As casas.
As casas e suas lembranças
passeando nos jardins ou
debruçadas
no parapeito das janelas.
As casas com seus muros
oitão e quintais.
E suas gentes.
Casas com sorrisos de bom
dia,
fuxicos nas calçadas
e muita história
pendurada nos varais.
Casas com alegria, com parentes.
Tias, pais, irmãos,
avós
e na esquina a padaria.
Mais à frente uma
multidão.
Casas com nascente
poente e paz.
Casas do ocaso, bolo inglês
e um luar ao alcance das
mãos.
Casas com as galinhas
e ao menos um galo das quatro
da manhã.
Casas de alvorada, alvenaria.
Ah, casas.
Havia casas
que viviam conosco,
e mais nada.
Não as casas do amanhã.
Casas sem caso
Casas de ferro, xadrez.
As casas catamarã,
pequenas e que nos levam
ao décimo terceiro
andar
em gaiolas com os passarinhos.
(E ainda há vez para
esses bichinhos?)
Há casas que nos guardam
sozinhos, neuróticos.
Ao acaso.
Casas desacasaladas, descasadas.
Assexuadas ou hermafroditas.
Ah, casas malditas e desocupadas!
Estamos fartos
e noutro lugar!
Nessas casas, ao entrar,
só nos resta pedir
de joelhos:
Dê-nos asas...
Dê-nos casas.