Soneto do Sanatório
Se vejo em passarinhos ameaças
Aos ventos que passeiam
taciturnos,
Nos morcegos de hábitos
diurnos
Tenho monstros de enormes
carapaças.
Nos mares os imensos torpedeiros
Parecem afundar os oceanos
Daí a legião
de americanos
Monstros com seus gestos
carniceiros.
E que dizer dos meus eternos
pesadelos?
Ruas que se acabam em vielas?
Apanhar-me sem um dente
e sem cabelos?
Ah... A qualquer santo acendo
a minha vela
E que meu Deus não
seja a causa de queimada
No guisado do zeloso cozinheiro.
2004