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MATÉRIAS Blemish
e Jerks ao vivo Noite de calor e chuva em São Paulo. Mais uma noite de shows no Sub Jazz, projeto que reúne todos os sábados no bar Juke Joint bandas ao vivo e discotecagem. Propositalmente uma noite guitar, com algumas das principais bandas do estilo em São Paulo, Blemish e Jerks, ambas de São José dos Campos. A primeira banda a tocar foi o Jerks. Seu repertório foi composto na maioria por músicas novas em português, que não estão em seu disco de estréia, o simpático Skart Imaginary Friend, lançado em 2000. A primeira música que tocaram foi a instrumental "Intermissão", seguindo pela versão em português de "Shine", e uma de suas melhores canções, "Setembro", de riffs de guitarra melódicos, e o ótimo dueto vocal do guitarrista André com o vocal doce da baixista Selma, cantando os ótimos versos dessa canção. A banda se sai melhor quando mostra seu lado melódico, como em "Todo Dia" e na canção já citada. Tocaram muito bem a cover de "Debaser" do Pixies e "100%" do Sonic Youth. Mas os melhores momentos ficaram mesmo com algumas das canções novas da banda, "Azul" e "Última Vez" mostram o lado mais melódico da banda, onde os vocais doces de Selma, e os riffs distorcidos e melódicos de André voltam a brilhar. Segundo a própria banda, os Jerks devem estar terminando aqui, o que é uma pena. Mais uma banda a acabar quando estava em sua melhor fase, a exemplo do Astromato, que alcançou o status de grande banda do cenário independente, e terminou quando estavam produzindo o segundo disco. O Blemish fez o show mais pesado e intenso que eu já vi da banda. Eles na certa andam ouvindo muito Trail Of Dead, Queens Of The Stone Age e afins. Atualmente o Blemish é um trio, onde o vocalista Tito e Daniel se revezam na guitarra e baixo. Uma guitarra a menos praticamente quase não fez diferença para o som da banda. Para quem estava acostumado com as músicas mais calmas da banda do EP Silver Box Song, certamente se surpreenderia com a introdução que eles tocaram, para emendar então as músicas "Rain" e "King Kong", com uma sonoridade mais barulhenta e intensa. Depois foi a vez do já novo hit da banda, "Water To Wine", essa sim se parece mais uma continuação natural de Silver Box Song, com seu instrumental climático e vocais quase chorados. A banda se comporta em palco com uma vontade tremenda, se empolgam como se aquele fosse o último show. O público acompanhou a banda cantando ou gritando cada frase. Nas músicas seguintes, "Silver Box Song" e "Falling Star" foi a mesma coisa, com o performático vocalista fazendo feedbacks junto ao amplificador. O final foi apoteótico. Quando Tito disse que alguém poderia se machucar e dedicou a música ao Queens Of The Stone Age já se poderia ter uma idéia do que viria. A música se chama "Dirty Bird", e tem um andamento similar ao da banda homenageada. A intensidade foi aumentando e Tito foi tocar seu baixo pulando no meio da platéia, para quando voltar a banda inteira fazer aquela apoteótica jam session de feedbacks, microfonias, instrumentos ao chão, e pedais no máximo. Empolgação geral da banda e platéia, que terminou aplaudindo e gritando o nome da banda. O Blemish continua a guitar-band climática de Silver Box Song, porém novas influências somam na sonoridade da banda. O aguardado novo disco irá nos mostrar. |