Objeto
Amarelo
Carlos
Issa nos ajuda a entender o Objeto Amarelo
| Uma
das bandas mais peculiares que circula pelo cenário independente
é o Objeto Amarelo. Seus shows são fantásticos, porém, seu último
disco, Panzertunel, apresenta uma sonoridade muito experimental,
inaudível para muitos. Carlos Issa nos ajudará a entender melhor
o Objeto Amarelo nessa entrevista. |
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Quando
e como surgiu o Objeto Amarelo?
Foi
quando eu comprei um portastudio e uma bateria eletrônica, em 98,
e gravei
as músicas que estão no primeiro disco, o OA.
Quais
foram os lançamentos da banda até o momento?
O
cd OA, a fita DIX! e o cd Panzertunel.
Panzertunel
é tido por muitos como um disco de difícil audição, a respeito
da
sonoridade experimental. Comente a sonoridade do OA.
O
Panzertunel é difícil mesmo. Cheio de erros e gente berrando. É
como se fosse
o rascunho de alguma coisa. Exige uma espécie de descompressão pra entrar.
Eu só escutei ele inteiro umas duas vezes. Gosto mais de escutar
as músicas
isoladamente, tipo Berne Biônico, Motim ou Klube. Ou então pegar
o disco
do meio pro fim. E sobre a sonoridade do OA, eu não sei não... É
um pouco
essa estória do rascunho.
Soube
que você é artista plástico. No que isso implica na estética da
banda?
Eu
não sou artista plástico. Às vezes eu compro uns livros, vou nas
exposições,
planejo alguma coisa, mas não é nada muito sério. A arte da banda
tem mais a ver com capas de discos que a gente gosta e posters antigos
de
punk-rock.
Uma
das maiores atrações da música do OA, são as letras incomuns, da
onde surgiu
essa idéia?
Escrever
é o que me interessa mais, e eu acabo usando o Objeto Amarelo pra
divulgar
esses textos, é mais fácil do que publicar alguma coisa. Fora
isso, eu não acho que as letras sejam muito incomuns. Às vezes tem
um pouco
de "bruxaria", mas, geralmente, elas são bem diretas.
Poucas frases, jogo
rápido...
Quais
bandas influenciam o OA? Pós-rock é um bom título para classificar
a banda?
Eu
não acho que pós-rock seja um bom título, mas esse trabalho eu deixo
pra quem
escreve sobre música. É a função deles. A minha é outra.
As
bandas que influenciam o OA vem do rock, do noise, do punk, e, ultimamente,
do free-jazz, Peter Brotzmann, por exemplo.
Sobre
os shows, eu já vi três apresentações diferentes do OA: um com
formação
básica, outro completamente experimental com o auxílio de um laptop
para efeitos e barulhos diversos, e um outro com percussão
e não tão diferente do anterior. Por que essa diversidade?
Depende
um pouco do lugar e do equipamento que tem lá. Se der pra levar
o Laptop,
ótimo, se der pra chamar uns amigos pra tocar junto, melhor ainda.
Fora
isso, não tem muita graça ficar tocando a mesma coisa. Tocar é um
programa,
tipo uma balada, às vezes eu vou ao cinema, às vezes eu toco com
o Objeto
Amarelo. Ficar repetindo o show é como ver sempre o mesmo filme.
O
OA faz alguns shows com a colaboração do Fêmur. O que é o Fêmur,
e por que essa
junção?
Eu
não sei dizer exatamente o que é o Fêmur. Pra mim significa música
boa e desenho
melhor ainda. Para a Angela (do Fêmur) aquilo tudo (a colaboração)
era
uma pororoca.
Para
finalizar, fale sobre outros projetos envolvendo membros do OA e
ofuturo
da banda.
O
Fusco toca no Againe, tem
uma distribuidora (a Trezeta) e uma loja na galeria
do rock, a Playstereo. O Michael toca no Go Hopey, faz clips e trabalha
numa produtora de filmes, a Lobo. Eu faço ilustrações pra Caros
Amigos,
toco no Espasmovírus e torço pela música do Biônica, do Shiksa e
do Ordinária
Hit.
O
futuro do Objeto Amarelo é negro, e chama John Lee Hooker.
Escute
o Objeto Amarelo no site da Bizarre Records:
http://www.bizarremusic.com.br/
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