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Captador
Astromato foi só o começo
Eles continuam
cantando coisas assim: "Quero ouvir rock e ela quer baião, todo
mundo briga e só a gente não". Essa é uma frase de uma das músicas
do Captador, mais ou menos isso. Com o fim do Astromato no final do
ano passado, Pedro (guitarra/voz), Fabrício Frebs (baixo/voz) e Paulo
(baterista que entrou na banda para substituir o primeiro, Rafael),
formaram o Captador. A banda tem a mesma formação do Astromato com um
integrante a menos, o Armando (guitarra/voz).

Captador: Pedro, Fabrício Frebs e Paulo
O
primeiro show da banda foi em 19 de abril desse ano no Superblast!,
em São Paulo, e a banda tocou mais de 10 músicas novas. Foi muito bom,
as canções estão tão boas quanto tudo que eles já fizeram, o que significa
que um novo Melodias de Uma Estrela Falsa (primeiro álbum do Astromato)
já foi composto.
Melodias
de Uma Estrela Falsa apresentou definitivamente o Astromato para o cenário
independente, uma das melhores bandas brasileiras desde sempre. Suas
canções simples de letras reflexivas, belas melodias pop a base de guitarras
distorcidas e altamente melodiosas foram muito bem recebidas, o que
trouxe a eles um certo sucesso. Canções como "No Macio, No Gostoso",
"Só Não Sabe Disso" e "Canção do Adolescente" já
são clássicas. Na verdade esse é um daqueles discos difíceis de tirar
do aparelho de som antes de ouvir muitas canções, pois todas são realmente
muito boas.
Falamos
com eles, que acabaram nos revelando a química que os envolvem como
banda, e sua relação com a música, fiquem agora com o Captador
em suas próprias palavras.
"O
mundo dá voltas e a gente sempre acaba aqui no palco". Foi o que
Fabrício disse no palco do Superblast! Muita gente ficou
contente por vocês estarem de volta. Vocês tocam juntos antes
mesmo de serem o Weed, em 1994, e parece que fazer música
não é algo que vocês vão desistir facilmente, e isso é bom.
Pedro:
Aí Frebs, a frase é sua! Mas por mim vamos tocar sempre.
Fabrício:
Pois é. Eu disse aquilo porque ficamos quase um ano sem tocar, sem fazer
shows, e tocando a vida normalmente sob outros pontos de vista, levando
a música de um jeito bem mais doméstico. O envolvimento com a música
não diminuiu, só ficou menos público. Ao mesmo tempo, teve
o fim do Astromato, mudanças na minha vida pessoal, a formação
do Captador, toda a mudança de expectativas. Mas tudo realmente
é movido pela vontade de tocar. Não é algo que se possa "desistir".
É uma vontade meio que orgânica, como comer, dormir, transar.
Paulo:
É, concordo com o Frebs... comecei a tocar com esses caras ano passado,
ainda no Astromato, e vejo que a coisa é séria. Essa possui uma alma
que representa todo o amor e dedicação, de nós três, pela música.
O
Astromato acabou no segundo semestre do ano passado, quando a banda
iria produzir o segundo álbum. A notícia que circulou foi
que houve problemas entre os integrantes. Quando vocês decidiram
que deviam formar outra banda?
Pedro:
Na verdade, o astromato surgiu em 97, e cantávamos em inglês desde 94,
com o weed. Foi uma longa estória de amadurecimento coletivo de todos
os integrantes da banda. Para se ter uma idéia, toco com
o Frebs em bandas há mais de 10 anos, e foi só no astromato
que ele começou a mostrar suas músicas para mim! Acho que
mudamos bastante durante todo este tempo, e o fim do astromato
tem tudo a ver com este processo. Não houve decisão de formar
outra banda. O que houve foi um desejo de mudança, que acabou
dando no captador. Já fiquei muito triste, e tal. Mas voltar
a tocar tem sido bom, e estamos empolgadíssimos com o retorno
que estamos tendo das pessoas.
Fabrício:
Nós começamos a tocar juntos muito jovens, tínhamos outras personalidades
e envolvimentos. O crescimento, as mudanças, as relações que vão
acontecendo durante o amadurecimento das pessoas nem sempre tornam confortáveis
situações que antes eram. Mas até que ponto situações
da vida são "problemas"? É simplesmente
a vida. O envolvimento pessoal entre os integrantes do Astromato
e do Captador excedem a relação musical. Quanto a formar
outra banda, é como o Pedro disse, a vontade foi simplesmente de voltar
a tocar.
Paulo:
Quando comecei no Astromato, os caras já estavam num nível de interação
muito acima do meu em relação a eles. Apesar da experiência curta, foi
muito boa e muito forte... Eu pude sentir muita energia nas composições
e podia ver o quanto os caras batalharam com a banda... Enfim,
acho que o início do Captador tem muito a ver com a vontade
que nós três tínhamos de tocar juntos, e com o encontro que
tive com o Pedro em uma festa, no final do ano passado, onde
a gente verbalizou esta vontade, para vir a ensaiar uma semana
depois...
Quem
viu os últimos shows do Astromato, pode conferir algumas músicas novas
excepcionais, como "Relógios", "Estrela Sem
Sol" e "Brisa de Final de Maio". Há alguma
possibilidade do Captador resgatar essas canções?
Pedro:
Às vezes pensamos sim em tocar estas músicas pouco conhecidas, mas temos
muitas músicas novas, e muitas idéias apenas surgindo...
Fabrício:
Acho que por enquanto não. O Captador já tem muitas músicas, que daremos
prioridade antes de pensar nessas. Mas não há problemas. Se a vontade
surgir, as tocaremos.
Paulo:
Eu devo concordar com os caras que o Captador, a princípio, deve projetar
sua própria cara... a vontade de tocar o som do Astromato existe, mas
a hora não é agora...
O
Captador já possui muitas músicas próprias, quando vocês pretendem lançar
o primeiro disco?
Pedro:
Nada de CD por enquanto. Estamos ainda na fase da demo (CD-demo, é claro).
Se ficar legal, a gente divulga.
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