Graduação em história na Universidade Federal Fluminense, ainda lembro do grito de alegria que dei ao ver que meu nome estava entre os re-classificados no vestibular... Finalmente tinha passado! Grande coisa tinha sido: melhor curso de história do Brasil (quiçá do mundo!, diziam alguns), num campus maravilhoso, prédio com banheiros limpos e papel higiênico!! (isto é uma coisa a se comemorar em instituições públicas nos nossos dias...), em fim, uma maravilha de deslumbramento! Por isso, antes de tudo, aos calouros que lerem esta matéria: parabéns! Todo sonho deve ser comemorado!
Mas, o quê faz deste curso tão especial? Com certeza não sou o mais indicado para contar toda a história da História na UFF poderíamos convidar os fundadores do curso para nos dar uma palestra, fica a idéia para a futura comissão de calourada , mas posso dizer que boa parte desse sucesso se deve ao fato de termos um currículo que revolucionou a idéia de ensino de história na graduação. Pena que a revolução tenha parado no papel ou no compromisso de meia dúzia de três ou quatro compromissados...
Poderíamos dizer que a bendita revolução curricular ficou presa no próprio currículo. Este, foi resultado de alguns anos de debates, conduzidos primeiramente pelos professores Ciro Flamarion, Edimilson e Ronaldo Vainfas (quanta diferença o tempo trás aos homens...), que resultaram num curso com princípios simples: caráter holístico do saber/fazer histórico; garantir aos estudantes uma formação única: bacharelado e licenciatura; uma grade sem travas, com mais disciplinas de escolha (optativas, eletivas e instrumentais).
Holístico!, nosso currículo se pretende holístico! De holos, todo, onde o conhecimento e o fazer histórico estaria relacionado, como irmãos siameses, ao macro e o micro; onde a dialética histórica não seria privilégio de historiadores econômicos, mas seria algo que permitiria à que se estudasse os “três tempos da história” nos diversos espaços (uma pequena saudação a geohistória) de modo a que não se ficasse nem no sótão, nem no porão muito menos no armário ou passeando por cima do muro. Sem mais metáforas, é entender que a história da dor de barriga pode ter sua importância, mas sem entender a história da alimentação e do saneamento público é só curiosidade pela curiosidade (cabe um vice e versa talvez, mas prefiro que se imaginem as outras relações).
Este será um conceito que balizará as outras temáticas, assim como nossa distribuição de disciplinas e de recortes temáticos e cronológicos. Se cabe a todas as disciplinas do básico um recorte cronológico e espacial, com abordagem multi-temática, cabe as de eixo um recorte muito mais temático do que cronológico ou espacial (sem que deixem de ocorrer). Pode parecer uma precoce especialização, mas em verdade, as disciplinas sendo levadas a sério (por estudantes e professores), teremos um leque de opções muito maior do que nos cursos que vão até Brasil VI por exemplo.
Talvez este seja o ponto mais revolucionário de nosso currículo (pelo menos para nós, maioria do curso, que temos a certeza que daremos aula, nem que seja particular). A princípio pode parecer muita coisa se graduar em 4 anos e meio, já que cursos como Estácio formam professores de história em 3 aninhos... ou será que eles é que são apressados?
A verdade é que estamos com um tempo até que bom: na UFRJ, por exemplo, a graduação em licenciatura e bacharelado leva 4 anos no turno da manha e 5 no da noite. Nossa grade pelo menos respeita aqueles que tem necessidade de trabalhar nos outros turnos só falta agora ter mais bolsas, passe livre, moradia e o fim do vestibular; pronto, uma universidade quase quase “para todos”.
Pensar que a profissão de historiador tem dupla natureza, e inseparáveis, é algo realmente importante: a pesquisa não se separa do ensino e aprendizagem. É ou não é uma pesquisa preparar aula? Escrever um artigo é ou não é compartilhar conhecimento? Há uma didática e prática de ensino tanto em escrever, quanto em lecionar.
Daniel Tomazine Teixeira