A volta dos que n�o foram
Rodolfo Lucena
A dor de n�o chegar. Pior, a tristeza de n�o ir.
Muitos de n�s j� experimentamos esse desalento, essa perda, a prova que escorre entre os dedos, o asfalto em que n�o corremos, enfim, a prova sonhada da qual n�o participamos.
Mesmo assim, talvez nenhum de n�s consiga explicar o que sente depois de treinar meses a fio, lutar consigo mesmo para ir mais um pouco � frente, um pouco mais r�pido, um ritmo melhor, concentrando-se na competi��o predileta _que n�o vem por causa de um tombo, um p� torcido, uma dor estranha no p�, na perna, na coxa.
D� raiva, desespero, vontade de largar tudo, de sentar na guia da cal�ada e chorar. Mas tamb�m d� gana para come�ar tudo outra vez, lutar para ficar bom e ter de novo uma planilha de treinos, uma prova no horizonte.
Se todos n�s, amadores ainda que competitivos _ou n�o tanto, como este pangar� que vos fala_ , sentimos t�o forte isso, imaginem os atletas de ponta, a elite do esporte. E tamb�m eles �s vezes voltam sem ter ido, ficam no quase, caem antes do jogo.
Nestes Jogos Ol�mpicos tivemos grandes exemplos de supera��o, assistimos a alguns dramas de vit�ria e de derrota. E pouco espa�o ficou para quem nem sequer p�de tentar a vit�ria, ficou fora depois de j� estar l�.
�A decis�o de me retirar dos Jogos � uma das mais dif�ceis de minha vida�, disse o velocista Frankie Fredericks, da Nam�bia, que carrega no cofrinho quatro medalhas de prata ol�mpicas e foi derrubado por uma les�o no tend�o de Aquiles.
�Doeu muito mais no cora��o do que na perna�, afirmou N�lio Moura, t�cnico de Maurren Higa Maggi, a jovem saltadora brasileira que saiu de S�o Paulo como alegre, sorridente, simp�tica esperan�a de medalha e caiu na pista, a m�o na coxa direita, o rosto crispado de dor, antes de dar seu salto para _quem sabe_ a gl�ria ol�mpica.
Ela chorava, chorava, chorava.
Assim como o marroquino Salah Hissu, campe�o mundial dos 5.000 m e bronze em Atlanta-96 nos 10.000 m, talvez tenha chorado naquele treino em Brisbane em que sentiu o tornozelo direito e recebeu a senten�a m�dica: s� daqui a quatro anos, talvez.
De fora, de longe, � dif�cil especular especular as causas de uma les�o. Muitas vezes, ela � fruto de treino excessivo. Os profissionais s�o obrigados a estar sempre no �pice, trabalham sempre no limite de sua capacidade, chamados a dar tudo em cada prova.
Mas � muito t�nue a linha que separa o m�ximo do demais. Num instante, voc� � o campe�o; no outro, est� no ch�o.
Tamb�m n�s, pangas, n�o estamos imunes a essa praga do exagero. Mesmo lerdos, queremos ficar sempre um pouco melhor _e j�, agora, imediatamente. Se fazemos um quil�metro em seis minutos, o sonho � baixar para 5min40, se conseguimos o p�dio da faixa et�ria, queremos o da geral. E por a� vai.
Isso significa mais treino, mais rodagem, mais fartlek, mais quil�metros por semana. Significa t�nis que se arrebentam mais rapidamente -e a gente nem d� bola-, significa uma dorzinha aqui, outra l� -que a gente trata com gelo ou simplesmente aperta os dentes e manda ver.
� a� que a prova sonhada vai embora. Uma fratura por estresse pode deixar um fulano dois, tr�s meses fora dos treinos -c� estou eu, por exemplo, s� fazendo piscina e tentando manter a forma em aparelhos-, tendo que praticamente recome�ar do zero. A gente tamb�m fica mais sujeito a les�es menores, mas n�o menos incomodativas. Podemos chegar a uma prova e, no sprint final, uma perna arriar. Afinal, se estamos no limite, qualquer esfor�o extra � demais.
Equilibrar os treinos, o desejo de correr e o descanso necess�rio e merecido � o desafio que devemos nos colocar. Conversar com nossos treinadores, analisar n�s mesmos nossos projetos, planejar as competi��es ao longo do ano e pensar que menos pode ser mais -um menor n�mero de provas tende a permitir melhor desempenho.
N�o fazendo isso, aumentamos nosso risco de ir para o estaleiro e, assim, cair na depress�o, deixar a tristeza chegar. Pensando nesse banzo, fui � Internet buscar alguns sites que pudessem dar uma for�a.
Pensei em sugerir p�ginas de auto-ajuda, mas acabou parecendo um contra-senso: se � para voc� se auto-ajudar, ent�o n�o � necess�rio apoio externo.
Ent�o proponho que voc�s que est�o em per�odo de descanso -for�ado ou planejado- visitem sites mais divertidos, de jogos ou informa��o.
Para os competitivo, sugiro o site de jogos do UOL
(www.uol.com.br/jogos). Vale a pena dar uma passeada. Assinantes t�m mais op��es (s�o �timos os games Arcade apresentados no lado esquerdo da p�gina), mas n�o-assinantes tamb�m encontram guarida. O melhor � que voc� pode aproveitar v�rios jogos diretamente na p�gina, sem ter de baixar nenhum programa.
O diret�rio de p�ginas Surftrade tamb�m tem uma enorme �rea de jogos. Ele lista p�ginas de games, cabe a voc� escolher o desejado. Para encontrar op��es que podem ser disputadas on line, v� a
http://www.surftrade.com.br/Entretenimento_ e_ Lazer/Games/Online/.
Para quem acha tudo isso uma bobagem e procura coisas mais s�rias, a Virtual Bookstore � uma �tima pedida. Apesar do nome em ingl�s, trata-se de um site em portugu�s. Traz o melhor da literatura mundial, textos completos de livros dos principais autores cl�ssicos brasileiros e estrangeiros. Claro que ler 300 p�ginas na Internet n�o � a coisas mais confort�vel do mundo, mas pode-se ir aos poucos. O endere�o �
www.vbookstore.com.br.
Ainda para quem gosta de dar uma lustrada na parte cultural, nada como viajar por uma enciclop�dia. A Barsa � visit�vel no
www.britannica.com.br.
E se voc� n�o est� treinando corrida, mas investe num halterocopismo, pode escolher ser bar ou restaurante no GuiaSP (
www.guiasp.com.br), que ainda apresenta a programa��o de cinema, teatro e espet�culos da cidade, al�m de sugerir passeios.
Divirtam-se e fiquem todos bem. Quem n�o estiver bem, que melhore. A rua est� est� a� e chama por n�s.

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