Já se acalmam os ritmos, já se tocaram os muitos temas, aproximam-se já os últimos movimentos da MMVIª sinfonia, essa composição de todos nós, brasileiros ou não, músicos ou não, anônimos ou não -- mas com um toque especial dos estudantes da história-nauff.
É que, pelo menos pra gente, este foi um ano do c@%§lh0! Foi som da pesada mesmo que se fez, com estridências e ruídos, essas dissonantes harmonias que bem conhecemos, mas eram melodias e composições bárbaras, de técnica e de improviso. Rolou o CineHist, saiu esta Revista dOs estuDantes de históriA (quatro números), foi a delegação pro ENEH (a maior do país), a anulação da eleição pra coordenação e departamento, calourada, campanha pela moradia estudantil, festa da boa que rendeu grana e polêmica (da boa), seminário, agitados debates e eleições pro CAHis, grupos de estudo, estudo, mais estudo e muito estudo -- e ainda agora, no clímax final da obra, apoiamos o projeto vencedor na eleição para a coordenação de nosso curso, projeto que defenderemos e construiremos juntos. Uma orquestra de vontade era movimentada pelos estudantes de história.
Pois mesmo estando todos imersos na cacofonia da política nacional, mesmo que dançando conformados as músicas da pós-modernidade enrustida, nós, viventes nesse bloco nº N, composto por pedra, poeira, pó-de-giz, papel, pombos e pessoas (pobres de nós!), ainda assim nós tocamos a banda adiante, continuamos apostando nos nossos espaços políticos coletivos, e provamos que a política não se faz só com o voto, nem só com opinião, mas se faz da ação, aqui e agora -- sempre -- seja onde for.
E não é que desdenhemos de eleições e candidaturas -- o canto dos solistas sempre acresce ao movimento -- e muitos eram as sopranos, os tenores, contraltos e graves baixos, postulantes à presidência da república, aos governos dos estados, parlamentos, reitorias, chefias departamentais, coordenações de curso (e, por que não?, muitos de nós, ao CAHis); afinal, desempenhamos papel fundamental ao acordar os espectadores mais entediados e/ou descrentes do potencial da MMVIª sinfonia. Mas, por todos os deuses do som, devemos declarar que a participação do coro, essa entidade coletiva muitas vezes subestimada, foi o ponto alto da apresentação; se, no plano nacional, à despeito da batuta da Grande Imprensa (essa nossa maestrina sem orquestra), a maioria reelegeu o Cara, com reservas, no plano história-nauff as eleições para coordenação foram primeiro anuladas numa grande votação espontânea dos estudantes em resposta à falta de abertura para o diálogo, para a seguir encaminharem ao gabinete do 5º andar a chapa apoiada pelo conjunto dos estudantes e por mais de um terço dos professores, com a nossa expressiva votação de 367 votantes, sendo que 322 de nós votamos em Mário Jorge e Badaró. Movimentada também foi a eleição para o CAHis, com 60 participantes diretos e 350 votantes, onde a dissonância logo apareceu, em nossas composições, em debates acalorados, mas dando seqüência a uma gestão que está conseguindo realizar suas propostas, mesmo em fins de ano. Não há assembléia com maior representatividade do que essas eleições. Alea jacta est.
Mas e agora, José?!!! Cá estamos, no palco político, este verdadeiro panóptico ao contrário -- em que o ser agente se entrega ao juízo absoluto da Dra. Opinião Pública, que nos fuzila de todos os lados. Fizemos a opção pela ação, com reflexão, com crítica, com responsabilidade, e cá estamos, com nossas idéias e com nossas reivindicações. E agora, José?!! O movimento da história está se seguindo, conseguindo, perseguindo; essa harmonia safada, capciosa, esse conjunto de breves dissonâncias que se compõem intransigentes umas às outras numa coisa que costumamos chamar de História. Pois seguiremos o nosso caminho -- e não é que esse todo, ainda assim, prossegue tocando o bonde pra frente?!
Pois então, vá pra frente, leitor. Dê uma olhada no que essa gente da história vêm escrevendo. É que a coisa ta fervendo. Roda pra frente, leitor, que atrás vem gente.