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MATÉRIAS
O power
pop australiano nas mãos de Michael Carpenter
Por Marina Nantes
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A
era dourada do power pop na Austrália. Pelo menos foi como ouvi
de Michael Carpenter, músico e produtor independente num cenário
bem distante do que conhecemos. Sim, o Aussie Rock (como eles
carinhosamente chamam o rock 'n' roll lá) ultrapassa fronteiras
e garante o sorriso daqueles que descobrem o quanto a viagem vale
a pena. Uma cultura musical mais conhecida por "sol, surf e Men
at Work" que vêm à mente. Pois fique sabendo que o indie deles
se fortifica graças a pequenos tesouros que evitam a atitude superstar
"minha-banda-é-melhor-que-a-sua" ou "não-falo-com-quem-não-é-o-máximo-como-eu".
Seus nomes: Lazy Susan, You Am I, Chevelles, Icecream Hands, Superscope
e o próprio Carpenter, entre muitos outros. Apenas alguns expoentes
do power pop local.
Não o que a mídia iria rotular de "salvação" atribuída à figurinhas
rockers como um meio para facilitar a entrada nos Top of the Pops
da MTV; é realmente sincero. E nada melhor para purificar sua
alma.
Dessa forma, Michael Carpenter consegue ir além. A melodia é limpa
e contagiante e te remete às maravilhas dessa vida. Talvez, uma
descrição para a maioria de suas letras. Então apure os ouvidos...
Desde
1999 lançando grandes discos como o debut, Baby, seguido por Hopefulness
e SOOP #1 Songs of other People. Em edição limitada, SOOP #1 apresenta
releituras para "This Will Be Our Year" (The Zombies), que o Quasi
também regravou, Beach Boys, "Rain" (The Beatles), Bob Dylan e
ousa até Bruce Springsteen, Tom Petty e Sam Cooke. Talvez na próxima
coletânea você possa votar no site e também pedir pela sua. Bem
explicado porque está "sold out".
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Michael
Carpenter em turnê com Happy
Losers pela Espanha em 2001
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| Up
Close é seu mais recente trabalho, reunindo músicas já gravadas
em álbuns anteriores. Pra quem nunca provou néctar talvez Up Close
seja um bom começo. Carpenter também participou de um tributo à
Paul McCartney com "Getting Closer". |
Uma de
suas músicas inclusive entrou pra série de TV Fantasy Island, antes
exibida pelo canal pago Sony Entertainment Television.
Ele ainda dedica seu tempo à Stagefright Studios, onde ele produz grupos
da Austrália, e diversos outros como o finlandês Ben's Diapers e os
espanhóis "teenagianos" do Happy Losers, além de gravar seu próprio
material. No total, já são mais de 50 clientes satisfeitos, como ele
próprio afirma. Fazendo fãs virarem amigos.
Depois de grandes álbuns, Michael então se tornou uma espécie de "queridinho
da Not Lame" (sua gravadora nos States). Já que a América é bastante...
Recomendado se você quer ouvir uma sonoridade totalmente sixties, com
um ar meio largado-country Gin Blossoms, Wilco, Whiskeytown, Cowboy
Junkies.
Tantos
excelentes lançamentos australianos que fica difícil escolher por onde
começar. Bem, quem sabe escolher ser ouvinte assíduo do bom Carpenter
antes de qualquer coisa? Mérito da devoção de Michael, sua música, claro.
Fiquem agora com uma entrevista com Michael Carpenter.
Na sua opinião, o novo power pop está conquistando um espaço equivalente
em importância como na década de 60?
De maneira alguma... Estamos numa época completamente diferente, onde
as chances de expor nossa música é limitada. Nos anos 60, tudo era bem
menos segregado porque uma mesma estação de rádio tocava Kinks, The
Temptations e Archies, ao passo que agora isso não acontece. Você sabe
que conseguir divulgar o power pop é muito difícil hoje em dia, por
isso não tem o mesmo impacto como em seus anos de glória.
Qual sua experiência com o power pop? Você, como músico, também
cresceu ouvindo suas influências de agora?
Sim, e muito. Minhas primeiras experiências foram com os discos dos
Beatles do meu tio. A música sempre foi encorajada em nossa família,
embora meus pais não sejam músicos. Mas meus dois irmãos são, então
já explica um pouco como a música já é parte de mim.
Acredita que pra geração atual ficou mais fácil conhecer os clássicos
do power pop, uma vez que muitas bandas contemporâneas revisitam seus
ídolos?
Com certeza ajuda a associar, o novo pop com os Clássicos. Também não
vejo problema, mas algumas pessoas argumentam que ser muito derivativo
não é bom. Se ouvindo power pop te dá vontade de pesquisar e encontrar
discos antigos, só pode ser um bom sinal.
Mas acho importante verdadeiramente "se inspirar" pela música, e não
copiar. Tenho consciência de que fiz melodias muito repetidas, mas agora
sinto um lado meu tentando buscar algo novo e próprio. É importante
também... não apenas descobrir sons maravilhosos nos discos clássicos,
mas entender que esses discos foram literalmente criando um molde que
foi muito imitado desde então, eles "criaram" a sonoridade. As pessoas
deveriam cada vez mais encontrarem sua própria voz, assim como esses
artistas fizeram em seu tempo.
Como foi sua experiência no festival International Pop Overthrown
esse ano? Algum episódio engraçado na noite que você tocou, na Not Lame
night? Já tocou em edições anteriores?
Minhas experiências no IPO este ano foram fantásticas. Toquei em LA
e em Chicago, na noite da Not Lame, e ambas as apresentações foram lotadas
como uma reação impressionante, muita diversão... Os Shazam fizeram
um grande show em Chicago, eu toquei bateria pro Cliff Hillis em LA,
Starbelly foi perfeito em Los Angeles. Bom estar de volta, mesmo não
tendo tocado na edição de 1999. Também toquei no primeiro em 1998.
Como você conheceu o Bruce Brodeen (dono da Not Lame Recordings)?
Entrei em contato com a Not Lame antes do IPO em 1998, e mandei algumas
coisas minhas. Ele ficou interessado mas não a ponto de distribuir.
Encontrei Bruce no IPO aquele ano, ele me falou sinceramente de sua
opinião sobre meu material. Fui pra casa, muito inspirado por suas palavras
e pelo festival, escrevi e gravei mais algumas canções, e trabalhei
melhor algumas mais antigas. Quando ele ouviu as versões revisadas,
logo me veio com a proposta de ser um artista da Not Lame. Bruce tem
sido uma inspiração, um grande amigo.
Destaque algumas das suas recentes descobertas sonoras que se confundiriam
fácil com as bandas obrigatórias da prateleira?
Hmmm, meio difícil não? Ironicamente, muitas coisas fora do gênero pop
tem me conquistado, embora eu ainda ache pop... A maioria dos discos
do Steve Earle dos últimos 7 ou 8 anos são sensacionais, Lucinda Williams,
Car Wheels é um disco incrível. Sem mencionar o mais recente de Ron
Sexsmith, uma obra-prima. Mais pro lado pop das coisas, se você está
falando de clássicos modernos, Split Milk do Jellyfish é um dos meus
favoritos. O primeiro do Myracle Brah... Splitville, Pet Soul é tudo
o que você precisa num álbum pop.
Que tipo de ouvintes você espera atingir com seus álbuns? Acha que
as pessoas que ouvem o rock 'n' roll e pop tocado no rádio hoje em dia
entenderiam seu trabalho? Ou você se sente feliz sendo "underground"?
Não acho que alguém esteja feliz sendo underground, e respondendo sua
outra pergunta aqui, o mais frustrante de ser underground é que se o
maintream tivesse a oportunidade de ouvir nossa música, consigo imaginá-la
um tanto popular. Não encontro uma diferença muito grande entre o pop
tocado hoje nas rádios e nossa cena power pop franzina, e pra mim isso
é simplesmente desanimador.
No momento, estou menos preocupado em "fazer acontecer" e mais envolvido
em produzir discos que quero fazer. Os discos que hoje me inspiram não
são os mais populares. Mas pra finalmente responder à sua pergunta,
sou um cara normal. Tenho sensações como qualquer pessoa, e tento colocá-las
em minha música de modo que reflete quem eu sou. Sei que não é um estilo
que todos adoram, nem a música para todas as ocasiões, mas escrevo de
uma forma que todos podem se identificar, de certa forma.
Alguns afirmam que é um gênero muito derivativo. Talvez seja isso
que faz o power pop não ser suficientemente popular em todos os lugares
ou tem público restrito. Outros preferem acreditar que sempre se renova.
Qual sua perspectiva?
É um gênero incrivelmente derivativo. E tenho sido vítima disso. Mas
você também pode ver com duas perspectivas diferentes. Uma é que nós
não fazemos nada novo mesmo, ou que nós estamos produzindo canções que
remetem aos grandes discos da história. Todo artista passa por esse
período, de querer soar como seus álbuns favoritos, mas chega um momento
que ele percebe querer ir para um lado mais criativo. O problema hoje
em dia é ter oportunidade de não só gravar um álbum, mas vários, para
se desenvolver. É onde a renovação acontece.
Pode-se afirmar que o Lost Weekend é um festival com o mesmo espírito
do International Pop Overthrown ou é restrito à bandas locais? Acontece
todos os anos? Planos para o futuro?
O Lost Weekend é um festival que organizei com alguns amigos aqui na
Austrália o ano passado. Foi na verdade uma experiência com objetivos
de tentar apresentar para a platéia o power pop australiano como se
fosse realmente grande. Fomos bem-sucedidos com shows lotados durante
todos os dias, e uma energia incrível. A coletânea que lançamos com
os festival é, modestamente, uma das melhores coletâneas. Estávamos
planejando um próximo, mas parece que só pra março de 2003, em Sydney,
Melbourne a Perth também. Ainda é restrito à nossa própria cena musical,
mas nesse estágio das coisas estamos bem "vamos ver como funciona",
e quem sabe logo teremos bandas internacional vindo pra cá.
A amizade prevalece e parece estar funcionando. Essa corrente de
bandas ajudando outras a ficarem conhecidas impulsiona e muito a distribuição
em outros países, não? Grandes talentos como You Am I, Challenger 7,
Lazy Susan, Icecream Hands, The Chevelles podem ser ouvidos através
da Not Lame agora. Talvez tenha muito a ver...
Bem, somos um país pequeno demais se levarmos em conta a grande montanha
desproporcional de boa música, então o único jeito de sermos ouvidos
é trabalhando em conjunto. Não sentimos estar numa constante competição,
pelo contrário. Se alguém comprando meu disco em algum lugar ajuda a
abrir portas para outra banda, então todos nós ficamos felizes em fazer
o que for necessário para isso acontecer cada vez mais. Obviamente a
Not Lame tem sido grandiosa em proporcionar às pessoas um local pra
encontrar bandas diferentes e ouvi-las. Mas também posso dizer que agora
temos selos modestos trazendo o pop para o mainstream.
Comente essas bandas/canções:
Beatles: Eles são meu número 1 e a banda mais significativa de
todos os tempos. Alguém duvida?
Raspberries - "I Wanna Be With You": Boas canções. Sou fanático
por 12 músicas deles, e o resto me deixa meio parado. Gosto dessa, mas
a criatividade esteve mesmo em canções como "Overnight Sensation" e
"Tonight". Brilhantes!
Zombies - "Maybe After He's Gone": Confesso conhecer Zombies
há poucos anos, e infelizmente só tenho Odessey and Oracle. Mas foi
suficiente para me fazer chorar, e essa é uma canção que se destaca.
Exemplo clássico de uma banda que foi além de limites e inventaram sons
e um estilo bem distinto. Uma ligação de estilos nesse álbum, embora
tenham usado de elementos diversos para criar a sonoridade Zombies.
Crowded House - "Don't Dream It's Over": Sem dúvida uma canção
maravilhosa e única, mas tão tocada por aqui que já não consigo mais
ouvir. Tenho que admitir que já passou do tempo. Bem... ótimas harmonias,
Hammond Organ enfeitando um solo, excelentes guitarras. Muito do clássico
que ela se tornou.
Squeeze - "In Quintessenc": Puxa, não conheço essa, mas estou
querendo comprar um Best of do Squeeze há algum tempo. Agora já tenho
um bom motivo.
Nick Lowe: Comecei devagar com Nick Lowe, embora sempre tenha
sido fã de Rockpile desde criança. Tudo mudou com The Convincer do ano
passado. Desde então entendo a profundidade de seu catálogo. Impressionante!
Jellyfish: Uma das bandas mais misteriosas da geração pop moderna.
Já falei sobre Split Milk ser um dos meus favoritos pra sempre. Só uma
bandas capaz de fazer qualquer coisa, mantendo a criatividade num contexto
pop. Eles subiram a um nível inspirador que muitas outras bandas, e
infelizmente foram ignorados, o que reflete em parte num cenário musical
pobre em dias atuais.
O Brasil e a Austrália tem uma proximidade e familiaridade quando
se trata de esportes aquáticos. Aqui, sempre acontecem campeonatos mundiais
de surf onde os patrocinadores insistem em sempre trazer Spy vs Spy,
Gangajang e Men at Work pra entreter a garotada. Existe alguma possibilidade,
de quando eles aceitarem vir pela 13ª vez, vocês power popers se infiltrar
e arrumar um espaço no avião? Por favoooorr!
Ha, ha! Adoraríamos, mas ninguém aqui sabe quem somos. Você bem que
poderia falar com esses organizadores pra gente!
Deixe sua mensagem para os leitores, e fique à vontade pra fazer
seu marketing também...
Como sempre, obrigado pelo apoio e fiquem atentos pra o novo álbum,
Kingsrdworks, a ser lançado em janeiro. Visitem meu website (http://www.mcarp.com/)
e ampliem seus horizontes musicais, afinal bons e novos artistas surgem
a todo momento!
Músicas de Michael Carpenter e informações, visitem http://www.mcarp.com/
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