Rodolfo Alonso

 

Poemas de

 “O MÚSICO NA MÁQUINA”

(Buenos Aires, 1958)

 

 

Traduções de José Augusto Seabra

 

 

 

 

    

CORPO A CORPO

 

De uma obscura paixão ou um pouco de esforço, de um puro golpe de amor, de certa maneira de falar e surpreender-se, não poderás evadir-te sem deixar um rasto, algo que te descubra.

 

 

 

 

 

N.

 

Se eu te houvesse dito: o coração é uma fruta enorme. Se eu te houvesse cantado com estas palavras de descontentamento e de traição, se te houvesse aberto uma só das minhas chagas, poderias hoje dormir a meu lado.

 

Mas o cansaço espera e isto é muito. A vida não da mais do que se lhe pede. As distâncias alargam-se ou rompen-se.

 

A terra tem um ritmo.

 

 

 

 

 

A VOZ TOMADA

 

Quando se quebrar a língua do amor, restar-nos-á ainda esta palavra ronca.

 

Quando não poder dizer, voltará ainda à minha garganta o eco do teu corpo.

 

 

 

 

 

VOO NOCTURNO

 

É a hora dos pássaros repartidos.

 

Candura: cavalga ao meu lado na noite leve.

 

 

 

 

 

O MÚSICO NA MÁQUINA

 

Repartia um pais delicado e terrível: amava toda a candura, toda a barbárie.

 

As tormentas abriam as portas de minha casa.

 

Viageiro: a pedra em que tropeças também é o mundo.

 

 

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