VINHO
     
     
       

Ela estava ali, à sua frente.

Sua envolvente beleza entremeava-se à penumbra; gostava de olhar para ela, estar com ela.

O local imitava uma taberna hispânica, romanticamente rústico. Num tablado artistas amadores não decepcionavam, assim como a trivial tábua de frios. Mas o vinho surpreendia:

Um vinho de boa safra, um acaso de feliz memória. O vinho... pois o diálogo - o diálogo foi o mais fatal que jamais poderia ter travado.

E fora ele o responsável – e a maldita fatídica pergunta que fizera. E a fizera ao pousar displicentemente a taça do vinho na mesa, enquanto mastigava o vulgar provolone:

- Já chegou a alguma conclusão sobre nóss, em suas intermináveis sessões de análise?

- Sim.

Olharam para o palco e aplaudiram os artistas, que agradeciam. E, espantosamente, ele tentou facilitar:

- Eu sei qual conclusão...

E ela calou-se; e ele calou-se.

Naquele momento ele assumiu a consciência de que ela nunca o amara.


 
proxima

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