Família Scandolo
Francesco Scandolo, conhecido em Arealva como “Chico Osvaldo”, nasceu em Polcenigo, província de Udine (hoje, província de Pordenone), nordeste da Itália, próximo à atual fronteira com a Eslovênia e a Áustria, às 18 horas do dia 4 de setembro de 1872, filho de Matteo Scandolo e de Elisabetta Scandolo[1].
Nesse comune de Polcenigo, há um logradouro com o nome da família: “vicolo Scandoli”, bem como uma localidade chamada “colle Scandolo”[2]. Provavelmente essa família esteja estabelecida nesse local desde a Idade Média. Assim, a família adotou o sobrenome Scandolo por viver nessa localidade, ou a localidade passou a ser conhecida por esse nome, por ter sido o local onde se estabeleceram os primeiros Scandolos.
Francesco veio para o Brasil no vapor “Brenero”, aos 13 anos de idade, juntamente com sua mãe Elisabetta[3], com 53 anos e de sua irmã, Maria, com 19. Desembarcaram no porto do Rio de Janeiro em 14 de abril de 1886, com destino à cidade de Jaú, interior paulista[4]. Trouxeram consigo quatro malas, um fuzil, uma pistola e pólvora[5].
Nessa mesma viagem veio seu irmão Osvaldo, com 29 anos, sua mulher Ana Canale, com 22 anos, e seus filhos Matteo, com 2 anos e Elisabetta Margherite, com 4 meses[6].
Casou-se, pela primeira vez, em 15 de setembro de 1894, na cidade de Bariri-SP[7], com Rosalia Bandolin, italiana natural de San Michele al Tagliamento, província de Veneza, filha de Sante Bandolin e de Santa Bronzin, nascida em 19 de setembro de 1874[8]. Segundo o registro do Memorial do Imigrante, Rosalia veio para o Brasil com 12 anos de idade, juntamente com seu pai Sante, com 45 anos, sua mãe Santa, com 46 anos e seu irmão Ludovico[9], com 7 anos, no vapor “Las Palmas”, desembarcando em Santos, em 1º de novembro de 1891[10]. Note-se que a idade declarada de Rosalia está errada, já que quando chegou ao Brasil, Rosalia já contava 17 anos de idade.
Rosalia faleceu em 5 de dezembro de 1913[11], com 39 anos de idade, em decorrência de uma infecção puerperal, deixando, ao que consta, nove filhos, sendo que três deles, Celleste, Lúcia e Luiz, possivelmente faleceram antes de Francesco, tendo em vista que não constam na sua Certidão de Óbito.
Casou-se, ainda, por mais duas vezes.
Com Elvira Luigia Cecilia Pacchioni em 23 de maio de 1918[12], em Bariri, que nasceu em Suzzara, província de Mântova, em 30 de abril de 1885, filha de Luigi Pacchioni e Rosa Saccani[13]; e com Angela Barbaresco, em 16 de junho de 1926, também em Bariri, nascida em 25 de setembro de 1903, natural de Codognè, província de Treviso, Itália, filha de Vincenzo Barbaresco e de Paola Caterina Casagrande[14].
Elvira, ou Luísa, como era conhecida, faleceu em 17 de dezembro de 1924, em Bariri, em decorrência de tifo (“dathimenteria” como consta em sua certidão de óbito)[15]. Angela, ou Angelina, faleceu aproximadamente em 1974, em São Bernardo do Campo-SP.
Chico Osvaldo faleceu na cidade de Iacanga-SP[16], às 7 horas e 30 minutos do dia 26 de fevereiro de 1953, sendo sepultado no Cemitério Municipal de Bariri, na quadra 13, estaca 83[17]. Em visita ao cemitério, em 1992, não nos foi possível localizar tal sepultura, já que houve uma mudança no critério de numeração dos túmulos. Encontramos, porém, o túmulo de seu irmão Osvaldo. Não sabemos se Francesco está sepultado no mesmo jazigo. Em 2004 voltamos ao cemitério e desta vez não conseguimos localizar sequer o túmulo de Osvaldo. Localizamos, porém, o de Cecília Sandoli, filha de Chico Osvaldo.
Deixou, segundo sua certidão de óbito, 11 filhos, a saber: Izidoro, Mateus, Rafael, João, Rosa, Ferdinando, Luiz, Luzia, Ana, Osvaldo e Moacir. Porém, sabemos que, na verdade, Francesco teve mais filhos, tendo sido declarados apenas os que ainda eram vivos na ocasião de seu falecimento.
Francesco possuía o RNE nº1327, emitido pela Delegacia de Pederneiras-SP.
Quando do nascimento de seu filho João (1905), era domiciliado na Fazenda “Barreiro”, na cidade de Bariri. Ao que consta, esta fazenda pertencia à empresa “Moinho Santista”, cujo administrador, na década de 20, era Theophilo Leutwiler, pai de Oliveiro Leutwiler, este, antigo prefeito da cidade de Arealva-SP. Francesco e seu irmão Osvaldo adquiriram uma gleba de terras dentro dessa fazenda ou próxima a ela. Essa primeira propriedade da família no Brasil era conhecida por “Barreirinha”. Sylvio nos informou que, quando seu pai nasceu, tal fazenda era de propriedade de um homem chamado Matias. Francesco e Matias se diziam parentes, embora Sylvio não saiba o grau de parentesco. Com certeza, esse “Matias” é Matteo Scandolo, filho de Osvaldo e sobrinho de Francesco. Portanto, sendo herdeiro de Osvaldo, era co-proprietário da "Barreirinha", juntamente com Francesco.
Francesco morou na cidade de Arealva, na Rua Domingos Marques, 369, onde hoje reside a viúva de “Quim” Cardoso.
Pelo que nos consta, Francesco possuía a Fazenda “Ribeirão Doce”, de aproximadamente 400 alqueires em Ribeirão Bonito-SP. Esta fazenda fica na antiga estrada que liga Iacanga a Borborema. A Fazenda “Soturna” em Arealva-SP, no começo da estrada que liga Arealva a Pederneiras (prolongamento da Avenida Matão, onde hoje alguns filhos de João possuem terras) de 120 alqueires e a Fazenda “Bonsucesso” em Bariri-SP, de aproximadamente 500 alqueires próximo ao Rio Tietê, com cerca de 200 mil pés de café e que possuía, já naquela época, maquinaria para o beneficiamento de café. Foi ali que nasceu Sylvio, tendo se mudado junto com seus pais para Arealva, naquela época Soturna, distrito de Iacanga, em 1929, quando tinha dois meses de idade. A casa onde Sylvio nasceu foi transformada em capela logo depois que João mudou-se para Arealva. Em maio de 2004 visitamos Lourdes Ticianelli Benatti, sobrinha-neta de Francesco Scandolo, neta de Maria, em Bariri. O marido de Lourdes sabe onde se localiza a fazenda. Diz que acredita que o casarão foi demolido há pouco tempo, mas que lá ainda há uma capela.
Pelo que apuramos até o momento, com a morte de Rosalia, primeira mulher, seus filhos herdaram a meação da mãe, segundo o inventário que correu na Comarca de Pederneiras, cuja sentença foi homologada em 18 de novembro de 1915. Essa Fazenda Soturna foi objeto de uma ação de divisão, cuja sentença foi passada em 11 de fevereiro de 1947, extinguindo o condomínio.
Quando do falecimento de Elvira Pacchioni, suas filhas também herdaram a meação, segundo consta na certidão de óbito. Segundo Ovídio Sandoli, Rosa e Cecília herdaram a "Barreirinha".
No final de sua vida, Francesco teria ficado esclerosado e freqüentemente reivindicava o sino da Igreja Matriz de Arealva que, segundo ele, lhe pertencia, e passava as madrugadas com um lampião consertando as cercas de sua fazenda.
Morreu aos 80 anos de idade[24].
Seu irmão Osvaldo faleceu em Bariri, em 26 de março de 1909, com 53 anos, deixando oito filhos: Matheus, com 26 anos; Antônio, com 22 anos; Margarida, com 20 anos; Pedro, com 18 anos; Maria, com 16 anos; Elizabetha, com 14 anos; Luiza, 12 anos; e Amábile, com 6 anos[25].
Todos os seus filhos, com exceção do primogênito, nasceram no Brasil. Sabemos que Osvaldo chegou ao Brasil já casado com Anna Canale, com dois filhos, Matteo, com 2 anos, que aparece como Matheus na Certidão de Óbito e era conhecido como Matias; e Elisabetta Margherite, que chegou com 4 meses e não consta na Certidão de Óbito, o que nos leva afirmar que faleceu antes de Osvaldo e deveria ter, em 1909, cerca de 24 anos.
Não
sabemos se teve outros filhos falecidos antes dele.
Matteo, ou Matias como era conhecido, era primogênito de Osvaldo e sobrinho de Francesco. Matias nasceu na Itália, em 20 de dezembro de 1883 e faleceu com 93 anos em Bariri, em 1º de julho de 1977[26].
(veja notas no final da página)
LINKS RELACIONADOS:
Descendentes de Francesco Scandolo
 Atual distribuição da família Scandolo na Itália
Monumento (Scheda di caduti I Guerra Mondiale - Luigi Scandolo)
[1]
“Atto di Nascita. Anno 1872, volume unico, parte
I, n. 108, Ufficio dello Stato Civile, Comune di Polcenigo, Provincia di
Pordenone”.
[2] Disponível em http:/www.comune.polcenigo.pn.it/elencovie.asp. Acesso em 20 mar 2004. “Colle” significa colina.
[3] Falecida em Bariri-SP, em 16 de junho de 1913, segundo assento de casamento citado na nota 14, infra.
[4] Memorial do Imigrante, São Paulo, livro 003, fls. 62.
[5] Relação dos passageiros do vapor “Brenero”. Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.
[6] Idem nota 1.
[7] Assento de Casamento nº30, fls. 111 e v., livro 2-B. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP.
[8]
“Atto di Nascita. Anno 1874, parte I, n. 132,
Ufficio dello Stato Civile, Comune di San Michele al Tagliamento, Provincia
di Venezia”.
[9] Ludovico, cunhado de Francesco, foi testemunha do terceiro casamento deste, segundo assento de casamento citado na nota 14, infra.
[10] Museu do Imigrante, São Paulo, livro 030, fls. 108.
[11] Assento de Óbito nº346, livro C-09, fls. 41 v. e 42.
[12] Assento de Casamento nº27, fls. 181v., livro B-5. Cartório do Registro Civil. Ribeirão Bonito-SP.
[13]
“Atto di Nascita. Anno 1885, parte I, ufficio S.
C., n. 104, Ufficio dello Stato Civile, Comune di Suzzara, Provincia di
Mantova”.
[14] Assento de Casamento nº67, fls. 103v. e 104v., livro de casamentos. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP e "Atto di Nascita". Anno 1903, parte I, n. 115, Ufficio dello Stato Civile, Comune di Codognè, Provincia di Treviso".
[15] Assento de Óbito nº369, livro C-14, fls. 143 v.
[16] Sylvio Sandoli diz que Francesco faleceu em Arealva, na casa onde morou, na Rua Domingos Marques.
[17] Assento de Óbito nº2154, fls. 108, livro C-9. Cartório do Registro Civil. Iacanga-SP.
[18] Assento de Nascimento nº332, fls. 38 v., livro A-9. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP.
[19] Assento de Casamento nº24, fls. 14 v. e 15, livro B-18. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP.
[20] Assento de Óbito nº2873, fls. 118, livro C-8. Cartório do Registro Civil. Arealva-SP.
[21] Assento de Nascimento nº79236, fls. 212, livro A-78. Cartório do Registro Civil do 28º Subdistrito do Jardim Paulista. São Paulo-SP.
[22] Assento de Casamento nº10331, fls. 296, livro B-54. Cartório do Registro Civil do 9º Subdistrito da Vila Mariana. São Paulo-SP.
[23] Assento de Óbito nº45688, fls. 113, livro C-458. Cartório do Registro Civil da 8ª Circunscrição. Rio de Janeiro-RJ.
[24] Assento de Óbito nº2154, livro C-9, fls. 108. Segundo seu assento de Óbito, a causa morte foi: “doença 446 (não consta causa morte)”.
[25] Assento de Óbito nº64, livro C-07, fls. 28 e v. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP.
[26] Assento de Óbito nº192, fls. 57, livro C-29. Cartório do Registro Civil. Bariri-SP.