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"Adiamento de compra de caças é coerente com combate à fome, mas atrapalha modernização das Forças Armadas"; veja entrevista do coronel Geraldo Cavagnari 03/01/2003 - 20h06

 

da Redação em São Paulo

A decisão do novo governo de adiar até 2004 a compra de 12 caças FX (que custariam US$ 760 milhões) para a FAB (Força Aérea Brasileira) atrapalhará o processo de modernização das Forças Armadas, mas é coerente com a prioridade do governo Lula, que é o combate à fome.

A análise é do coronel Geraldo Cavagnari, professor e diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Unicamp (Universidade de Campinas).

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, no UOL News, Cavagnari afirmou que "em princípio, a decisão é coerente" pelo fato do governo estar atrás de recursos para o plano de combate à fome. "Em segundo lugar, é uma decisão que dará a esse governo fôlego suficiente para tomar pé a respeito desse assunto, porque as pressões são muitas, de todas as direções, dos Estados Unidos, da França."

Porém, Cavagnari diz que "em termos operacionais, não há dúvida de que essa demora atrapalha o processo modernização das Forças Armadas, principalmente da Força Aérea".

Segundo o especialista, os aviões Mirage que a FAB utiliza hoje ainda "têm capacidade de interceptação". "Por exemplo, um 'teco-teco' ele intercepta bem... Aviões de transporte ele intercepta, bem como determinados tipos de aeronave. Agora, aviões de combate, ele não tem condições de interceptar, ou caças de última ou penúltima geração. Estamos 30 anos atrasados. Há 30 anos que não se compra caças nessa linha, interceptadores. Já aviões de ataque ao solo, temos de geração avançada, os AMX, fabricados em convênio com a Itália", explicou.

Para Cavagnari, é possível esperar a compra desses caças sem comprometer a segurança nacional. "Nossa área de segurança é uma área de estabilidade. Para o caso do uso espaço aéreo brasileiro pelo narcotráfico, na Amazônia, os Tucano (da Embraer) são suficientes."

 

        

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