| Veja dicas de t�cnico de elite |
| Rodolfo Lucena |
| Viver mais e melhor, com sa�de e alegria. � atr�s disso que os atletas de rua devem correr, diz o doutor Ant�nio Henrique Dias Viana, coordenador-geral da equipe P� de Vento, que congrega campe�es como Luiz Ant�nio dos Santos (vencedor do Mundial de atletismo em 95) e �der Moreno (bronze em Winnipeg). Ele tamb�m condena o doping, e denuncia: �Tem muita gente fazendo e em breve vai ter algu�m morrendo�. Especialista em medicina esportiva e em pediatria, Henrique Viana, 54, corre desde 1975 e j� participou de 13 maratonas, chegando a fazer 2h52 no Rio, em 1983. Reconhecido com t�cnico de atletas de alt�ssimo n�vel e descobridor de talentos, ele concedeu essa entrevista para o �Atividade F�sica� quando a equipe se preparava com a maratona dos Bandeirantess (e esperava �timas coloca��es), em junho de 2001. Leia a seguir os principais trechos da entrevista. 1. Qualidade versus quantidade no treinamento Estou convicto que o mais eficiente para um atleta � associar quantidade com qualidade. Mas voc� tem que saber se o atleta vai aguentar isso. O iniciante n�o consegue nem aguentar quantidade, quanto mais quantidade com qualidade. Quantidade s�o as rodagens; qualidade, os tiros: 400 m, fartlek, tiro de 1.000, 2.000 m. Tamb�m tentar fazer um long�o mais forte. Antigamente a gente falava: �Vamos fazer um long�o em ritmo fraco�. Hoje j� vamos tentando mudar. Conforme a evolu��o do atleta, o tempo que ele tem de corrida, esse long�o que ele fazia a 4�10 (por quil�metro), tentar trazer para 3�50, 3�45. Long�es j� em ritmo mais forte. � o princ�pio da carga e sobrecarga. Vai aumentando a carga, aumentando a quantidade e melhorando a qualidade. 2. Quilometragem semanal Os maratonistas da equipe correm de 150 km a 200 km por semana. A� fora existem escolas que preconizam uma carga at� muito maior. O Antonio Pinto, considerado hoje o melhor maratonista de Portugal, diz que para Atlanta chegou a treinar 450 km em uma semana. Fica dif�cil at� entender como � que um atleta consegue correr isso tudo em uma semana... Os coreanos treinam em torno disso tamb�m, os japoneses v�o pr�ximo a isso. A escola japonesa est� conseguindo resultados espetaculares. Eles treinam tr�s per�odos por dia. Come�am bem cedo, antes do sol nascer. Acordam, fazem uma rodagem, depois v�m, fazem um lanche, v�o descansar. A� por falta das 10h, 11h, fazem um treino mais forte, depois mais para o final do dia. Totalizam �s vezes 300 km por semana, at� 350. Aqui no Brasil, a maioria dos atletas e treinadores defende long�es de at� 32 km. Tinha gente com long�o de 22 km, mas a�, realmente, a pessoa t� com pregui�a de treinar, porque � muito pouco. Mas 32 km j� se pode chegar. Eu defendo 36 km, s�o 4 a mais... 3. Resist�ncia versus velocidade Os atletas meus quando correm maratonas � quando est�o melhores nos 10 km. As melhores marcas s�o obtidas nessas �poca, ou logo depois. Eles adquiriram uma carga grande, uma endurance (resist�ncia) e a� voc� joga um treinamento de duas, tr�s semana de velocidade, e eles obt�m bons resultados. Foi o que aconteceu com o Edilson (Edilson Vieira Silva), l� na Tribuna de Santos, prova em que fez 28�49, duas semanas depois de ter vencido a maratona de Cleveland. Outro atleta, o Eloy (Jos� Eloy), que teve v�rias contus�es. Eu falei que ele deveria treinar para maratonas. Ele falou: �Mas, doutor, eu n�o estou estou conseguindo correr essas corridas curtas, eu me contundo, como � que eu vou correr uma maratona?� Eu expliquei: �Voc� se contunde nos tiros fortes, para a maratona voc� vai fazer s� treinamento de longa dist�ncia, s� quantidade, sem qualidade�. Na maratona do Rio, no ano passado, ele fez 2h26, o que � um tempo fraco, s� que foi em julho. Em setembro, numa prova de 10 km, ele fez 28�45. No ranking, ficaria entre os 60 melhores do mundo. Para um atleta que n�o era destaque... 4. Muscula��o No in�cio, n�o utilizava muscula��o, a n�o ser para um atleta que tivesse uma defici�ncia muscular muito grande. Mas depois comecei a ver alguns resultados... A� comecei a recomendar muscula��o quase que de uma maneira geral para esses atletas que tem uma musculatura menor, que s�o os fundistas, em geral. A quantidade de les�es diminuiu... Se diminuiu pela quantidade de tempo de treinamento ou se foi pela muscula��o em si... Na d�vida, investimos na muscula��o. S�o duas a tr�s vezes por semana, no per�odo de base e no per�odo semi-espec�fico. No per�odo espec�fico pode at� fazer, mas a tend�ncia � diminuir a quantidade. 5. Doping Hoje est� havendo sim, e muito, entre o pessoal de primeiro n�vel. tem muita gente fazendo e em breve vai ter algu�m morrendo. Est�o usando anfetaminas e horm�nios artificiais. N�o d� para dizer os nomes, porque n�o h� provas. Alguns atletas n�o escondem, eles mesmos falam. � por isso que os atletas est�o revoltados, fazendo esse abaixo-assinado pelo antidoping. Deve ter, sim, nas principais provas. O correto � fazer o antidoping sang��neo. Deveria ser feito nos tr�s primeiros lugares e sortear mais dois corredores entre os dez ou 20 primeiros. Tem que acabar. O esporte tem de ser feito pela sa�de. Al�m do mais, o uso de doping � desonesto. 6. Dica para os amadores A grande maioria n�o est� pensando em subir ao p�dio, est� correndo por prazer, por gostar. E acima de tudo, procurando uma vida melhor em termos de sa�de, de bem-estar. Lembrar que quem pratica esporte ganha anos para sua vida e ganha vida para seus anos. � essa adi��o de vida aos anos e anos � nossa vida, � isso que vale a pena voc� correr atr�s. N�o � correr atr�s do p�dio, o p�dio � s� pra cinco, mas essa adi��o de longevidade com qualidade de vida, � isso que n�s temos que buscar. �ndice de artigos Home |