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CDs
Entrevista com André Fiori, da Velvet CDs
Já pensou em um lugar onde você pode encontrar os discos que você procura,
a um preço legal, num ambiente bacana? Bem, a Velvet CDs dispensa apresentações,
fiquem com a entrevista...
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Para
quem não conhece, explique o que é a Velvet CDs.
Uma loja na Galeria da 24 de Maio, 116, que procura oferecer cds
de música boa, de preferência de maneira acessível. Gostamos de
funcionar também como um ponto de encontro.
O que mudou desde que a loja começou a 10 anos atrás, como funcionava
a Velvet antes?
Ainda tinha muito LP (vinil), que hoje em dia não trabalhamos mais.
Não existia internet ainda como |
| conhecemos
hoje em dia. Creio que sejam as principais diferenças. |
Notamos
que os clientes são bastante fiéis a loja, é verdade? Os clientes de
anos atrás são os mesmos de agora?
Realmente boa parte dos clientes acabam virando amigos, e estão sempre
aqui. O curioso de se notar é que acabam também ficando amigos entre
eles... O público se renova. Tem um pessoal que some, mas daí sempre
tem uma criançada que aparece.
Você acha que a procura por rock alternativo aumentou nos últimos
anos, ganhou mais espaço na mídia?
Imagino que sim, até também por causa da internet. As pessoas sempre
quiseram conhecer coisas diferentes, mas parece que de um tempo pra
cá virou um pouco "modinha" também.
E as bandas nacionais, as pessoas procuram bastante? Você acha que
rola mesmo preconceito com as bandas indies nacionais?
A procura pelas bandas "indies" nacionais tem realmente aumentado, e
a qualidade das mesmas também (o que não é coincidência). Não acho que
haja preconceito, é que muitas bandas não são boas mesmo... Mas isso
tem mudado. Além disso, as pessoas estão tendo mais oportunidade de
conhecer e de gostar das bandas nacionais. A distribuição tem melhorado
também.
A maior parte do que é vendido na loja é nacional ou importado?
Há alguns anos atrás a grande maioria dos nossos cds era importado,
mas já faz algum tempo que a balança tem pendido para o lado dos nacionais.
Não só por causa das cotações estratosféricas do dólar, mas porque também
tem havido uma maior oferta de bons títulos.
Foi importante para isso a entrada no mercado de selos como Trama, Sum
Records/Roadrunner e FNM por exemplo, que "engrossaram o caldo" das
"majors" em termos de lançamentos de cds. O importante é que trabalhamos
com usados também, aceitando para negócio cds que as pessoas não querem
mais, e podendo oferecer então uns preços bacanas.
Para quem não conhece é engraçado entrar na loja e ver o visual das
pessoas, você que sempre esteve em contato com esse público sempre foi
assim?
É natural que se a pessoa curte sons diferentes, também pense e se vista
de forma diferente. Acaba sendo também um pouco do que a pessoa é. Com
a popularização, tem ficado cada vez mais comum o visual "de roqueiro".
Hoje qualquer um faz tattoo, põe piercing e vira "moderno".
Quais as bandas mais procuradas na loja?
Muda bastante, temos uma gama bem variada de bandas que sempre saem.
Tem aquelas que sempre estão em evidência, já algumas outras são mais
"do momento" e depois acabam sendo esquecidas. Nos dias de hoje poderíamos
citar The Hives, White Stripes, Weezer, Radiohead, The International
Noise Conspirancy, Clinic, Velvet Underground, Beach Boys, The Kinks,
Teenage Fanclub, Placebo, Pavement, Muse, Travis, Manic Street Preachers,
Primal Scream, Ride, Pulp, Mercury Rev, Portishead, Björk, Ash, Coldplay,
Doves, Suede, Smiths, New Order, Joy Division, Echo & The Bunnymen,
The Jesus & Mary Chain, Moby, Belle & Sebastian, Snow Patrol, Mogwai,
Galaxie 500, Luna, Le Tigre, Stooges, David Bowie, Pixies, My Bloody
Valentine, Breeders, Stereolab, Sonic Youth, Hole, Morrissey, Air, Massive
Attack, Oasis, Blur, Verve, Charlatans, The Clash... chega, né?
Das nacionais poderíamos citar Thee Butchers' Orchestra, Pullovers,
Maybees, Fellini, Pelvs, Casino, The Gilbertos, Replicantes, Violeta
de Outono, Os Mulheres Negras, Ira, Pin Ups, Walverdes, Forgotten Boys,
brincando de deus, Astromato, dentre outras.
Você já vendeu algum disco igual ao Rob Fleming do filme Alta Fidelidade,
colocando um disco para tocar e as pessoas gostam e levam, algo que
nem conheciam?
Muitas vezes. A que eu lembro que mais aconteceu foi com os Strokes,
quando eles nem tinham álbum ainda, nós sempre colocávamos para ouvir
os singles e as gravações ao vivo, e sempre havia quem perguntasse o
que era aquilo. Muitas pessoas levaram o cd sem nunca terem ouvido falar
no nome daquela banda...
O site da loja é ótimo, vocês resenham tudo que é lançado, tem também
o zine. Dá para perceber que vocês gostam de escrever sobre música e
isso é bacana, fale algo sobre isso.
A coisa mais importante é você trabalhar com o que gosta, o que é o
nosso caso. Então para nós, escrever sobre música e fazer o site é um
prazer. Só a "parte braçal" da coisa é que dá um trabalho hercúleo,
mas vale a pena. Quando deixamos de fazer o nosso zine no papel, reservamos
um espaço para ele no site. Só é uma pena que eu não tenha muito tempo
livre para atualizá-lo com mais freqüência.
Para encerrar, aquele espaço no final para você dizer o que quiser...
Essa é a mais difícil... Procurem pensar por si mesmos. Informação e
conhecimento são fundamentais.
Obrigado pela oportunidade da entrevista, e aproveito para divulgar
o endereço do nosso site, www.velvetcds.com.br.
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