N° 19 - MAR / ABR DE 2004

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The Lemonheads ao vivo
Um Evan Dando lesado...
Directv Music Hall -  São Paulo, SP - 16/05/04
(Fotos por Rogério Lorenzoni/Terra)

"THE LEMONHEADS TOCA PELA PRIMEIRA VEZ EM SETE ANOS
A banda lendária pop-grunge de Evan Dando está de volta, especialmente para uma turnê na América do Sul. Após mais de sete anos de pausa, uma das mais influentes bandas de rock do início dos anos 90, o The Lemonheads, se apresenta em sete cidades brasileiras, além do Chile e Argentina. As datas dessa turnê são as únicas confirmadas em todo o mundo e são os primeiros shows desde que a banda se separou logo após se apresentar no Reading Festival (Inglaterra), em 1997."

Em passagem por São Paulo, em sua tour pela América do Sul, o Lemonheads comprovou um mito: por conta do Evan Dando, o Lemonheads faz um show constrangedor, não conseguindo reproduzir direito suas músicas como a gente escuta nos discos. Será que era por que o Evan Dando estava chapado? Ele começou a fazer graça durante o show do All Systems Go!, entrando no palco para cumprimentar os integrantes, e fazendo uma jam session tocando bateria na última música da banda canadense.

Quarenta minutos depois, Evan Dando acompanhado dos músicos Kenny Lyon (baixo) e George Berz (bateria), iniciam o show a mil com "The Great Big No", seguindo com "Hospital" e "Down About It", em meio a um festival de erros por parte do Evan Dando. Ele mostrava-se esquisito e meio distante. Mas isso nem atrapalhou, estava uma delícia, o Directv estava com lotação pela metade e uma parte do público mostrava-se muito animados com o show.
Ele tocou muitas canções da sua carreira solo, começando com o single "Stop My Head", seguindo com "Buddy", "It Looks Like You", outra do disco solo Baby I'm Bored, "Confetti"... Os músicos deixam o palco e Evan Dando toca sozinho no violão "Outdoor Type", "It's About Time", "I'll Be Your Mirror", do Velvet Underground, "Big Gay Heart", "Being Around" e "How Much I've Lied" de seu ídolo, Gram Parsons. Além de aéreo, ele ainda estava rouco e meio sem voz, e ainda assim foi sublime. De volta com a banda e sua guitarra, mais clássicos como "It's A Shame About Ray", "Into Your Arms", "If I Could Talk I'd Tell You" e "Rudderless", lembrando que todas executadas de maneira digamos que medíocre, pelo menos para a maioria do público que já se mostrava meio insatisfeitos, porque muitos não estavam nem se importando. Mais um set só com violão e misto de suas canções solo com Lemonheads, seguiu-se a belíssima "Hard Drive", "Skulls", cover do Misfits, "Different Drum", cover do Stone Poneys, "Bit Part", "The Turnpike Down"... E voltando com a banda, "All My Life", "In The Grass All Wine Colored" e "Luka". A banda já tinha ido embora, o baterista estava desmontando o instrumento, quando o Evan Dando meio que perdido na frente do palco estava ouvindo o que a galera estava pedindo para ele tocar. Ele acena positivamente e toca um trecho de "Mrs. Robinson" sozinho na guitarra, e toca uma última canção. Ele pede desculpas por estar meio sem voz e rouco, e despedisse. Meio sem querer ir embora, vai até a frente do palco e eu como fã não resisto, retiro meu encarte de Car Button Cloth da bolsa, estico e braço e grito: "Sign here Evan, please, sign here!". Ele olha para mim, meio na dúvida avança um pouco para atender o pedido, mas em meio a euforia das pessoas recua e se despede definitivamente indo tocar bateria e as cortinas se fecham.

Eles tocaram nada menos do que 32 músicas em 1h45 de show. Para muitos, aquilo foi um fiasco, e para fãs como eu, foi muito divertido e emocionante. Ele sorria e olhava para as pessoas meio surpreso quando as ouvia cantando suas músicas, não parava de ajustar a guitarra, pedia para aumentarem seu microfone, seu violão, cantava olhando para o teto e fazia movimentos esquisitos. O tempo todo Evan Dando foi muito simpático, e deve ter estendido a apresentação para compensar as falhas e a falta de voz, ele pediu até para as pessoas jogarem coisas nele após uma pessoa o ter xingado. Maravilhosamente tosco, essa é a definição em uma frase para esse show do Lemonheads.

As bandas de abertura fizeram bonito, o PB estava estiloso naquele palco grande, bem a vontade e com um vocalista muito carismático, colocaram as pessoas para dançar e cantar "Sob o Seu Quintal" e "Ana Solidão". As canções ficaram perfeitas, ótimos músicos. Em seguida o Bidê ou Balde mostrava uma baixa na banda, a saída da tecladista Kátia. Fez falta, mas eles mostraram que continuam sendo o Bidê ou Balde e despejaram energia em "A-há", "Melissa", "Microondas", "E Por Que Não?", "Buddy Holly", "Cores Bonitas", "Bromélias", entre outras, não necessariamente nessa ordem. Tecnicamente, as bandas nacionais foram as melhores. E convidados do Evan Dando para abrir todos os shows do Lemonheads pela América do Sul, a trio canadense de hardcore All Systems Go!. Som básico, que não agradou quase ninguém, e só ganhou força na última música que foi a mais bacana. Com Alejandro (Detetives) assumindo a guitarra, o vocalista aproveitou para se jogar na platéia e o Evan Dando apareceu para tocar bateria no final apoteótico.

The Lemonheads - Turnê América do Sul 2004

13/05 - Londrina, PR
14/05 - Rio de Janeiro, RJ
15/05 - Belo Horizonte, MG
16/05 - São Paulo, SP
18/05 - Taubaté, SP
19/05 - Porto Alegre, RS
20/05 - Santiago, Chile
21/05 - Buenos Aires, Argentina
23/05 - Goiânia, GO 

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