NÃO
     
     
       

O inepto coração bradava, em desespero:

Faço tudo! Tudo e qualquer coisa! Mas que poderei fazer que não o fiz? Entreguei a cabeça à terapeuta, assumi toda culpa, fiz todas capitulações imagináveis...

O quê - meu Deus! - o quê? Voltar ao Hades, para mais uma inútil batalha? Não! Não, não é solução – é mito! Pois não existe salvação entre vermes! A redenção não está no revolver sepulturas, em punir-se por indeléveis culpas... Minha origem não pode ser o mal, não posso ter nascido para ser morte! Minha essência tem que ser Vida - Vida perdida em algum tempo, em algum lugar... Para achar Paz - Paz comigo, a vida, o mundo, o outro - talvez se deva – talvez eu deva voltar ao Éden...

Sim, na pureza da Luz de primeva e intocada criação, de comunhão e maravilhamento imaculado, é lá talvez que se encontra a Vida, que talvez me encontre. Antes da culpa tem que ser a origem... Sim, regressar... mesmo tenha que enfrentar o anjo da espada flamejante a impedir retorno aos que pecam...

Mas quem sabe este caminho de volta? Quem?

Captava agora outros sentidos no "ludo" que chamara Farsa.

 
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