Especial
Ataque aos Estados Unidos

Última atualização
em 17/09/2001

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Cientista político descarta "novo Pearl Harbor"

Rafael Martins

A série de atentados terroristas nos EUA não pode ser comparada ao ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, que determinou a entrada dos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. A afirmação é cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Adriano Codato. "Os EUA nunca haviam sido agredidos desta forma. Mas comparações com Pearl Harbor são infundadas. Ali, foi a agressão de um país a outro, numa base militar, distante dos centros políticos e econômicos. Agora, temos uma ação de terroristas, provavelmente sem vinculação com o governo de qualquer nação, sobre os centros mais importantes, até de maneira simbólica, do poderio militar e econômico dos EUA."

Para Codato, não é possível tratar os atentados de ontem como estopim de um conflito armado global. "Pode se esperar medidas severas e imediatas de retaliação. Mas, a médio prazo, devemos esperar uma escalada defensiva dos EUA, inclusive com o aprofundamento do isolamento do país no plano internacional. E é muito difícil que os autores do atentado tenham capacidade de resistir à retaliação norte-americana", afirma.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Adriano Codato.

- Quais as possíveis consequências imediatas da série de atentados contra os EUA?
Adriano Codato - Podemos esperar medidas serveras de retaliação para os próximos dias. Os alvos seriam a Líbia, o Iraque, os países árabes, o Afeganistão, países que são bases de organizações e ações terroristas. Isso seria dar uma satisfação à opinião pública interna e externa. Provavelmente, a retaliação não se daria contra governos, mas sim contra grupos terroristas, sustentados ou não por esses governos. A incógnita é saber qual o autor dos atentados. A médio prazo, deve se esperar uma escalada defensiva dos EUA, desde o projeto Guerra na Estrelas até aprofundamento do isolamento do país no plano internacional. A política externa, diplomática e militar, deve recrudescer. E os gastos militares sobem.

- Os atentados podem gerar um conflito armado global?
Codato - Os EUA nunca haviam sido agredidos desta forma. Mas comparações com Pearl Harbor são infundadas. Ali, foi a agressão de um país a outro, numa base militar, distante dos centros políticos e econômicos. Agora, temos uma ação de terroristas, provavelmente sem vinculação com o governo de qualquer nação, sobre os centros mais importantes, até de maneira simbólica, do poderio militar e econômico dos EUA.

- Os autores dos atentados teriam condições de responder à provável retaliação dos EUA?
Codato - A ação de hoje (terça-feira) não é de um governo, mas de um pequeno grupo, fanático, de motivação político-religiosa. Foi uma ação espetacular, organizada, que deve ter exigido anos de preparação, treinamento refinado, e grau de comprometimento ideológico espetacular. É possível que ações desse tipo se repitam. Mas é muito difícil que seus autores tenham capacidade de resistir à retaliação norte-americana.

- Os atentados têm efeito nos conflitos entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza?
Codato - Os EUA São alinhados a Israel, e continuam assim. Se novos ataques terroristas se dirigirem a Israel, deve haver apoio dos EUA. Mas acho que as ações não tem relação com esse conflito.

Rafael Martins é jornalista formado pela UFPR.

 

 

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