Champanhe e lágrimas
marcam despedida do Concorde
17h37 - 24/10/2003

Por Mark Bendeich
LONDRES (Reuters) - Três aviões Concorde voaram até Londres na
sexta-feira, colocando um ponto final na era das viagens comerciais
realizadas a velocidades supersônicas, para a tristeza de milhares de
fãs da aviação.
Os três jatos de bico curvo pousaram no aeroporto de Heathrow --
vindos de Edimburgo (Escócia), de Nova York e de um sobrevôo pela baía
de Biscaia, na costa da Espanha e da França -- com um intervalo de
dois minutos um do outro, concluindo uma das experiências mais
empolgantes, e mais caras, da aviação civil.
"O Concorde nasceu de sonhos, foi construído a partir de uma
visão e operado com orgulho", disse o piloto Mike Bannister, a
bordo do último Concorde a realizar a travessia do Atlântico.
"(Ele) é um avião fabuloso e, hoje, se tornou uma
lenda", afirmou após ter subido até os limites da atmosfera
terrestre para voar a duas vezes a velocidade do som.
Champanhe e vinhos caros foram consumidos durante o vôo enquanto
os passageiros, entre eles a atriz Joan Collins e a modelo Christie
Brinkley, comiam lagosta, caviar e salmão.
David Hayes, que pagou 60.300 dólares durante um leilão de
caridade para voar com a mulher no vôo histórico, contou:
"Comecei a chorar e meu coração disparou. Era hora de dizer
adeus."
Bernie Ecclestone, o homem-forte da Fórmula 1, participou do vôo
inaugural do Concorde em 1976 e estava agora no último. "Acho
que nunca mais o veremos de novo, ao menos não enquanto estiver
vivo."
O começo do fim do Concorde anunciou-se em julho de 2000, quando
um aparelho da Air France caiu perto de Paris, matando 113 pessoas e
paralisando as frotas francesa e britânica.
No final de 2001, os vôos do Concorde foram retomados, em meio a
uma crise no setor, aprofundada pelos ataques de 11 de setembro
daquele ano contra os EUA. A Airbus, a fabricante do avião, afirmou
que suspenderia o envio de peças de reposição e de manutenção do
aparelho, selando seu fim.
(Reportagem adicional de Jason Neely)