Amores




Quantas Marílias, viste, 
Cecília, 
Por teu longo século 
Vinte? 
E quantos bordados 
Desfeitos, 
E pontos e emaranhados 
Perfeitos, 
Como juras de 
Amor disfarçado? 

Quantos ardores 
Sentiste, Cecília, 
Como as chamas 
De amores-perfeitos? 
Mas quanto ao Dirceu, 
Satisfeito, sentado 
Em seu rancho, amuado 
Pela brisa de seu 
Ar rarefeito? 

Ah, Cecilia, os amores 
Vão-se e vêm 
Oxigenados ao sabor 
Das singularidades. 
Mas se queres o amor 
De verdade, 
Estuda-o na renúncia 
Dos templos, 
Algo como a maior 
Das vaidades, 
Essa coisa que se 
Diz sentimento. 
 
 

 
 

 
 
 

Segredos




O que mais você esconde de mim 
Um confeito, uma bala de amendoim 
O parapeito do Titanic? 
O que mais você não me disse 
A idade do prefeito da tua cidade 
O número de buracos da ponte-aérea? 
Um outro imposto não pago? 
O que em você que você ainda não disse 
Uma ruga da mocidade 
Uma rusga com o conservadorismo? 
Um encontro desfeito na rua 
Um malabarismo consuetudinário 
Um déficit atuarial? 
Tens um diário? 
Cheirando a sopa Ianomami? 
Falaste de teu blog secreto? 
Incestos entre povos extintos? 
Falaste do silêncio dos pássaros 
dos insetos asquerosos, gatinhos bondosos? 
Falaste do dorso dos elefantes 
e pios de corujas? 
Fórmulas químicas de paçocas? 
Só não diga que o mundo dá voltas 
Essas eu já conheço. 
 
 
 

 

 

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