N° 16 - SET / OUT DE 2003

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Lúcio Ribeiro
Em entrevista, ele nos ajuda a entender a boa fase do cenário rock atual

Lúcio Ribeiro. Quantos indies não lêem sua coluna semanal na Folha On-line e/ou Ilustrada, e ficam sabendo de todas as novidades do atual cenário rock. Uma das coisas que gosto no Lúcio Ribeiro é que ele gosta de verdade e assisti a tudo que acontece com empolgação, diferente de um bando de "chitas" que vivem reclamando por aí, que dizem gostar do "som de verdade".
Aproveitamos essa entrevista para falar um pouco de mundo de Lúcio Ribeiro e tentar entender o que anda acontecendo nesses tempos de rock em alta, e melhor, o rock que a gente escuta em alta.

Quem lê sua coluna na Folha On-line deve achar que seu trabalho é pura diversão, é verdade? Quais suas atividades atualmente, e o que você mais gosta de fazer?
É diversão, mas não é pura, dá um trabalho danado administrar a coluna. Atualmente sou colunista da Folha On-line, colunista, crítico e repórter-colaborador da Folha, editor da Capricho e da nova revista, a Out, um guia de baladas que circula por SP.

A rádio paulistana Brasil 2000 recentemente mudou a sua programação e agora toca rock alternativo. O que aconteceu, você acha que o rock em geral está em alta? O cenário atual vai mudar em função de um espaço como esse?
Acho que a boa música está em alta e o som mofado e movido a jabás não engana mais ninguém. Isso tem a ver com atitudes de pessoas isoladas, como a diretora e dona da Brasil 2000, internet e tudo mais.
Difícil dizer se o cenário vai mudar muito ou pouco. Mas vai mudar e já mudou, você dando alternativas às pessoas conhecer o novo e assim poder fazer comparações com o passado e mesmo com o meio presente, a cena se fortalece, cresce.

O Kings Of Leon mal lançou seu primeiro disco e sua música toca até em uma rádio pop como a Jovem Pan. A exemplo dessa, outras bandas também tem espaço nos grandes veículos de mídia. A barreira entre o alternativo e o mainstream não existe mais?
Existe. Acontece que por causa do fenômeno Strokes a gravadora BMG resolveu apostar no Kings Of Leon. Viva a BMG pela decisão, melhor para nós, porque o KOL é ótimo. Mas existem dezenas de outras bandas legais que não movem suas gravadoras do mesmo jeito.

E o que você acha do cenário atual, por parte de bandas como Strokes, White Stripes, Interpol, Kings Of Leon, etc, há uma "reciclagem" dos anos 70 e 80. Os mais "chitas" criticam a originalidade de tudo isso. O que você tem a dizer sobre?
São elementos do rock antigo que estão sendo re-processados para a modernidade por meio dessas bandas. Os Beatles reciclaram rock americano dos anos 50 misturado à pegada pop inglesa de bandas anteriores a eles. Qual o problema? Se o resultado final for bom, alegrar rádios, fazer balançar pista de dança, dar motivação para comprar o disco, quem se importa pelo que pensam os chitas.

Em todas as épocas houve um estilo novo, criatividade, e bandas que se destacaram a ponto de ser referência até hoje. Depois do grunge, o que aconteceu de mais interessante até agora?
Não houve uma "revolução" como o grunge, com toda a implicação da sonoridade e do efeito de mercado do movimento de Seattle. Mas o que ocorre com o rock e um certo electro-rock de 2000 para cá é o que move a excelente fase da cena roqueira atual.
É o que foi falado: reciclagem, aproveitação de estilos, mas com roupagem moderna, para o que a época está pedindo. O foco é Nova York, mas bandas da Escandinávia, da Austrália e da Suécia têm mostrado grande competência. É o rock globalizado, dos tempos da internet.

E o hype em que as pessoas tanto falam, e que essas bandas que estouram hoje vão sumir logo, você acredita nisso?
Eu acredito nas bandas que surgem, mostram o seu som e eu gosto. Isso é o que importa. Se elas vão sumir ou não, isso é conseqüência de uma coisa que às vezes foge do controle dos grupos ou de quem os ouve.
Suponha que os Strokes acabem agora e não façam mais nada. Tudo o que surgiu depois e por causa deles e o espetacular primeiro CD deles deve ser jogado no lixo porque eles foram "hype" e sumiram?
Não sei por que muita gente fica incomodada com a palavra "hype" e tenta analisar a atenção exagerada que uma banda provoca quando está surgindo. Essa gente precisa relaxar e se divertir.

Falando de Brasil, como andam as nossas bandas?
Por conta das minhas obrigações profissionais e minha afinidade maior com o pop internacional, sou meio relapso com a cena de bandas brasileiras, embora faça o possível para ir a bastantes shows e ver como estão funcionando ao vivo. Acho que a movimentação de bandas está bem melhor agora do que nos últimos anos e isso é muito positivo. Quanto mais bandas aparecerem e quanto mais a cena estiver estabelecida, maior a chance de surgir nomes interessantes.
Eu tenho uns amigos que acompanham muito de perto o que acontece no Brasil, então estou sempre confiando nas dicas deles e no que eles sugerem para eu ouvir. Gosto de alguns grupos indies (espero que você esteja falando da cena independente), mas uma banda que eu acho muito boa é o Los Pirata.

E suas discotecagens pelas casas paulistanas, como andam?
Estão bem legais. Estou bem requisitado até, e me divirto muito tocando. Além do quê, vou experimentando algumas músicas novas em pistas só para ver a aceitação. Mas não me considero praticamente um DJ, sou um tocador de músicas. De qualquer modo, acho que às vezes acerto e consigo manter uma vibe boa na pista, que na verdade é o que interessa. As pessoas ainda esperam ouvir muito em clubes as mesmas músicas de sempre, mas acho que a aceitação para novidades está evoluindo, desde que a música seja boa, claro.

O que é a Out? Fale sobre ela.
A OUT número 2 chega às ruas nesta semana. É um guia de eventos de rock e de música eletrônica gratuito e quinzenal, que circula por clubes, bares, restaurantes, lojas de disco, de roupas e em outros pontos selecionados, trazendo reportagens, entrevistas, resenhas e toda a informação para a pessoa sair à noite, dentro da quinzena que a revista vai estar tratando.

Obrigado por falar com a gente, é um prazer discutir esse assunto com você, e continue falando do White Stripes porque eles são foda.
Obrigado você pelo espaço e falando em White Stripes fica o toque para quem gosta da banda. Embora o show seja no Rio, não dá para perder a apresentação deles. Vale qualquer esforço gigante para assistir os caras. Abraço.

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