O Épico dos Épicos, de Akelium ® Versão Alpha 0.1 The UniLins Roleplaying Group ® 2003 Copiado e impresso por The UniLins Roleplaying Group. Arthur Gabriel "Phoommassa" de Santana Leandro "Moikano" Venturin Garcia Mauro Thiago "Neto" Caldeira Nélio "Fumps" Favaretto Galvão Índice O Épico dos Épicos, de Akelium Capítulo I: Nas Ruas de Estoril ---------------------------- NAS RUAS DE ESTORIL Era uma cena tão espantosa que acabei me perdendo em minhas notas. No maior centro comercial de Estoril, grande cidade humana, onde qualquer outra raça é recebida com, no mínimo, uma interjeição de mau gosto, andava um ser de quase dois metros e meio, de pele amarelo-esverdeada e traços rudes. Imaginei que fosse uma espécie de meio-ogro, mas certamente todos os ogros que eu já vira eram muito mais horrendos e assustadores que esse. E certamente nenhum carregava uma arma semelhante à deste. Parecia digna de um grande criador humano, algo que um estúpido ogro nunca poderia manejar: um cabo de madeira bem polida com duas lâminas opostas, aparentemente afiadíssimas. Continha inscrições de aspecto muito complexo se comparadas à escrita dos ogros. De repente, eu, sendo ali a única pessoa suficientemente observadora e adoradora da arte para perceber o quanto era incrível aquela arma(para uma arma bárbara), acabei assistindo a uma cena um tanto quanto hilária: a mão notavelmente trêmula e fraca de um meio-elfo que parecia tentar se manter escondido alcançou a arma. Com facilidade ela foi retirada do suporte. Então a arma caiu nos braços do franzino ladrão, que caiu nos duros paralepípedos que sustentavam a cidade. As duas lâminas vibraram com o choque, que causou um estrondo esurdecedor. A multidão se afastou velozmente do local, restando apenas alguns espreitadores escondidos atrás das paredes, dos quais eu era um. Mas sendo eu o único com papiro e pena em mãos, documentei bem as palavras do gigante, que virou-se num olhar de surpresa e raiva, e liberou sua voz forte(apesar de não muito grave): -- Suporte mal feito!!! Sempre fazendo a espada cair e machucar os outros sem eu querer!!! -- Que bom que eu a segurei pra você, não é? -- disse enroladamente o meio-elfo, quase engolindo os lábios. Foi então que vi seu rosto e senti uma estranha sensação de já conhecê-lo. -- Não se preocupa, meu nobre senhor! Esta espada já está acostumada com impactos muito mais fortes! Soltou então uma gargalhada típica de raças inferiores, indescritível nos nossos fonemas. Pegou sua arma do chão e a levantou, com o meio-elfo; continuando: -- Desculpa pelo tempo perdido, meu senhor, mas, você se machucou? -- Não, não -- respondeu o ladrão, tentando recolocar o maxilar no lugar -- Sou uma pessoa muito resistente. E esqueça o tempo perdido, eu não sou muito... -- pensou por exatos três segundos -- atarefado! -- Muito bom, assim eu levo você na taverna e pago uma cerveja pra compensar! O meio-elfo logo se manifestou: -- Anh... É... Eu acho que prefiro ir à taverna com a minhas próprias pernas... -- Se é isso que quer... -- disse o gigante, soltando o ladrão, que foi novamente de encontro ao chão. Os dois começaram a andar, e eu me senti obrigado a segui-los. Enquanto caminhava, ouvia a conversa dos dois. -- Quem é você, nobre homem, o que faz? -- perguntou o gigante. -- Eu sou Stamless, por enquanto aprendiz auto-didata nas artes ladinas... -- Artes o que!? -- perguntou o hominídio amarelo-esverdeado, aparentemente enfurecido. -- La... la.. la... -- gaguejava o meio-elfo, até que foi encarado por grandes olhos negros -- pa... paladinas!!! Artes paladinas!!! -- Paladinas!!?? O ladrão já estava ficando novamente trêmulo. -- Si... sim... -- O que você serve? Não vejo nenhum símbolo em sua roupa. -- Ahn, justiça. -- resposta aleatória... -- Que bom!!! Deixa eu me apresentar!! Sou Corm Kelvaron, o paladino seguidor de Ammond, o grande deus da justiça!!!! O ladrão sorriu, ao mesmo tempo constrangido e aliviado. Foi então que me lembrei daquela expressão cínica, o que provocou-me uma vontade irrepreensível de gritar! -- É você!!! Stamless, desgraça da sua raça!!! -- Como ousa blasfemiar sobre a boa índole de meu companheiro paladino!? -- indagou o meio-ogro. -- Paldino?! Esse monstro?! Ele destruiu a minha vida!!! Logo o falsário cortou o meu discurso, enquanto o real paladino preparava sua guarda. -- Acalme-se, nobre guerreiro! Este é Akelium, meu velho amigo. É entre os bardos uma lenda! Os outros o têm como herói, e contam inúmeras histórias sobre seus incríveis atos de bravura e astúcia!!! Veja só como ele domina sua expressão para criar espectativas nos ouvintes!!! Apesar de toda sua falsidade, o meio-elfo disse grandes verdades sobre mim. Eu era realmente um grande bardo. Era não, sou. Um dos maiores. Talvez o maior. Foi então que percebi o quanto era boa aquela situação. Como eu agradaria o público ao narrar aventuras de um meio-ogro paladino, seguidor de Ammond, acompanhado por um incompetente e estúpido ladrão!!! Logo comecei a escrever algo que seria copiado por diversos bardos menores(um dos quais fez a edição que você agora lê): O Épico dos Épicos, escrito pelo grande Akelium. Após o cumprimento de satisfação de Kelvaron, ele fez sua pergunta. -- Então, Akelium, porque fingia tanto ódio de Stamless? Eu já ia desmentindo o ladrão quando este me interrompeu: -- Vejam!!! A mais linda taverna do continente: A taverna da Caldeira de Vinho!!! O meio-ogro abriu a ornamentada porta dupla da taverna com um simples empurrão. A taverna estava transbordando, de camponeses a nobres, de crianças a bárbaros. Um único homem atendia a todos os pedidos. Era um homem exageradamente branco, fraco e magro. Usava uma roupa estranha, um macacão de ferreiro com medidas reduzidas e uma coloração próxima à das rosas. Logo, ele se aproximou da mesa em que acábavamos de nos sentar. -- Bom dia, simpáticos senhores!!! Sejam bem vindos à taverna da Caldeira de Vinho!!! O que desejam? O meio-ogro mal esperou o homem terminar sua pergunta: -- Cerveja!!! -- Ótimo! O mesmo para todos? Não demoro! -- respondeu o atendente, que, após passar um pano molhado na mesa, saiu em disparada. Em meu pouco tempo em Estoril, já conhecia a fama daquela taverna, era conhecida como a taverna do ferreiro maneta. Não conseguia entender o motivo, já que o homem era um um homem tão fraco quanto uma donzela. -- Diga-me, meio-elfo, onde está o tal ferreiro maneta? -- Ora, Akelium, pois ele acabou de nos atender!!! -- Aquele? Não tinha aspecto de ferreiro e muito menos de maneta! -- Hahaha!!! -- gargalhou o maldito -- Você não viu??? Ao menos olhou para as mãos dele? Era incrível. Olhei para o balcão procurando o taverneiro e vi um macaco. Estava enchendo três grandes copos com cerveja, enquanto o homem corria ouvindo os pedidos. O meio-ogro também viu esta cena, e resmungou: -- Ammond, meu deus, diga-me o que é isso?! O macaco é o taverneiro!!! Mas como, se ele não é maneta!!! Enquanto me recuperava do tapa que tinha dado em mim mesmo após ouvir tamanha pérola da inferioridade inumana, olhei novamente o macaco. Possuía uma espécie de bolsa em suas costas, mas parecia invertida, com a abertura do lado de baixo, e uma espécie de rosca. Foi então que percebi a tragédia. O homem tinha a mão esquerda amputada, e sempre andava com o que soubrou dentro dos bolsos. Ele retirou a "mão" do bolso, e a encaixou nas costas do macaco, girando-o com um tapa. Com a mão direita trazia a bandeja com os copos. -- Aqui estão suas bebidas, graciosos senhores!!! Espero que apreciem o trabalho da Caldeira de Vinho!!! -- ele encostou o macaco em um copo; este reagiu imediatamente o segurando com braços e pernas. O taverneiro direcionou o braço esquerdo até a mesa, à frente de Stamless. O macaco soltou o copo logo que este tocou a mesa. -- Agradeço-lhe, caro amigo Maurício. -- disse o ladrão. -- Só espero que pague hoje, Stammy. Da última vez tive que me tratar com aquele seu amigo de ombros largos... E como eram largos!!! -- Logo que o taverneiro saiu da mesa, após mais uma pequena limpeza na mesa, questionei: -- Então, Stamless, me dirás que esse... delicado... homem é um ferreiro!!?? -- Foi. -- disse o ladino -- E foi um grande ferreiro. Até que a má sorte o encontrou: decepou a própria mão com o martelo de forja. -- Isso não é má sorte, eu chamo de incompetência. -- Até o lendário Boca-yna se machucaria se espirrasse durante a forja de uma espada! Chama isso de incompetência? Nada além de má sorte, eu digo. -- Alguém que forja uma espada com o risco de perder a mão deve ser muito estúpido. -- Isso se chama dever. Não sei se os bardos possuem esse conceito! -- Você nada pode falar sobre conceitos!!! -- Chega de briga, senhores!!! Bebe cerveja aí, que eu preciso ir embora logo. -- interrompeu Kelvaron. -- A propósito, qual é seu propósito aqui, grande Kelvaron? -- perguntei, com minha genialidade. -- Eu tenho que ir no templo de Ammond. Eles precisam de mim lá. -- Ótimo, levo-te lá, caro paladino. -- Vai comigo, não é Stamless? Um outro seguidor de Ammond seria de grande ajuda! -- O meio-elfo tentou diminuir sua responsabilidade. -- Devo lhe lembrar, caro Corm Kelvaron, que não sigo o seu deus, mas a justiça em si. -- Não há problema, -- disse o meio-ogro -- mas devia conhecer o grande Ammond melhor. -- Pois eu conheço, e posso lhes contar algumas histórias. Levantei e fui até o palco da taverna. -- Ammond foi o último deus criado pelO GRANDE DEUS DA CRIAÇÃO. Talvez seja o mais forte ou talvez seja o mais fraco. Dizem que Ammond era conhecido como "o-olho-que-tudo-vê", mas como ele não gostava da fonética da palavra "olho", passou a ser chamado "a-mão-que-tudo-faz". Por isso, é representado por uma mão, na maioria das vezes. -- Kelvaron se levantou, exibindo sua mão. Continuei meu discurso: -- O problema é que todos os seres do mundo conhecem e veneram Ammond. Até os malditos Intras! A multidão se espantou com a simples menção do nome. -- Portanto, meus caros amigos, não foram todos eles receptivos a "a-mão-que-tudo-faz". Muitos deles possuíam patas, garras, ou até... nada!!! É por isso que podemos ver, ainda hoje, alguns seres com estranhos brasões de Ammond, que contêm suas... "mãos". Kelvaron perguntou, num grito: -- E as cobras?! Como é o grande Ammond das cobras?! Respondi rapidamente: -- As cobras não usam brasões, caro Corm Kelvaron!!! Além disso, são todas seguidoras oficiais de Cavalo, assim como todos os animais malignos. É estranho, mas os druidas dizem que só os animais bons seguem outros deuses. -- Cavalo deve ser um deus muito mal! Antes que eu pudesse responder, Okoo, um velho amigo meu subiu ao palco. -- Sim!!! Cavalo é o mais horrível entre todos os deuses!!! -- disse ele, enquanto eu voltava para mesa, com a garganta seca. Okoo era um bardo muito jovem, com joelhos colados e um corpo torto, pendendo para a direita. Falava sempre fazendo boca-de-bico e caretas estranhas. Mas nessa ocasião estava com uma capa preta que o cobria inteiro. No fim de tudo, todos ouviam falar de Okoo, mas nunca alguém havia o visto. -- Lembro-me agora de uma história que presenciei em terras distantes! Havia em XP15, boatos de uma grande fera que rodeava a cidade. Todos diziam: "É um animal muito enfurecido, que Cavalo criou para punir os humanos!!!".