N° 14 - MAI / JUN DE 2003

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Captador
Astromato foi só o começo

Eles continuam cantando coisas assim: "Quero ouvir rock e ela quer baião, todo mundo briga e só a gente não". Essa é uma frase de uma das músicas do Captador, mais ou menos isso. Com o fim do Astromato no final do ano passado, Pedro (guitarra/voz), Fabrício Frebs (baixo/voz) e Paulo (baterista que entrou na banda para substituir o primeiro, Rafael), formaram o Captador. A banda tem a mesma formação do Astromato com um integrante a menos, o Armando (guitarra/voz).


Captador: Pedro, Fabrício Frebs e Paulo

O primeiro show da banda foi em 19 de abril desse ano no Superblast!, em São Paulo, e a banda tocou mais de 10 músicas novas. Foi muito bom, as canções estão tão boas quanto tudo que eles já fizeram, o que significa que um novo Melodias de Uma Estrela Falsa (primeiro álbum do Astromato) já foi composto.

Melodias de Uma Estrela Falsa apresentou definitivamente o Astromato para o cenário independente, uma das melhores bandas brasileiras desde sempre. Suas canções simples de letras reflexivas, belas melodias pop a base de guitarras distorcidas e altamente melodiosas foram muito bem recebidas, o que trouxe a eles um certo sucesso. Canções como "No Macio, No Gostoso", "Só Não Sabe Disso" e "Canção do Adolescente" já são clássicas. Na verdade esse é um daqueles discos difíceis de tirar do aparelho de som antes de ouvir muitas canções, pois todas são realmente muito boas.

Falamos com eles, que acabaram nos revelando a química que os envolvem como banda, e sua relação com a música, fiquem agora com o Captador em suas próprias palavras.

"O mundo dá voltas e a gente sempre acaba aqui no palco". Foi o que Fabrício disse no palco do Superblast! Muita gente ficou contente por vocês estarem de volta. Vocês tocam juntos antes mesmo de serem o Weed, em 1994, e parece que fazer música não é algo que vocês vão desistir facilmente, e isso é bom.

Pedro: Aí Frebs, a frase é sua! Mas por mim vamos tocar sempre.

Fabrício: Pois é. Eu disse aquilo porque ficamos quase um ano sem tocar, sem fazer shows, e tocando a vida normalmente sob outros pontos de vista, levando a música de um jeito bem mais doméstico. O envolvimento com a música não diminuiu, só ficou menos público. Ao mesmo tempo, teve o fim do Astromato, mudanças na minha vida pessoal, a formação do Captador, toda a mudança de expectativas. Mas tudo realmente é movido pela vontade de tocar. Não é algo que se possa "desistir". É uma vontade meio que orgânica, como comer, dormir, transar.

Paulo: É, concordo com o Frebs... comecei a tocar com esses caras ano passado, ainda no Astromato, e vejo que a coisa é séria. Essa possui uma alma que representa todo o amor e dedicação, de nós três, pela música.

O Astromato acabou no segundo semestre do ano passado, quando a banda iria produzir o segundo álbum. A notícia que circulou foi que houve problemas entre os integrantes. Quando vocês decidiram que deviam formar outra banda?

Pedro: Na verdade, o astromato surgiu em 97, e cantávamos em inglês desde 94, com o weed. Foi uma longa estória de amadurecimento coletivo de todos os integrantes da banda. Para se ter uma idéia, toco com o Frebs em bandas há mais de 10 anos, e foi só no astromato que ele começou a mostrar suas músicas para mim! Acho que mudamos bastante durante todo este tempo, e o fim do astromato  tem tudo a ver com este processo. Não houve decisão de formar outra banda. O que houve foi um desejo de mudança, que acabou dando no captador. Já fiquei muito triste, e tal. Mas voltar a tocar tem sido bom, e estamos empolgadíssimos com o retorno que estamos tendo das pessoas.

Fabrício: Nós começamos a tocar juntos muito jovens, tínhamos outras personalidades e envolvimentos. O crescimento, as mudanças, as relações que vão acontecendo durante o amadurecimento das pessoas nem sempre tornam confortáveis situações que antes eram. Mas até que ponto situações  da vida são "problemas"? É simplesmente a vida. O envolvimento pessoal entre os integrantes do Astromato e do Captador excedem a relação musical. Quanto a formar outra banda, é como o Pedro disse, a vontade foi simplesmente de voltar a tocar.

Paulo: Quando comecei no Astromato, os caras já estavam num nível de interação muito acima do meu em relação a eles. Apesar da experiência curta, foi muito boa e muito forte... Eu pude sentir muita energia nas composições e podia ver o quanto os caras batalharam com a banda... Enfim, acho que o início do Captador tem muito a ver com a vontade que nós três tínhamos de tocar juntos, e com o encontro que tive com o Pedro em uma festa, no final do ano passado, onde a gente verbalizou esta vontade, para vir a ensaiar uma semana depois...

Quem viu os últimos shows do Astromato, pode conferir algumas músicas novas excepcionais, como "Relógios", "Estrela Sem Sol" e "Brisa de Final de Maio". Há alguma possibilidade do Captador resgatar essas canções?

Pedro: Às vezes pensamos sim em tocar estas músicas pouco conhecidas, mas temos muitas músicas novas, e muitas idéias apenas surgindo...

Fabrício: Acho que por enquanto não. O Captador já tem muitas músicas, que daremos prioridade antes de pensar nessas. Mas não há problemas. Se a vontade surgir, as tocaremos.

Paulo: Eu devo concordar com os caras que o Captador, a princípio, deve projetar sua própria cara... a vontade de tocar o som do Astromato existe, mas a hora não é agora...

O Captador já possui muitas músicas próprias, quando vocês pretendem lançar o primeiro disco?

Pedro: Nada de CD por enquanto. Estamos ainda na fase da demo (CD-demo, é claro). Se ficar legal, a gente divulga.

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