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OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA - 1911

FREDERICK WINSLOW TAYLOR

Rogério Barion, Eng. Agrônomo

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

Objetivo: Esta pesquisa tem o objetivo de mostrar uma análise específica dos "Princípios da Administração Científica" para complementar os estudos necessários ao "Planejamento Estratégico de Produção

Introdução: A chegada da Revolução Industrial teve início na Inglaterra por volta de 1760 e alastrou-se para o resto do mundo. Caracteriza-se pelo uso de novas fontes de energia, invenção de máquinas que aumentam a produção, desenvolvimento do transporte e da comunicação. Provoca profundas transformações na sociedade, principalmente o declínio da terra como fonte de riqueza, o direcionamento da produção em grande escala para o mercado internacional, a afirmação do poder econômico, o surgimento do operariado e a consolidação do capitalismo como sistema dominante na sociedade. A disponibilidade de capital e o sistema financeiro eficiente facilitam os investimentos dos empresários, que constróem ferrovias, estradas, portos e sistemas de comunicação, favorecendo o comércio. Os campos tornam-se extensas propriedades rurais. A agricultura produz cada vez mais com menos mão de obra. Com isso, os camponeses fogem das terras, migram para as cidades e tornam-se mão de obra à disposição. Por outro lado aumenta a produção de alimentos, contribuindo para o crescimento populacional. A "Revolução" estava aí, lançada, e era uma realidade com as industrias que estavam produzindo cada vez mais. Com o excesso de mão de obra e aumento da população, só existia um setor que poderia absorver essa massa: a Industria com a elevação do consumo a escalas cada vez maiores. Mas como fazer uso disso de maneira eficiente e sem prejuízos aos investidores? Como usar esse excesso de oferta de mão de obra? A resposta era: a racionalização do trabalho; agregar ciência e pesquisa aos meios produtivos. O precursor de tudo isso foi o engenheiro Norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915). Sua obra Os "Princípios de Administração Científica" é um conjunto de teorias desenvolvidas para aumentar a produtividade e racionalizar o trabalho industrial e serviu de base para milhares de estudos que se seguiram. Com a crescente concorrência entre os sistemas produtivos, a busca por maiores produtividades parece uma meta que nunca terá fim. Observa-se que as empresas que progridem sempre estão em constante transformação, procurando maior produção, menores custos e maior satisfação tanto de clientes como de colaboradores. Foi pensando nisso que Taylor, como pioneiro, resolveu agregar ciência ao trabalho industrial definindo sistemas produtivos organizados e eficientes. Dessas ciências utilizadas, a que Taylor mais se valeu foi sem duvida a estatística, pois para os padrões culturais da época era necessário provar matematicamente que suas teorias poderiam dar certo. Daí começou a análise estatística dentro dos sistemas produtivos industriais.

Histórico:

Primeiro período: O primeiro período de Taylor corresponde à época da publicação do seu livro Shop Management (Administração de Oficinas - 1903) onde se preocupa exclusivamente com as técnicas de racionalização do trabalho do operário, através do Estudo de Tempos e Movimentos (Motion-Time Study). Na busca pela eliminação do desperdício, da ociosidade operária e redução dos custos de produção, Taylor inicia seus estudos sobre a ciência da administração no começo do século XX. Desenvolve técnicas de racionalização do trabalho operário: analisa e controla o tempo e o movimento do homem e da máquina em cada tarefa, para aperfeiçoá-los e recionalizá-los gradativamente. Nessa primeira fase e, com base na idéia de que a eficiência aumenta com a especialização, Taylor divide o trabalho e limita cada operário à execução de uma única tarefa, de maneira contínua e repetitiva. Para obter a colaboração dos funcionários, são estabelecidos remuneração e prêmios extras. A produção individual, até o nível de 100% de eficiência no tempo-padrão (tempo médio que um operário leva para executar as tarefas), é remunerada conforme o número de peças produzidas. Acima dessa porcentagem, a remuneração por peça é acrescida de um prêmio de produção ou incentivo salarial adicional, que aumenta à medida que a eficiência do operário é elevada. Além de racionalizar o trabalho do operário, Taylor tenta mudar o comportamento dos supervisores, chefes, gerentes e diretores que ainda trabalham nos velhos padrões. Cria, assim, a administração científica, que é rapidamente aplicada na indústria americana, estendendo-se a todos os países e campos de atividades.

Segundo período: O segundo período de Taylor corresponde à época da publicação de seu livro Princípios da Administração Científica (1911), quando concluiu que a racionalização do trabalho operário deveria ser logicamente acompanhada de uma estruturação geral da empresa que tornasse coerente a aplicação dos seus princípios. Nesse segundo período, desenvolveu seus estudos sobre a Administração geral, a qual denominou Administração Científica, sem deixar contudo sua preocupação com relação à tarefa do operário.

Taylor assegurava que as indústrias na época padeciam de males que poderiam ser agrupados em três fatores:

1. Ociosidade, traduzida algumas vezes como "vadiagem": que é uma sistemática por parte dos operários, que reduziam propositadamente a produção para evitar a redução das tarifas de salários pela gerência. Haviam três causas determinantes desse problema que eram:

erro que vem de época imemorial e quase universalmente disseminado entre os trabalhadores, de que o maior rendimento do homem e da máquina teria como resultante o desemprego de grande número de operários;
sistema defeituoso da Administração, comumente em uso, que forçava os operários à ociosidade no trabalho, a fim de melhor proteger os seus interesses;
os métodos empíricos ineficientes, geralmente eram utilizados em todas as empresas, com os quais o operário desperdiça grande parte do seu esforço e do seu tempo.

2. Desconhecimento, pela gerência, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização.

3. Falta de uniformidade das técnicas ou métodos de trabalho.

Para Taylor. os elementos da Administração Científica eram e continuam sendo:

1. estudo de tempo e padrões de produção;

2. supervisão funcional;

3. padronização de ferramentas e instrumentos;

4. panejamento das tarefas;

5. o princípio da exceção;

6. a utilização da régua de cálculo e instrumentos para economizar tempo;

7. fichas de instruções de serviço;

8. a idéia de tarefa, associada a prêmios de produção pela sua execução eficiente;

9. sistemas para classificação dos produtos e do material utilizado na manufatura;

10. sistema de delineamento da rotina de trabalho.

A tentativa de substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos em todos os ofícios recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT).

Para Taylor, o operário não tem capacidade, nem formação, nem meios para analisar cientificamente o seu trabalho e estabelecer racionalmente qual o método ou processo mais eficiente. Geralmente, o supervisor comum deixava ao arbítrio de cada operário a escolha do método ou processo para executar o seu trabalho, para encorajar sua iniciativa. Porém, com a Administração Cientifica ocorre uma repartição de responsabilidades: a administração (gerência) fica com o planejamento (estudo minucioso do trabalho do operário e o estabelecimento do método de trabalho) e a supervisão (assistência contínua ao trabalhador durante a produção), e o trabalhador fica com a execução do trabalho, pura e simplesmente.

Para Taylor, a gerência adquiriu novas atribuições e responsabilidades descritas pelos três princípios a seguir:

1. Princípio do preparo: selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões e prepará-los e treiná-los (capacitá-los) para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado. Além do preparo da mão-de-obra, preparar também as máquinas e equipamentos de produção, bem como o arranjo físico e a disposição racional das ferramentas e materiais.

2. Princípio do Controle: controlar o trabalho para se certificar de que o mesmo está sendo executado de acordo com as normas estabelecidas e segundo o plano previsto. A gerência deve cooperar com os trabalhadores, para que a execução seja a melhor possível.

3. Princípio da Execução: distribuir distintamente as atribuições e as responsabilidades, para que a execução do trabalho seja bem mais disciplinada.

Vantagens:

Do ponto de vista da produção as vantagens são:

- A organização racional do trabalho, acarretando maior produtividade e rentabilidade tanto da empresa como dos trabalhadores.

- Melhor relacionamento patrão X empregado.

- Dinamismo nos objetivos da empresa.

- Melhor capacitação profissional do trabalhador, treinamento (capacitação), proporcionando melhores perspectivas aos profissionais.

Desvantagens:

- Os trabalhadores absorvendo apenas uma função dentro das empresas. Hoje com a automação, os funcionários exercem multi funções dentro das empresas, pois os pedidos estão em números cada vez maiores, sendo muitos entregues antecipadamente ocasionando alocação de mão de obra em outros setores da empresa. Nos países com sistemas sindicais fortes, isso ocasionava uma má interpretação das teses de Taylor e era considerado (como é ainda hoje) um desvio de função acarretando desentendimentos e até mesmo ações judiciais. As mudanças da política dentro de uma empresa estão ocorrendo com mais velocidade exigindo além de treinamento (capacitação) manual, agilidade de raciocínio e melhoria de relacionamento pessoal e profissional.

- O mecanicismo de sua abordagem (teoria da máquina), a superescalização que robotiza o operário, a visão microscópica do homem tomando isoladamente e como parte da maquinaria industrial gera uma abordagem incompleta envolvendo apenas a organização formal, a limitação do campo de aplicação à fábrica, omitindo o restante da vida de uma empresa, a abordagem eminentemente prescritiva e normativa tipicamente de sistema fechado.

Conclusão sobre Taylor:

No início, sua preocupação era tentar eliminar o desperdício e das perdas sofridas pelas indústrias americanas e elevar os níveis de produtividade através de métodos e técnicas de engenharia. Ele utilizava técnicas que eram centradas do operário para a direção, através do estudo de tempos e movimentos, da fragmentação das tarefas e na especialização do trabalhador, reestruturação para a fabricação com conceitos de gratificações por produção, incentivava o operário a produzir mais.

Não adiantava racionalizar o trabalho do operário se os seus superiores, os diretores e até mesmo o dono da empresa continuavam a trabalhar dentro do mesmo empirismo caótico existente anteriormente.

Mesmo assim, essas observações não mudam o fato de que Administração Científica foi o primeiro passo concreto da Administração rumo a uma teoria administrativa. Foi Taylor que implantou diversos conceitos que até hoje o utilizamos no Planejamento de Produção isso fica explícito no parágrafo de Administração Como Ciência.

De acordo com Taylor, a implantação da Administração Científica deve ser gradual e obedecer a um cronograma, para evitar alterações bruscas que causem descontentamento por parte dos empregados e prejuízos aos patrões.

Com as modernas técnicas de Administração essas mudanças devem respeitar as tradições e cultura de uma unidade fabril e, deve-se levar em consideração a cultura das etnias mas, a eficiência e produtividade devem sempre ser almejadas. Outro índice perseguido hoje também é a qualidade alavancada pelo poder do consumidor.

Em que pese a importância da obra de Taylor, em uma infinidade de casos ainda observamos, nos dias de hoje já no início do século XXI, empresas e intituições que ainda não seguem sequer o mínimo dos princípios de Taylor do início do século XX. Esses casos nem ao menos são fundamentados pela direção não concordar com as teorias de Taylor, mas sim, motivado por um total desconhecimento e despreparo. Esse é um motivo que corrobora com a falências e fechamento de empresas espalhadas pelo mundo.

Referência bibliográfica

1. Taylor, Frederick Winslow . Os Pricípios da Administração Científica, 1911.

2. Faculdade Porto Alegrense de Ciências Contábeis e Administrativas (FAPCCA), alguns trabalhos. 1999.

3. Enciclopédia Encarta.

4. Almanaque Abril Digital

5. Enciclopédia Digital Koogan Houaiss

 

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