Pra começo de conversa

POIS É, propusemos um debate sobre greve e ele não aconteceu. Acontece. Acontece nas melhores folhas, por sinal. E não o fizemos, em parte, por que não fomos capazes de fazê-lo e, em parte, porque ninguém pareceu ter vontade para tanto. Mas, e portanto, decidimos expressar algumas reflexões. Se não foi possível destacar algumas opiniões diferentes, já estabelecidas, sobre as greves, segue-se o que consideramos serem alguns consensos mínimos; nada muito definido e aceito, mas apenas consensos que vagam pelos campos do senso comum.

Em primeiro lugar, cabe definir os dois principais: (1) alguma movimentação dos participantes da comunidade da uff é necessária, afinal, o ensino público como idealizado (elencado como solução para os problemas nacionais) nunca foi, de fato, prioridade, e (2) as greves no ensino público são problemáticas por natureza; em vez de atingir o lucro diretamente, atinge-o, sabe-se lá como, de quina, de raspão, enquanto as próprias greves podem ser aproveitadas por grupos na situação (de governos, ou mesmo de sindicatos) e, o que é pior, atingir, não opressores, mas oprimidos. Ou seja, deve-se fazer alguma coisa, sim. Mas, o quê? A resposta não é simples.

Outros consensos vivos na comunidade da Uff (e como) são (3) que a coisa esquenta quando se volta a uma proposta de greve; de todas as partes, é bom que isso fique claro, todos se dispõem a um embate. Goste-se ou não disso, as greves são situações de tensionamento, e um dos seus resultados, além de todos os outros, bons e ruins, é o desgaste de relações pessoais e das relações entre grupos. Não esperamos viver numa paz eterna, e é verdade que a greve explicita as contradições na realidade, mas há de haver razão quando se tende a um tensionamento, e agora o momento pede por uma reorganização do movimento político na comunidade universitária, nesta e noutras comunidades, isso é mais do que certo. E (4) que há gente, e muita, que se aproveita da situação, os legítimos oportunistas, que se valem da paralisação, sendo pró ou contra a greve, como meio de alcançar objetivos pessoais (construir uma liderança, terminar aquele livro...). Os espaços de debate (assembléias, reuniões) já não são reconhecidos por todos, nem são muito comparecidos; as instituições de representação (UNE, UEE, p. e.) já não são por todos consideradas legítimas. É tempo, pois, de reconstrução do movimento, de reconstrução de seus espaços de debate, de decisão e de trabalho (esta revista se declara apaixonadamente um desses esforços). Os objetivos pessoais, por mais louváveis que sejam, deveriam, agora, pretender o bem coletivo, para o próprio bem pessoal de todos.

E, por fim, e por princípio, há de se elencar o maior de todos os consensos (talvez um leitmotiv dessa página): é mais do que óbvia a apatia geral. As críticas se criam, mas as soluções se diluem, não surgem, poucos parecem querer se apropriar, no melhor dos sentidos, de uma causa, de um movimento coletivo. AÇÃO! Mova-se, pessoa opinativa. Seja uma pessoa objetiva, opina, e aja.

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