POIS É,desastre total, novamente. E novamente para a França, este exemplo de futebol vencedor. E o pior é ver que, frente a um adversário respeitoso para conosco, nossa equipe simplesmente se entregou, aceitou a derrota como natural. Estarrecidos ficamos nós todos, os 170 milhões de técnicos e especialistas e metidos comentaristas em futebol, estarrecidos diante da apatia e do derrotismo justamente naquilo que, momentaneamente, nos retira de uma rotina cada vez mais apática.
E pois é sobre essa apatia que se trata no presente texto, uma apatia que parece se generalizar na vida brasileira, carioca, em geral, e na estudantil em particular. Bola pra frente!, minha gente, vamos parar com esse negócio de baixar a cabeça pra adversidade, de fechar os olhos para a miséria, de aceitar a violência como única saída para enfrentar a violência, de votar nulo só por votar nulo ou de votar nele somente por ser nele. Bola pra frente!, minha gente, e vamos chamar a jogada para nós, chega de comentaristas e técnicos especialistas que falam, falam, e nada fazem, reclamam, rejeitam, mas nada respondem, vamos pedir a bola e partir pra cima deles. Chega de apatia, minha gente, chega de olhar a bola passar na sua frente como se vê a vida passar pela janela, se preciso for, estique a perna, camarada, afinal, pernas, pra que te quero?
No movimento estudantil a coisa também parece assim, como dizer? (como aceitar?!), apática, quase patética! Nossos times não parecem organizados, chapas?, são parcas, novidades?, ao que parece, nenhuma, pois ninguém mais parece querer aparecer pra mudar o presente quadro de gentes; líderes não conseguem pegar na bola para marcarem seus gols, os ponta esquerda estão acanhados, vejam vocês!, logo eles, estão jogando na defensiva, cada vez mais acusados de vanguardistas iluminados; os ponta direita, por sua vez, parecem não querer mesmo jogar, acusam os simétricos de jogo sujo mas o time é o mesmo! E mesmo nesse outro exemplo francês que seguimos a coisa não parece bem, pois se esquerda e direita não crescem, era de se esperar que um centro avantajado levasse a coisa em frente, pois se a coisa não vai pelas laterais, que se biquem os beques e se chute a bola do jeito que der. Mas nem isso!, o que se vê é um êxodo maciço do campo para a arquibancada, onde pululam os argumentos fáceis do disse-me-disse, do achismo e do moralismo anônimo.
Vem pro jogo!, o Centro Acadêmico existe, não é mais a gestão que foi eleita, talvez pelo desgaste do período, mas há uma comissão gestora, aberta, que está tocando a coisa pra frente. E você?, que diz que este espaço é viciado, que só serve pra propaganda política de uns, cadê você? Quero te ver, quero uma chapa verdadeiramente de oposição na próxima eleição. E você?, que diz que nada se faz no CA, que é um espaço pra vagabundo, cadê você quando fazemos uma revista política, acadêmica e artística, com pretensões de profundidade não recebemos nenhuma colaboração espontânea, nenhum texto ou crítica redigida, preocupada em se fazer ouvir para interferir. Cadê você?
Vamos lá, minha gente, bola pra frente! O movimento estudantil somos nós, se ele não é grandes coisas é porque nós não somos grandes coisas também. Que que é isso?!!
Sai pra lá, tristeza, e manda essa bola pra cá!