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Introdução ao Comentário do Novo Testamento
Estudo realizado por jefferson Ronaldo

MATEUS

 

O Evangelho não menciona seu autor. Todavia, desde os primitivos pais da Igreja, a começar de Papias (discípulo do apóstolo João), admitiu-se que esse autor foi o Apóstolo Mateus.

Diz uma tradição que Mateus pregou na Palestina por alguns anos e depois viajou para outros países; que escreveu seu Evangelho originalmente em hebraico, e anos mais tarde, talvez lá pelo ano 60 d.C., apresentou dele uma edição mais completa em grego. Não há registro de suas pregações. Todavia, quanto serviço prestou à humanidade com a produção deste livro!

A ênfase especial de Mateus é sobre o fato de ser Jesus o Messias vaticinado pelos profetas do A.T., por ele citado repetidamente. Parece que visou de modo particular, leitores judeus. Tão freqüentemente ocorre a expressão "reino dos céus", que este Evangelho é geralmente chamado "Evangelho do Reino". Embora obedeça, não em cada incidente, mas no conjunto deles, uma ordem cronológica geral, seu material é antes agrupado por assuntos. Apresenta-se pormenorizadamente os discursos de Jesus, especialmente o Sermão do Monte e o discurso sobre Sua vinda e o fim do mundo.

MARCOS

Em Marcos vemos que a ênfase é sobre o poder sobre-humano de Jesus, a demonstrar Sua deidade por Seus milagres. Omite o Sermão do Monte e a maioria dos longos discursos de Cristo. Narra o que Jesus fez, de preferência ao que disse. Parece ter visado particularmente leitores gentios. Desde o princípio, uma tradição ininterrupta considera-o da autoria de Marcos, contendo substancialmente a história de Jesus como Pedro a contava.

Papias, discípulo do apóstolo João, escreveu na sua ‘explanação dos discursos do Senhor’, que tomara a peito inquirir dos ‘anciãos’ e dos seguidores dos ‘anciãos’, e que o ‘ancião disse também isto: Marcos, vindo a ser o intérprete de Pedro, escreveu acuradamente tudo de que se lembrava, - não, entretanto, em ordem, - as palavras e os feitos de Cristo. Porque ele nem ouvira ao SENHOR, nem foi um dos que O seguiam, porém, depois, como eu disse, juntou-se a Pedro, e quis adaptar sua instrução às necessidades da ocasião, porém não ensinar, como se estivesse compondo um relato seguido por ordem natural dos ‘oráculos’ do SENHOR; de modo que Marcos não cometeu nenhum engano em assim descrever alguns fatos conforme a lembrança que deles tinha. Porque um objetivo ele teve em mente – nada omitir do que ouvira, e nem declarar inverdades.

A tendência moderna é considerar o Evangelho de Marcos como o primeiro Evangelho que se escreveu. Entretanto, a primitiva tradição universal dizia ter sido o de Mateus o primeiro. Nos primeiros códices, os quatro Evangelhos, geralmente, figuram na ordem que hoje se acham, fato este que corresponde à tradição primitiva quanto à seqüência em que foram escritos. Ocasionalmente, João foi posto na frente, nunca, porém, Marcos.

 

LUCAS

Em Lucas, vemos que o escritor procurou enfatizar a humanidade de Jesus. Como os outros evangelistas, apresenta-O como o Filho de Deus, porém de algum modo sublinha a Sua simpatia pelos fracos, pelos sofredores e pelos proscritos. A opinião comum é que Lucas visou transmitir o seu evangelho de forma clara para os gregos.

A civilização grega representava a cultura, a filosofia, a sabedoria, a razão, a beleza, a educação, motivo por que, para apelar ao espírito meditativo, culto e filosófico dos gregos, Lucas, numa obra completa, coordenada e clássica, que tem sido chamada "a mais bela que já se escreveu", esboça a beleza e a perfeição gloriosas da vida de Jesus, o homem ideal e universal.

Supõe-se geralmente que Lucas escreveu seu Evangelho cerca do ano 60 d.C., quando Paulo estava preso em Cesaréia; em seguida escreveu os Atos, durante a detenção desse apóstolo em Roma nos dois anos seguintes, visto que, sendo os dois livros, endereçados à mesma pessoa, são praticamente dois volumes de uma obra só. Sua estada em Cesaréia propiciou-lhe abundantes oportunidades de conseguir, em primeira mão, dos primeiros companheiros de Jesus e fundadores da Igreja, informações acuradas de todos os pormenores. A mãe de Jesus possivelmente ainda vivia, na casa de João em Jerusalém. Lucas deve ter passado muitas horas preciosas ao lado dela, ouvindo-lhe as reminiscências do Filho maravilhoso. E Tiago, irmão de Jesus, pode ter contado a Lucas muitos fatos interessantes sobre a vida inteira de Jesus.

Quando Paulo escreveu sua Primeira Carta a Timóteo, lá por 65 d.C., ou o Evangelho de Lucas ou o de Mateus já circulava entre as Igrejas, sendo reconhecidos como "Escritura", porquanto Paulo cita, como "Escrituras", as palavras – ‘Digno é o obreiro do seu salário’ – ITm 5.18, que não se encontram em parte alguma da Bíblia, salvo Mt 10.10 e Lc 10.7.

 

JOÃO

João trás um ênfase especial sobre a divindade de Cristo. Consiste principalmente em discursos e conversas de Jesus. Apresenta o que Ele disse, de preferência ao que fez. Schaff chama este Evangelho "A mais importante composição literária já produzida".

O autor não se dá a conhecer senão no fim do livro, 21.20,24, onde declara ser o ‘discípulo a quem Jesus amava’, 13.23, 20.2, isto é, o apóstolo João, o amigo pessoal mais íntimo de Jesus. A tradição antiga e subseqüentemente dá um parecer ininterrupto acerca de uma autoria joanina para este evangelho. Somente os adeptos da crítica moderna é que tentam contestar tal testemunho da história cristã.

A data mais aceita para este escrito está em mais ou menos 90 d.C., pois sabe-se que em João existe uma quantidade imensa de material suplementar riquíssimo, que não se encontra nos demais evangelhos, dando-se assim base para a compreensão de que o mesmo só foi escrito posteriormente, pois caso tivesse sido escrito antes, teria de alguma maneira influenciado os outros escritores

 

ATOS

Este livro narra a propagação do Evangelho de Cristo desde Jerusalém até Roma. Dentro da geração dos apóstolos o Evangelho expandiu-se em todas as direções até alcançar cada nação do mundo conhecido (Cl 1.23). O A.T. é a história das relações de Deus, desde os tempos antigos, com a nação judaica, as quais tiveram o propósito de, por meio desta nação, abençoar todas as outras. Neste livro de Atos começa, afinal, entre as nações essa grande e maravilhosa obra. É aqui que a família de Deus deixa de ser uma questão de interesse nacional para ser de interesse internacional, e torna-se um instituição mundial.

Diferentemente das Epístolas de Paulo, os Atos não mencionam seu autor. O emprego do pronome pessoal "eu", na frase inicial, é evidência de que os seus primeiros destinatários sabiam de quem partia o livro. Desde o princípio este livro, bem como o terceiro Evangelho, têm sido reconhecidos, sem questão, como sendo da autoria de Lucas.

Cerca de 63 d.C., ao fim de dois anos de prisão de Paulo em Roma (At 28.30). Parece incrível que o autor deixasse de mencionar o resultado do julgamento de Paulo, se é que se realizou. Alguns pensam que possivelmente uma das finalidades imediatas que Lucas desejava para o livro era a de ser lido como sumário de argumento no julgamento do Apóstolo. Alguns críticos modernos atribuem uma data posterior à redação dos Atos, mormente sobre o fundamento de que foi escrito depois do Evangelho de Lucas, e este evangelho, dizem eles, deve ter sido escrito depois da queda de Jerusalém, 70 d.C., porque as palavras de Lc 21.20-24 não podiam ter sido escritas antes dessa queda. Esse raciocínio não tem valor para os crentes por duas razões: primeiro, não nos dispomos a crer que Lucas, quarenta anos depois da morte de Jesus, atribuísse a Este palavras que Ele não proferiu; e segundo, não temos a menor dificuldade em crer que Jesus pudesse prever o futuro.

ROMANOS

Esta epístola é a explicação mais completa que Paulo dá do seu modo de compreender a natureza do evangelho, tendo sido ele escolhido por Deus para ser o principal expositor deste evangelho. Coleridge diz que é "A obra mais profunda que existe".

Ordinariamente, julgamos que Romanos é difícil de entender. Há duas razões para isso. Uma é o estilo literário de Paulo. Tinha o hábito de começar uma sentença e depois fazia uma digressão, mais outra e ainda outra, de modo que, em alguns casos, as frases em vez de modificarem as que as precedem imediatamente, modificam alguma coisa remota, tornado difícil ver a conexão. A outra razão é que a epístola gira em torno de um problema, que para nós não constitui problema, mas que, em sua época, foi problema aceso, causticante, a saber: se um gentio podia ser cristão sem se tornar um prosélito dos judeus. Comumente, pensamos que o cristianismo é a religião de gentios, visto que muitos poucos judeus são cristãos. Mas quando o cristianismo começou, era uma religião judaica, e certos líderes judeus poderosos estavam decididos em fazê-lo continuar assim.

Inverno de 57-58 d.C., Paulo estava em Corinto, encerrada sua terceira viagem missionaria, às vésperas de partir para Jerusalém, levando a oferta para os crentes pobres, 15.22-27. Uma senhora chamada Febe, de Cencréia, subúrbio de Corinto, estava de saída para Roma (Rm 16.1-2). Paulo aproveitou a oportunidade para enviar por ela esta carta. Não havia serviço postal no Império Romano, exceto para a correspondência oficial. Naquela época a correspondência particular tinha de ser conduzida por amigos ou outros viajantes que por acaso houvesse.

Paulo queria avisar aos crentes de Roma, que ele estava de partida para lá. Aliás, foi antes de Deus dizer a Paulo que o queria em Roma (At 23.11), de modo que ele ainda não estava certo se escaparia vivo de Jerusalém (Rm 15.31). Neste caso, parecia conveniente que ele, apóstolo aos gentios, tivesse arquivada na capital do mundo gentílico uma explicação escrita de seu modo de compreender a natureza da obra de Cristo.

I CORÍNTIOS

Facções, imoralidade, demandas judiciais, alimentos oferecidos aos ídolos, abusos na ceia do Senhor, falsos apóstolos, problemas acerca do casamento, desordem eclesiástica, insubmissão feminina, heresias sobre a ressurreição. Tudo isto é o que nós encontramos nesta carta!

Corinto era a metrópole comercial da Grécia, uma das maiores, mais ricas e importantes cidades do Império Romano, com uma população de 400.000 habitantes. Esta metrópole só perdia em densidade populacional para Roma, Alexandria e Antioquia. Situada no istmo da Grécia, uns 80 km de Atenas, na principal rota comercial do império, pelos seus ancoradouros passava o comércio do mundo. ‘Célebre e voluptuosa cidade, onde se defrontavam os vícios do Oriente e do Ocidente’. Aí Paulo ficou ano e meio, e fundou uma de suas maiores igrejas, bem à sombra da filosofia da Atenas. ver Atos 18

Já havia três anos que Paulo tinha saído de Corinto, e quando estava em Éfeso uma delegação de líderes de Corinto foi enviada até ao local aonde ele estava, com o intuito de consultá-lo sobre alguns problemas e desordens muito sérios que surgiram no seio da comunidade. Este era um período maravilhoso na vida do apóstolo, pois Deus o estava usando de forma prodigiosa!

Para alguns teólogos, Paulo já havia escrito uma carta antes desta, pois conforme ICo 5.9 ele já tinha dado aos cristão daquela localidade alguns mandamentos. Partindo desta suposição, pensa-se que não só uma, mas várias vezes o apóstolo tinha mandado cartas aos corintios.

Nesta cidade, como em todas as outras por onde se encontravam os cristão (exceto Jerusalém), os cristão não tinham um lugar espaçoso e central onde se reunissem. Templos só 200 anos mais tarde começaram a ser construídos, isso quando a época das perseguições foi passando. Reuniam-se em casa, ou salões, ou onde lhes fosse possível. Havia milhares de cristãos em Corinto. Não uma congregação grande, porém uma porção de pequenas congregações, cada qual com o seu próprio dirigente. Parece pelo conteúdo da carta que estas tornavam-se rivais, pois em vez de cooperarem com a causa de Cristo, competiam umas com as outras, adotando partidos eclesiásticos, cujos pseudos fundadores competiam com o próprio Senhor! (ICo 1.11-17)

Existe um certo consenso para a formulação desta carta por parte dos teólogos, pois a maioria crê que ela foi escrita em 57 d.C., antes do Pentecostes, pois nesta época Paulo planejava ir para a Macedônia (At 16.5-8; 18).

IICORINTIOS

Paulo passara um ano e meio em Corinto, na parte final da sua segunda viagem missionária, cerca de 50-51 d.C., e ali fizera uma multidão de discípulos. Depois, na sua terceira viagem missionária, passara três anos em Éfeso (54-57 d.C.) Então, na primavera de 57 d.C., ainda estando em Éfeso, Paulo escreveu ICo, e logo depois, houve o grande tumulto no qual Paulo quase perdeu sua vida At 19.

Deixando Éfeso, Paulo foi para a Macedônia, no seu caminho para Corinto. Enquanto estava na Macedônia, Paulo encontrou Tito que estava de volta de Corinto com a notícia que sua carta tinha obtido um bom efeito no coração dos corintios (IICo 7.6), mas, relatou também que ainda havia alguns líderes na Igreja que quiseram negar que Paulo fosse um genuíno apóstolo de Cristo.

Por este motivo então ele escreveu sua segunda epístola, mandando-a pela mão de Tito (IICo 8.6,17), antes de ele pessoalmente viajar para Corinto. O propósito da epístola parece ter sido a vindicação de Paulo de sua posição de apóstolo de Cristo, lembrando aos membros da Igreja que ele a fundara, e que tinha portanto, seu direito de dirigi-la.

 

GÁLATAS

Os gálatas eram um ramo dos gauleses, originários do norte do Mar Negro, que se cindiram da principal corrente migratória que se dirigiu ao Oeste, à França, e se estabeleceram no centro da Ásia Menor no 3º século a.C.

O trabalho de Paulo na Galácia fora muito bem sucedido. Grandes multidões, na maior parte de gentios, aceitaram a Cristo com entusiasmo. Algum tempo depois de Paulo sair dali, certos mestres judeus chegaram e se puseram a insistir em que os gentios não podiam ser cristãos sem guardar a Lei de Moisés. Os gálatas deram ouvidos a essa doutrina com a mesma disposição de alma com que a principio receberam a mensagem de Paulo: e houve uma ‘epidemia’ generalizada de circuncisão entre esses cristãos gentios. Paulo teve conhecimento do fato e escreveu esta Carta para dizer-lhes como eram insensatos, pois, embora a circuncisão participasse, necessariamente, da vida nacional judaica, não fazia parte do Evangelho e nada tinha a ver com a salvação.

Paulo fundara estas igrejas mais ou menos em 46-47 d.C., tornou a visitá-las no curso de sua segunda viagem, cerca de 48 d.C., e outra vez ao partir para a terceira viagem, cerca de 53 d.C. A data tradicional e geralmente aceita da redação desta Epístola é cerca de 57 d.C., ao fim da terceira viagem, quando Paulo estava em Éfeso, Macedônia ou Corinto, pouco antes de escrever a Epístola aos Romanos. Teria sido dez ou doze anos depois da fundação dessas igrejas, e nesse ínterim o apóstolo teria tornado a visitá-la duas vezes.

Alguns pensam que mais provavelmente foi escrita cerca de 47 d.C., de Antioquia, logo depois de Paulo regressar da Galácia pela primeira vez, antes do Concílio de Jerusalém de 48 d.C., cuja decisão, que declarava não ser necessária a circuncisão, foi transmitida sem demora às igrejas da Galácia (At 15.1-16.4), porque se esta epístola fosse escrita depois dessa decisão, pareceria que o apóstolo se referiria à carta do Concílio de Jerusalém. Mas a frase ‘primeira vez’ de 4.13, implica visitas subsequentes que intervieram. De modo que a suposição não é segura.

EFÉSIOS

Paulo dedicou a vida a ensinar aos gentios que eles podiam ser cristãos sem se tornar prosélitos dos judeus. Em geral, isso desagradava a estes porquanto, na sua concepção, a Lei mosaica obrigava a todos, e tinham fundos preconceitos contra os gentios incircuncisos que se atreviam a se ter na conta de discípulos do Messias judeu.

Por um lado, Paulo ensinava aos gentios que permanecessem firmes como rochedo na liberdade que tinham em Cristo, como fez nas cartas aos Gálatas e aos Romanos; por outro lado, não queria que esses gentios tivessem preconceitos contra os judeus, seus companheiros cristãos, antes os considerassem como irmãos em Cristo.

Não queria ver duas igreja: uma judaica e outra gentílica: mas Uma Igreja: judeus e gentios Um em Cristo. Seu gesto, em favor dessa unidade, tendo em mira os elementos gentílicos da Igreja, foi esta Epístola, escrita ao principal centro de seus convertidos gentios, onde exalta a Unidade, Universalidade e Grandeza Indizível do corpo de Cristo.

Esta é uma das quatro ‘epístolas da prisão’, escritas por Paulo quando detento em Roma (62-64 d.C.); as outras forma Filipenses, Colossenses e Filemom. Três destas foram escritas ao mesmo tempo e conduzidas pelos mesmos portadores: 6.21; Cl 4.7-9; Fm 10-12. Houve outra, que não existe hoje Cl 4.16.

 

FILIPESENSES

Poucos negariam que a Epístola aos Filipenses é a mais linda de todas as cartas de Paulo. Nela, muitas características da personalidade de Paulo são reveladas: coragem, humildade, serenidade e independência. Esta carta reflete a intimidade e confiança mútua que existia entra a igreja e seu fundador. Tal confiança aparece na prontidão de Paulo para aceitar auxílio material dos filipenses e ainda sentir-se livre de qualquer insinuação de cobiça. Paulo era mais achegado a esta igreja do que a qualquer outra. A Epístola aos Filipenses, por causa dos laços entre a igreja e Paulo, refletidos no teor, foi chamada "A Epístola da Alegria", pois esta claramente é expressada nesta carta.

A cidade de Filipos era, originalmente, uma vila trácia, cujo nome, Crenides, derivou de uma série de fontes encontradas por perto. Era localizada numa passagem, numa cordilheira de montanhas, que dividia a Trácia da macedônia; a Ásia da Europa. A localização estratégica em caso de guerra, era evidente, e, no início do quarto século antes de Cristo, Filipe da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, estacionou um guarnição de soldados macedônios lá e deu um novo nome à cidade, de acordo como o seu nome. A área tinha minas de ouro e prata, e logo Filipos se tornou uma importante cidade comercial. Pela época em que as minas se esgotaram, Filipos estava em uma das mais importantes estradas do Império Romano, a Via Ignatia, que ligava a Europa com a Ásia.

Em 168 a.C., Filipos caiu nas mãos dos romanos, e tornou-se parte da província romana da Macedônia, em 146 a.C., com Tessalônica como a capital. Pela época de Paulo, Filipos era uma Roma em miniatura, os cidadãos eram romanos que moravam em um país estrangeiro (Fp 3.20). Nesta época ela ainda era uma importante cidade militar e comercial, mas estava começando a perder muito de sua importância como o fechamento das minas. Hoje, não existe nenhuma cidade ou vila na área.

De acordo com Atos 16.11, Paulo chegou a Filipos em companhia de Silas, Timóteo e Lucas, durante sua segunda viagem missionária. Paulo visitou esta igreja em pelo menos duas outras ocasiões (IICo 2.2-18; 7.5-7; At 20.1, 3-6), antes de sua prisão em Jerusalém e a escrita desta carta. Há uma inferência em Filipenses 3.1 que talvez Paulo escrevera anteriormente à igreja, e, na carta de Policarpo à mesma igreja (início do segundo século), é dito que Paulo escreveu cartas (plural) a esta igreja.

 

COLOSSENSES

Colossos era uma cidade da Grígia. Alguns naturais dela estiveram presentes em Jerusalém no dia de Pentecostes, At 2.10. Paulo atravessou essa região tanto na segunda como na terceira viagem missionária, At 16.6; 18.23. pode ser que numa dessas viagens visitasse Colossos, se bem que a linguagem de 2.1 possa, mas não necessariamente, implicar que não esteve lá. É também possível que essa igreja fosse resultado do trabalho desse apóstolo em Éfeso, At 19.10, visto que Colossos ficava perto das fronteiras da "Ásia", uns 160 km a leste de Éfeso. Epafras, 1.7; 4.12-13, pode ter sido seu fundador.

 

Paulo estava preso em Roma, 62-64 d.C. Antes havia escrito uma carta, a respeito de Marcos, 4.10. Nesse meio tempo Epafras, colossense, chegou a Roma com a notícia de que uma perigosa heresia se propagava na igreja. Paulo estava preso, ao que parece, Fm 23. Foi então que escreveu esta carta, enviando-a por Tíquico e Onésimo, 4.7-9, os quais levaram também a carta aos Efésios e outra a Filemom Ef 6.21.

A heresia de Colossos. Parece tratar-se de uma mistura das religiões grega, judaica e orientais, espécie de culto de "pensamentos esotéricos", que se apresentava sob o nome de "filosofia", 2.8, inculcando o culto dos anjos como intermediários entre Deus e os homem, 2.18, e insistindo na rígida observância de certas exigências judaicas, indo quase ao ponto do ascetismo, 2.16, 21, tudo isso exposto em frases retumbantes de uma pretensa superioridade, e tudo como parte do Evangelho de Cristo.

Colossenses e Efésios foram escritas ao mesmo tempo. Encerram declarações cuidadosamente elaboradas das grandes doutrinas do Evangelho, para serem lidas em voz alta nas igrejas, e são muito semelhantes entre si, em muitas passagens. Seus principais temas, porém, sã de todo diferentes: Efésios, a unidade da Igreja: Colossenses, a divindade e plena suficiência de Cristo.

 

I TESSALONICENSES

A Igreja de Tessalônica foi fundada cerca de 50 d.C., na segunda viagem missionária de Paulo e após deixar Filipos, At 17.1-9.

Parece, de At 17.2, que Paulo só passou lá três semanas. Fp 4.16; ITs 2.9; IITs 3.8, porém, implicam que ele esteve lá mais tempo. Pode ser que pregasse três sábados na sinagoga, e depois em algum outro lugar. Mas, pelo menos, não esteve lá o tempo suficiente para instruir plenamente a igreja.

Expulso de Tessalônica, dirigiu-se a Beréia, uns 80 km ao oeste. Logo, porém, foi tangido também daí, deixando Silas e Timóteo. Ao chegar a Atenas, 320 km ao sul, sozinho, mandou recado a Beréia para que esses dois amigos fossem ter com ele o mais breve possível, At 17.14,15. Chegando eles a Atenas, Paulo, cheio de ansiedade pela jovem igreja de Tessalônica, imediatamente mandou Timóteo de volta para lá. Quando este regressou, Paulo tinha saído de Atenas para Corinto. Timóteo trouxe a notícia de que os cristãos tessalonicenses estavam suportando suas perseguições com bravura, mas que alguns haviam falecido e os outros estavam embaraçados para saber como esses falecidos lucrariam alguma coisa da vinda do Senhor, doutrina esta a que Paulo, evidentemente, tinha dado ênfase especial quando estivera com eles.

Foi então que o apóstolo escreveu esta Carta para dizer-lhes, principalmente, que os que morreram não perderiam nada quando o Senhor viesse.

Tessalônica é a atual ‘Saloniki’. Situada no ângulo N.O. do Mar Egeu, defronte de belo ancoradouro, numa planície rica e bem irrigada, sobre a grande estrada militar setentrional que se estendia de Roma ao Oriente. De lá se avistava o Monte Olimpo, habitação mitológica dos deuses gregos. Cidade principal da Macedônia no tempo de Paulo, e ainda hoje é uma cidade próspera.

Embora só estivesse lá pouco tempo, Paulo revolucionou-a. Seus inimigos acusaram-no de ‘transformar o mundo’ (At 17.6). "Numerosa multidão de gregos piedosos e muitas mulheres distintas" creram (At 17.4). O sucesso deste trabalho foi noticiado por toda Grécia conforme ITs 1.8-9.

IITessalonicenses

Escrita, provavelmente, por volta de 52 d.C., poucas semanas ou meses depois da primeira epístola. Na primeira, Paulo falara da vinda do Senhor como sendo súbita e inesperada. Nesta, ele explica que não ocorrerá senão depois da apostasia.

Epístolas Pastorais

1 e 2 Timóteo e Tito são, comumente, chamadas ‘Epístolas Pastorais’. Prevalece a opinião de que foram escritas entre a primeira e a segunda prisão de Paulo, de 64 a 67 d.C. Alguns críticos racionalistas modernos têm aventado a teoria de que tais cartas foram obra de algum autor desconhecido, que, trinta a cinqüenta anos depois da morte de Paulo as escreveu, usando o nome dele para inculcar certas doutrinas. Não há base histórica para essa opinião. Desde o princípio, estas epístolas têm sido consideradas como escritos genuínos de Paulo.

Demais disto, a teoria é absurda. Suponha-se que eu, hoje, escreva uma carta, dê-lhe a data de cinqüenta anos passados, aponha-lhe a assinatura de D.L. Moody e enderece-a a alguns amigos deste, contemporâneos seus; podia eu fazer alguém acreditar que foi Moody mesmo quem a escreveu? Acresce que, embora esses críticos insistam, de voz alta, que não há nada contrário à ética nesse procedimento, ao espírito da média de nossa gente, tal coisa não passaria de uma descabelada impostura. Se tais epístolas não são escritos genuínos de Paulo, mas falso produto de algum pretenso Paulo, como pode alguém que tenha um pouco de senso de honestidade considerá-las parte da Palavra de Deus?

 

ITIMÓTEO

Éfeso. Foi aí que Paulo realizou o seu maior trabalho, por volta de 54-57 d.C., At 19. Uns quatro anos depois de sair dali, de sua prisão romana escreveu a Epistola à igreja desta cidade, cerca de 62 d.C. Agora, pouco tempo depois, provavelmente cerca de 65 d.C., dirigiu esta epístola a Timóteo a respeito do trabalho em Éfeso. Mais tarde, nesta cidade veio a residir João, onde escreveu seu Evangelho, suas epístolas e o Apocalipse.

Quando Paulo se despedia dos presbíteros de Éfeso, disse-lhes que não veriam mais o seu rosto At 20.25. mas, ao que parece, sua longa prisão fê-lo mudar de plano e, uns seis ou sete anos mais tarde, depois de solto, tornou a visitar Éfeso. Prosseguindo à Macedônia, deixou Timóteo aí, esperando voltar logo, ITm 1.3; 3.14. Detendo-se na Macedônia mais tempo do que planejara, 3.15, escreveu a carta de instrução sobre o trabalho que Timóteo tinha que realizar.

Dentro da geração apostólica Éfeso veio a ser um centro da cristandade, tanto em número como pela posição geográfica, região onde o cristianismo conquistou seu primeiros louros.

Não havia edifícios para as igrejas. Casas dedicadas ao culto cristão só começaram a ser edificadas duzentos anos depois da época da morte do Senhor Jesus Cristo, e não se generalizaram senão quando Constantino pôs fim às perseguições aos cristãos. Nos dias de Paulo, as igrejas se reuniam, na maioria dos casos, em residências de cristãos. Assim, os muitos milhares de convertidos de Éfeso e seus arredores, centenas de pequenos grupos em várias casas, tendo provavelmente cada uma delas um pastor. (At 20.17; ITm 3.1)

Sabe-se que o trabalho de Timóteo foi primeiramente com estes líderes ou dirigentes das congregações. Não haviam seminários para formar pastores, e por este motivo ele mesmo deveria ensiná-los como pastorear as ovelhas. Alguns destes homens eram talentosos, mas, provavelmente, a maioria deles vinham das camadas humildes da sociedade. Vê-se nisto a capacidade de ensino demonstrada por Timóteo, que a despeito das perseguições que a igreja padecia naquela época, e da falta de um lugar central para reunir todos os crentes, pôde por intermédio dos ‘homens fiéis’ que escolheu, capacitar os crentes para viverem de forma digna do reino o qual passaram a pertencer.

 

IITIMÓTEO

O livro de Atos termina com Paulo na prisão em Roma, por volta de 64 d.C. A crença comum é que ele foi absolvido, voltou à Grécia e à Ásia Menor, mas mais adiante foi novamente preso, levado de regresso a Roma e executado lá por 66 ou 67 d.C. Esta epístola foi escrita quando ele aguardava o martírio.

Sabe-se hoje por intermédio de vários historiadores (*inclusive romanos) que foi Nero quem incendiou Roma. Conta-se que enquanto á cidade ardia em chamas ele tocava rabeca, com júbilo. Sendo assim, logo as pessoas começaram a desconfiar que foi ele que causou tal desatino. Para desviar de si as atenções, Nero começou a acusar os cristãos de terem efetuado esta catástrofe, e com a força do ódio popular e dos senadores que compunham o império, ele logo conseguiu persuadir á todos com tal mentira.

A Bíblia não menciona a perseguição de Nero aos cristãos, embora ela ocorresse nos tempos bíblicos e sirva de fundo imediato pelo menos a dois livros do N.T., IPedro e II Timóteo, sendo essa perseguição a que levou Paulo ao martírio e Pedro também, segundo certas tradições. Nossa fonte de informação é Tácito, historiador romano. Este sabia que os cristãos não incendiaram Roma.

Em Roma e arredores multidões de cristãos foram presos e mortos dos modos mais cruéis. Crucificados, envolvidos em peles de animais e jogados na arena para serem atacados a dentadas por cães até morrerem, ou lançados às feras. Atados em estacas nos palácios de Nero, untados de piche e queimados como tochas para iluminarem os jardins do imperador à noite, enquanto ele passeava à volta, em seu coche desnudo, entregue às orgias de meia-noite, olhando com maligna satisfação a agonia de morte de suas vítimas.

Foi ao irromper desta perseguição que Paulo foi novamente preso, e enquanto esperava no cárcere ‘o tempo de sua partida’, foi que sentiu-se inspirado por Deus para escrever esta carta á Timóteo. Por ser seu amigo íntimo e um cooperador de confiança, ele lhe pediu somente que o jovem pastor permanecesse fiel a Deus, a despeito de tudo, e que se possível pudesse estar em Roma antes do inverno daquele mesmo ano, para que pudessem então conversarem face-a-face, pois Paulo já tinha como certa a sua morte IITm 4.21.

 

TITO

Sabe-se que era de origem grega. Este acompanhou Paulo a Jerusalém, porque foi por ele convertido (Tt 1.4), e lá estando foi por Paulo protegido e ensinado quanto aos ataques dos judaizantes que queriam circuncidá-lo (Gl 2.3-5).

Alguns anos mais tarde, aparece como apóstolo em Éfeso, de onde é enviado a Corinto para investigar certas desordens e iniciar o levantamento da oferta para os crentes pobres de Jerusalém (IICo 8.6,10). Quando encontrou-se com Paulo na Macedônia foi por este enviado de volta a Corinto para levar-lhes a segunda carta do apóstolo Paulo aos coríntios, preparando o caminho à ida dele aquela cidade, e terminando o levantamento da oferta que deveria ser levada para os necessitados daquela época IICo 2.3,12,13.

Quando esta epístola foi escrita já haviam se passado mais ou menos 8 anos, sendo provavelmente o ano de 65 d.C. A expressão ‘deixei-te em Creta’ Tt1.5, demonstra que o apóstolo havia estado lá com ele.

A última noticia que temos dele está em IITm 4.10, onde se diz que saíra de Roma para a Dalmácia. Parece que se juntou a Paulo e estava com ele quando foi preso, acompanhando-o a Roma. Se abandonou o apóstolo naquela hora de perigo e solidão devido aos riscos ameaçadores, ou se Paulo o mandou terminar a evangelização da costa N.O. da Grécia não sabemos. Espera-se que esta última hipótese se tenha dado, porque era bom e grande homem. Reza a tradição que ele veio a ser bispo de Creta e morreu tranqüilamente em idade avançada.

Tito e I Timóteo possuem algumas semelhanças, e pensa-se que foram escritas pelo mesmo tempo, por volta do ano 65 d.C. Tratam, em geral, dos mesmos assuntos: a designação de líderes que conviessem às congregações cristãs. Tito em Creta, Timóteo em Éfeso, o problema em ambos os lugares era o mesmo.

 

FILEMOM

Este era um cristão de Colossos, o qual havia sido convertido por Paulo. Pelo relato da carta supõe-se que era uma pessoa abastada, e que em sua casa reunia-se uma igreja. Parece que ele e Paulo eram amigos íntimos. É provável, embora não se tenha notícia, que Paulo visitou Colossos durante seu três últimos anos de estada em Éfeso (Atos 19).

Uns quatro ou cinco anos depois que Paulo deixara aquela parte do mundo e estava preso em Roma, foi que Paulo encontrou-se com Onésimo o qual era um escravo fugitivo de Filemom. É provável que Onésimo já tivesse tido um contato com Paulo quando este visitara seu amigo, e sendo assim, logo deu ouvidos aos ensinos de Paulo tornando-se assim um novo convertido.

Por este motivo, foi novamente enviado ao seu Senhor com uma carta de recomendação do apóstolo, que dizia o quanto este havia no pouco tempo que com ele ficara em Roma, tornado-se ‘útil’ e que assim também o seria para Filemom.

A bíblia não nos dá nenhuma idéia de como este escravo foi recebido por seu senhor. Há porém uma tradição que diz ter sido recebido por Filemom, o qual compreendendo qual era a intenção velada pelo apóstolo, deu-lhe a alforria.

Uma outra tradição diz também que Onésimo veio a ser bispo de Beréia.

 

HEBREUS

Como a primeira epístola de João, esta não menciona as pessoas as quais se dirige. Inequivocamente, pelo seu teor, dirige-se aos judeus, visto que discute a relação entre Cristo e o sacerdócio levítico e os sacrifícios do Templo. Cita, continuamente o Antigo Testamento em abono de suas afirmações. A opinião tradicional e comum é que foi dirigida aos cristãos judeus da Palestina, especialmente em Jerusalém.

Autor- Na versão do Pe. Figueiredo, é intitulada epístola de S. Paulo. Na versão de Almeida é anônima, porque nos manuscritos mais antigos seu autor não é mencionado. Figueiredo baseou-se no título da epístola como se encontra na Vulgata, ‘Epístola Pauli ad Hebraeos’. A Igreja Oriental aceitou, desde o princípio a autoria paulina. Só no 4º século a Igreja Ocidental aceitou-o como obra de Paulo. Eusébio considerava Paulo seu autor. Tertuliano chamou-a de Epístola de Barnabé. Clemente de Alexandria pensava que Paulo a escreveu em hebraico e Lucas a traduziu para o grego (pois esta é escrita excelente em grego). Orígenes disse que os pensamentos dela eram os de Paulo, e considerava este seu provável autor, mas acrescentou, ‘quem a escreveu, só Deus sabe com certeza’. Lutero supunha que fosse Apolo, não havendo para esta opinião nenhuma evidência antiga.

Data – Evidentemente, foi escrita antes da destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 d.C. Se Paulo a escreveu, parece provável que o fez de Roma 62-64 d.C. o sentido natural ainda que não necessário, da frase ‘os da Itália vos saúdam’ (13.24) é que a carta foi escrita da Itália. Timóteo estava com o autor 13.23, e em At 20.4 nós podemos ver que ele acompanhou a Jerusalém e depois a Roma Cl 1.1. Acabara de ser solto, e Paulo planejava enviá-lo de volta ao oriente (Fp 2.19,24), esperando que em breve ele também iria. E parece que ele e Timóteo tinham o plano de voltar a Jerusalém Hb 13.23, uma vez que os líderes, a quem a carta se dirige, eram amigos de Paulo, o que se poderia inferir de 13.19. Esta carta pode ter sido escrita, mais ou menos, ao tempo da epístola aos Filipenses.

Acontece que foi por volta do tempo em que Tiago, supervisor da Igreja de Jerusalém, foi morto (62 d.C.) que esta epístola foi escrita, e como se sabe Paulo e Tiago eram amigos dedicados. Pensa-se que este, ouvindo falar da morte do grande amigo, escreveu esta epístola aos dirigentes da Igreja Judaica, agora sem pastor, a fim de ajudá-los a fortalecer o rebanho durante os tempos terríveis que se avizinhavam.

Se isto é certo, então havia razão para o nome de Paulo não aparecer na epístola, visto como este apóstolo não era benquisto em Jerusalém. Embora os líderes soubessem quem a escreveu, impressionaria mais se fosse lida nas igrejas sem o nome de Paulo, pois como se sabe as epístolas eram escritas para este fim somente.

Propósito –Pensamos que foi escrita com o fim de preparar os cristão judeus para a próxima queda de Jerusalém. Os cristãos judeus, depois de aceitarem Jesus como seu Messias, continuaram a ser zelosos pelos ritos e sacrifícios do Templo, pensando, ao que supomos, que sua querida cidade, sob o reinado do Messias, estava prestes a se tornar a capital do mundo, e o seu Templo, o centro de peregrinações do mundo inteiro. Ao invés disso, iam receber o maior choque de sua vida. Com um golpe do exército romano, a Cidade Santa ia ser arrasada e os ritos do Templo cessariam.

Esta epístola foi escrita para lhes explicar que os sacrifícios de animais, pelos quais se mostravam tão zelosos não tinham mais utilidade; que a morte de um touro, ou de um cordeiro, jamais podia tirar o pecado; que tais sacrifícios nunca tiveram o intuito de ser perpétuos; que o plano foi fazê-los uma como figura multissecular do sacrifício vindouro de Cristo; e agora Cristo já viera, cumprida estava a finalidade deles, e haviam passado para sempre.

Quem quer que tenha sido o seu autor, como jóia literária é magnífica; quanto à dicção, é o Isaías do N.T. É um tratado coordenado e lógico, ‘em sentenças balanceadas e vibrantes de notável precisão, atingindo culminâncias admiráveis de eloqüência’.

 

TIAGO

Houveram três homens que se destacaram no periodo neotestamentário com este nome, são eles: o filho de Zebedeu; e o filho de Alfeu Mt 10.2,3; e o irmão do Senhor Mt 13.55. Este último é conhecido comumente como o autor desta epístola. Era reconhecido como homem preeminentemente santo, segundo os padrões da lei, cognominado o ‘justo’ pelos seus conterrâneos. Pensa-se que era casado (ICo 9.5). Foi reconhecido nos tempos primitivos como ‘bispo’ de Jerusalém, e tinha muita influência entre os judeus na Igreja. Era muito rigoroso, mas apesar disto partiu de sua pena a carta de tolerancia para os crentes gentios da Igreja Primitiva (At 15.13-23).

Conforme Josefo, e Hegesipo (judeu cristão 160 d.C.), Anano sumo sacerdote e os escribas e fariseus do seu tempo, aproveitando o intervalo entre a morte de Festo e a chegada do novo governador romano, reuniram o sinédrio e ordenaram a Tiago ‘irmão de Jesus, chamado Cristo’, que proclamasse de um dos pórticos do Templo que Jesus não era o Messias, a fim de conter o povo que em grandes levas estava abraçando o cristianismo. Ao invés disto, Tiago bradou que Jesus era o Filho de Deus e juiz do mundo. Seus inimigos enfurecidos, arrojaram-no ao chão, depois o apredejaram, até que um pisoador compadecido, deu um fim aos seus sofrimentos dando-lhe um golpe final, quando ele orava assim: ‘Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem’. Poucos anos depois começou o cerco fatal de Jerusalém em 70 d.C.

Pensa-se geralmente que este Tiago escreveu sua epístola perto de morrer em 60 d.C. depois de por 30 anos, ter pastoreado a Igreja judaica. Alguns lhe dão data mais anterior. Endereçada a judeus cristãos dispersos, 2.1; 1.1. Trata de vários assuntos da parte prática da vida cristã.

I PEDRO

Podemos dizer de Pedro que como líder do doze, parece provável que tenha visitado os principais centros cristãos do mundo romano. Alguns historiadores eclesiásticos acham que não há prova bastante de Pedro Ter estado alguma vez em Roma. Entretanto a maior parte deles concorda ser provável que por volta do último ano de sua vida, foi a Roma ou para lá foi forçado a ir por ordem de Nero, ou porque deliberasse ele mesmo ajudar a fortalecer os cristãos, que sofriam o terrível golpe da perseguição de Roma.

A tradição do ‘Quo Vadis’ reza que Pedro deixando-se vencer pela solicitação de amigos no sentido de escapar ia fugindo de Roma e, de noite, na Via Ápia, numa visão, encontrou-se com Jesus e lhe disse: ‘Senhor, aonde vais?’ Ao que lhe respondeu Jesus: ‘Vou a Roma, para ser outra vez crucificado’ Pedro, todo envergonhado e humilhado, voltou à cidade, onde foi crucificado de cabeça para baixo, não se achando digno de padecer como o seu Senhor. Também diz a tradição que a esposa de Pedro chamava-se Concórdia ou Perpétua, e que também foi martirizada, encorajando-a Pedro, com as palavras: ‘Lembra-te querida, de nosso Senhor’.

A perseguição de Nero aos cristãos 64-67 d.C., era muito pesada em Roma e seus arredores, porém não generalizada em todo o império. Entretanto, o exemplo de imperador incentivava os inimigos cristãos, em toda parte, a se prevalecer do mais leve pretexto para persegui-los. Era um tempo de provação, e a igreja contava naquela época com apenas 35 anos de fundação, sofrendo nestes anos algumas perseguições em várias localidades. Mas agora, a perseguição havia se tornado renhida, pois a provação estava tomando uma escala de nivel mundial. Parecera que o fim chegara, pois estavam passando literalmente por uma prova de fogo 4.12; 5.9. Os cristãos estavam sendo queimados de noite nos jardins de Nero, e parecia que o próprio diabo ‘o leão rugidor’ de 5.8 estava ao derredor deles andando pronto para tragar a Igreja.

Pensa-se que talvez Pedro escrevesse esta carta logo depois do martírio de Paulo, e por Silas 5.12, que fora um dos auxiliares deste apóstolo, enviou-a a essas igrejas, que o mesmo Paulo fundara, para animá-las a suportar seu sofrimento, levando Silas, pessoalmente, a notícia do martírio de Paulo às igrejas deste. De modo que, a epístola nasceu numa atmosfera de sofrimentos, pouco antes do próprio martírio de Pedro, para exortar os cristãos que não estranhassem Ter de sofrer, lembrando-lhes que Cristo realizara Sua obra pelo sofrimento.

II PEDRO

A epístola declara, explicitamente, ser a obra de Simão Pedro 1.1. O autor apresenta-se como tendo presenciado a transfiguração de Cristo 1.16-18, e sido avisado por Cristo de sua morte próxima 1.14. Significa isto que a epístola é um escrito autêntico de Pedro. Foi reconhecida pela Igreja Primitiva como escrito genuíno de Pedro, e, através dos séculos, tem sido reverenciada como parte da Sagrada Escritura.

Alguns críticos modernos, consideram-na obra de um pseudônimo do fim do segundo século, escrita por alguém desconhecido que assumiu o nome de Pedro, cem anos depois da morte deste.

Diferente da maior parte das epístolas, não menciona localidade alguma. Foi, todavia, a ‘segunda epístola’ de Pedro às mesmas pessoas 3.1. Embora ele possa Ter escrito muitas epístolas, que não chegaram até nós, a suposição é que aí se refere ele à que é, comumente, conhecida como sua primeira epístola, dirigida às igrejas da Ásia Menor IPe 1.1, igrejas às quais Paulo também escrevera IIPe 3.15.

Se IPe foi escrita durante a perseguição de Nero, e se Pedro foi martirizado nela, então esta epístola deve Ter sido escrita pouco antes de sua morte, provavelmente, por volta de 67 d.C.

O objetivo desta carta é advertir os cristãos acerca da apostasia vindoura, quando líderes na Igreja, por interresses pecuniários, permitiriam licenciosidade e toda má ação; apostasia em que a Igreja deixaria de aguardar a Vinda do Senhor, e para dar a entender que essa vinda podia demorar longo tempo.

II Pedro e Judas em algumas passagens são semelhantes por tal forma que muitos eruditos pensam que um deve Ter copiado o outro, embora divirjam sobre quem foi que copiou. Não é absolutamente necessário pensar que um ou outro copiasse. Os apóstolos, muitas vezes, viajaram juntos e, continuamente, estavam ouvindo um ou outro pregar as mesmas coisas, repetidamente, a diferentes congregações. Assim, certas expressões e ilustrações bíblicas tornaram-se parte do vocabulário comum dos cristãos.

I JOÃO

Esta epístola como a de Hebreus não menciona seu autor nem as pessoas a quem é dirigida, apesar de ser intensamente pessoal, como o indica o uso frequente dos pronomes eu e vós. Desde o princípio, tem sido reconhecida como carta circular do apóstolo João às igrejas das cercanias de Éfeso, tendo como objetivo dar ênfase aos pontos essenciais do Evangelho, e avisar contra heresias incipientes que, mais tarde, produziram uma forma corrupta e paganizada de cristianismo.

De acordo com antiga tradição, João fez de Jerusalém seu centro de operações, cuidando da mãe de Jesus enquanto ele viveu, e, depois da destruição de Jerusalém, fixou residência em Éfeso, que, no fim da geração apóstolica, tornara-se o centro da população cristã, tanto em número como pela posição geográfica. Aí viveu e chegou à idade avançada. Seu cuidado especial era pelas igrejas era pelas igrejas da Ásia Menor. Entre seus discípulos, contavam-se Policarpo, Papias e Inácio, que vieram a ser, respectivamente, bispos de Esmirna, Hierápolis e Antioquia. Escreveu o Evangelho três epístolas e o Apocalipse, perto do fim do século.

O cristianismo tornara-se uma religião importante e de poderosa influência no império romano, e por isto houveram várias espécies de tentativas para amalgamar o Evangelho com as filosofias e sistemas de idéias dominantes.

Certa forma de gnosticismo, que despedaçava as igrejas no tempo de João, exagerava o valor do intelectualismo e sustentava que há, na natureza humana, um irreconciliável princípio dualista; que espírito e corpo são duas entidades separadas, que se hostilizavam; que o pecado reside apenas na carne. O espírito poderia Ter seus arrebatamentos; o corpo poderia fazer como queria. A piedade mística, mental, elevada seria inteiramente consistente com uma vida sensual voluptuosa. Negavam a encarnação e sustentavam que Cristo era homem só na aparência, um fantasma.

Através desta epístola João tinha em mente combater estas heresias que tentavam solapar o cristianismo. Por este motivo ele insistia que o verdadeiro conhecimento de Deus deveria resultar em uma transformação moral, e que Jesus foi a manifestação verdadeira, material e autêntica de Deus na carne.

II JOÃO

‘O Presbítero’, v.1. Todos os outros apóstolos já haviam morrido, fazia anos. Somente João ficou, o decano de toda cristandade, já muito velho, o último sobrevivente dos companheiros de Jesus. Como lhe cabia bem o título de ‘ancião’!

‘À senhora eleita’ v.1. Não há meio de saber se a palavra ‘Cyria’, traduzida ‘senhora’, se refere a uma pessoa, ou a uma Igreja, simbolicamente chamada pelo nome dela. Se era um Igreja, então os ‘seus filhos’ eram os membros da congregação. Se era uma pessoa, era provavelmente uma senhora muito conhecida e proeminente, que morava em alguma parte não distante de Éfeso, em cuja casa um Igreja se reunia. A ‘irmã eleita’ v. 13, ou era a congregação em que João residia, ou era outra senhora cristã proeminente.

‘Os falsos mestres’ v. 7-11. São estes o mesmo grupo de homens referidos em IJo 2.18-29. Iam de lugar em lugar atacando as igrejas, ensinando em nome de Cristo, doutrinas que eram inteiramente subversivas da fé cristã. João adverte a senhora eleita que não deveria dar acolhida a tais homens, e esta exortação é precedida pela palavra ‘amor’ v. 5-6, como a indicar que a prática do amor cristão não significa que devamos encorajar os inimigos da verdade.

III JOÃO

Gaio, v.1. Havia um Gaio em Corinto (ICo 1.14; Rm 16.23) em cuja casa, no tempo de Paulo, uma igreja se reunia. Há uma tradição de que ele mais tarde veio a ser escriba de João. No v. 4 é chamado ‘filho’ indicando que seria um convertido de João. João o amava muito v. 1,2,5,11.

Diótrefes, v.9. Se Gaio e Diótrefes eram pastores de diferentes congregações na mesma cidade, ou membros eminentes de uma mesma congregação, não o sabemos. Diótrefes era, provalmentte, um dos falsos mestres arrogantes referidos em I João. Aparentemente, a alguns destes evangelistas de João, numa de suas excursões, fora recusada admissão na igreja sobre a qual Diótrefes presidia, porém Gaio os recebera. Voltando eles a Éfeso, relataram o caso à igreja, sede do apóstolo v. 6. Agora iam fazer nova visita à mesma localidade, levando esta carta a Gaio.

Paulo havia estabelecido a igreja em éfeso, e mais tarde João assumiu o cuidado pastoral dela, reunindo ao que parece, em torno de si um grande número de mestres e pregadores que o auxiliavam no cuidado das várias congregações.

 

JUDAS

Houve dois Judas no novo testamento; um dos doze (Lc 6.16), e um irmão de Jesus (Mt 13.55). Este último é geralmente considerado o autor desta epístola. Netos de Judas existiram no tempo de Domiciano, pois conta Eusébio que quando este imperador mandou persiguir os cristãos em 96 d.C., e os herdeiros de Davi, mandou que prendessem os netos de Judas, irmão de Jesus.

Disseram que eles eram lavradores, viviam do trabalho de suas mãos, e que o ‘Reino de Cristo’ não era deste mundo, mas seria manifestado na consumação dos tempos, quando Ele viria em glória para julgar os vivos e os mortos.

A semelhança de situação com a mencionada em II Pedro sugere a possibilidade de Ter sido endereçada esta epístola às mesmas igrejas que, ao que parece de II Pedro 3.1, eram aquelas às quais I Pedro foi dirigida, as quais ficavam na Ásia Menor, I Pe 1.1. Provavelmente, por volta do ano 67 d.C.

Parece que Judas tivera o plano de escrever uma declaraçõa geral mais circunstanciada do Evangelho a esse grupo de igrejas, nas quais parecia Ter interesse pessoal e pastoral v. 3, quando notícias de súbito aparecimento de uma heresia assoladora dispuseram-no a expedir esta enérgica advertência v. 3,4.

 

APOCALIPSE

Em apocalipse (termo grego que significa desvendamento), nós podemos encontrar profecias mais extensas sobre o futuro do que qualquer outra porção do Novo Testamento. Essas profecias projetam luz sobre o triunfo escatológico de Cristo sobre as forças do anticristo deste mundo – a começar pela tribulação e atingindo seu climax na parousia e chegando ao término com a plena concretização do reino de Deus – tudo para decisivo encorajamento dos crentes que enfrentem o antagonismo de uma sociedade incrédula.

Apocalipse é fortemente atestado como obra canônica e apostólica desde o mais antigo período pós-neotestementário da história da igreja, a começar por Hermas, no ínicio do século II d.C., até Orígines, na primeira metade do século III d.C.

O livro de Apocalipse baseia-se no discurso de Cristo sobre as coisas por vir e é dele uma explanação mais ampla (Mt 24; Mc 13; Lc 21). Está cheio de expressões empregadas por Jesus e tira muitas de suas figuras de Ezequiel e Daniel.

Autor – É o próprio Deus. Esta é a primeira declaração do livro. O próprio Deus o notificou a João, por meio de Jesus Cristo, por intermédio de um anjo, e João o registrou e enviou o Livro resultante para as sete igrejas (1.1,4). Há críticos racionalistas modernos que entendem que o Livro não contém nada de profecia inspirada, mas apenas ‘a atividade desenfreada da fantasia religiosa, revestindo-se de forma visual irreal’. A tal opinião rejeitamos com desgosto.

Autor humano – Segundo tradição bem estabelecida, desde a época dos Pais Apostólicos, e no período do julgamento da grande maioria dos cristãos, o Apóstolo João já era reconhecido como o escritor deste livro.

Data – João tinha sido banido à ilha de Patmos 1.9, e segundo tradições da época apostólica, isto havia ocorrido no período de Domiciano por cerca de 85 d.C. No ano seguinte, João foi liberto e lhe foi permitida sua volta a Éfeso. O emprego do passado do verbo ‘achei-me na ilha chamado de Patmos’, parece indicar que João, tendo recebido suas visões em Patmos, só registrou tudo por escrito depois de libertado, de volta na cidade de Éfeso entre 86-78 d.C.

Interpretações – Existem quatro príncipais correntes de interpretação do livro que são abordadas pelos teólogos em geral.

  1. Idealista
  2. Diz que a profecia não tem valor quando interpretada como preditiva. Deve ser vista apenas como simbólica, pois assim demonstra a eterna luta entre o bem e o mal, entre a Igreja e o Paganismo, com o eventual triunfo do cristianismo.

  3. Preterista
  4. Compartilha de mesma posição da escola idealista. A diferença está no fato de que esta, enfatizava a luta entre a Igreja e o Império Romano, sendo que quando este terminasse, Cristo retornaria. A história demosntra a falha desta argumentação, pois o império ruiu, e Cristo não voltou. Em consequência eles procuram redimir o resíduo de significação da obra para os tempos modernos. Os preteristas tendem por inferir que houve a utilização da mitologia pagã por todo o apocalipse.

  5. Historicista
  6. Este ponto de vista interpreta o apocalipse como uma simbólica narrativa prévia da história da Igreja, a contar da era apostólica até o retorno de Cristo e o juizo final. Geralmente eles aferram-se ao pós-milenismo, isto é, a idéia utópica de que Cristo voltará após um prolongado tempo áureo (o milênio), resultante da conversão do mundo ao cristinismo. Ou então crêem no amilenismo (que é o oposto da doutrina anterior).

     

  7. Futurista

Nesta escola de pensamento, os defensores dissem que o apocalipse teve começo motivado pela pressão exercida por Roma sobre a Igreja, durante o primeiro século cristão, e que o livro fala não somente daquele período, mas também de um futuro angustioso e caótico denomindao de Tribulação o qual precederá então o milênio (período de mil anos aonde Cristo retornará a terra para governá-la).

Existe entre os futuristas algumas divergências quanto ao período de tribulação:

  1. Pós-tribulacionismo. Crê que a Igreja continuará na terra durante todo o período de tribulação.
  2. Pré-tribulacionismo. Ela será evacuada da terra mediante a vinda preliminar de Cristo, antes da tribulação.
  3. Mid-tribulacionismo. Ela será evacuada quando a tribulação estiver pela metade (vide Dn 9.24-27).
  4. Arrebatamento Parcial. Somente a porção piedosa da Igreja será levada por Jesus antes da tribulação.

 

GUNDRY, Robert H.; PANORAMA DO NOVO TESTAMENTO; Vida Nova; São Paulo – 1981.

HALE, Broadus David; INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO NOVO TESTAMENTO; 3º Ed. ; JUERP; Rio de Janeiro – 1989.

HALLEY, Henry H.; MANUAL BÍBLICO; Vida Nova; São Paulo – 1997.

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