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Cientista político descarta "novo Pearl Harbor"
Rafael Martins
A série de atentados terroristas nos EUA não pode ser comparada
ao ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, que determinou a
entrada dos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. A afirmação
é cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná
(UFPR) Adriano Codato. "Os EUA nunca haviam sido agredidos desta
forma. Mas comparações com Pearl Harbor são infundadas. Ali, foi
a agressão de um país a outro, numa base militar, distante dos centros
políticos e econômicos. Agora, temos uma ação de terroristas, provavelmente
sem vinculação com o governo de qualquer nação, sobre os centros
mais importantes, até de maneira simbólica, do poderio militar e
econômico dos EUA."
Para Codato, não é possível tratar os atentados de ontem como estopim
de um conflito armado global. "Pode se esperar medidas severas e
imediatas de retaliação. Mas, a médio prazo, devemos esperar uma
escalada defensiva dos EUA, inclusive com o aprofundamento do isolamento
do país no plano internacional. E é muito difícil que os autores
do atentado tenham capacidade de resistir à retaliação norte-americana",
afirma.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Adriano Codato.
- Quais as possíveis consequências imediatas da série de atentados
contra os EUA?
Adriano Codato - Podemos esperar medidas serveras de retaliação
para os próximos dias. Os alvos seriam a Líbia, o Iraque, os países
árabes, o Afeganistão, países que são bases de organizações e ações
terroristas. Isso seria dar uma satisfação à opinião pública interna
e externa. Provavelmente, a retaliação não se daria contra governos,
mas sim contra grupos terroristas, sustentados ou não por esses
governos. A incógnita é saber qual o autor dos atentados. A médio
prazo, deve se esperar uma escalada defensiva dos EUA, desde o projeto
Guerra na Estrelas até aprofundamento do isolamento do país no plano
internacional. A política externa, diplomática e militar, deve recrudescer.
E os gastos militares sobem.
- Os atentados podem gerar um conflito armado global?
Codato - Os EUA nunca haviam sido agredidos desta forma. Mas
comparações com Pearl Harbor são infundadas. Ali, foi a agressão
de um país a outro, numa base militar, distante dos centros políticos
e econômicos. Agora, temos uma ação de terroristas, provavelmente
sem vinculação com o governo de qualquer nação, sobre os centros
mais importantes, até de maneira simbólica, do poderio militar e
econômico dos EUA.
- Os autores dos atentados teriam condições de responder à provável
retaliação dos EUA?
Codato - A ação de hoje (terça-feira) não é de um governo,
mas de um pequeno grupo, fanático, de motivação político-religiosa.
Foi uma ação espetacular, organizada, que deve ter exigido anos
de preparação, treinamento refinado, e grau de comprometimento ideológico
espetacular. É possível que ações desse tipo se repitam. Mas é muito
difícil que seus autores tenham capacidade de resistir à retaliação
norte-americana.
- Os atentados têm efeito nos conflitos entre palestinos e israelenses
na Faixa de Gaza?
Codato - Os EUA São alinhados a Israel, e continuam assim. Se novos
ataques terroristas se dirigirem a Israel, deve haver apoio dos
EUA. Mas acho que as ações não tem relação com esse conflito.
Rafael Martins é jornalista formado pela UFPR.
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