Wonkavision
Kiko, Manu, Grazi e Will falam sobre o disco novo e outras
coisas
Por
William Dubal (http://byebyemother.cjb.net/)
O
Wonkavision foi conquistando fãs e mais fãs a partir dos seus EPs
Demo Disc #03 e Preview. Sua sonoridade e letras grudam no ouvido
de imediato, não há como resistir a canções como "A Garota
Mais", "O Plano Mudou", "Nanana" ou "Comprimidos".
Nosso amigo William Dubal entrevista a banda indie mais linda e
querida do Brasil.

Falem
um pouco sobre o novo álbum.
Kiko:
Vai ser um CD muito bom, com a sonoridade que a banda realmente
tem e gostaria de registrar. São 12 faixas
com todas as características da banda.
Manu:
Vai se um álbum ousado.
Grazi:
Estamos confiantes que vai ser ducaralho. Estamos trabalhando pra
isso.
Will:
12 músicas, produzido pelo John (Pato Fu), várias canções inéditas.
Quais
mudanças a banda notou do EP Preview pra esse álbum?
Kiko:
Certamente sempre tem um amadurecimento na passagem de uma demo
pra um CD valendo, maior preocupação com arranjos, algumas mudanças
nesta ou naquela letra e tal...
Manu:
Mais maturidade, agora a banda tem mais certeza do tipo de sonoridade
que quer e teve mais recursos para conseguir isso também.
Grazi:
Tivemos muito mais integração, tanto na pré-produção,na hora de
arranjarmos as músicas, quanto na hora da gravação. A gravação do
Preview foi naquele esquema de correria total e pouca grana. Dessa
vez, todos tiramos férias da nossa vida pra nos dedicarmos 24 horas
por dia para a gravação do CD em BH. Isso muda tudo. Estar presente
no momento que o Kiko gravou a batera, que a Manu gravou o moog,
etc, dá outra dinâmica para o disco.
Will:
Todas. Outra estrutura, outro tempo disponível.
O
que vocês acharam da produção do John?
Kiko:
O John entendeu a essência do que a banda queria. Nas gravações
participou como produtor e como quinto elemento da Wonka.
Manu:
No mínimo foi divertido.
Grazi:
O John pessoalmente é um cara muito excelente de se trabalhar. Gente
finíssima mesmo. Tenho certeza que ele captou o espírito oompa loompa
e o disco vai ficar como a gente sonhou.
Will:
Ele sabe muito tecnicamente. E sempre entendeu o "motivo"
Wonkavision. É um ótimo adversário de pebolim.
As
letras continuam seguindo basicamente temas tristes com melodias
aparentemente alegres?
Kiko:
Sim, esse é o segredo de tudo.
Manu:
De vez em quando.
Grazi:
Acho que não. Tem coisas bem diferentes nesse disco. Como é o primeiro
álbum, a gente acaba tendo que colocar muitas músicas antigas. Mas
algumas músicas já apontam para outros caminhos.
Will:
Não, tem de tudo.
O
rótulo de power pop agrada ou incomoda?
Kiko:
A Wonkavision nasceu com personalidade própria, mesmo assim acaba
caindo num rótulo como qualquer banda. A grande maioria das bandas
são rotuladas neste ou naquele "estilo musical".
Manu:
Legal, pop é o que muita gente gosta, power é o que a gente gosta.
Grazi:
Acho que estamos bem acompanhados nesse "clube". Eu particularmente
adoro bandas de "power pop" como o Teenage Fanclub, por
exemplo. Mas acho que a gente não está muito preocupado em ficar
preso a um rótulo. A música sai como sentimos ela naquele momento,
e não com a preocupação de seguir uma fórmula.
Will:
Indiferente. Todo mundo que é novo precisa de um aposto.
Qual
a melhor forma de divulgação na sua opinião? Internet, zines, shows...
Kiko:
Todas.
Manu:
Se possível todos juntos, o tempo todo, mas shows divulgam bastante.
Grazi:
A combinação delas é a melhor forma de divulgação. O boca-a-boca
também é muito importante pra bandas novas como a Wonka.
Will:
Uma verba de 1,5 milhões pra um planejamento de mídia com muita
inserção na TV no horário nobre, jabá pras principais FMs da América
Latina, uma agenda de 28 shows por mês, e um escândalo de tablóide
onde o Kiko engravida uma atriz em evidência nacional.
Como
anda a cena gaúcha? Existe uma comunicação boa entre as bandas,
espaços para shows, etc?
Kiko:
Na real todo mundo se conhece, as bandas trocam material e tal...
com quem eu falo nunca rolou concorrência
ou coisa parecida. Espaço pra show de banda independente é meio
complicado, mas isso é igual em
toda parte não é mérito gaúcho.
Grazi:
Acho que nunca esteve pior, pelo menos desde que eu me conheço por
gente. Tudo é péssimo. Desde a falta de lugares para tocar, desmobilização
de produtores para promover shows, festivais etc. As rádios estão
cada vez mais fechadas para a música independente. Foram essas mesmas
rádios, festivais e bares que colocaram
na roda bandas que hoje já têm seu espaço na cena local, como Ultraman,
Comunidade, Tequila Baby, Acústicos. Todos começaram há 10 anos
na garagem de casa e no "Garagem"... hoje em dia Poa não
tem mais lugares assim, onde se pode assistir shows de rock 3, 4 dias por semana, e com o bar sempre cheio.
Acho
que hoje tá tão ruim que só pode melhorar..vamos torcer! Tá cheio
de bandas excelentes por aqui!
Will:
Não sei bem como são com essas bandas da geração seguinte a nossa.
A galera dos Superphones, Irmãos Rocha, Tom Bloch, Winston, Laranja
Freak, esses continuam movendo a máquina. As rádios andam mega fechadas.
Tem um programa nos sábados na Pop Rock, Conexão RS, esse dá espaço.
Os espaços pra shows
estão meio monopolizados. O Garagem deixa saudades.
Com
quais bandas do RS vocês têm mais contato?
Kiko:
Superphones, Irmãos Rocha!, Tom Bloch...
Manu:
Costumamos fazer shows com Superphones (apesar de ter um som bem diferente do nosso),
Walverdes...
Grazi:
Superphones, Irmãos Rocha!, Tom Bloch, Os Massa, Walverdes etc.
Will:
Superphones, Irmãos Rocha, Tom Bloch, Winston, Laranja Freak, Fresno,
Acústicos &Valvulados, Nenhum de Nós, etc.
Vocês
acham possível manter um rótulo de alternativo tocando em rádios
e fazendo shows de grande porte?
Kiko:
Sim, sem problema.
Manu:
Sim.
Grazi:
A gente quer ser uma alternativa à mesmice, à falta de criatividade
e de "can-gan" no rádio. Pra sempre.
Will:
Sabe que nunca realmente pensei nisso?
Qual
a previsão de shows pelo resto do Brasil?
Kiko:
Quando lançar o CD a intenção é fazer show por toda à parte, o maior
número possível, tanto dentro do Rio Grande do Sul como fora dele.
Grazi:
Queremos tocar em todos os lugares possíveis para divulgar o disco.
Will:
Divulgação do CD, show no canto que der, onde o microfone não der
choque.
Como
é ser elogiado por grandes nomes como Los Hermanos e Pato Fu?
Kiko:
É muito bom ser citado, quanto mais elogiado, por bandas que antes
de nos conhecerem a gente já era fã. É muito gratificante ter o
trabalho da banda reconhecido por eles.
Manu:
Bom, é gratificante saber que pessoas que fazem um som tão bom curtem
a gente.
Grazi:
É ótimo! È um incentivo grande pra gente.
Will:
Tri bom, né? Nós curtimos os caras pra caramba.
É
isso aí gente, muito obrigado de novo e sucesso nesse novo álbum!
Esperamos vocês aqui em Sampa.
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