Esquadrilha da
Fumaça bate recorde mundial
Pirassununga, SP
- O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA)
da Força Aérea Brasileira (FAB), a Esquadrilha da Fumaça, bateu
o próprio recorde. Às 10h35, sob um céu limpo, na cidade
de Pirassununga, onze aeronaves T-27
Tucano voaram de dorso
(de ponta-cabeça) em formação. O recorde
anterior, de 1996, registrado no Guinness Book, era de dez
aeronaves.
O feito integrou a
programação de 50 anos da Esquadrilha da Fumaça,
completados no dia 14 deste mês. Durante o final
de semana, dias 16,17 e 18 de abril
, a Academia da Força Aérea Brasileira, sediada em
Pirassununga, abriu as portas para o público. Cerca de 20
mil pessoas aplaudiram a superação dos onze pilotos
do grupo, comandados pelo coronel Otto Voget.
A programação do
final de semana inclui ainda vôos de acrobatas civis,
paraquedismo, exposição de aeronaves da
FAB, do Exército e da Aeronáutica,
além de demonstração de vôos dos
aviões atualmente utilizados pela Força Aérea Brasileira.
O mais aguardado foi o
ALX, fabricado pela Embraer.
Aeronave leve de
ataque, como é designado, o ALX integra o
Projeto Sivam e será usado para a interceptação de tráfego
ilícito na fronteira do País, explicou Voget. Uma das 99
unidades que estão sendo fabricadas no
Brasil, usada no vôo
de demonstração, está
exposta em Pirassununga. "Pouca gente, inclusive
poucos pilotos da FAB, viu esse aparelho voando",
comentou o coronel.
Apesar da novidade, a
grande atração da festa para o público é mesmo a Esquadrilha
da Fumaça. A organização estima que
70 mil pessoas visitem a FAB por dia, em média,
durante o final de semana festivo. O
vendedor José Ricardo da Silva saiu com a
família de Jundiaí para
prestigiar os pilotos. "É um show imperdível",
disse, comemorando o recorde.
A gerente Ana Paula
Cardoso, de Campinas, aprovou o novo visual dos
aviões da esquadrilha, pintados com as cores da bandeira, que
estreou no final de fevereiro. "os pilotos
são corajosos e tornam
o Brasil referência". A tietagem é motivo de
orgulho para os ases da
aviação nacional. "A Esquadrilha é um órgão de relações
públicas. Esse recorde não é nosso, mas do Brasil", disse
o piloto e capitão Márcio Guimarães de Oliveira.
Guimarães é o caçula
do grupo, ingressou na esquadrilha há um ano e
meio. O mais antigo é o major Neves Neto, que está no
EDA há seis anos. O tempo regular de
permanência é quatro anos, explicou o capitão José Agnaldo de
Moura, outro integrante da seleta equipe. O
major é exceção, mas continua porque houve uma
interrupção das atividades do EDA de 21 meses, entre 2000
e 2002, para a revisão
estrutural das aeronaves.
O capitão Moura
contou que, após as reformas, o T-27 ainda tem muitas horas de vôo
pela frente. Não há previsão de substituição. Já o
capitão tem somente mais um ano como piloto da equipe. "É
preciso abrir para os novos talentos e
novas idéias", afirmou.
Ele disse ter ficado
emocionado com o recorde e contou que o
grupo passou a última semana
treinando para evitar falhas.
O trajeto percorrido
pela Esquadrilha de dorso e em formação
foi de cerca de três quilômetros. "É um vôo
muito difícil porque os comandos ficam
invertidos", explicou o coronel Voget. Ele
acrescentou que a superação "prova
que os pilotos brasileiros estão entre os melhores
do mundo".
Além de demonstração
de capacidade, a quebra do recorde insere
a FAB no mundo internacional da aviação, diz o coronel.