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Uma poesia que não usa
as palavras pela sensualidade que desprendem, mas pelo silêncio que
concentram: assim é a de Rodolfo Alonso. Poesia que tenta exprimir o máximo
de valôres no mínimo de matéria vocabular, impondo-se uma concisão que
chega à mudez: Hay cosas que ni digo. E que, por isso mesmo, se
julga con severidade: ¿Para salvar / un minuto / escribo
/ en lugar de vivir?
Em verdade, escrever,
sob tamanha exigência, é um ato de vida, liberta de violências,
mistificações e compromissos. E restaura a vida essencial, captando o
que, na sucessão do tempo, nem é percebido pelos que têm gula de chegar
a um ponto inexistente. Rodolfo Alonso observa, por exemplo, uma cicatriz.
Aparentemente, é uma obra acabada da natureza. Mas, por baixo dela, o
poeta descobre o fogo central da chaga, permanente, a consumir e alimentar.
La herida ya no sabe si existe. Sólo la cicatriz, pero viviente, zumba y
resiste, negándose a morir, negándose a vivir.
Talvez que a ambição
deste poeta – como saber ao certo a ambição da poesia? – seja trazer
para a vida de todos os dias o fogo de uma chaga viva de amor, ardendo no
maior silêncio de compreensão.
(Rio
de Janeiro
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