N° 11 - NOV / DEZ DE 2002

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Gigolo Aunts, pérola do power pop contemporâneo
Por Fernando e Marina Nantes ([email protected])

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Resumindo, o power pop ficou famoso nos anos 90 através de bandas como Teenage Fanclub, Posies, Fountains Of Wayne, Lemonheads e outras. Mas o movimento começou nos anos 70, com o Big Star, Cheap Trick, Raspberries, Badfinger, Nick Lowe, etc, com base no pop produzido nos anos 60.

Esse estilo musical teve representantes importantes em todas as décadas, mas tem sempre aquelas bandas que poderiam estar na primeira escala, mas não são conhecidas do grande público. É o caso do Gigolo Aunts.

O Gigolo Aunts nasceu em Potsdam, NY, no começo dos anos 80, e se mudaram para Boston em 1986, onde gravaram seu primeiro álbum, Everybody Happy. Após uma série de EPs, um dos membros da banda (Dave Gibbs) excursionar com o Velvet Crush, o Gigolo Aunts foi crescendo. O álbum mais importante da banda é Minor Chords And Major Themes, de 1999.

Minor Chords And Major Themes é um álbum inspirado e introspectivo, onde Dave Gibbs e Steve Hurley falam de relacionamentos dolorosos. Como resistir a leve melodia e melancolia suave de "Everyone Can Fly"? Ou as melodias de "Half A Chance" que entram em seus ouvidos e não querem mais sair? Só a canção seguinte, "Super Ultra Wicked

Mega Love", para quebrar um pouco disso com seus riffs pesados. "You'd Better Get Yourself Together, Baby" é uma baladinha, de vocais preguiçosos, sussurrantes. No mesmo clima vem "Everything Is Wrong", mas logo estoura em uma canção mais brilhante. As melodias ensolaradas estão de volta em "The Big Lie", com os vocais empolgados de Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) e Adam Duritz (Counting Crows), amigos da banda. Podemos ainda destacar "Fade Away" e "Residue", canções suaves e bonitas.

O álbum mais recente é Pacific Ocean Blues, lançado nesse ano, e traz canções mais tranqüilas como a faixa-título e "Lay Your Weary Body Down".

Entrevistamos Steve Hurley para saber mais sobre essa pérola do power pop contemporâneo, o Gigolo Aunts:

O Gigolo Aunts é uma das melhores bandas power pop que conhecemos e claro, muita gente em todo o mundo acha isso. Haviam grandes expectativas quando vocês começaram no final da década de 80?
Steve Hurley: Acho que não porque quando começamos em Potsdam nossas primeiras ambições eram simplesmente escrever boas músicas, se mudar pra Boston, fechar um contrato e excursionar. Depois disso, nosso sonho era Japão e Inglaterra. Nunca quisemos ser grandes estrelas em detrimento da boa música. Mas adoraríamos pisar em solos brasileiros!

O que levaram vocês a tocar power pop?
SH: Basicamente combinamos todas as nossas influências e discos mais queridos. Na verdade a intenção não era soar "único" porque sempre gostamos de trabalhar melodias e harmonias, e assim tudo se desenvolve automaticamente. Ainda não tenho muita certeza a qual gênero pertencemos.

Como foi essa última turnê pela Espanha?
SH: As turnês espanholas são ótimas e essa foi uma das melhores, com certeza. As pessoas entenderem nossa música é sempre muito gratificante.

Vocês fazem mais sucesso em seu próprio país ou na Europa e Japão? Vocês acham que há pouco espaço nos Estados Unidos para o que não seja new metal, pop ou rap?
SH: No momento, somos maiores em outros países do que nos EUA. Éramos bem mais conhecidos por aqui há alguns anos. A cena underground começa a ressurgir um pouco novamente. Os últimos cinco anos foram terríveis, mas ainda nos resta uma boa porção de boas bandas se souber onde procurar. Como é a cena por aí?

Dave Gibbs não teve uma banda chamada Crusher?
SH: Você provavelmente está confundindo Crusher com Velvet Crush. Dave saiu em turnê com eles como guitarrista convidado várias vezes. Um fato curioso foi o baterista deles Ric Menck ter tocado no Gigolo durante a tour pela Espanha. Podemos supor que o Velvet Crush seja uma espécie de nossa alma gêmea musical ou algo parecido. Talvez você esteja se referindo ao Sniper, nossa banda cover de Ted Nugent e Cheap Trick de quando éramos garotinhos...

Desculpe, estamos por fora de projetos paralelos por parte dos integrantes... Alguma novidade?
SH: Bem, estou contribuindo com o álbum de Anna Waronker e também tocando com a Tracy Spuehler. Eu e Dave estamos compondo para filmes e TV. Talvez em breve alguma boa notícia de trilha sonora. Fred está tocando com Ben Kweller e Jon colabora com Greg Dulli, do Afghan Whigs.

Sabemos que Big Star, Badfinger, Beatles e Beach Boys são referências para a banda. Qual a importância de bandas mais novas como Teenage Fanclub, Posies e Matthew Sweet para o Gigolo?
SH: Logicamente os grupos antigos tiveram uma influência maior em nosso trabalho, mas os artistas mais novos que você mencionou agora são nossas inspirações contemporâneas.

Qual a relação da banda com o Counting Crows?
SH: São grandes amigos e têm nos apoiado. Nós chegamos a excursionar com a banda. Assinamos com a gravadora do Counting e os caras deixam até a gente usar o estúdio deles! Dave e Adam tem uma amizade que dura quase dez anos.

O que soa mais importante numa composição, as melodias ou as letras?
SH: Quanto mais aprendo sobre composição, mais percebo o quanto a música e as letras devem refletir e realçar a beleza uma da outra. Toda canção que escrevo tem um valor, mesmo sendo horrível (e muitas são). Esse processo me leva a escrever outra (talvez um pouco melhor). A maioria das minhas favoritas vêm numa avalanche de inspiração, em menos de dez minutos. Eu mostro pro Dave e nós polimos juntos. Esses flashes de inspiração são alguns dos melhores sentimentos na vida, pelo menos pra mim.

Qual o álbum preferido da banda? Vocês estão satisfeitos com o resultado de Pacific Ocean Blues?
SH: Gosto de todos porque descrevem épocas diferentes e puxam certas memórias quando os escuto. Algumas coisas do começo de carreira me embaraçam mas faz parte do processo...

Foram vários anos de carreira, álbuns incríveis... Um legado maravilhoso. O que ainda podemos esperar do Gigolo Aunts?
SH: Enquanto houver público lançaremos álbuns. Vamos continuar tocando, mesmo que em outras posições, pelo resto de nossas vidas. Impossível viver sem!

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