Pessoal:
Voces lembram daquele seminario de 8 topicos: "Recursos Pouco
Conhecidos da Internet, e Como Utiliza-los Para Melhorar a Qualidade e
a Produtividade do Trabalho Numa Universidade", que eu me ofereci gratuitamente
p/ ministrar? AQUELE, que eu adivinhei que "nao ia dar em nada", mas que
mesmo assim eu faria uma versao "light" so' p/ o nosso "e-group"?
Pois ele nao deu mesmo em nada. O motivo? Parece que a Administracao
estara', num futuro bem proximo, tomando serias providencias p/ "coibir
os abusos que vem sendo cometidos c/ a Internet", e que portanto qualquer
tentativa de "ampliar o uso da Internet no nosso dia-a-dia" nao surge num
"momento propicio".
(Somos tristemente forcados a concluir que a filosofia do IAG,
c/ relacao 'a Internet, e': "quanto menos o povao souber, menos o povao
vai usar p/ fazer bobagem". Mas por que sera' que o "adivinho" aqui nao
esta' nada surpreso com isso, hein? ;-)
De qualquer modo (e p/ manter minha palavra), aqui comeca a
dita "versao light". Primeiro, vale relembrar os 8 topicos que compoem
o tema:
(1) HTML, PDF - os formatos "portateis" de transmissao de informacao.
(2) CGI, Java, JavaScript - o uso da Internet p/ automatizar as atividades
administrativas (eliminar papeis).
(3) Newsgroups, Discussion Groups, Usenet - os recursos de trabalho
em grupo.
(4) Free webpages, free drive, free webmail - os recursos gratuitos
da rede.
(5) Tutorials, automatic translators, media players - aprendizagem,
atualizacao e reciclagem pela Internet.
(6) Intranet, Groupnet - a "oficializacao" do TCP/IP (e demais protocolos
Internet) nas LANs (redes locais).
(7) NetNanny, Cyberpatrol, Carnivore - a fiscalizacao no uso da Internet.
(8) TTS, STT, GNU, etc - as muitas siglas que o futuro nos reserva.
Isso feito, vamos ao 1.o topico que, da mesma forma que espero
fazer c/ os outros 7, vai estar dividido em 2 subtopicos: (1) Panorama
Atual -- onde descreverei os "Recursos Pouco Conhecidos da Internet"
propriamente ditos e (2) Usos Praticos -- onde darei entao sugestoes de
"Como Utiliza-los Para Melhorar a Qualidade e a Produtividade do Trabalho
Numa Universidade". Boa leitura!
<< (1) HTML, PDF - os formatos "portateis" de transmissao de informacao.
(1.1) Panorama atual.
Por mais que eu nao goste (ou seria mais honesto dizer: mesmo
na hipotese de eu nao gostar? :-), tenho que comecar este topico fazendo
uma critica 'a Reitoria. Nao e' nada pessoal, mas aquela mania de enviar
os "comunicados CRUESP" como "attachments .DOC" acabou criando um mau costume
na nossa Administracao, e tambem em todo o IAG: qualquer "comunicadinho",
e la' vem "attachment .DOC"!
Relembrando o que eu ja' escrevi noutro lugar sobre os .DOC:
[...] Os .DOC, entre outras coisas: (1) ocupam um espaco muito maior em
kB, (2) podem conter virus de macro e (3) tem problemas p/ serem "abertos":
(a) em outros sistemas operacionais, (b) por outros editores de texto,
e ate' mesmo (c) por versoes mais antigas do proprio MSWord (como e' o
meu caso!) [...], quero aqui ressaltar ainda mais o item 3: a portabilidade.
Um "e-mail" que voce envia pela Internet pode atingir as mais
variadas maquinas (PCs, Macs, Estacoes Sun, Palms, Celulares WAP etc),
nas mais variadas configuracoes (palmtop c/ tela de cristal liquido P&B,
PC ASA 386 c/ tela de 12" + 16 cores, estacao grafica c/ tela de 21" +
milhoes de cores etc) , "rodando" os mais variados ambientes (Windows,
DOS, Linux etc, apenas no caso dos PCs), nas mais variadas versoes (3.11,
95, 98, 2000, Me, Xp etc, apenas citando os "Windowses") e usando os mais
variados aplicativos (Eudora, PINE, Netscape Messenger, Outlook etc), tambem
nas mais variadas versoes (ufa!).
Deu p/ sentir a confusao? E olha que eu estou falando apenas
dos "e-mails" simples! Sim, porque alem deles, existem as paginas "web",
os arquivos enviados por FTP e ainda (uma coisa bem tipica da Internet)
a possibilidade de mesclar as caracteristicas de todos estes ("e-mail",
pagina "web" e arquivo FTP) das mais variadas maneiras, ate' que os 3 se
tornem quase uma coisa so'.
[Abrindo um pequeno parenteses.]
Alguns exemplos desa mesclagem, p/ quem gosta de casos concretos:
(ex. 1) em vez de simplesmente "FTPizar" um arquivo, "zipa-lo" e depois
manda-lo "attachado" a um "e-mail"; (ex. 2) em vez de ter um apenas "link"
p/ a sua caixa postal na sua pagina "web", ter alguns espacos em branco
(o termo tecnico e' "form") que o visitante preenche c/ a mensagem dele
e depois clica no botao "enviar"; (ex. 3) usar extensoes de pagina "web"
(o termo tecnico e' "MIME-compliant", ou ainda "with HTML extensions")
p/ enfeitar seus "e-mails" c/ figuras, fundos, cores, tipos diferentes
de letra etc.
Mesmo os programas aplicativos, que antes (1) so' liam e enviavam
"e-mails", (2) so' navegavam na "web" e (3) so' faziam "download" e "upload"
FTP, hoje estao se aglutinando num "super-navegador", que: (1) le e envia
"e-mails", via paginas "webmail" (ex: Yahoo!Mail), (2) navegam tanto pela
"web" como pelos diretorios da sua propria maquina (ex: a fusao Internet
Explorer + Windows98) e (3) fazem "down"- e "upload" apenas c/ um clique
no "link" certo (ex: nem precisa de exemplo; isso qualquer navegador ja'
faz ha' tanto tempo, que a gente nem percebe mais!).
[Fecha parenteses.]
Mas e os tais formatos portateis? Eles surgem justamente como
uma resposta a essa "biodiversidade eletronica", tentando ser um MDC (quem
adivinha? "Minimo Denominador Comum", oras!) entre as varias plataformas.
Mesmo sabendo da eterna tendencia da Internet 'a mesclagem, vamos tentar
separar esses formatos, segundo seus tipos:
- Tipo 1 - Documentos:
O formato mais portatil e' o bom e velho .TXT, tambem conhecido
por formato ASCII. Explica-se isso pelo fato do padrao ASCII ser bem antigo,
anterior mesmo aos computadores modernos. A proposito: tem gente que ainda
teima em usar as expressoes: "eh, estah, aas doze horas" (que sao do tempo
do telegrafo COM fio) nos "e-mails", a usar: "e', esta', 'as 12 horas".
P/ estes, vale informar que programas "antigos" como o PINE, por exemplo,
realmente nao toleram caracteres acentuados, mas que um apostrofo (tambem
conhecido como "caracter ASCII n.o 39") passa por eles sem problemas. (Sem
falar nos digitos de 0 a 9, que sao aceitos ate' nos telegramas!)
Mas quem gosta de acentuar TODAS as palavras nas letras CERTAS,
pode ficar contente: gracas ao carater internacional da Inter(!)net, o
padrao ISO-8859-1 ("International Standard ...") ja' substituiu o ASCII
("American Standard ...") em quase todos os aplicativos "web", o que significa
que praticamente so' o PINE nao aceita: "é, está, às
12 horas" do jeito que a gente, aqui do Brasil, costuma escrever.
Os pontos fracos do .TXT (seja ASCII ou ISO-8859-1) sao principalmente
esteticos: nao aceita incluir figuras, tabelas, cores, outros tipos de
letra, negritos etc. Mas como tem muita gente que acha estes "detalhes"
importantes (eu, inclusive), a Internet popularizou 2 formatos que os aceitam:
(1) o .HTML (onde a formatacao final e' variavel, ou fluida) e (2) o .PDF
(onde a formatacao final ja' vem pre-fixada no arquivo).
O .HTML, com seu "pai" o .SGML (mais geral) e seus varios herdeiros:
.DHTML
(dinamico), .WML (p/ celulares WAP), .VRML (realidade virtual) etc sao
os formatos mais usados p/ paginas "web", justamente por serem "fluidos",
isto e', se ajustam automaticamente ao tamanho da janela onde estao sendo
exibidos. Outro bom motivo da sua adocao e' o grande numero de "acessorios"
("plug-ins") que eles aceitam: sons, filmes, programas etc. O "HT" da sigla
"HTML" vem de "HiperTexto", e se refere 'a possibilidade de existirem "links",
dentro do documento, c/ capacidade de "ir" p/ outros documentos. Ja' o
"ML", comum a toda a familia, significa "Markup Language", ou seja, "Linguagem
de Grifar", e corresponde a usar sequencias predefinidas de caracteres
comuns (ASCII, nao ISO-8859-1) p/ representar funcoes especiais (negrito,
tamanho de letra etc). Quem quiser ver como e' isso, basta pedir p/ qualquer
navegador "Exibir" a "Fonte da Pagina" ("Page Source") de uma pagina "web"
qualquer. (P/ quem nao quer nem tentar, e' assim que se escreve "preguiçoso!",
em negrito, ("Boldface") num arquivo .HTML: <B>preguiçoso!</B>
.) Uma caracteristica interessante dos arquivos .HTML e' que eles sao escritos
INTEIRAMENTE em ASCII; todas os efeitos e formatacoes (tipo: negrito, tamanho
de letra etc) precisam ser gerados posteriormente pelo proprio navegador
e todas as imagens, "plug-ins" etc que aparecem sao arquivos que tem uma
existencia fisica independente, e que apenas estao "linkados" ao documento.
Exibi-los "dentro" do documento tambem e' funcao do navegador.
Quanto ao .PDF, ele tem origem nos arquivos de saida de impressao,
destinados a alguns tipos de impressoras e "plotters": os arquivos "Postscript"
(.PS). Sua formatacao rigida e' mais indicada p/ paginas pre-diagramadas
de revistas, manuais etc, onde a formatacao original precisa ser preservada
e/ou a posicao relativa entre os elementos e' importante. O formato .PDF
tambem e' a maneira mais facil p/ se converter documentos antigos de aplicativos
como MSWord, CorelDraw!, PageMaker etc p/ a "web", bastando p/ isso "enganar"
a saida de impressao, redirecionando-a p/ um arquivo. Basicamente, e' assim
que funciona o aplicativo "Adobe Acrobat Converter", da "monopolizadora"
do formato .PDF, a Adobe Systems. (Nem vou dizer que p/ visualizar um arquivo
.PDF a gente precisa instalar no navegador o "plug-in" "Adobe Acrobat Reader",
que isso todo mundo ja' sabe.)
Um adendo: tambem na linha dos "formatos portateis de
formatacao rigida" existe o .RTF ("Rich Text Format"), que e' aceito por
uma boa parte dos editores de texto mas que ainda nao "decolou" na Internet,
como o .PDF. Acho que a publicidade macica (e distribuicao gratuita) feita
pela Adobe do seu "Acrobat" tem algo a ver c/ isso.
- Tipo 2 - Imagens:
Da mesma forma que existem 2 maneiras "portateis" de formatar
documentos: a rigida (.PDF) e a fluida (.HTML), existem 2 maneiras "portateis"
de se compactar imagens: destrutiva (formato .JPG, mais usado p/ fotos)
e nao-destrutiva (formato .GIF, mais usado p/ desenhos).
O formato .JPG destroi seletivamente os detalhes mais "miudos"
(tecnicamente falando, de "frequencia mais alta") da imagem, usando um
algoritmo de processamento de sinais. P/ algumas fotos, meio desfocadas,
isso ate' ajuda. O .JPG (ou JPEG) e' um padrao antigo da industria fotografica,
mas talvez seja mais conhecido por um "filho ilustre": o MultiPEG versao
3 (ou .MP3, "aquele" mesmo), usado p/ audio, video e, nas horas vagas,
p/ balancar a industria fonografica.
Ja' o .GIF se baseia em "zonas de mesma cor", p/ fazer a compactacao.
Por isso, nao funciona tao bem em fotos quanto em desenhos. Ele tem uma
serie de concorrentes (.TIF, .PCX etc), dos quais "ganhou" a Internet talvez
por ser mais eficiente e barato, mas principalmente por permitir a exibicao
de imagens em sequencia num mesmo arquivo, os "animated GIFs" (ou "cineminhas").
- Tipo 3 - Multimidia:
Ouvir radio ou assistir cinema pela Internet implica basicamente
nos mesmos problemas de se visualizar um arquivo .PDF: (1) instalar um
"plug-in" e (2) conviver c/ monopolios. Os formatos "RealAudio" e "RealVideo"
da RealMedia, o "Quicktime" da Apple e o .WMF da Microsoft dominam essa
area, c/ o .MP3 correndo por fora. Uma caracteristica interessante desses
formatos e' o que tecnicamente se chama de "streaming", isto e', eles sao
arquivos (teoricamente) infinitos, cujo tamanho cresce continuamente, 'a
medida em que sao transmitidos. Mas os arquivos "streaming" vao ficar p/
o topico 5, quando entao nos trataremos dos "Media Players" (e de como
o Windows Xp quer fazer c/ a RealMedia, "dando" o "Windows Media Player"
embutido no sistema, o mesmo que o Windows 98 fez c/ a Netscape, "dando"
o "Internet Explorer" tambem embutido: levar a concorrente 'a falencia).
Nao percam!
(1.2) Usos praticos.
Quanto aos comunicados via "attachments", creio que o que eu
escrevi p/ aquele rapaz do CEPEUSP, no "outro lugar" ja' citado acima,
expressa bem o que eu penso: [...] gostaria de sugerir a voce os formatos:
.TXT (texto) ou .RTF (rich text format), ou ainda o velho metodo de copiar&colar
(diretamente p/ o corpo da mensagem) como alternativas p/ os "attachment"
em formato .DOC, que voce usa.[...]
Mas a comunicacao dentro de uma universidade nao se restringe
apenas a "comunicados". Se olharmos a coisa pelo angulo do tripe' ensino-pesquisa-extensao
(e agregando um 4.o pe' por minha conta, a administracao), temos ainda:
(1) no ensino: apostilas, manuais, tabelas de notas, listas de exercicio,
provas etc; (2) na pesquisa: posters, artigos, referencias, mapas, teses
etc; (3) na extensao: cartazes, "folders", panfletos, paginas "web", mala
direta etc; (4) na administracao: estatutos, editais, tabelas de precos,
memorandos, relatorios etc.
Salvo raras excecoes (que EXIGEM formatacao rigida), todas essas
comunicacoes podem ser "portadas" p/ .HTML facilmente. Mas que vantagem
existiria nisso, alem da padronizacao (e de "fazer a alegria" dos fanaticos
por Internet)? Posso citar, dentre outras: (1) uso de apenas 1 editor para
tudo (e ainda em qualquer plataforma: Windows, Mac, Linux), sendo que ele
e': (a) gratuito ($$$!), (b) mais simples (trabalha so' c/ uma meia duzia
de botoes) e (c) muito mais versatil que os outros editores (porque tem
os poderes da "web" 'a sua disposicao, como p. ex. traducao automatica);
(2) aumento do indice de reaproveitamento de textos (alguns chamam de "coisa
de preguicoso", eu chamo de "economia racional de esforcos"); (3) todas
essas comunicacoes ja' estariam prontas p/ serem "eletronificadas", isto
e', passadas do meio papel p/ o meio "web".
Essa conversao "elimina-papel", tao querida pelos ecologistas
(porque economiza no corte das arvores), poderia atingir inclusive documentos
"complicados", como sao os arquivos confidenciais codificados, consultas
a bancos de dados, formularios a serem preenchidos etc, que (a principio)
nao podem ser produzidos num editor de texto convencional.
Deixando aqui um "gancho" p/ esses "COMPLICADOCS", saibam que
eles, nao por coincidencia, sao justamente o tema do nosso proximo topico.
Ate' la'!>>
E por hoje e' so' pessoal. Como eu nao quero (e nem consigo!)
ser o "dono da verdade", quaisquer correcoes, sugestoes, criticas etc ao
texto acima serao muito bem-vindas. Ja' "rasgacao de seda" (elogios) eu
dispenso. Aguardando o retorno de voces,
Roberto.
P.S. Notem que esta e' so' a versao "light". Quem achou que e' "muita
coisa" p/ ler, imagine entao a versao integral!