A POESIA DE RODOLFO ALONSO

por António Ramos Rosa

 

 

A voz de Rodolfo Alonso tem um acento de autenticidade iniludível. Discreta, lenta, como que distante, ela apoia-se nas palavras mais simples e quotidianas, nas locuções aparentemente mais insignificantes, como que para verificar a valor da linguagem, a resistência dos seus nexos. Esta distância que acentuámos é o sinal de uma intimidade e de um rigor. É que esta voz é sempre de alguém, de um hombre. Mas se o seu timbre não fere porque discreto, se o poema tena --, se, enfim, esta voz tem o peso grave da solidão, tem-o igualmente da responsabilidade que admiràvelmente nos é proposta neste dístico : los ojos que sostienen el mundo / no deben detenerse. A solitud deste poeta não é um obstáculo à comunhão fraterna, dir-se-ia até ser condição dela. Seja como for, nao há aí comprazimento nem renúncia, mas o gosto acre da consciência em tensão com a existência, a tensão própria de quem procura o justo equilíbrio, o verdadeiro centro da realidade, onde as diferenças acidentais se anulam para deixar lugar à diferença essencial, à verdadeira presença do eu ao mundo e aos outros. Uma poesia que na sua contensão e na sua elegância não escamoteia os dados dolorosos da condição humana e nos convida a uma presença a um tempo mais autêntica e mais vasta é uma poesia que não pode deixar de nos interesar porque capaz de dar toda a medida da dignidade humana e do duro ofício de viver do mundo de hoje.de a resolver-se circularmente numa leve ondulação que se alarga até à beira do silêncio -- um mar maior donde ele emerge e onde retorn

 

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