Historia do teatro
Origem do teatro |
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Teatro ocidental |
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Dioniso (o rei da transformacao) |
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Dioniso (do mito ao teatro) |
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Das procissoes dionisiacas ao palco das tragedias |
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Festival de teatro |
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A rquitetura dos teatros gregos |
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Os maquinismos |
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O figurino dos atores |
Origem do Teatro
É comum ouvirmos dizer que o teatro começou na Grécia, há muitos séculos atrás. No entanto, existem outros exemplos de manifestações teatrais anteriores aos gregos. Por exemplo, na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa. No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus. Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. E nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo. É fácil perceber através destes poucos exemplos, uma origem religiosa para as manifestações teatrais.
No entanto, podemos olhar ainda mais para trás quando lembramos que o teatro é a imitação de uma ação e que o ato de imitar está presente na essência dos mais primitivos rituais que conhecemos. É através da imitação que a criança se desenvolve aprendendo a falar e a agir. Comparando este homem primitivo com uma criança, podemos observar que ambos são completamente ignorantes em relação ao universo que os cerca. E muito provavelmente, este homem, ansioso por encontrar respostas para as suas perguntas, tenha começado a construir um acervo de mitologias, religiões e rituais, numa tentativa de explicação do mundo, dos fenômenos naturais, da vida, do nascimento, da morte.
Na história do pensamento humano o mito surge como uma tentativa de explicação, compreensão e controle do mundo. É através do mito que o homem primitivo tenta compreender os fenômenos da natureza, atribuindo-lhes uma origem divina. A palavra mitologia está ligada a um conjunto de narrativas da vida, das aventuras, viagens, afetos e desafetos dos mitos, dos deuses, dos heróis. Existem diversas mitologias: cristã, egípcia, hindu, grega etc...
A palavra religião, do verbo latino religare (ato de ligar) pode ser definida como o conjunto de atitudes pelos quais o homem se liga ao divino. Através da realização dos ritos/rituais o homem relembra os mitos. Por exemplo: no ritual da missa cristã, uma série de procedimentos relembram a vida, morte e ressurreição de seu principal mito, Jesus Cristo.
O famoso antropólogo Malinowski propõe que "o mito não é uma explicação destinada a satisfazer uma curiosidade científica, mas uma narrativa que faz reviver uma realidade arcaica, que satisfaz a profundas necessidades religiosas, aspirações morais, a pressões e imperativos de ordem social e mesmo a exigências práticas. Nas civilizações primitivas, o mito desempenha uma função indispensável: ele exprime, exalta e codifica a crença; protege e impõe os princípios morais; garante a eficácia do ritual e oferece regras práticas para a orientação do homem. O mito é um ingrediente vital da civilização humana; ele é uma realidade viva, à qual se recorre incessantemente; não é, absolutamente, uma teoria abstrata ou uma fantasia artística, mas uma verdadeira codificação da religião primitiva e da sabedoria popular".
Mas e o teatro?
A origem do teatro ocidental está ligada aos mitos gregos arcaicos e à religião grega. A mitologia grega é formada por numerosos deuses imortais e antropomórficos, isto é, que têm a forma e o temperamento humano; os deuses antropomorfizados amam, odeiam, perseguem, discutem, sentem ciúme, são vingativos, traem, mentem como as pessoas comuns. Existem várias gerações e famílias divinas na mitologia grega.
Como e quando foi que tudo começou?
Teatro Ocidental
Quase todos nós, quando éramos crianças, acreditávamos na existência de Papai Noel. E aos poucos, à medida que fomos crescendo e nos tornando mais racionais, fomos descobrindo a real identidade do "bom velhinho". Outra história também muito comum entre as crianças está relacionada à chuva e aos trovões, que seriam os sinais de que Deus está fazendo uma grande faxina no céu, arrastando os móveis (trovões) e lavando a casa (chuva).
Podemos comparar o homem primitivo a esta criança que acredita em diversas histórias que tentam explicar o mundo e seus fenômenos naturais. Até hoje, quando vivemos um espantoso avanço tecnológico e científico, que nos permite um extraordinário conhecimento e controle da natureza, não conseguimos explicar muitos dos mistérios da natureza. Imaginem há milhões de anos atrás!
O homem primitivo, completamente ignorante, perdido e assustado, começa, então, a criar histórias que vão tentar explicar o mundo e a vida. É através destas histórias que ele tenta compreender e controlar a natureza, a vida, a morte, o nascimento, a fertilidade do solo, a origem do universo, que para ele eram obra dos deuses. Ao conjunto destas histórias damos o nome de mitologia.
Uma das mitologias mais conhecidas de todo o mundo é a cristã que conta no seu famoso livro, a Bíblia, a história da criação do mundo, do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de um de seus principais mitos, Jesus Cristo, além de muitas outras histórias paralelas.
No nosso caso, que estamos começando a contar a História do Teatro Ocidental, a mitologia que nos interessa é a grega, porque é daí que vai surgir o Teatro, enquanto atividade estruturada e institucionalizada.
Para os gregos, a história da origem do universo e da vida começa com o Caos, a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando os elementos do mundo ainda não haviam sido organizados. Do Caos grego surge Géia (ou Gaia) que é a Terra de onde nascem todos os seres. A própria Géia gerou Urano que é o Céu. Como podemos observar na natureza, o Céu cobre a Terra, numa posição que para os gregos era indicativa de uma relação sexual. Este primeiro casamento divino deu origem a Tártato e Eros e foi imitado pelos deuses, homens e animais. Tártaro representa a outra vida, o mundo subterrâneo, o local mais profundo, nas entranhas da terra, e também o local dos suplícios e torturas, onde eram lançadas as almas rebeldes. Eros é o desejo em todos os seus sentidos e quando personificado é o deus do amor.
Da terceira geração divina, descendente de Géia e Urano, vai nascer Zeus, que é a divindade suprema, o deus da Luz. Zeus é o rei dos deuses e dos homens. Ele tinha poderes extraordinários, não só provocava a chuva, o raio e os trovões, mas também mantinha a ordem e a justiça no mundo. Zeus, apesar de ser um deus imortal, de poder absoluto, também possuía uma personalidade humana, apaixonada e vingativa. Casado oficialmente com Hera, teve, no entanto, numerosas amantes e filhos "ilegítimos". Um destes filhos, o mais querido, era Dioniso também chamado de Baco, que vem a ser o deus da vegetação,
da vinha, do vinho, da transformação e do teatro.
Como e quando foi que tudo começou?
Dioniso (O Deus da transformação)
No mês passado explicamos que mitologia é um conjunto de histórias que tenta explicar o mundo, numa tentativa de compreensão do universo. Conhecer os mitos é aprender o segredo das origens dos fenômenos; e conhecer as origens dos fenômenos equivale a adquirir sobre as mesmas um poder mágico, graças ao qual é possível dominá-las, multiplicá-las ou reproduzi-las à vontade.
No nosso caso, que estamos começando a contar a História do Teatro Ocidental, a mitologia que nos interessa é a grega, porque é dela que surgirá o Teatro, enquanto atividade estruturada e institucionalizada. Mas este processo é de longuíssima duração e se inicia em períodos arcaicos quando o homem grego acreditava que Zeus, a divindade suprema, deus da luz, era o rei dos deuses e dos homens.
Os deuses gregos eram antropomórficos, isto é, além da imortalidade e de poderes extraordinários, também possuíam a forma e o temperamento dos seres humanos, incluindo-se aí todos as nossas fraquezas e defeitos. Portanto, Zeus, o deus supremo, além de sua "esposa oficial" chamada Hera, apaixonou por muitas outras deusas, semideusas ou simples mortais, tendo com elas vários "filhos ilegítimos".
É a história de Dioniso, um destes filhos ilegítimos de Zeus, que nos interessa:
Dos amores de Zeus e Perséfone nasce o primeiro Dioniso, o preferido do pai e destinado a sucedê-lo no governo do mundo. Para proteger o filho dos ciúmes de sua esposa Hera, Zeus o entrega aos cuidados de Apolo, que o esconde.
Hera, mesmo assim, descobre o paradeiro do jovem Deus e encarrega os Titãs de matá-lo. Os Titãs esquartejam Dioniso, cozinham seus pedaços e os comem. Zeus, muito aborrecido, fulmina os Titãs e de suas cinzas nascem os homens. Fato que explica os dois lados existentes nos seres humanos - o bem e o mal. A nossa parte titânica é a matriz do mal, mas como os Titãs haviam comido os pedaços de Dioniso, possuímos também algo de bom.
Porém, os deuses são imortais e Dioniso não morre - ele renasce transformado. Como? Uma outra namorada de Zeus, a deusa Sêmele, salva-lhe o coração que ainda palpitava e engole-o tornando-se grávida do 2º Dioniso.
Hera, no entanto, continua vigilante e ao ter conhecimento das relações amorosas de Sêmele com o esposo, resolve eliminá-la. Hera se transforma em ama de Sêmele e a aconselha a pedir ao amante que se apresente em todo o seu esplendor. Zeus se apresenta com seus raios e trovões. O palácio de Sêmele se incendeia e ela morre carbonizada. O feto, o futuro Dioniso 2, é salvo por Zeus que o retira do ventre da amante e o guarda em sua coxa até que se complete a gestação normal. Após o nascimento, temendo nova vingança de Hera, Zeus transforma o filho em bode e ele é levado para o monte Nisa, onde fica aos cuidados das ninfas e dos sátiros. Lá, no monte Nisa havia uma vasta vegetação de videiras. Quando Dioniso, já adolescente, espreme as frutinhas da uva e bebe seu suco em companhia dos sátiros (metade homem-metade animal) e das ninfas (princípio feminino) é criado o vinho. Embriagados começam a dançar e cantar.
Toda esta história além de fantástica é simbólica, isto é, ela guarda dentro de si inúmeros significados. Exemplificando:
1. Dioniso - Deus da vegetação - morre violentamente, mas, retorna à vida. Assim como toda semente que passa uma parte do ano embaixo da terra, Dioniso morre, renasce, frutifica, torna a morrer e retorna ciclicamente. A sua história reproduz as estações do ano: a época de semear, de esperar a semente germinar e finalmente a colheita.
2. O fato de Dioniso ser visto sob forma animal, como touro ou bode, representa a sua capacidade de transformação, assim como a da natureza.
Como e quando foi que tudo começou?
Dioniso (Do mito ao teatro)
Dioniso, deus da vegetação e do vinho, era homenageado pelos primitivos habitantes da Grécia, através de procissões que procuram relembrar toda a sua vida. Estes cortejos reuniam toda a população e eram realizados na época da colheita da uva, como uma forma de agradecimento pela abundância da vegetação. O homem primitivo acreditava que esta homenagem ao deus garantiria sempre uma colheita abundante.
Nestas procissões dionisíacas contava-se a história de Dioniso, de uma forma análoga às procissões da Semana Santa cristã, onde a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo é relembrada.
Estas procissões fazem parte de uma tradição muito antiga dos povos primitivos gregos, e aos poucos, ao longo de centenas de anos, vão se organizando melhor, e adquirindo contornos mais definidos. Então, o que inicialmente era um bando de gente cantando e dançando, com o passar do tempo vai se transformando em grandiosas representações da vida do deus, que reunia toda a comunidade, em diferentes coros cantados, com os participantes vestidos de bodes (Dioniso transformado), ninfas (ou bacantes) e sátiros (metade homem/metade animal). O coro se divide em semi-coros que passam a dialogar entre si. Estes semi-coros passam a ter um líder - o corifeu.
Porém, mesmo com todas estas inovações, a história do deus continuava sendo narrada, sempre na terceira pessoa, com muito respeito e distanciamento. Até que em 534 a.C., um corifeu chamado Téspis, resolve encarnar o personagem Dioniso, e transforma a narração, em um discurso proferido na primeira pessoa:
- Eu sou Dioniso. - diz Téspis, considerado historicamente como o primeiro ator.
Conta-se que Sólon, famoso legislador grego, assistindo à nova proposta de Téspis, perguntou-lhe se ele não se envergonhava de mentir, fingindo ser alguém que de fato não era. Ao que Téspis respondeu dizendo:
- Mas eu estou apenas brincando.
Sólon, muito preocupado, argumentou dizendo:
- Mas a partir de agora as pessoas também poderão mentir/brincar nos contratos. Neste curto diálogo entre Téspis e Sólon podemos perceber o caráter de jogo e de brincadeira (que Sólon chama de mentira) sempre inerente ao trabalho do ator.
No início de sua história o ator foi chamado de hypocrités (hipócrita) ou aquele que finge ser alguém que não é.
Como e quando foi que tudo começou?
Das procissões dionisíacas ao palco das tragédias
As procissões dionisíacas contavam a história da vida do deus Dioniso, de um modo análogo às procissões da Semana Santa cristã, em que a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo é relembrada.
Na vida de Dioniso (dê uma olhada no artigo que publicamos em março), há dois momentos bastante diferentes: quando ele é destruído pelos Titãs (morte, tensão) e quando ele renasce (alegria, extroversão). Já sabemos que estes dois momentos têm significados relacionados ao ciclo da natureza, no qual a semente fica enterrada por alguns meses, para enfim, surgir, germinada. No momento da morte de Dioniso eram entoados cantos, tristes e solenes, chamados ditirambos. A tragédia é uma forma dramática surgida na Grécia, no século V a.C., originada do ditirambro (canto em louvor a Dioniso). Etimologia (origem) da palavra tragédia: tragos (bode) + oide (canto) = canto do bode, animal que relembra um dos "disfarces" usados por Dioniso.
O desenvolvimento do pensamento grego apresenta dois momentos fundamentais: século XVI a.C. até o século IX a.C., quando a sociedade e o pensamento apoiavam-se no mito para encontrar explicações para os fenômenos na natureza e para a vida em geral. E a partir do século VIII a.C. quando surge a pólis, o pensamento filosófico e a valorização do racional, que vão recusar a visão de mundo anterior (baseada no pensamento mítico).
O teatro surge como novidade artística, na Grécia do século V a.C., trazendo normas estéticas, temas e convenções próprias. Pode-se dizer que o teatro explica o contexto histórico de século V, da mesma forma que o contexto daquele momento se apreende melhor através das peças então produzidas, demonstrando a profunda interrelação entre sociedade e teatro.
Festival de Teatro
O teatro grego nasceu da religião e mesmo após todas as transformações pelas quais passou não perdeu de vista as suas origens. As representações dramáticas em Atenas realizavam-se três vezes por ano, por ocasião das festas dionisíacas:
Dionísias Urbanas ou Grandes Dionísias - eram celebradas na primavera (fins de março) e freqüentadas por toda a população grega, além de embaixadores estrangeiros. A festa durava seis dias. O primeiro era consagrado a uma solene procissão, em que toda a cidade tomava parte. Nesta procissão se levava a estátua do Deus Dioniso que era finalmente colocada na orquestra do Teatro de Dioniso. Nos dois dias seguintes celebravam-se os concursos de dez coros ditirâmbicos. Os concursos dramáticos ocupavam os três últimos dias. Eram escolhidos três poetas trágicos, que representavam, cada um deles, sua obra inteira, num mesmo dia. Ou seja, três tragédias e um drama satírico (tetralogia).
Leneanas - tinham um caráter mais local. Celebravam-se no inverno, fins de janeiro e duravam de três a quatro dias. Uma procissão, de cunho extremamente licencioso e um duplo concurso e comédias e tragédias, eram as atrações da festa.
Dionísias Rurais - celebravam-se apenas nos "demos" (povoados) nos fins de dezembro e eram as mais antigas festas de Dioniso, dependendo o brilho de tais festejos dos recursos do demos.
A preparação das "Grandes Dionísias" ficava sob a responsabilidade de um funcionário do governo que recrutava os coregos (cidadãos ricos que patrocinavam os coros) e com isso, garantia a produção do espetáculo. A coregia era um dos serviços públicos impostos pelo Estado ateniense aos cidadãos ricos. Com financiamento garantido, tanto para os ensaios quanto para as representações teatrais, que se realizavam obrigatoriamente três vezes ao ano, o corego recrutava atores, profissionalizava-os, selecionava os poetas competidores, encarregava-se da parte organizacional do espetáculo, garantia o acesso de todos os cidadãos aos espetáculos, com direito a uma ajuda de custo para o pagamento dos ingressos e das refeições nos dias de festivais, para os mais pobres.
A especialização das atividades teatrais atinge tal nível na Atenas clássica que o Estado estabelece uma legislação sobre o fazer teatral, estipulando critérios de seleção dos atores para os principais papéis e seus substitutos, distribuição dos personagens e recrutamento dos coreutas (integrantes do coro que contracenavam com os atores).
No final dos concursos dramáticos realizava-se um julgamento, de onde resultava a classificação final dos concorrentes. Eram três categorias premiadas: poetas, coregos e protagonistas. Essa classificação era votada por um júri, que dava seu veredicto sob forma de voto secreto.
As representações em Atenas começavam pela manhã. E se assistia ao espetáculo com uma coroa na cabeça, como nas cerimônias religiosas. As mulheres atenienses, embora não pudessem participar da cena, podiam assistí-la como espectadoras, pelo menos da tragédia. Quanto à comédia, devido a certas liberdades inerentes ao gênero, não era freqüentada pelas atenienses mais "sérias".
A Arquitetura dos Teatros Gregos
A construção do teatro grego, totalmente aberto ao ar livre, assim como dos templos religiosos e estádios esportivos, aproveitava a encosta de colinas para que se garantisse o efeito acústico. A arquitetura do teatro grego compreende três partes:
Orquestra - ao centro, um plano circular de terra batida, sobre o qual evoluía o coro, que entra pelos corredores laterais, chamados de párodoi. A orquestra forma sempre um círculo completo. No centro da orquestra se erguia um altar, o tímele, em honra de Dioniso.
Teatro - (théatron que quer dizer "lugar de onde se vê") destinado aos espectadores, era um conjunto de degraus, divididos em andares (semelhante às arquibancadas de um estádio de futebol). O teatro descreve em torno da orquestra um semi-círculo. O público comum se sentava nas arquibancadas e havia também lugares especiais para convidados de honra.
Skené - em frente ao théatron, encontra-se a skené, uma espécie de construção que se destinava inicialmente a guardar material e à mudança de roupa dos atores. Depois a skené passou a ter uma parede que representava a fachada exterior da habitação onde transcorria a ação. Nasce, assim, o cenário teatral. Ao longo da skené, estende-se uma passarela denominada proskénion (proscênio), com três a quatro metros de altura, onde atuavam os atores.
Alguns teatros tinham capacidade para 5.500 pessoas (Delos); outros para 14 mil (Epidauros). As dimensões deste edifício dão prova de sua popularidade e de sua integração nos hábitos sociais e políticos gregos.
Os Maquinismos
O cenário da tragédia era sempre a fachada exterior de uma habitação, templo ou palácio, diante da qual se desenrolava a ação. Dessa maneira, o que se passava no interior, sobretudo as cenas violentas, jamais eram mostradas para o público. No teatro grego empregavam-se vários maquinismos, encarregados de realizar os "efeitos especiais":
Equiclema / Eciclema - quando, por exemplo, se cometia um assassinato no interior do palácio, via-se por uma das portas do fundo sair uma espécie de plataforma rolante que conduzia o assassino imóvel, "congelado" na postura do momento do assassinato, e, a seus pés, sua vítima.
Mekhané - uma espécie de guindaste. A extremidade que servia para erguer os personagens, tomou formas diversas: carros voadores, cavalos alados, dragões e outros monstros. Às vezes era um simples gancho no qual a personagem se mantinha suspensa. É o deus ex machina processo artificial, para facilitar o desenlace de uma tragédia, fazendo que uma divindade (deus) desça à cena, através de um mecanismo (ex machina) e resolva a questão.
Theologuêion - significa lugar onde os deuses falam. Trata-se de um praticável, mais que de um maquinismo. Era uma tribuna armada na parte superior do cenário. Tinha por finalidade mostrar ao público onde moravam os deuses. O aparecimento de divindades em cena se fazia acompanhar de relâmpagos e trovões. O relâmpago se produzia por meio de archotes que se agitavam e o barulho do trovão era conseguido com uma bacia de bronze colocada atrás da cena, na qual se lançavam pedaços de ferro.
Escada de Caronte / Anapiesma - dois aparelhos que serviam para trazer dos abismos subterrâneos os deuses infernais. A "Escada de Caronte" eram simples degraus que vinham do subsolo até a superfície. E o "Anapiesma" mais aperfeiçoado, era uma espécie de alçapão móvel, que elevava mecanicamente os personagens.
O Figurino dos Atores
A máscara trágica procura traduzir o patético e a dor. Rugas profundas, sobrancelhas contraídas, órbitas saltadas, olhos arregalados, boca aberta. Atribui-se a Ésquilo a invenção da máscara pintada imitando a forma humana, com uma cabeleira e, quando necessário, uma barba. A máscara servia também para amplificar a voz do ator, que era escolhido entre aqueles de maior potência vocal.
O calçado usado na tragédia chamava-se "coturno", um espécie de sapato-plataforma de 6 a 11 centímetros de altura. Tanto a máscara quanto o calçado serviam para aumentar a figura do ator.
As roupas não seguiam uma reconstituição histórica. Eram convencionais, uma espécie de estilização das roupas cotidianas. Túnica longa até os pés, com mangas longas, de várias cores, presa por um cinto. Manto curto, jogado sobre as costas, à direita, preso ao pescoço com botão ou broche. Cores púrpura para os soberanos, escura para o luto.
Se você quer de aprofundar neste assunto consulte:
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro Grego Tragédia e Comédia. Petrópolis: Vozes, 1985.
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro grego origem e evolução. São Paulo : Ars Poetica, 1992.
LESKY, Albin. A Tragédia Grega. São Paulo: Perspectiva, 1990 (Coleção Debates 32)
NUÑEZ, Carlinda Fragale Pate e outros. O teatro através da história. Rio de Janeiro : CCBB, 1994.
VERNANT, Jean-Pierre. VIDAL-NAQUET, Pierre. Mito e Tragédia na Grécia Antiga. São Paulo: Perspectiva, 1998.