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O
Adivinho
Enquanto
espero a
resposta
dela
rememoro
uma chuva.
Forte
e abundante,
daquelas
que tamborilam
o
telhado, principalmente
se
de zinco.
Enquanto
isso,
com
afinco me lembro de quadros:
Monet,
Renoir, Gogh, Cícero Dias.
E
músicas:
Chico,
Jobin, Xangai, Caetano.
Se
ela demorar um ano
(e
sei que não)
Irei
embora para Pasárgada,
encontrar
uma porção de gente.
E
olha, menina, Drummond
passa
as férias lá!
Enquanto
a espero, escrevo.
Junto
sílabas e fonemas,
morfemas
e tudo o mais.
Imagino
sua resposta,
e
o afã sossega.
O
coração sossega.
O
corpo relaxa.
Agora!
Ela
me repondeu agora!
Mas
foi tão baixinho que
não
ouvi.
Um
sussuro.
Um
suspiro.
Um
fiapo de pensamento.
Sim,
ela pensou e eu ouvi.
Assim
teria sua resposta
a
todo o momento.
Mas
não. Ela não me quer dar-se
por
completo,
e
embaralha os pensamentos
antes
de pensá-los.
Nenhum
dos dois fica sabendo
o
seu conteúdo.
Resta-me
o ofício.
O
ofício de adivinhar
e
escrever.
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