Soneto do Sanatório
 

Se vejo em passarinhos ameaças
Aos ventos que passeiam taciturnos,
Nos morcegos de hábitos diurnos
Tenho monstros de enormes carapaças.

Nos mares os imensos torpedeiros
Parecem afundar os oceanos
Daí a legião de americanos
Monstros com seus gestos carniceiros.

E que dizer dos meus eternos pesadelos?
Ruas que se acabam em vielas?
Apanhar-me sem um dente e sem cabelos?

Ah... A qualquer santo acendo a minha vela
E que meu Deus não seja a causa de queimada
No guisado do zeloso cozinheiro.
 

2004
 

 
 

Arthur Bispo do Rosario   Manto da Apresentação

 

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