DESESPERO
     
     
       

Nada tão definitivo quanto o desespero dela - como caísse em abismo sem fim, e sequer merecesse direito a mínimo grito: um ser essencialmente culpado, indigno de defesa e atenuante.

Com ânsia, tentou registrar num contracheque a horrível sensação daquele desespero; mas o que rabiscou soou tão excessivo que o rasgou. Entretanto, uns trechos dispersos insistiram em repercutir:

não tive prazer no teu imenso pranto

tampouco gozo, dor ou zombaria

...............

... de quem se lança ao nada ...

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... e no íntimo, na negação, no ser

o insuportável travo de saber que fui

o que não salvou porque não soube ( não pode ? )

amar ...

Não a conseguia salvar - e não podia fazer nada... Nem por mim - nem por ela...

Era obrigado a por toda a esperança na terapeuta.


 
proxima

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