Paisagem
Para o fim do percurso, penetramos na zona das mais ricas planta��es de caf�. E para estes cafezais que se mant�m o tr�fego nessa linha, que transporta enormes quantidades do precioso gr�o, recebidas no percurso ou vindas de mais longe. Pr�ximo � �ltima Esta��o, h� uma grande explora��o rural ou fazenda que produz, segundo nos disseram, cinco a seis mil quintais de caf� nos bons anos. Essas fazendas s�o edif�cios de aspecto singular, baixos (comumente de um s� andar) e muito compridos; as maiores cobrem espa�o consider�vel. Como se acham inteiramente isoladas e longe das outras habita��es, os que moram nelas t�m de fazer provis�o de tudo o que � preciso para as suas necessidades. Isto conserva, nos propriet�rios, costumes inteiramente primitivos. O major Ellison contou-me que um dia, n�o h� muito tempo, uma opulenta marquesa que morava um pouco longe no interior, dirigindo-se � cidade para demora de algumas semanas, parou em casa dele para descansar da viagem. Vinha acompanhada por uma tropa de trinta e uma bestas de cargas, conduzindo toda a bagagem imagin�vel, sem contar as provis�es de toda a esp�cie, galinhas, presuntos, etc., e vinte e cinco criados a acompanhavam. A hospitalidade dos brasileiros, segundo se afirma, n�o conhece limites; basta algu�m se apresentar � porta no fim de uma jornada de viagem e, desde que o forasteiro n�o tenha cara muito m�, pode estar certo de receber acolhida cordial, jantar e cama. A recomenda��o de um amigo, uma carta de apresenta��o, abrem todas as portas da casa, e pode-se demorar o tempo que quiser.

    Fizemos as tr�s �ltimas milhas do percurso no que chamam �estrada provis�ria�, que deve ser abandonada logo que o grande t�nel fique conclu�do. Confesse-se que, para um viajante inexperiente essa Estrada deve parecer excessivamente perigosa, sobretudo na parte que est� apoiada, com um declive de 4 por cento, numa ponte de madeira de 20 metros de altura, descrevendo curva muito fechada. Quando vimos a m�quina subir esse plano inclinado e, debru�ando-nos um pouco, percebemos o horror do precip�cio e depois, quase � nossa frente, o �ltimo carro do trem que dobrava a curva, foi dif�cil resistir ao sentimento do perigo. Se algo pode dar a compreender a confian�a que merece a Administra��o dessa Estrada de Ferro, � o fato de que nenhum acidente foi registrado nessas circunst�ncias, em que menor precau��o esquecida causaria uma cat�strofe inevit�vel. (1)

    Faz-se-� uma id�ia do trabalho que necessitou a constru��o dessa Via F�rrea quando se souber que s� para perfurar o Grande T�nel (e h� quatorze), um conjunto de trezentos trabalhadores, divididos em duas turmas que se revezavam, trabalhou noite e dia, exceto aos domingos, durante sete anos. O barulho das p�s e picaretas quase n�o foi interrompido durante esse longo lapso de tempo, e a rocha atrav�s da qual foi perfurada a galeria � t�o dura que muitas vezes os golpes mais rudes dos perfuradores s� produziam um pouco de p�, de volume muito reduzido. (2)

    Na volta, paramos meia hora na Esta��o situada � margem do Rio Para�ba. Essa primeira visita a um dos rios importantes do Brasil n�o se passou sem um incidente memor�vel. Um dos nossos amigos que ir� deixar a expedi��o e seguir� viagem at� S�o Francisco (EUA), declarou que estava resolvido a n�o se separar da expedi��o sem ter feito alguma coisa por ela. Com a sua bengala, um fio de barbante e um alfinete dobrado em dois, improvisou um anzol e, num instante, apanhou dois peixes, nossa primeira pesca nas �guas doces do Brasil. Singular coincid�ncia! Um dos peixes era inteiramente novo para Agassiz e s� conhecia o outro por descri��es.


Meus links favoritos:
fotolog
Yahoo
Yahoo
Yahoo
Minhas informa��es:
Nome: rochester
[email protected]
E-mail:
Hosted by www.Geocities.ws

1