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Já a conhecia; ela, a terapeuta, era competente, um sorriso simpático, inteligente.
Certa vez levaram-lhe um filho, por causa de sua energia que se expandia, por vezes,
agressivamente. Mas, desde então, não a vira, nos incansáveis anos em que sua mulher se tratara com ela.
Ele tinha motivos para incomodar-se ao ir à sua primeira sessão. Embora gostasse de aspectos da psicanálise, mantinha precaução e reserva:
Aceito a valorização do inconsciente, da relação filial e dos sonhos, a importância das profundidades. Mas fartei-me de psicanálise mau digerida e sectária nos tempos de faculdade. Tudo para se ficar na moda, sentir-se vanguarda. Vaidade, tudo vaidade...
Ficara-lhe impressão sombria da psicanálise freudiana:
Algo soturno, sem sentimento. Talvez, um preconceito...
Mas nunca imaginei alguém alegre em uma análise, o que reforça minhas dúvidas sobre sua eficácia como terapia... de que nem sei satisfatoriamente o mecanismo.
Por o homem nu, envergonhá-lo frente à sua verdade, culpá-lo, é fácil.
Mas dar-lhe valor e sentido para viver e lutar - aí é que são elas. O coitado tarde percebe-se - nu e miserável - relegado a um "Vire-se! ou dane-se!"
Ele precavia-se, divagava:
Será que existe, no profundo, apenas dor e podridão?
Não haverá lá a luz, a fascinação, o êxtase?
Seremos apenas puro - ou impuro - instinto animal, a tentar sublimar-se egoistamente?
E questionava, talvez por temer:
Monstros... penetrar profundidades desconhecidas; expor-se...
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