Lúcio
Ribeiro
Em entrevista, ele nos ajuda a entender a boa fase do cenário
rock atual
Lúcio Ribeiro. Quantos indies não lêem sua coluna semanal
na Folha On-line e/ou Ilustrada, e ficam sabendo de todas as novidades
do atual cenário rock. Uma das coisas que gosto no Lúcio Ribeiro
é que ele gosta de verdade e assisti a tudo que acontece com empolgação,
diferente de um bando de "chitas" que vivem reclamando
por aí, que dizem gostar do "som de verdade".
Aproveitamos essa entrevista para falar um pouco de mundo
de Lúcio Ribeiro e tentar entender o que anda acontecendo nesses
tempos de rock em alta, e melhor, o rock que a gente escuta em alta.
Quem lê sua coluna na Folha On-line deve achar que seu trabalho
é pura diversão, é verdade? Quais suas atividades atualmente, e
o que você mais gosta de fazer?
É diversão, mas não é pura, dá um trabalho danado administrar
a coluna. Atualmente sou colunista da Folha On-line, colunista,
crítico e repórter-colaborador da Folha, editor da Capricho e da
nova revista, a Out, um guia de baladas que circula por SP.
A rádio paulistana Brasil 2000 recentemente mudou a sua programação
e agora toca rock alternativo. O que aconteceu, você acha que o
rock em geral está em alta? O cenário atual vai mudar em função
de um espaço como esse?
Acho que a boa música está em alta e o som
mofado e movido a jabás não engana mais ninguém. Isso tem a ver
com atitudes de pessoas isoladas, como a diretora e dona da Brasil
2000, internet e tudo mais.
Difícil dizer se o cenário vai mudar muito
ou pouco. Mas vai mudar e já mudou, você dando alternativas às pessoas
conhecer o novo e assim poder fazer comparações com o passado e
mesmo com o meio presente, a cena se fortalece, cresce.
O Kings Of Leon mal lançou seu primeiro disco e sua música
toca até em uma rádio pop como a Jovem Pan. A exemplo dessa, outras
bandas também tem espaço nos grandes veículos de mídia. A barreira
entre o alternativo e o mainstream não existe mais?
Existe. Acontece que por causa do fenômeno Strokes a gravadora
BMG resolveu apostar no Kings Of Leon. Viva a BMG pela decisão,
melhor para nós, porque o KOL é ótimo. Mas existem dezenas de outras
bandas legais que não movem suas gravadoras do mesmo jeito.
E o que você acha do cenário atual, por parte de bandas como
Strokes, White Stripes, Interpol, Kings Of Leon, etc, há uma "reciclagem"
dos anos 70 e 80. Os mais "chitas" criticam a originalidade
de tudo isso. O que você tem a dizer sobre?
São elementos do rock antigo que estão sendo re-processados
para a modernidade por meio dessas bandas. Os Beatles reciclaram
rock americano dos anos 50 misturado à pegada pop inglesa de bandas
anteriores a eles. Qual o problema? Se o resultado final for bom,
alegrar rádios, fazer balançar pista de dança, dar motivação para
comprar o disco, quem se importa pelo que pensam os chitas.
Em todas as épocas houve um estilo novo, criatividade, e
bandas que se destacaram a ponto de ser referência até hoje. Depois
do grunge, o que aconteceu de mais interessante até agora?
Não houve uma "revolução" como o grunge, com toda
a implicação da sonoridade e do efeito de mercado do movimento de
Seattle. Mas o que ocorre com o rock e um certo electro-rock de
2000 para cá é o que move a excelente fase da cena roqueira atual.
É o que foi falado: reciclagem, aproveitação de estilos,
mas com roupagem moderna, para o que a época está pedindo. O foco
é Nova York, mas bandas da Escandinávia, da Austrália e da Suécia
têm mostrado grande competência. É o rock globalizado, dos tempos
da internet.
E o hype em que as pessoas tanto falam, e que essas bandas
que estouram hoje vão sumir logo, você acredita nisso?
Eu acredito nas bandas que surgem, mostram o seu som e eu
gosto. Isso é o que importa. Se elas vão sumir ou não, isso é conseqüência
de uma coisa que às vezes foge do controle dos grupos ou de quem
os ouve.
Suponha que os Strokes acabem agora e não façam mais nada.
Tudo o que surgiu depois e por causa deles e o espetacular primeiro
CD deles deve ser jogado no lixo porque eles foram "hype"
e sumiram?
Não sei por que muita gente fica incomodada com a palavra
"hype" e tenta analisar a atenção exagerada que uma banda
provoca quando está surgindo. Essa gente precisa relaxar e se divertir.
Falando de Brasil, como andam as nossas bandas?
Por conta das minhas obrigações profissionais
e minha afinidade maior com o pop internacional, sou meio relapso
com a cena de bandas brasileiras, embora faça o possível para ir
a bastantes shows e ver como estão funcionando ao vivo. Acho que
a movimentação de bandas está bem melhor agora do que nos últimos
anos e isso é muito positivo. Quanto mais bandas aparecerem e quanto
mais a cena estiver estabelecida, maior a chance de surgir nomes
interessantes.
Eu tenho uns amigos que acompanham muito de
perto o que acontece no Brasil, então estou sempre confiando nas
dicas deles e no que eles sugerem para eu ouvir. Gosto de alguns
grupos indies (espero que você esteja falando da cena independente),
mas uma banda que eu acho muito boa é o Los Pirata.
E suas discotecagens pelas casas paulistanas,
como andam?
Estão bem legais. Estou bem requisitado até,
e me divirto muito tocando. Além do quê, vou experimentando algumas
músicas novas em pistas só para ver a aceitação. Mas não me considero
praticamente um DJ, sou um tocador de músicas. De qualquer modo,
acho que às vezes acerto e consigo manter uma vibe boa na pista,
que na verdade é o que interessa. As pessoas ainda esperam ouvir
muito em clubes as mesmas músicas de sempre, mas acho que a aceitação
para novidades está evoluindo, desde que a música seja boa, claro.
O que é a Out? Fale sobre ela.
A OUT número 2 chega às ruas nesta semana.
É um guia de eventos de rock e de música eletrônica gratuito e quinzenal,
que circula por clubes, bares, restaurantes, lojas de disco, de
roupas e em outros pontos selecionados, trazendo reportagens, entrevistas,
resenhas e toda a informação para a pessoa sair à noite, dentro
da quinzena que a revista vai estar tratando.
Obrigado por falar com a gente, é um prazer
discutir esse assunto com você, e continue falando do White Stripes
porque eles são foda.
Obrigado você pelo espaço e falando em White
Stripes fica o toque para quem gosta da banda. Embora o show seja
no Rio, não dá para perder a apresentação deles. Vale qualquer esforço
gigante para assistir os caras. Abraço.
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