavras ‘Jesus’ e nem ‘Senhor’, dando a entender a questão de que para ele, somente citando o nome ‘Cristo’, já ficaria claro para os seus ouvintes que ele estava falando de Jesus, pois se estivesse falando do vocábulo criw = ungir (Gingrich; 228), daria certamente margem de erro na interpretação do texto por parte de seus ouvintes, pois estes poderiam associar esta mensagem com qualquer outra mensagem bíblica ou não que já tivessem ouvido.

1.6 assim como o testemunho de [Cristo] foi confirmado entre vós;

1.12 Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de [Cristo].

Veja bem, se naquela época houvessem os discípulos do rei Ciro (Is 45.1), ou seja, os "cirianos", quanto pano para manga este versículo daria! Digo isto porque, talvez o líder da seita (um homem muito piedoso por sinal!) diria que quando Paulo referiu-se á Cristo, não estava referindo-se á Jesus, pois isto seria uma blasfêmia! Donde já se viu dizer que qualquer homem normal poderia competir com o grande mestre nazareno Jesus? O que Paulo queria dizer neste versículo (para apoiar a validada da seita), é que Jesus é o maior de todos os homens, mas "Ciro = Cristo = Ungido" era igual á ele mesmo, á Pedro e á Apolo, e nenhum deles deveria ocupar o lugar supremo de Jesus!

Você entendeu bem o que lhes ensinei agora? Sabemos que os católicos dizem que Jesus é o filho de Deus, mas, para eles os ‘santos’ Paulo, Pedro, Agostinho e outros mais, possuem também um certo renome no céu, e por isso são dignos de veneração! Agora, conforme o exemplo que eu dei de uma interpretação errônea do versículo, qualquer pessoa poderia utilizá-lo para tentar persuadir os seus ouvintes á um ungido qualquer que viveu no passado ou vive no presente (Buda, Maomé, Moon, etc...). Portanto, é objetivo deste estudo demonstrar-lhes que Jesus é o Cristo, e que Cristo é Jesus!

1.13 será que [Cristo] está dividido? foi Paulo crucificado por amor de vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

1.17 Porque [Cristo] não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de [Cristo].

Ênfase no cap. 15 inteiro, pois demonstra como Paulo utilizou fartamente os dois vocábulos.

II Coríntios

11.23 são ministros de [Cristo]? falo como fora de mim, eu ainda mais; em trabalhos muito mais; em prisões muito mais; em açoites sem medida; em perigo de morte muitas vezes;

Gálatas

2.16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em [Cristo] Jesus, temos também crido em [Cristo] Jesus para sermos justificados pela fé em [Cristo], e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.

Efésios

5.23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também [Cristo] é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo.

Filipenses

1.20 segundo a minha ardente expectativa e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a ousadia, [Cristo] será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.

Colossenses estudo à parte

I Tessalonicenses

2.14 Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em [Cristo] Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus;

II Tessalonicenses

2.1 Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus [Cristo] e à nossa reunião com ele, rogamo-vos, irmãos,

I Timóteo

Tito

2.13 aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador [Cristo] Jesus,

3.6 que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus [Cristo], nosso Salvador;

Filemon

8 Pelo que, embora tenha em [Cristo] plena liberdade para te mandar o que convém,

* Para aqueles que crêem que foi o apóstolo Paulo o escritor da epístola aos hebreus, coloco abaixo dois versículos para reforço da tese que defendo.

* Hebreus

3.6 mas [Cristo] o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.

13.8 Jesus [Cristo] é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.

Notas Explicativas

Vimos que no pensamento judaico contemporâneo ao Novo Testamento, o Messias (Cristo) era imaginado como um Filho de Davi divinamente ungido e especialmente capacitado, o qual iria subjugar o odioso domínio pagão e libertar o povo de Deus. É um fato marcante, tendo em vista o grau de interpretação teológica incorporado pelo Quarto Evangelho, que ele também não incorpora o uso cristão de épocas posteriores. De modo geral, em João, com duas exceções (1.17: 17.3), Cristo é usado como um título, e não como um nome próprio; e a primeira das duas exceções mencionadas é um anacronismo legítimo. Neste ponto o Evangelho reflete integralmente seu ambiente judaico. O Evangelho foi escrito não com a finalidade de os homens crerem em Jesus Cristo, mas para que eles possam crer que Jesus é o Cristo. Jesus era o seu nome, não Jesus Cristo. A expressão Cristo tornou-se um nome próprio somente quando o evangelho atingiu o mundo helenistico (At 11.30). João raramente reflete este fato.

O Evangelho faz ressoar a nota cristológico desde o seu princípio: um dos primeiros discípulos, André, diz a Pedro que encontrou o Messias (1.41). O Evangelho acuradamente reflete a atuação política da época, pois logo que Natanael encontrou-se com Mestre ele disse "...o Rei de Israel" (Jo 1.49). É óbvio que a soberania messiânica de Jesus não estava localizada na esfera política, como esperavam os discípulos e toda nação judaica, mas sim, na espiritual.

Do mesmo modo, o título "Christos" não é, em si mesmo, adequado para designar a pessoa e a missão de Jesus. Ele não é apenas o Messias; ele é o Messias que também é o Filho de Deus (Jo 20.31; 1.49; 11.27).

Ele é o Messias no sentido de que ele cumpre a esperança messiânica do Velho Testamento de um libertador que havia de vir (Jo 1.45). Esperava-se que o Messias permanecesse oculto até que, repentinamente surgisse em cena (Jo 7.27), mas Jesus era uma figura bem conhecida. Quando falou a respeito de sua morte iminente, os judeus responderam-lhe: "Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre" (Jo 12.34). Citando essas palavras, João não está fazendo referência a qualquer profecia especifica, mas ao modo pelo qual os judeus interpretaram o Velho Testamento (ver Is 9.6). Era uma contradição de termos o fato de que o Messias devesse morrer, pois sua missão seria reinar no Reino eterno de Deus.

Muito embora a idéia de Jesus como o Rei messiânico não seja central no pensamento Joanino, as referências casuais encontradas em seu Evangelho refletem uma situação histórica quantos permite afirmar que Jesus fez e ensinou coisas que levaram algumas pessoas a pensarem que era o Messias, porém, ainda assim, ele não se ajustava ao padrão esperado. É difícil crer que isto refletia a situação da própria época do evangelista, a não ser que ele estivesse escrevendo para uma audiência composta primariamente de judeus. A confissão normativa de Jesus no mundo gentílico não era a de Jesus como o Cristo, mas como Senhor (Rm 10.9). A situação da própria época de João encontra-se refletida de modo mais adequado nas epístolas dele, onde, de modo comum, Cristo é usado como nome próprio. Contudo, as expressões o Cristo e o Filho de Deus não são intercambiáveis e, ainda assim, não podem ser identificadas como sinônimas.

Conhecemos a obra de Cristo de seus autotestemunhos, de sua história e do testemunho dos apóstolos. O resultado desse testemunho tríplice é tão amplo que se torna imperioso ordenar e dividir essa grande riqueza. Nessa divisão da obra de Cristo, o mais simples é ater-se ao princípio da seqüência cronológica. Consoante a isto, Gess, por exemplo, faz distinção entre a obra de Cristo 1) nos dias da carne, 2) entre a morte e a ressurreição, 3) entre a ressurreição e a ascensão, 4) entre a ascensão e a segunda vinda, 5) na Segunda vinda, e 6) quando se completarem os tempos, isto é, na eternidade. Nós manteremos aqui a seqüência cronológica, porém de tal forma que possamos manter a divisão da obra de Cristo conforme seus ministérios: o profético, o sacerdotal e o régio.

Essa divisão parte do pressuposto de que Jesus é "o Ungido" (em hebraico, Messias, em grego, Cristo). A obra de Cristo é o cumprimento de todas as obras que, já no Antigo Testamento, haviam sido perpetradas por ungidos de Deus. Na antiga aliança, eram ungidos os sumos sacerdotes, reis e profetas.

É compreensível que Jesus, ao começar a aparecer publicamente, não se apresentou aos judeus como o Messias, pois a esse conceito eles associavam idéias e expectativas falsas, carnais, e ideológicas totalmente equivocadas. Por esse motivo também não pôde dar atenção às vozes de entre o povo que o aclamavam como o Messias (Jo 6.14; 7.26, 31). Sim, inclusive teve que proibir aos discípulos que falassem publicamente de que ele era o Messias. Não obstante, queria ser o Messias de Deus. Ele próprio confessou como tal (Jo 4.25s; Mt 26.63s) e se alegrou que seus discípulos o reconheceram e viram nEle não o Messias como herói nacional, e, sim, como o Filho do Deus vivo (Mt 16.16, cf. Jo 11.27).

Na obra da vida de Cristo podemos então observar, de forma clara, os três aspectos que na antiga aliança, foram prefigurados pela unção.

Como, porém, no Antigo Testamento a unção dos sacerdotes sobrepujava muito em significação à dos reis e profetas, assim também no Novo Testamento o ministério sacerdotal de Cristo recebe a maior ênfase, sendo ponto principal de toda sua história e ensino. Jesus veio para morrer e, por ter sido obediente até a morte na cruz, por isso também Deus o exaltou (Fp 2.9).

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