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A Roda
Ícone maior da genialidade humana!
Ó Augusta herança dos Australopithecus!
Venho, redonda, render-me nestes versos.
Nobre invenção de antigas Gentes das Savanas.
Tu não sabias, decerto, de tua glória!
A porvindoura, excelsa e eterna!
Das mãos dos bravos, dos gorilas das cavernas,
Passaste e sempre para os Anais da História!
Mas por favor, não me fique quadrada querida.
Como levar o jugo, a canga desta vida.
Eu, burro das cargas das ilusões perdidas.
Roda, és círculo do começo ao fim.
És na entrada, és na saída - É tão bom
assim.
Quadrada não querida. Não junto de mim.
2001
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Bem-me-Quer
Pergunta um Lírio à Violeta:
- Mimosa, quantas tuas pétalas já se foram?
- Ah meu filho, os meus tesouros,
Leia na Pedra de Roseta.
Repete o Lírio a uma Rosa:
- Carmim, qual mal descoloriu tua cor?
- Ô mexerico, da minha dor,
Já não se fala em qualquer glosa.
Insiste o Lírio a um Jasmim:
- Jardim, quem foi que te despedaçou?
- Doce menino, quem mal me amou,
Ouça na língua Guarani.
Indaga o Lírio ao Girassol:
- Meu bom farol, e enfim,
Aonde se foi teu Guia-luz?
- Perguntador, se já me pus,
foi para ouvi-lo em sol-bemol.
2001
(Alterado
em 9 de julho de 2003,
em
São Paulo, capital.)
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