A Voz do Ator
| A voz do Autor | |
Decorar ou Interpretar? Eis a quest�o... |
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A Voz Dando Vida �s Palavras |
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Arte... culando as Palavras |
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Verdades e Mentiras sobre o Uso da Voz |
A voz do ator
A voz � uma caracter�stica personal�ssima do ser humano. Atrav�s dela pode-se reconhecer algu�m, perceber mudan�as emocionais, identificar os diferentes tipos humanos. Por exemplo, qualquer pessoa consegue perceber, atrav�s da voz, se o outro est� triste, feliz, doente, nervoso etc... Para o ator, a voz � seu instrumento de trabalho. Como diversos profissionais da voz, o ator tamb�m precisa conhecer e dominar seu aparelho fonador para que n�o ponha em risco o resultado de seu trabalho.
Em primeiro lugar, � preciso abolir todo e qualquer tipo de esfor�o vocal, para isso � muito importante o relaxamento global e espec�fico, diminuindo a tens�o na regi�o do laringe, al�m de trabalhar a respira��o para que ela se concentre na regi�o costo diafragm�tica. O m�sculo do diafragma � que deve impulsionar o ar para vibra��o das pregas vocais e, consequentemente, a emiss�o do som.
Estando livre das tens�es e mantendo a respira��o adequada � fala, o profissional deve verificar de que forma est� articulando as palavras. Todos os �rg�os m�veis da boca, tais como, l�ngua, bochechas, l�bios, palato mole e mand�bula, devem ser bem articulados, produzindo os pontos articulat�rios dos fonemas e a forma bucal das vogais de maneira correta.
� fundamental que haja harmonia entre a respira��o e a articula��o, para que a coloca��o da voz seja feita com naturalidade. Qualquer pessoa pode brincar com sua voz sem cometer esfor�o, desde que tenha um preparo. No caso do ator, o que ele mais faz � mudar a todo instante seu tipo de voz (� preciso que ele consiga viver velhos, crian�as, o sexo opsto, animais e diferentes emo��es, sem preju�zo vocal).
Respira��o, articula��o e resson�ncia, s�o os processos que comp�em o aparelho fonador. Quando h� um desequil�brio ou falha em um desses processos, podem ocorrer problemas vocais como por exemplo: hiperemia (vermelhid�o nas pregas vocais), edemia, n�dulo, p�lipo, entre outros... Portanto, o ideal � que se fa�a um trabalho preventivo seguindo algumas orienta��es:
- Evitar pigarros;
- N�o competir com ru�dos externos;
- Fazer repouso vocal antes de uma exposi��o prolongada;
- Ingerir muito l�quido para hidratar as pregas vocais.
Cuidar da sa�de vocal � evitar problemas que o impe�am de exercer, mesmo que temporariamente, sua profiss�o.
Alguns dos sinais de que algo est� errado s�o: a rouquid�o, cansa�o ao falar, dor ou ard�ncia na garganta, excesso de pigarros, desde que n�o estejam associados a estados gripais ou al�rgicos. Esses sintomas n�o devem persistir por mais de 15 dias.
Deve-se lembrar sempre, que para trabalhar adequadamente sua voz, seja previnindo ou tratando, � necess�rio o acompanhamento de um profissional de fonoaudiologia e de um m�dico otorrinolaringologista.
Os exerc�cios respirat�rios, articulat�rios e os espec�ficos para imposta��o da voz, s� dever�o ser feitos por um especialista, afinal cada indiv�duo tem suas caracter�sticas e o que � bom para uns, pode n�o ser para outros.
Decorar ou interpretar? Eis a quest�o...
Desde a Gr�cia Antiga, onde imperavam as grandes apresenta��es teatrais, j� se questionava se o ator deveria ser apenas o declamador do texto ou o verdadeiro int�rprete. Para os antigos, os atores, coristas e todos que participavam de uma produ��o eram considerados sagrados.
Para exercer tal fasc�nio sobre o povo, o uso das t�cnicas vocais era imprescind�vel: vozes fortes, retumbantes e amplificadas pelo artif�cio das m�scaras. Geralmente os atores se perpetuavam no mesmo estilo de personagem, de acordo com suas caracter�sticas vocais. Nessa �poca era comum que ficasse bem claro que tudo era ilus�o, os exageros eram bem aceitos e aqueles que, por ventura, tentassem ser naturais, n�o eram considerados bons atores.
N�o existe, por�m, uma verdade absoluta. Cada �poca segue um crit�rio de interpreta��o de acordo com seu momento hist�rico, com a cultura e o n�vel de aceita��o de seu povo. Nos tempos modernos, com cinema e televis�o, a proximidade audio/visual com o p�blico requer maior naturalidade. O espectador quer se emocionar, se divertir, se identificar com os personagens. Embora saiba que � uma fic��o, n�o gosta que isso fique expl�cito. A magia est� em acreditar que tudo � real.
Atualmente, as t�cnicas vocais tamb�m nos mostram de que forma se pode expor as emo��es. Al�m do treinamento para coloca��o da voz e da respira��o evitando o desgaste f�sico e o comprometimento das pregas vocais, o ator trabalha o florescer das sentimentos. Partindo-se dos b�sicos alegria e tristeza, consegue-se desenvolver uma gama de outras emo��es. As express�es vocais, faciais e corporais integradas e em harmonia, d�o o tom exato do personagem.
Para o que se espera do ator comtempor�neo, decorar bem o texto n�o basta. O que realmente impressiona � como se vai falar a musicalidade da voz, que emo��o o autor quer passar, que resposta se espera do p�blico. Diante disso, concluimos, decorar � a parte mais f�cil da composi��o do personagem.
A Voz Dando Vida �s Palavras
A l�ngua portuguesa � muito rica, nossa gram�tica � complexa e observamos, freq�entemente, um grande n�mero de significantes com v�rios significados e vice-versa. � preciso muito cuidado ao redigir um texto para que n�o se cometam gafes mas, � na fala que devemos prestar mais aten��o.� comum ouvir algu�m dizer que fulano "assassinou" o portugu�s ou frases do tipo "chega a doer meu ouvido quando ele fala" ...
Neste caso, tratam-se de pessoas que erram grosseiramente na forma��o de frases, na conjuga��o verbal, concord�ncia, etc.Mas, e quando ouvimos que fulano "matou"o texto? Ser� isso poss�vel? Como se pode matar uma palavra? Ser� que ela tem vida? A palavra propriamente dita n�o. Agora, quando a voz entra em a��o tudo pode acontecer... A partir do momento que fazemos uso da voz, devemos incluir nossas emo��es e, s�o elas que vivificam ou mortificam nossas palavras. No caso dos atores, as t�cnicas vocais s�o essenciais para trabalhar a mobilidade do laringe e, conseq�entemente, das pregas vocais. A emo��o sentida pelo personagem n�o chega a interferir no f�sico do ator quando este est� devidamente preparado e treinado para isso.
Se � a emo��o a maior respons�vel pela vida das palavras, como o ator pode saber se est� no caminho certo? � sabido que emo��es fortes, intensas, geralmente levam a estados de tens�o corporal, outras alteram o ritmo respirat�rio e, outras ainda, causam uma prostra��o. Isso acontece o tempo todo em nosso cotidiano e nem sempre estamos prontos para recebe-las. No entanto, o ator, j� sabe o texto que vai encenar e pode se preparar previamente para essa enxurrada de emo��es.
Os exerc�cios respirat�rios, de relaxamento, aquecimento e desaquecimento vocal, permitem que se mantenha o equil�brio f�sico e emocional ap�s os espet�culos. Respeitando as pontua��es existentes no texto e valorizando as palavras certas,ou seja,aquelas que resumem o sentido do texto, o ator saber� passar exatamente o que o autor quer dizer. Se a emo��o n�o fluir naturalmente, de acordo com o texto, as palavras poder�o se perder e morrer.
Arte...culando as Palavras
Falar � f�cil, dif�cil � fazer! Quem nunca ouviu esta frase? Mas, ser� que falar � realmente �cil?
Para come�o de conversa, falamos com a boca, que por sua vez � composta por: l�bios, l�ngua, dentes, palato duro (c�u da boca), palato mole, �vula, paredes internas das bochechas, ufa! E tudo deve funcionar em harmonia, como por exemplo, o motor de um carro. Se uma das pe�as falhar vai comprometer o desempenho de todas as outras. Assim funciona nosso corpo e no caso, mais especificamente, a boca: respons�vel pela articula��o de vogais e consoantes. O som puro n�o quer dizer nada, ele s� passa a ter significado quando lhe damos forma.
As vogais s�o formadas a partir da abertura de mand�bula e l�bios e da posi��o da l�ngua. Voc� j� parou para pensar como est� falando? J� reparou que para cada vogal a l�ngua se posiciona mais pra frente, pra tr�s, pra cima ou pra baixo e os l�bios, junto com a mand�bula, t�m aberturas diferentes? Se n�o fosse assim, provavelmente emitir um A ou E daria no mesmo.
No caso das consoantes precisamos da ajuda das pregas vocais para determinar se o fonema � surdo (n�o vibra as pregas vocais) ou sonoro (h� vibra��o de pregas), al�m da colabora��o dos demais �rg�os da boca para definir seu ponto articulat�rio. Por exemplo, para emitir o fonema P � preciso que haja um contato bilabial e uma press�o interna; j� o fonema F necessita do contato dos dentes superiores com os l�bios inferiores; para o fonema R, a ponta da l�ngua deve vibrar e tocar atr�s dos dentes superiores; e assim por diante.
Experimente brincar com as formas das vogais e os pontos articulat�rios das consoantes e descubra como fazemos uma verdadeira gin�stica para falar bem.
Agora � importante saber que todas as pe�as dessa "m�quina" precisam estar integradas. A l�ngua, os l�bios e as bochechas s�o formados por m�sculos que devem estar com o t�nus e a mobilidade adequados; a oclus�o dent�ria tamb�m deve estar harm�nica, enfim todos precisam agir juntos para favorecer uma boa articula��o. A arte de falar em p�blico come�a com a ARTEcula��o das palavras.
Verdades e mentiras sobre o uso da voz
1 Pastilhas e balas de hortel� ajudam a melhorar a voz.
R: Falso. Pastilhas e balas de hortel� causam uma sensa��o de al�vio moment�neo, dando a
impress�o de que se pode ir al�m, quando na verdade a causa do problema continua.
2 Todo ator deve consultar um m�dico otorrinolaringologista, para avaliar as
condi��es de suas pregas vocais.
R: Verdadeiro. Somente o otorrino tem condi��es, atrav�s de exames espec�ficos, de
diagnosticar poss�veis altera��es.
3 O fumo causa danos � voz.
R: Verdadeiro. O fumo causa danos ao ser humano como um todo. A nicotina provoca
irrita��o e ressecamento das pregas vocais.
4 Falar cochichado repousa a voz.
R: Falso. Quando se cochicha, est� se fazendo um esfor�o vocal e, ao contr�rio do que se
pensa, tensionando as pregas vocais.
5 Os exerc�cios que um ator faz para melhorar sua qualidade vocal podem ser
feitos por outros atores com o mesmo objetivo.
R: Falso. Cada voz � �nica e deve ser trabalhada, com exerc�cios espec�ficos, de acordo
com as necessidades individuais dos atores.
6 O ator pode alterar sua voz de acordo com as caracter�sticas de cada
personagem sem preju�zo vocal.
R: Verdadeiro. Desde que tenha feito um trabalho preparat�rio de suporte com um
fonoaudi�logo, o ator pode "brincar" com sua voz sem, contudo, prejudicar suas pregas
vocais.
7 Antes de entrar em cena deve-se fazer um aquecimento vocal.
R: Verdadeiro. Como toda musculatura corporal deve ser aquecido antes de qualquer
exerc�cio, o mesmo acontece com a musculatura do aparelho fonador.
8 Quando estou rouco fico sem falar por um tempo e a voz melhora.
R: Falso. Se a rouquid�o n�o for proveniente de um estado gripal, a voz s� apresentar�
melhora, realmente, quando for feito um trabalho de reeduca��o vocal.