Pessoal:
Esta' no ar o 2.o topico do seminario: "Recursos Pouco Conhecidos
da Internet, e Como Utiliza-los Para Melhorar a Qualidade e a Produtividade
do Trabalho Numa Universidade". Apenas parando p/ relembrar os 8 topicos
que compoem o tal seminario,...
(1) HTML, PDF - os formatos "portateis" de transmissao de informacao.
(2) CGI, Java, JavaScript - o uso da Internet p/ automatizar as atividades
administrativas (eliminar papeis).
(3) Newsgroups, Discussion Groups, Usenet - os recursos de trabalho
em grupo.
(4) Free webpages, free drive, free webmail - os recursos gratuitos
da rede.
(5) Tutorials, automatic translators, media players - aprendizagem,
atualizacao e reciclagem pela Internet.
(6) Intranet, Groupnet - a "oficializacao" do TCP/IP (e demais protocolos
Internet) nas LANs (redes locais).
(7) NetNanny, Cyberpatrol, Carnivore - a fiscalizacao no uso da Internet.
(8) TTS, STT, GNU, etc - as muitas siglas que o futuro nos reserva.
...sigo, sem mais "delongas", p/ o topico 2 propriamente dito. Boa leitura!
<< (2) CGI, Java, JavaScript - o uso da Internet p/ automatizar as atividades administrativas (eliminar papeis).
So' a "eletronificacao" (versao p/ Internet) dos varios documentos
*simples* que vimos no topico 1 (apostilas, teses, editais, comunicados
etc) ja' produziria uma grande eliminacao de "papelada". Entretanto, terminei
aquele topico falando da possibilidade de "eletronificar" inclusive documentos
mais *complicados*, como formularios a ser preenchidos, mensagens codificadas
etc. Mas o que diz se um documento e' *complicado*, exatamente? Neste nosso
contexto, e' a sua capacidade de processamento (manipulacao) de dados,
ou seja, a possibilidade de "rodar" um programa.
(2.1) Panorama atual.
Quem conhece os editores de texto mais a fundo, sabe que eles
tem um recurso chamado "linguagem de macros", que serve justamente p/ isso:
automatizar terefas repetitivas (mandar a mesma carta p/ varios remetentes
diferentes, por exemplo). Mas, enquanto que nos "Words da vida" as macros
existem quase so' como uma curiosidade cara (e p/ propagar virus!), na
Internet a utilidade das paginas "inteligentes" cresce cada dia mais, como
veremos.
Existem basicamente 2 maneiras de uma pagina Internet processar
dados: (1) "rodando" um programa na propria maquina do usuario ou (2) enviando
mensagens p/ um programa instalado no servidor que, depois de "rodar" la'
no servidor mesmo, retorna os resultados atraves de mensagens-resposta.
- Maneira 1 - Lado do usuario:
Neste caso, o programa vem junto c/ o documento, e necessita
de um ambiente favoravel (interpretador, sistema operacional) da parte
do usuario p/ "rodar". Como este ambiente deve ser portavel, isto e', nao
pode ser diferente de maquina p/ maquina, ele e' normalmente fornecido
pelo proprio navegador: e' o ambiente Java/JavaScript. Por motivos de seguranca,
este ambiente e' convencionalmente isolado do ambiente "hospedeiro" (nao
tem livre acesso ao disco rigido), de modo a desencorajar "viroses".
Java e' uma linguagem completa, parecida c/ a linguagem C, que
nasceu especialmente p/ ser "portatil". Existem programas Java que sao
feitos especialmente p/ "rodar" dentro de um navegador; eles sao os tais
Java "Applets" ("Aplicativosinhos" Java). Ja' JavaScript e' uma linguagem
mais restrita, criada p/ manusear o navegador Netscape (abrir e fechar
janelas, criar formularios etc) e que tem o VBScript ("Visual Basic Script")
como correspondente, no Internet Explorer. Uma padronizacao dos varios
dialetos "*Script", incorporada aos comandos de formatacao HTML, esta'
produzindo o DHTML ("Dynamic HTML"), que e' o "HTML turbinado" que existe
por tras daquelas paginas cheias de efeitos especiais, como por exemplo
as dos grandes portais (iG, UOL, Terra etc).
- Maneira 2 - Lado do servidor:
Neste caso, qualquer "executavel" presente no servidor pode
servir p/ cumprir este papel. Na pratica, consagraram-se os programas escritos
em linguagens de processamento de lote ou "script" do Unix (ex: PERL, Tcl,
Bash, etc), que: (1) "dissecam" a mensagem, (2) redirecionam (opcionalmente)
o processamento p/ outro executavel e (3) retornam o resultado p/ o "enviador
original". A proposito: convencionou-se colocar todos os programas deste
tipo num diretorio especial, denominado "cgi-bin". A sigla "cgi" (do ingles
"Common Gateway Interface") significa: "Protocolo de Intercomunicacao Comum";
ja' o "-bin" vem do ambiente Unix (que e' o ambiente da grande maioria
dos servidores), onde os executaveis nao sao identificados pela extensao
.EXE, como no ambiente DOS/Windows, mas por "morarem" nos diretorios /bin
(p/ arquivos "bin[arios]").
Como e' tipico da Internet, 'as vezes a maneira #1 se mescla
'a maneira #2, e entao temos (por exemplo) um formulario JavaScript sendo
usado p/ consultar um banco de dados remoto, ou seja, metade do processamento
sendo feito de cada lado da conexao. P/ quem ainda nao "ligou o nome 'a
pessoa", este e' justamente o caso dos "buscadores" ("search engines";
ex.: http://www.cade.com.br, http://www.altavista.com, e o meu preferido:
http://www.google.com), certamente as paginas mais visitadas da rede. (So'
por curiosidade: a mensagem p/ o banco de dados vai junto c/ o proprio
nome do "link". Assim, uma busca por "mulher feia" no Google geraria a
seguinte mensagem: http://www.google.com/search?q=%22mulher+feia%22 .)
Um ultimo ponto que vale ser destacado e' a facilidade (ou nao)
de se manusear estas linguagens "internauticas" de programacao. Como a
maneira #2 depende de se trabalhar "dentro" do servidor, ela acaba ficando
mais restrita aos gerentes dos servidores, ou "webmasters" (apesar de existir
uma farta documentacao e um grande numero de linguagens gratuitas p/ isso,
disponiveis na 'net). Ja' quanto 'a maneira #1, essa restricao nao existe.
E embora nao existam editores, p/ programar paginas "web", tao simples
como aqueles de HTML puro, temos as mesmas condicoes de (1) farta documentacao
e (2) disponibilidade gratuita da maneira #2, ou ate mais. Alem disso,
a Internet permite algo que poderiamos chamar de "pirateamento institucionalizado":
se voce gostou de algum trecho de uma pagina que voce esta' visitando,
basta dar "Visualizar Fonte" ("View Source") p/ que apareca o texto gerador
daquela pagina. Entao, basta copiar&colar o "trecho que gera o trecho
interessante" p/ a SUA pagina pessoal e pronto: ele e' seu!
(2.2) Usos praticos.
Retornando ao nosso "quadripe'" ensino-pesquisa-extensao-administracao,
podemos dizer que "o ceu e' o limite" p/ as possibilidades das paginas
inteligentes: (1) no ensino: simulacoes, provas que se auto-corrigem, tutoriais
interativos; (2) na pesquisa: controle remoto de aparelhos de medida (ex:
telescopios), compartilhamento de bases de dados, inscricao e submissao
de resumos a congressos; (3) na extensao: acesso 'a producao cientifica
da universidade, agendamento remoto de consultas hospitalares, visitas
virtuais a museus e (4) na administracao: uso de recursos de outras maquinas
(editores, programas graficos etc) via navegador (sem precisar instala-los
na sua propria maquina), preenchimento de formularios e requisicoes variadas
(veiculo, compra, afastamento etc), acesso (via senha) a informacoes sigilosas
etc.
O lado ruim de toda esta automatizacao e' a possibilidade de
demissao. Afinal, se o banco de dados do almoxarifado pode ser praticamente
gerenciado pelos proprios requisitantes (atraves dos formularios eletronicos),
diminui a necessidade de se ter todo uma equipe p/ cuidar do dito. "1 pessoa
da *informatica* basta p/ isso", diriam alguns, mais afoitos em "enxugar
a maquina". Por isso e' que eu defendo que e' DEVER de toda instituicao
que se moderniza reciclar os funcionarios que vao se tornando "obsoletos",
realocando-os nas novas funcoes que venham a surgir c/ esta modernizacao.
Afinal, modernizacao e' uma coisa, DESRESPEITO AO SER HUMANO e' outra.
Mas o progresso nao pode ser evitado, apenas retardado. Portanto:
atualizem-se! A minha opiniao sincera e' que, seja em pouco tempo c/ muita
"vontade politica" ou vice-versa, a Internet vai acabar por revolucionar
(e p/ melhor) a maneira c/ que se desenvolve o trabalho numa Universidade,
e no servico publico como um todo. Analisemos apenas o aspecto "transparencia"
como exemplo. Podemos ter agora uma nocao do que esta' por vir nessa area
pela economia de cerca de 30% que vem sendo sistematicamente obtida pela
Secretaria da Fazenda de Sao Paulo (e que, alias, seria impossivel sem
as paginas "programadas"), onde todas as licitacoes de compra tem ocorrido
por "concorrencia virtual": (1) na pagina da Secretaria se divulga o que
o Estado precisa comprar, (2) todos os fornecedores interessados "fazem
seu lance" via Internet, (3) o lance mais baixo vence automaticamente,
sendo que -- o que e' mais importante -- (4) qualquer contribuinte pode
acompanhar (fiscalizar) esse processo.
E' logico que "qualquer contribuinte pode", desde que tenha
acesso (tanto fisico como educacional) 'a Internet. Tenho esperanca que
especialmente os topicos: "recursos gratuitos (topico 4)" e "aprendizagem
via rede (topico 5)" sirvam como minha (modesta) contribuicao p/ que este
acesso se universalize. Mas vamos c/ calma! Antes deles, temos que tratar
dos "recursos de trabalho em grupo (topico 3)". Afinal, se nao fosse por
causa de um "recurso grupal" (o "e-group") este seminario nem existiria.
Ate' la', entao!>>
E por hoje e' so' pessoal. Uma ultima dica: Nao existe melhor
fonte de informacao sobre a Internet do que a propria Internet. E p/ navegar
eficientemente atraves dela, vale usar o conceito de "palavras magicas",
que sao aquelas que devemos colocar nos "buscadores" p/ obter os melhores
resultados. O texto acima esta' recheado delas (CGI, Java, DHTML etc).
CGI, por exemplo, vai ensinar muito mais sobre essa historia de programacao
"do lado do servidor" do que eu conseguiria aqui, mesmo se esta nao fosse
uma mera versao "light". (Alem de ensinar que existe uma outra CGI, a "Computer
Graphics Interface", que nao tem nada a ver c/ isso!)
Sempre aguardando o retorno de voces,
Roberto.