N° 11 - NOV / DEZ DE 2002

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Velvet CDs
Entrevista com André Fiori, da Velvet CDs


Já pensou em um lugar onde você pode encontrar os discos que você procura, a um preço legal, num ambiente bacana? Bem, a Velvet CDs dispensa apresentações, fiquem com a entrevista...

Para quem não conhece, explique o que é a Velvet CDs.
Uma loja na Galeria da 24 de Maio, 116, que procura oferecer cds de música boa, de preferência de maneira acessível. Gostamos de funcionar também como um ponto de encontro.

O que mudou desde que a loja começou a 10 anos atrás, como funcionava a Velvet antes?
Ainda tinha muito LP (vinil), que hoje em dia não trabalhamos mais. Não existia internet ainda como
conhecemos hoje em dia. Creio que sejam as principais diferenças.

Notamos que os clientes são bastante fiéis a loja, é verdade? Os clientes de anos atrás são os mesmos de agora?
Realmente boa parte dos clientes acabam virando amigos, e estão sempre aqui. O curioso de se notar é que acabam também ficando amigos entre eles... O público se renova. Tem um pessoal que some, mas daí sempre tem uma criançada que aparece.

Você acha que a procura por rock alternativo aumentou nos últimos anos, ganhou mais espaço na mídia?
Imagino que sim, até também por causa da internet. As pessoas sempre quiseram conhecer coisas diferentes, mas parece que de um tempo pra cá virou um pouco "modinha" também.

E as bandas nacionais, as pessoas procuram bastante? Você acha que rola mesmo preconceito com as bandas indies nacionais?
A procura pelas bandas "indies" nacionais tem realmente aumentado, e a qualidade das mesmas também (o que não é coincidência). Não acho que haja preconceito, é que muitas bandas não são boas mesmo... Mas isso tem mudado. Além disso, as pessoas estão tendo mais oportunidade de conhecer e de gostar das bandas nacionais. A distribuição tem melhorado também.

A maior parte do que é vendido na loja é nacional ou importado?
Há alguns anos atrás a grande maioria dos nossos cds era importado, mas já faz algum tempo que a balança tem pendido para o lado dos nacionais. Não só por causa das cotações estratosféricas do dólar, mas porque também tem havido uma maior oferta de bons títulos.
Foi importante para isso a entrada no mercado de selos como Trama, Sum Records/Roadrunner e FNM por exemplo, que "engrossaram o caldo" das "majors" em termos de lançamentos de cds. O importante é que trabalhamos com usados também, aceitando para negócio cds que as pessoas não querem mais, e podendo oferecer então uns preços bacanas.

Para quem não conhece é engraçado entrar na loja e ver o visual das pessoas, você que sempre esteve em contato com esse público sempre foi assim?
É natural que se a pessoa curte sons diferentes, também pense e se vista de forma diferente. Acaba sendo também um pouco do que a pessoa é. Com a popularização, tem ficado cada vez mais comum o visual "de roqueiro". Hoje qualquer um faz tattoo, põe piercing e vira "moderno".

Quais as bandas mais procuradas na loja?
Muda bastante, temos uma gama bem variada de bandas que sempre saem. Tem aquelas que sempre estão em evidência, já algumas outras são mais "do momento" e depois acabam sendo esquecidas. Nos dias de hoje poderíamos citar The Hives, White Stripes, Weezer, Radiohead, The International Noise Conspirancy, Clinic, Velvet Underground, Beach Boys, The Kinks, Teenage Fanclub, Placebo, Pavement, Muse, Travis, Manic Street Preachers, Primal Scream, Ride, Pulp, Mercury Rev, Portishead, Björk, Ash, Coldplay, Doves, Suede, Smiths, New Order, Joy Division, Echo & The Bunnymen, The Jesus & Mary Chain, Moby, Belle & Sebastian, Snow Patrol, Mogwai, Galaxie 500, Luna, Le Tigre, Stooges, David Bowie, Pixies, My Bloody Valentine, Breeders, Stereolab, Sonic Youth, Hole, Morrissey, Air, Massive Attack, Oasis, Blur, Verve, Charlatans, The Clash... chega, né?
Das nacionais poderíamos citar Thee Butchers' Orchestra, Pullovers, Maybees, Fellini, Pelvs, Casino, The Gilbertos, Replicantes, Violeta de Outono, Os Mulheres Negras, Ira, Pin Ups, Walverdes, Forgotten Boys, brincando de deus, Astromato, dentre outras.

Você já vendeu algum disco igual ao Rob Fleming do filme Alta Fidelidade, colocando um disco para tocar e as pessoas gostam e levam, algo que nem conheciam?
Muitas vezes. A que eu lembro que mais aconteceu foi com os Strokes, quando eles nem tinham álbum ainda, nós sempre colocávamos para ouvir os singles e as gravações ao vivo, e sempre havia quem perguntasse o que era aquilo. Muitas pessoas levaram o cd sem nunca terem ouvido falar no nome daquela banda...

O site da loja é ótimo, vocês resenham tudo que é lançado, tem também o zine. Dá para perceber que vocês gostam de escrever sobre música e isso é bacana, fale algo sobre isso.
A coisa mais importante é você trabalhar com o que gosta, o que é o nosso caso. Então para nós, escrever sobre música e fazer o site é um prazer. Só a "parte braçal" da coisa é que dá um trabalho hercúleo, mas vale a pena. Quando deixamos de fazer o nosso zine no papel, reservamos um espaço para ele no site. Só é uma pena que eu não tenha muito tempo livre para atualizá-lo com mais freqüência.

Para encerrar, aquele espaço no final para você dizer o que quiser...
Essa é a mais difícil... Procurem pensar por si mesmos. Informação e conhecimento são fundamentais.

Obrigado pela oportunidade da entrevista, e aproveito para divulgar o endereço do nosso site, www.velvetcds.com.br.

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