O Brasil é conhecido desde “Canaã” de Graça Aranha e “Casa Grande-Senzala” de Gilberto Freyre como o país da mestiçagem. Verdade ou não, muitos de nós gostamos de nos identificar com essas imagens da mulata e do futebol, essa idéia de “Brasil: o país de todos”. Pois por mais que muito disso seja “pra estrangeiro ver”, não podemos negar que somos um país formado, mesmo quanto aos índios, por estrangeiros. Somos pois um país que acaba com a noção clássica de imigrante, pois quando somos estrangeiros em nossa própria terra não pode haver imigrantes. Somos, pois, os grandes “recicladores” do mundo, uma verdadeira “boca de lixo” que recebe os restos atômicos do que produzem e mandam em bombardeio as culturas dominantes, boca que mastiga e transforma os mesmos resíduos, através do acréscimo de temperos afro-indígenas, em cultura tipicamente nacional, em Identidade própria e soberana. Vide o exemplo do samba que nasce do lundu africano e da modinha portuguesa, o funk que vem do Miami Bass e que se africaniza aqui, a doida mistura do mangue-beat (maracatu, afro-indígen, rock e música eletrônica) etc.
Neste espaço de ficção escolhemos então esse tema a ser exposto poeticamente por diferentes pontos de vista, críticos ou não brasilidade, pois nada como uma feijoada preparada por uma nega afro, que mexe a panela cheia de ingredientes portugueses (como a lingüiça e carne provenientes do cozidão típico lusitano) e indígenas (a famosa farinha de mandioca e o próprio feijão).
Viva a mestiçagem! De certa forma o híbrido é um prenúncio do pós-moderno!!! Se bem que não tabelado...